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Full text of "GRAMÁTICA LATINA DE ANTONIO DE CASTRO LOPES. NOVO SYSTEMA PARA ESTUDAR A LINGUA LATINA"

"OVO SYSTEMA 



PAHA ESTUDAK 



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,-ív 



de mais de 300 paginas : premiado pelo Go ^ Impe 

ptado como livro de consulta no Imperral Collegio 

(3. a edicao). 
Epltoue m. toir l» S«e«e, <*ra igualmente approvada pelo Con- 

sellio de Instruccao Publica da Corte. 
.„sa 1.«*., traduccao para verso latino das melnores ly ? s de 

Marilia de Dirceo. 

~~ A a ^vivio Pellico, destinada ás es- 
© s dcvcres dos fcomcns, versao de Sjlvio i-emc , 

colas de instruccao primaria. 
Ca^ohlsmo de Agri e-U«~, P- uso das escolas de instruccao pri- 

maria do Brazil. 
Medlco do Povo, edicpo completamente reformada e melhorada. 

Kessuiffffeifocss Poesias. 

Theatro do »r. Ctro ILcpes, contendo as seguintes pe 6 as :" 
' Abamoacara, tragedia em verso, 4 actos. 
A BDüCAClo. drama em 3 actos. 
compadre suzano, comedia ein 5 actos, 
Meu mabido está ministro, comedia em 3 actos. 
As tres cracas, comedia em 3 actos 
A emancípacao das mudheres, comedia em 3 actos. 
Um thesouro, comedia em um acto. 

SA.HIRA.' BREVEMENTE A' LUZ 

P ALE STRAS PIIIEOSOPHICAS SOBHO DESTINO DA HUMA.IDADB, 



A SBÁ MSTADE MPERIAL 



ífttllll- 



Senhor. 



Quando nao fossem mais que sufficientes os moavos 
qne tento, para nesta occasiao manifestar o meu wo 
iconnecimento, dedicando-Vos o presente lrvro; rrnpn- 
nba-meeste grato dever a benigna attencao, qne A os- 
Anronve Dispensar-lhe, Dignando-Vos Ler suas toscas 
paginas, e Dirigir a seu obscuro auctor, d'envolta com 
as mais animadoras palavras, sabias observacoes de 

competente Juiz. 

Esta prova, Senlror, qne do mais ardence amor peU 
lettras patrias Acabais de Dar, enebendo-me de louvavel 
onrutto, é tambem o forte antemural, comquermpa- 
vido posso agora aguardar a sorte do meu lrvro, e o 
juizo da posteridade. 



Permitti portanto, que como expressivo signal de 
profundo respeito e acrisolada adliesao, venlia depor o 
fructo de minlias vigilias na Augusta Mao, Que suV 
missamente beija o 



Vosso reverente, fiel, e agradecido subdito 

ANTONIO DS CaSTRO LOPES» 



PÁRECER SUBMETTIDO AO CONSELHO DE fflSTRUC{3LO. 



struccao elementar completa: em uma e outra a do ^^ ^¿^^ 
recta e explicada com clareza. Somos pois ^^^^1«, 
deve ser preferida ás mais acreditadas,ate agora seguidas no uso 
níoso porque reune em umsó compendio todas as ™^™ ° *™° 
éra ob igl a estudar em.diversos, como porque, ensinando-me os ^e 
tos pela praxe dos exemplos, o habitua desde logo aap^lo- na mu 
lua vers~ao de pbrases apropriadas da lingua nacmmü e , laü ™£™ 
ine desta sorte a teoria mais amena, e consegurad -^£ a s 

para entrar com mais desembaraco nas pnmeiras üaduccoesdos 

^DeT^rdc aV. S.- Rio de Janeiro, 23 de Agosto de 1355 - Hlm 
Sr D 1 « Pacbeco da Silva, Dignissimo Beitor clo Impenal ^Oo - 
Lío de Pedro II. (Assignados) Fr. José cla PuríficagSo Franco .- Gaü «l 
^Medeiros Gomes.- Jorge Fnrtaclo cle Mendonca. 



APPROVAUO E ÁBOPCiQ. 



Copia.-mo de Janeiro.- Ministreio dos Negocios do Imperio, em 27 de 
A«osto de 1856—Sua Magestade o Imperador, conformando-se com o pare- 
cer do Oonselho Director constante do Oíñcio de V. S. de 25 do corrente : 
Ha por bem, na conformidade do Art. 56 do Eegulamento de 17 de Feve- 
reiro de 1854, approvar e mandar que seja adoptada nos estabelecmientos 
publicos de instruceao secundaria, a grammatica da lingua latma, com- 
posta segundo o methodo de Robertson, pelo Dr. Antonio de Castro Lo- 
pes. que communico a V. S. em resposta ao dito officio. 

Deus Guarde a Y. S.- (Assignado; Luiz Peclreíra cle Coutto Ferraz.- 
Sr. Inspector Geral interino da Instruccao Primaria e Secundana do Mu- 
nicipio da Córte.- Conforme.- M. de Oliveira Fausto, Secretano. 



~-\ 



TBBGEIBA BDigAO. 



-^>-o>3=;a& 



A despeíto do íriste abatimento, em que progressivamente 
váo cabindo as lettras no Bmzil, sobntudo na Capital do Imperio 
nao obstante o apparato official, sempre crescente, de que 
cercam a instruccao publica, nsto foi ainda decretada a 
abolicáo do estudo do latim. 

E' para agradecer tamanha generosidade ; embora o en- 
sino deste utilissimo idioma, indispensavel na carreira lit- 
teraria, principalmente onde se falla a lingua portugueza, 
sua dilecta pvimogenita, seja táo pela superficie submims- 
trado, como douradura pelo processo de Galvani. 

A.inda'se estuda, ou para fallar a verdade, se finge estu- 
dar lafcim '; e porque aincla se conserva essa apparencia, ex- 
plicado fica o apparecimento da terceira edicao do « Novo 

SYSTEMA PAKA ESTUBAB, A LINGÜA LA.TINA. » 

Expnrgada de alguns erros typographicos, tem a presente 
edicao accrescimos, e melborarnentos, que só poderá bem 
Beconliecer, quem attentamente confronfcal-a com as ante- 

riores. 

A geral acceitacao desta obra didactica no paiz, e fóra 
delle, as auctorisadas opinioes de distinctos professores da 
Corte, e das Provincias sobre as iucontestaveis vantagens de 
ser por ella feita o ensino do latim, sáo do publico conheei- 



XII PREFACIO DA TERCEIRA EDICA.O. 

das, por termos mencionado alguma dessas opinioes na pre- 
eedente edicáo ; daremos por tanto agora, como provam- 
suspeita da excellencia do « Novo systema » o valiosissimo 
parecer do illustrado Visconde de Castilho, que até o pro- 

pOZ aO CONSELHO DE.INSTRUCCAO PUBLICA DE PORTUGAL para 

ser adoptado nos Lycéos daquelle Reino, sem que nós o ti- 
vessemos sabido, ou por qualquer modo pedido, como bem 
se vé das palavras do mesmo parecer, que é como se segue. 

O VISCONDE DE CASTILHO 
(Antonio Feliciano de Oastilho) 

No Correio Mercantil de 11 de Abril de 1862 lé-se o se- 

guinte : 

Sr. Consellieiro Cartilho (Antonio) escrevendo a seu 
irmao o Sr. Conselheiro Castilho (José) a respeito do «Novo 

SYSTEMA PARA ESTUDAIi A LINGUA LATINA » do Sl\ Dr. All- 

tonio.de Castro Lopes, exprime-se nestes termos : 

« Apresentei o seu livro sobro c estudo do latim ao Con- 
selho geral de instruccao publica com a seg-uinte pro- 

posta : 

« Senhores.— Tenho a honra de offerecer á vossa consi- 
« deracao e juizo a obra, que traz no frontespicio o seg-uinte: 

« NOVO SYSTEMA PARA ESTUDAR A LINGUA LATINA COinpOStO 

« por Antonio de Castro Lopes, Doutor pela Faculdade de 
« Medicina do Rio de Janeiro, ex-lente de latinidade do Im- 
« perial Colleg'io de Pedro II, Official da Secretaria de Es- 
« tado dos Neg-ocios da Imperio, natural do Rio de Janeiro. 
« Obra adoptada nos estabelecimentos publicos de instrnc- 
« cáo secundaria. Indocti díscant, etc. Seganda edicao cor- 
« recta, e augmentada,— Rio de Janeiro. B. L. Garnier, li- 
« vreiro-editor. Rua do Ouvidor 69.-— 1859.— 

« Eu por mim, lendo attentamente este livro de auctor, 
« nem conterraneo, nem conhecido meu, tao util o julguei, 
« que em vol-o apresentar com especial recommendacáo, 
« entendi abrir a porta a um consideravel melhoramento. 



« 



PREFACIO BA TERCEIRA. EDICA.O. XIII 

« De quantas disciplinas se professam barbaramente mal, 
« e já de seculos, nem uma, a nao ser a do ler e escrever, 
« pode peclir mecas ao latim ; estudo cle annos amargu- 
« rados, e odiosos, dando commumente em resultado um 
« escassissimo conliecimento dessa lingua, a qual, pela 
« aversáo, que entáo se lhe ganhou, nunca rnais se cultiva, 
« e vem a esquecer-se em menos annos do que levára a 
« grangear-se. Doride provem tamanlio mal? Da irraciona- 
« liclade, do contra-natural do systema invariavelmente se- 
« guido nesse ensino, aliás facil de si, e só abstruso, repu- 
« gnante e esteril, por se carecer de pliilosopliia na maneira 
« de o apresentar. Os fabricantes das Artes latinas, e os Pro- 
« fessores, que só por ellas se governam, seguem o cami- 
« nho opposto áquelie, por onde a mestra universal levou 
« sempre em toda a parte os bomens, e mais ainda as cre- 
« ancinbas, descle o berco, sem custo, sem lagrimas, sem 
« demoras, ao conhecimento da lingma materna- Estudando 
« e fallando, aprendemos todos a lingua do nosso paiz ; a 
« grammatica é para esse conhecimento uma superñuidade, 
« aque nem toclos chegam, talvez menos cle umpormil. 
« Para o ensino clo latim esqueceu esta experiencia propna, 
« este grande facto universal ; fez-se da grammatica o 
«-ponto de partida ; era um escandalo em philosophia, e nao 
« se vio tal. k grammatica, mera formulacáo de corollanos 
« colligidos no uso do ouvir e do fallar, do entender e do 
« traduzir, tomou-se pelo pñncipio do mesmo fallar, e do 
« tuclo. Esta inversao absurda do effeito em causa, este 
« plantar de arvores com as ramas e frucfcos para baixo, 
« para dentro da terra, e as raizes para o sol, tiveram por 
« cómminacao a esterilidade ; o peior é que a mais ngorosa 
cc pare do castigo nao cahio sobre os violadores da natu- 
« reza ; os innocentes é que foram as victimas. 

« Era tempo cle se applicar já ao ensino do latim a enge- 
« nhosa, e mais natural teoria de Robertson, seguida com 



XIV 



PREFACIO DA TERCEIRA EDIClO. 



« vantagens incontestavéis no ensino das linguas vivas, por 
« que a distinccSo de vivas e mortas era para aqui mteira- 
« mente descabida. E' isso o que faz com o presente volume 
«oDr CastroLopes. exito, seguudo parece, tem corres- 
« pondido ás suas diligencias. Na America ainda se perdóa ás 

« creacóes uteis. 

« Sem affirmar que este livr.o seja esmerado por igual em 
« todas as suas partes, persuadido até de que em alguns 
« ponctos de secundaria ímportancia se llie podenam fazer 
« alteracOes, que o auctor náo deixaria de agradecer e 
« aceitar, acho que assim mesmo a adopcáo do Novo Sys- 
« tema, quando menos como tentativa a imposicao delle of- 
« ficialmente nos Lyceos de Portugal por espaco de alguns 
« annos, para experiencía, seria uma resolucáo bem digna 
« de ser proposta ao Governo por um Conselho illustrado, 
« desejoso do progresso, e náo pusillanime para trepidar 
cc diante de qualquer sombra de no.vidade. Si o Brazü disser 
«quenos antecedeu nesta reforma, nao possa ao menos d%%er que 
cc Portugal nem para Ihe seguir o exemplo 'tem alma. 

« Mais quizera eu ainda para cabal reconstituicao do en- 
sino do latim; e si liouvesse de propór esse mais, havia de 
ser abonado por factos de minha propria expenencia; mas 
« Deus me livre de sobresaltar os animos do Conselho com 
« asultimas ousadias. Tenho aprendido á. minha custa nao 
« haver cousa mais contraproducente, mais desgracada, 
« mais funesta que apresentar iogo da primeira vez uma 
cc verdade todaVespecialmente si é das muito proveitosas. Ja 
« nao sera-pouco, sí o systema de Robertson for efficazmente 
« attendido; adoptado elle, si contra minhaespectativa o for, 
« fique para algum outro temerario, d'aqui a cem annos, 
cc lembrar que será boinrestaurar-se logicamente aboa obra. 
« Lisbóa, 9 de Novembro de im.-Antonio Feliciano de 
« Castilho. » 

Rio de Janeiro de 1879. 



~^jjir— r-|'f jlii.1 ^iu^JJ- 



espirito ainda o menos reflectido comprehende pelo 
movimento accelerado que impelle todos os elementos so- 
ciaes do paiz, que entramos em uma nova phase : tudo in- 
dica a chegada de uma época de civilisacao, pois bem de 
perto soa aos mesmos idolatras do estacionalismo o rbdar 
triumphante do carro do progresso. 

Este crescente desenvolvimento, e animadora reaccao, 
que mais sensivelmente se hao manifestado na ordem ma- 
terial, estendérao seu influxo aos dominios intellectuaes, 

Posto que incipiente já uma Reparticao 'especial dirigida 
por um dos mais conspicuos Brasileiros, o Exm, Sr. Conse- 
lheiro d'Estado Eusebio de Queiróz Coutinho Mattoso Ca- 
mara, se occupa com os neg-ocios da instruccao publica, 
que até ag-ora jouveráo em criminosa posterg-acáo. 

A esta nova ordern de cousas é sem duvida devido o 
desentorpecimento daquelles, que sem estimulo algum, e 
muito menos o da gioria, haviao concorrido até entáo para 
augmentar o numero dosindifferentes em materia de lettras. 

Era pois tempo para que tambem o fluido vivificante da 
reforma, penetrando por toda a parte, revolucionasse o es- 
tudo das linguas classicas, e substituisse o inveterado sys- 
' tema de ensinar rotineiramente o latim. 

Tal é hoje a nossa tentativa. 

Ninguem ig-nora que desde long-os annos a marcha ge- 
ralmente seguida para o ensino do latim tem sido, além de 
morosa, ingrata e arida ; causa esta determinante da fre- 
quente esquivanca e desercao dos que tentam estuda-lo : 



XVI CONVEM LER. 






numerosos sao os exemplos dos que, tendo encetado, des- 
prezam, ou amedrontados pelas difficuldades ou enfastiados f 

da aridez dos seus rudimentos, o conhecimento de um dos | 

mais poderosos e indispensaveis auxiliares na carreira lit- ,[ 

teraria. Indubitavelmente por semelhante motivo é que al- ; : 

gumas vozes tem-se já levantado pedindo a extinccao do $< 

ensino desse idioma, em que estáo estampados eternos mo- I ; 

delos de eloquencia, de poesia e de historia. ' 

Quando todas as nacoes cultas da Europa veneram e es- 
tudam a lingua que falláram os Varroes e os Ciceros, nós 
que fallamos aquella, que na phrase de Camoes— com pouca 
corrupcao cré quc é latina,— lamentamos o tempo perdido em 
aprendé-la, esquecidos de que a ella devemos tudo quanto 
temos de bello, de sublime, de harmonioso, e de puro na 
lingua vernacula ! ! . . ¡ 

Castig-ar tao feia ingratidao de filhos para com uma mai, 
que lhes prodigalisa táo apreciaveis dons, é sem duvida 
um rigoroso dever ; e áquelles que comprehendem o grave 
prejuizo resultante do olvido e abatimento, em que váo ca- 
hindo as lettras, por certo incumbe a tarefa de evitar que 
um funesto apedeutismo engendre a perversao do gosto, 
que de dia em clia vai desapparecendo. 

Para restaurar portánto o estudo clesta lingua sábia, pri- 
meiro alimento que devem receber todos quantos se de~ 
dicam ao cultivo das sciencias e lettras, cumpria exami- 
nar entre as muitas, qual a mais prepoderante causa cle sua 
decadencia, afim cle que, removendo-a, fosse alcancaxla a 
reivindicacao de seus fóros. 

Essa caüsa, que nao tardou em se nos fazer conhecida, é 
o methodo de ensino invariavelmente seguido ha seculos ; 
methodo contrario á natureza, e cujos resultados só excep- 
cionalmente se tem mostrado satisfactorios. Como prova do 
que acabamos de dizer veja-se quanto é avultado o numero 
dos que aincla sob as melhores condicoes de intelligencia e 



C0NVEM LER. XVII 

1 

' 1" 

applicac&o náo primam no conhecimento do latim, sendo f 

entretanto eminentes em outros ramos litterarics de náo | 

menor difficuldade. Com effeito parece incrivel que, g'astos 1 

tres, quatro, e mais annos no tirocinio de uma lingua tao I 

consanguinea da nossa, cuja pronuncia (hoje de pura con- 

vencáo entre nós) nadatem de difficil, seja ella nao obstante 

mais ignorada e desconliecida, que outras muitas que se 

aprendem em menos tempo, e com mais facilidade, apezar 

de diversificarem mais da nossa, nao só na pronuncia, cons- 

truccáo e completa dissemelhanca dos vocabulos, mas até 

mesmo nos caracteres alphabeticos. 

Náo soffre pois contestacáo que a proverbial difficuldade 
do latim é mais extrinseca, do que intrinseca ; e que conse- 
quentemente todo o vicio reside no methodo. 

Na verdade, quando se considerar que o estudo do latim 
comeca pela fiel recitacao das declinacües e conjug'acoes, e 
pela decoracao de principios e regras geraes, cuja applica- 
cao o estudante só muito depois vem a conhecer, e ordina- 
riamente nao acerta em fazé-la ; quando bem se reflectir 
que esse espaco de tempo precioso empregado na penosa 
obrigacao de reter na memoria as formulas abstractas dessas 
declinacoes e conjugacoes, poderia ser de outro modo apro- 
veitado, forcoso será confessar que tai lingua assim ensina- 
da deve gerar no animo dos que a estucláo um justificado 
tédio, effeito dessa postica difficuldade, e didascalicaaridez. 

Remediar esse mal, substituindo por outro mais vantajoso 
o methodo antig^o, deve portanto ser um servico real feiío á 
mocidade, e á classe pedagogica, que por propria experien- 
cia comnosco reconhecerá a verdade do que acabamos de 
axpor : náo tenclo porém a immodestia de crer que resolve- 
mos o problerna do verdadeiro meio de ensinar, nutrimos 
todavia a íirme conviccao de que vamos introduzir um sys- 
tema novo, e mais proficuo para o ensino da lingua latina ; 
systema, cujos resultados sao maravilhosos quando appli- 



COHVEM LER. 
XVIII 



• i n nn illemao, e ultimamente ao francez ; fal- 
lamos do sy B tema ^^ encontrado 

de applical-o ao latim. base 

pnncepal a 'yf^ i4a a significaeao de cada pa- 

se ,« npvento l»m con ^ ^ ^^ ^ d]a . 

palayra, fc ' m f ¿^f^l^ 4 „ texto ; mas de tal modo 
logo, que vevsn »ooie o ' nrasMriammtó o 

m P o H 1. 1 lt • após este vantajoso exercicio segue- 
gmficaeao la oouhecc ,p , de cada palavra do 

, se uma mrnucmsa «^» 1 ' ' nB sendo anal ys ad os, vai 
texto ; e & medute que o íactos « ¿ nWta . 

vem-se delles as «JM* , intertin eav opren- 

m entese .nsmnam.Po. ™°£ - ,„,.,, apren - 

^ t tTs aiubem o mecanismo da construccáo das 
eidentes, mas tamDem Ainda.com esses vo- 

estas nova. plnas sao o 1 ^ ^^ 

a lin°ma estrangeira , desta mciua i 

n • ;,"d lirlo tanto a pratica da versao para a 

seu emprego em uma lingua morta. 






?! 



CONVEM LER. XIX 

A primeira e principal objeccao clos incredulos regressis- 
tas sobre a possibilidade cla applicacáo clo methodo cle Ro- 
bertson ao latim repousa no principio g'ratuito por elles es- 
tabelecido cle que o ensino das linguas vivas differe do das mor- 
tas. Esta proposicao tao imponente, quao insustentavel, só 
poclerá ser provada por um circulo vicioso, o que basta para 
fazer conhecer a sua falsidade. Com effeito, bem desejara- 
mos saber qual é a differenca radical entre uma ling-ua 
viva, e uma morta : quanto a nós, parece-nos só haver a°se- 
gminte ; que aquella, por isso- que tem cultivadores, póde 
augmentar o seu material engrossando o seu vocabulario 
com a acquisicao de novos nomes á medida que forem sur- 
gando novas cousas, que reclamem o baptismo convencional 
da linguagem ; entretanto que a lingua chamada morta, 
por isso que os povos que a fallaram receberam de nacoes 
vencedoras nova lei, novos uscs, e nova lingua, fica esíacio- 
naria, tal qual existia até á epoca, em que foi substituida, 
conservando aquelle numero de vocabulos, e de formulas 
precisas para exprimir as necessiclades de entáo. 

Eis a unica differenca essencial entre as linguas vivas 
e mortas ; pois quanto á pronuncia, náo a podemos conside- 
rar, sináo como circumstancia totalmente accidental. 

Perguntaremos portanto ag-ora : ¿ será aquella unica dif- 
ferenca que nos impeclirá de aprender a lingma morta pelo 
mesmo sjstema, porque nos é ensinada a viva ? Ningmem 
por certo o dirá, depois cle um momento cle reflexao. Em 
verdacle, si o conliecimento, por exemplo, clo latim serve-nos 
principalmente para a intelligencia e interpretacáo dos au- 
^ctores, que nessa lingua escrevéram (no tempo em que era 
'tambem fallada), e sendo absurcio suppor que as formulas 
da linguag-em escnptasao clifferentes das da lingma fallada, 
— & porque náo se poderá, para comprehender esses mesmos 
auctores, que podemos suppor outros tantos individuos pri- 
vados da faculdacle de exprimir sons, mas só communicaveis 



CO"NVEM LER. 

XX 



• ♦ ■ nnrcme náo se poderá, dizemos nós, 

íW r° o iST ffl ^obertson, ,ue «o — - 
applicar ao latim o w ünguas vivas 1 bup 

iente é émpregato no ^no £ ^ ^ ^ 

ponde que por uma ca " og a fallam , deixavam de 

a Ungua ingleza, que tod os q ^ da gua 

existir ; que mais nmguem ^a^ ^ & ^ ^ 
extravagante pronmiuia , P ° w e mpregar para 

possivel, mesmo decorndo* .mu rto, se^, ^ ^ ^ ^ 
ensino dessa lingua entao ? n¿e ^ 

^eitosamente a fez conbece i quanc - a de 

b em que Hobertoon, o ^entor do ma ^^ ^^ em 
ensino das linguas, vivia no temp , ^ ^^ eUe Q 
que o latim era lingua viva ,e hoje faz C om o 

ensinava aos estrangeuos _m ,Uo co ^ ^ ^ ^^ 
inglez-.supponde amdamai,qu . ^ .^^ ftté 

d0 - ao vandalisxno dos ba ; baios q. . m _ 

nós , como outras o^e^ epoc ^ ^^ 

praticavel hoje o ensmo da lm e u tes ensinan - 

doaos estrangeirosolatimen^ 1 ^-^ ^^ ^ 

mentos nos parecem ^epUca, e, • s para exprimir 

qU eUingualaün^se^M ^ 

as cousas de hoje, nao -e se ut , i d) qu erendo 

lada (prescindindo da -^ ^ m ^tissimo da 
eacerrarmo-nos no pentneUo mesm 
eivilisa 5 ao romana^estem^^^ ^. ^.^ 

Confrontemos agoia com Iiat ureza 

noensinodolatim,ecomoacmalamai. 

' humana relativamente á lm ^ a e e ^- se sabe CO m- 

Queanaturezaéomelborguia ? ^^ teffi0S por 

prelmnder sua muda express.o, e pr^ ^ ^ 

Lconcusso, e fonte donde manai na^ . n ax - ^ ^ 

1 sequencias : observemos poxs ^atur^za sob o ! ^ ^ 

ta da linguagem. A. crianca serapaxano.o 



€ 



C0NVEM LER. XXI 

qualquer parte clo orbe onde nasca, um paiz para ella es- 
tranho. E' ordinariamente depois da residencia de tres para 
quatro annos que este estrángeiro falla a lingua do paii em 
que se acha ; náo porque muito antes náo conheca os ter- 
mos proprios de cada cousa, mas porque os orgaos da yoz 
nao estavam até entao desenvolvidos,e porquedesenvolvida 
nao estava tambem a sua intelligencia : oucamol-o porém 
fallar ; e veremos qúe elle conjuga verbos, concorda adje- 
ctivos com substantivos, emprega preposicoes,conjunccOes, 
interjeicoes, usa de ellipses, de idiotismos ; finalmente que 
sabe as regras principaes da syntaxe. Dizei-nos vós agora 
qual a grammatica, por onde aprendeu estacrianca, que 
ignora todas as linguas, a fallar qaalquer dellas conforme 
se acha collocada neste ou naquelle paiz? Quaes foráo os 
principios, as regras, os preceitos geraes, que lhe ensiná- 
ram para em virtude delles compor com mais facilidade que 
qualquer outro individuo, que já sabe uma lingua interme- 
diaria da que vai aprender ; que já tem uma intelligencia > 
desenvolvida, e que entretanto, ccnterü paribus, nao compOe, ' 
nem traduz táo rapidamente, com tanto acerto, e até 'mes-' 
mo com tanta elegancia? A resposta será, que o usoj que a ■< 
practica sáo os melhores mestres. E' justamente esfa cdnfis- 1 
sao quenos convem para a questao actual: a practica e oitso 
devem pois ser nas linguas a base principal do-ensino ; e 
consequentemente só deve ser bom e proficuo para apren- 
der qualquer lingua o methodo que basear-se de preferen- ■ 
cia na practica e uso ; sendo perfeitoaquelle que acompa- 
nhando a marcha da natureza fizer preceder a practica : á 
theoria, como acontece com o systema de Robertson. « Nao 
é'possivel, dizia o celebre Dumarsais, comprehender os 
principios geraes e abstractos antes de conhecer as idéas 
particulares que elles suppüem. » A verdade, que esta pro- 
posicao encerra, se mostra em toda a sua plenitude nos me- 
thodos até hoje seguidos no en'sino do latim ; methodos, 



<¡M 



XXII •' CONVEM LER. 

que fazenclo sempre anteceder o principio ao facto, a regra ao 
exemplo, da,va,m em ■resultado a triste verdade do axioma que 
hapouco mencionámos. Mais algumas palavras, e termine- 
mos estas consideracoes, 

novo systema para. estudar a lingxvi latina, empregando o 
methoclo de Eobertson, tem por fim ensiua? o latim, como 
se fosse uma lingua viva ; o que nada deve ter de admira- 
vel clepois clas reflexoes, que apresentámos : pelo Novo sys- 
tema ficam satisfeitos os seguintes quesitos; a saber : apren- 
der no raenor espaco de tempo possivel o maior numero de 
palavras ; conservar sem custo, e agradavelrnente na me- 
moria as suas inflexOes, isto é, as declinacoes e conjuga- 
coes; aprender mais pela practica, clo que mesmo pela expo- 
sicáo cle regras, o modo de construir phrases, de conformi- 
dade com a indole da lingua ; accommoclar-se á variedacle 
das intelligencia&, offerecend.o a umas a analyse, a outras a 
teoria, a algumas a synthese, e a todas sem excepcáo a 
practica: as consequencias necessarias desta innovacáo para 
o latim seráo portanto : — amenisar o estudo de uma lingua, 
que até hoje teiu sido arido ; e ahreviar o prazo do ensino 
sem prejuizo, mas até com mais proveito dos que a estu- 
darem. 

Cumpre-nos agora declarar quaes as fontes, onclehehémos 
a doutrina exposta no nossolivro; pois quanto ao arcahouco 
do Novo systema, é claro que sendo esta a primeira obra que 
apparece adaptando o methodo de Roheríson ao latim, nao 
■ tivemos matriz para fundi-la. Por um consciencioso escru- 
pulo náo prescrevemos jámais regra alguma, que nao esti- 
vesse confirmada por exenlplos dos classicos latinos ; clia e f 

noite meditámos lenclo as veíhas paginas do encyclopedico 
Yarráo,clos eruclitissimos Vossio. Despauterio, Schopp, San- 
ches, e Perizonio ; sendo-nos tambem grandes auxiliares 
Alexancler Adam, e o egregio hellenista, e náo menos ce- 
lebre latinista Burnouf, que, apezar de seguir no ensino do 






CONVEM LER. XXIII 

latim a mesma marcha que seus numerosos predecessores, 
soube comtudo expor com mais clareza e ordem a substan- 
cialdoutrina,que de um modo iu.digesto e confuso se encon- 
tra no já citadu Vossio. 

Nao pedimos lonvores, nem encomios para a presente 
produccao; mas quizeramos náo vé-la considerada conio um 
de^ses muitos trabalhos litterarios, que sendo mais ou 
menos novissimas edicoes de outros já conhecidos, vém 
apenas augmentar o catalogo das livrarias : náo procuramos 
e?¡:agerar, rnas destjaramos que fossem reconhecidas as dif- 
ficuldades, com que luctámos, os embaracos que muitas 
vezes nos cercáram na confeccáo clesta obra ; embaracos e 
difiiculdades, que forara superados, gracas ao ardente amor 
das letfcras, a uma actividade, e forca cle vontade, que por 
níin se manifestarem atravéz de atordoaclora azafama, nos 
negam aquelles,que nada mais nos podem exprobrar, Si al- 
gumagloria póde resultar deste tosco trabalho, nüo nos com~ 
pete ; nem aceitamos, porque toda deve reflectir sobre a me- 
moria de dous illustres varOes (*), que já clormem o somno 
da eternidade, e a quem deveraos o gosto por essa lingua, 
em cujo conhecimento jámais os poderemos igualar. 

Concluamos. 

A litteratura latina é como uma vasta ciclade encantada, 
ornada de alegres pracas, [cortacla de bern alinhadas ruas, 
decorada de magestosos ediñcios, de pomposos templos, gi- 
gantescas arcarias, estatuas de marmore, columna* monu- 
mentaes ; mas antes que os viajores, que a ellase dirigissem 
para admirar tanta grandeza, e magniíicencia, chegassem 
ás suas portas,pelo menos tinham de sergastos tres, quatro, 
óu mais annos de fastidiosa peregrinacíio : ¿ e quantos náo 
affrouxavam. nos primeiros mezes dessa jornacla ameclron- 
tados dos aridos desertos que percorriam antes de tocar ao 

(*) Padre Joao Alexandre da Silva Paes, e Agostinlio José Gaspar. 



XXIV CONVEM LER. 

termo de sua viagenr? ¿ quantos um pouco mais perseveran- 
tes,vencendo as tortuosidades do caminho,mesmo assim fati- 
gados, nao ínterrompiam a romaria, perdendo deste modo o 
tempo inutilmente?¿ quantos, emfim, á custa de mais atu- 
rado esforco apenas se aproximavam da opulenta cidade, e 
malpodiam contemplar-lhe os altos zimborios, e cupolas, 
daudo confasa noticia de algum dos seus portentosos monu- 
mentos? ¿ Mas porque táo inaccessivel éra essalinda cidade ? 
Porque os guias,que aliásbemlhe conheciam a posicáo, nao 
cuidáram até aqui de buscar um atalho para porelle condu- 
zirem os caminhantes; resultando disto que poucos tinham 
animo de affrontar as devezas para chegar ao termo da 
viagem;e muitos cansavam,ou temiam leva-la ao cabo. Hoje 
porém essa formosa cidade, que para ser visitadaéra mister 
até agora atravessar longos, tortuosos, e quasiimpervios ca- 
minhos, communicará com o estrangeiro por meio de uma 
estracla larga, recta, plana, e bordada de apraziveis aía- 
medas, em cujo centro deslisaráo rapidamente wagons e lo- 
comotivas de nova especie, porque sern duvida o systema de 
Eobertson póde bem ser denominado o caminho de ferro das 
lingiias. 



Rio de Janeiro, 1855. 



§© do aoiro systesaa. 



TRABALHO DO PROFESSOR. 



Explicar, reproduzindo com toda a clareza possivel, as nogoes preli- 
minares, cuja Ieltura repetida recommendará ao alumno sem comtudo o 
obrigar a decora-las ipsis verbis. 

Ensinar, ao menos nas primeiras licoes, a pronuncia das palavras do 
texto latino conforme entre nós se usa. 

Fazer as perguntas mencionadas na corversagáo, exigindo em resposta 
as regras expostas na analyse. 

Fazer as perguntas da recapitulacao. 

Mandar declinar os nomes, e conjugar os verbos ( por escripto) que 
vierem em cada licao, segundo os quadros respectivos. 



TRABALHO DO ALUMNO. 

Estudar as nocoes preliminares, sendo-lhe permittido nao decora-las 
i'psis verbis. ..■..'. 

Decorar fielmente o texto latino de cada licao com a respectiva tra- 
dúccao interlineár, obsérvando exataniente á pronuncia dás palavras la- 
tih'ás conforme os acceitos. 

Eesponder com as palavras 'latinas do texto ás perguntas da conver- 
sacao . 

Ler uma e muitas vezes com a maior attencao possiveí a analyse, de 
modo que fiquem gravados na memoria os preeeitos ahi expendidos> 
decorando até ipsisverbis, qüánclo fó r possivel, as regras e observácoes 
escriptas em lettra itaiica. 



:■' 

'tM 



XXVI DIRECTORIO 



Fazer nas horas do estudo, e apresentar por escripto ao professor, a 
composigao, devendo para este fim observar eserupulosamente as regras 
expostas da anahjse, e os quadros das declina 5 oes e coniugacoes. 

Apresentar por escripto ao professor a declinacao dos nomes e a con- 
jugacao dos verbos que por aquelles lhe fórem marcados. 



OBSERVACOES. 

Partindo do principio - quem vai estnclar uma lingua estranha deve 
ao menos ter nogoes geraes da grammatica da lingua vernacnla -, 
omittimos definicoes grammaticaes, a conjugacao portugueza, e a tra- 
duccao dos casos nas declinacoes : nao obstante, o professor podera, 
quando julgar necessario, supprir esta omissao voluntana. 

Oada regra ou observacao exposta na analyse 6 marcada por um nu~. 
mero : por meio desse numero posto enlre parenthesis é que remeltere- 
mos o alumno para ler a regra ou observa ? ao já feita. 

Convem nao passar de uma para outra li e So, sem que a precedente es- 
teja bem sabida. 

Com cada uma das licoes devem ser estudados os quadros nellas indi- 
cados: por exemplo • na 1« ligao sao indicados os quadros n. 1 e n. 2: 
o professor deve mandar declinar por escripto, segundo o quadro n. 1, 
o substantivo feminino amicitia, ce, e o adjectivo darus, a, um, na 
terminacao feminina : ainda pelo quauro n. 1 (segunda declina 5 ao para 
masculinos ou femininos) o substantivo masculino populus, %, e o ad- 
jectivo tommotus, a, um na terminacao masculina : ainda pelo mesmo 
quadro n. 1 (segunda declina ? ao para neutros) o substantivo neutro 
donum, i, eo adjectivo egregius, a, um na terminacao neutra : pelo 
quadro n. 2 mandará copiar o verbo Esse, ou conjugar por este algum 
dos seus compostos apontados no dito quadro n. 2, 

A mesma marcha deve ser seguida nas outras licoes com os quadros 
seguintes. 

Depois de dadas pela primeira vez as 16 li 5 oes, deve o professor, na 
recordacao destas, mandar estudar os capitulos da segunda partó de 



PARA. USO DO NOVO SYSTI5MA.. XXVII 

mocío que ás nogdes preliminares corresponda o capitulo primeiro ; á 
primeira licao o capitulo segundo e assim por diante de sortc que á ul- 
tima licao corresponda o ultimo capitulo da segunda parte. 

As figuras, a -prosodia, e a arte metrica devem ser estudadas quando 
o alumno traduzh- os poetas. 

professor póde nos cursos publicos comecar a explicar a %>rimeira 
ligao, e cada uma das outras do seguinte modo : mandará escrever em 
am grande quadro (viügarmente pedra) o texto latino sem a traduccao 
interlinear : os alumnos conservando fechados os livros, devem dar-lhe 
em portuguez a significacao das oracoes latinas, á medida que estas fo- 
rem pelo professor perguntadas : póde tambem o professor em vez de 
mandar escrever o texto latino, exigir a traducgao portugueza deste, 
dividindo-o em pequenas phrases, que perguntará salteadamente aos 
alumnos, conservando estes fechados os seus livros ; passará depois ás 
perguntas da conversagao, seguindo o que já acima expuzemos. 

Apezar de marcarmos aqui o modo pratico de usar do Novo Systema, 
declaramos que poderá elle ser modificado, conforme o concurso das 
eircumstancias, e o conselho da experiencia o reclamarem, 



, 







— y 



-rf<ñ 



PARA ESTOTA.R --— ^- 




*T 



HQCOEiS PRELIHIHARHS* 



1. Á.S letras, com que se escrevem as palavras latinas, sao 
as mesmas, de que usamos nas portuguezas. 

A B, C, D, E, F, G, II, /, /, £, I, M, N, 0, P, 

Q, /?, s, r, t/, F, X, r, z. . 

a, &, c, d, e, f, g, /i, i, Í, &, í, ™, «, o, p, g, r, s, 

í, M, w, as, y, 2- ' , 

Seis sáo vogaes : a, e, i, o, u, y; mas o y pertence propna- 
mente á lingua grega, e só se emprega nos.voeabulos que 
do o-reo-o se derivam, como : hijacinihus, jacmtho (líor). 

2. Duas vogaes reunidas em uma só syllaba formam um 
diphthono-o : os principaes da lingua latina sáo : ae, ue, au, 
eu, por exemplo, Ccesar, Cesar, cama, ceia, laus, louvor, leuca, 

' A terminacáo e?¿s só é diphthong-o na interjeicao, heus, olá, 
e nos nomes greg'os, como Morpheus, Morpheu : em todas as 
mais palavras as duas vogaes se pronunciam separadaraente; 
por exemplo : De-us, Deus, me-us, meu, case-us, queijo. ^ ^ 

Os diphthongos ei e wi sáo muito menos usados. Ei so e 
•diphthongo na interjeicao hei, ai de mim ; em quns, aqs 
quaes, e em algumas contraccoes poeticas. Ui e sernpre di- 
phthongo na interjeicáo hui, oh ! ; o mais das vezes em 
huic, a este ; em cui, *ao qual, e nos compostos de cui. bm 
todas as mais palavras,e¿ e ui se pronunciam separadamente, 
como em pule-i, do poco, su-i, seus ; fu-i, eu turou estive. 

Nas inscripcoes e manuscriptos antigos os diphthongos ae 
e oe eráo escríptos com as vogaes separadas ; depois porem, 



* 



5 



4 LINGUA LATINA 

™m maior commodidade da leitura, introduzio-se o uso de 
IsíreXlos com as vogaes reunidas deste modo: « *. 
3 is outras dezanove lettras sáo consoantes :.&, c, o, /, <J 

^¿^kMtó^ «das, s.nivogaes, Kfl«ito, e 

duplices. 

A_s miidas sáo : fr, c, a, f, fif, P, <3S *■ 

As semivogaes sáo : l, m, n r, s. ^ ó gao 

Destas chamáo-se hquidas : í, ...m. w, r, uiaa 

nafpaía^aTA gener.1, q'ue se fje P— ar *»cs ■ 

pronuncia paínsso e a cts ou sa . uu pi ' r ; se(leYe 

Tocabulo representa ds como Z^ft-yr"^ Zeplmo, que > se ! aen , e 
pTormnciar L^jrus ; e sd no 'meio como Ezras, que se pio 

nU n C /í^eS a duvida alo-uma um sigmal de aspiracáo, que 
naaa^nüu'na^uantifede das vf*?.™*™^ ¡ 
mente para pela pronunciacáo distmgunem-se as paia^i 
nnp qpm elle poderiam coníundir-se. „• n „i 

qU em para os latinos represeutado com c > mesmo ^gna 1 
rnm nue era avo°-al <¿, que se tornava consoante, quanao ccu . 
CX entíe duas vogaes, por esemplo, marj-or, maior ; e 
ertgapquaiido seguida V uma consoante, como M-a, 

^O* lettra clos Gregos, usada pelos latmos em ^ lugat- dc >^ 
e principalmente quanclo segmaa da vogal a, eia mais poi 

1U 0°; X=r^^ com qim ; era 
a voo-al u ; assi.n se escrevia «íua, b >sque que 1 ?ode tei tie* 
tyía°bas como a,ui por ser voga 1 a quar ta leta a ou duas 
«svllabas faze.ndo consoante a dita lettia, como swta. i^ 
ifflade de troca da lettra u por *,.e de *por j e.muito üe- 

^uando íí-de^em a vogal «se guida de ogra vogal 

p?onuncia-s°e separÍdamente, como por exemplo, a*gu-6-r6, 

ar 0^"em o mesmo som que o c e o k : ^ sem^e^mdo da 
vagal u, que faz corpo com esta consoaiite eis poique t^ e 
W a das paíavras latinas qui, o qual, g«am, a qual, nao 
/.dipMaongos. 



NOCOES PRELTMINARES. 



As lettras ch, ph, th, eps foram admittidas no laxim para 
substituirem as lettras gregas que eráo representadas cacra 
uma dellas por um só signal, e que tmham um som parti- 
cular. ch tem sempre o som de c, /e ou q ( que é sempre o 
mesmo) ; o ph soa come f teado antes de si p (pf) ; oth soa 
como í com uma aspiracáo, que hoje é ímpossivel conhecer : 
o ps soa justamente como as duas lettras de que é tormado 
para representar a lettra grega a que corresponde. 

4. alphabeto latino propriamente dito consta portanto 
de vinte e urna lettras, que-sao cinco vogaes: a, e, *, o, u 
(nao se conta y por ser grega) ; e dezaseis consoantes : b, c, 
d, f, g, fc, &, l. m, w, p, g, r, s, í, ®, (nao se conta com o & por 
ser 'lettra grega náo usacla pelos antigos, nem o«eoj por 
serem transformacoes das vogaes. u e i, como acima mos- 

trámos.) •*«''■ 

5. Senclo impnssivel hoje saher qual era a maneira exacta, 
pela qual os latinos pronunciavam as palavras da sua lm- 
o-ua íen\ cada uma das nacoes moclernas accommoclacio a 
pi-ouuncia do latim á da sualingua nacional. Entre nós tem 
sido sempre uso pronuncia-lo claado a cada uma das ieutras 
vogaes urn som náo duvidüso, exprimirido-as o mais cla- 
ramente possivel, dé moclo que náo se possa na pronun- 
ciacáo confundir o e com o i, nem o o com o u. A. leiua i 
nofim clas palavras tem-se clado geralmente o som cíe a, 
posto que alguns Mestres o pronunciam como t. lNenliuim* 
das lettras cmnponentes de uma palavra cleve ser omittiaa 
. na pronunciacao, salvo as lectras dobradas. As syllabas n- 
: naes am, em, úm pronunciam-se como as das palavras poi 
tuguezasterminadas com ( "" ) til. A syllaba tí seguida ae 
vogal pronuncia-se como ci, excepto antes de s, ou x. 

6. As vogaes ou tem um som breve, e sáo designaaas por 
este sigmal (^), ou tem um som longo, e sao desigiiacias 
por est'outro { — ); quando tem umas vezes sorn longo e 
outras breve, como na poesia succede, cbamam-se communs. 

7. Em geral, uraa vogal autes de outra vogal e breve, 
cotno por exemplo na palavra incuria, descuido ; na quai a 
vogal i por estar antes da vogal a pronuncia-se com som 
breve. Esta regra soffre excepcOes, por exemplo no nome 
Maria, em que a mesma vogal i, apezar de estai an¡fo u» 
vogal a pronuncia-se com o som longo, como em ponuguez. 

8. Os diphthongos sáo longos ; e sempre que duas ou 
mais vogae's se contrahem, a vogal resultante desta con- 
traccáo é longa. , , 

9. °Uma vogal antes de duas ou .mais cpnsoantes e mn a , 
por exemplo o nome Achílles, Achilles, em que o » e longo 
por estar antes das duas consoantes 11. A vogal e camDem 



LINGTOA. LATINA. 



T ló. Si porém no verso estn e. ^um =¡ nc¡ iar p01 . du as 
uma palavra, e a l» 1 ^ » = , n , l0 será longa por esta 
ou mais consoantes, jH^ l XC epoees desta regra. 
razso; ia eomtudo aussimas e P. ^ xm é pre 

11. Dma vogal attte* , aa c coasidera das duphces, a 

10 °4Í tSem S c l on merísf 'como sr estivesse antes de 

voaaL tamuuiu ^ , i nno , a 

■duas consoantes, e V^\^ e ° tá an tes de urna consoante 

12. Quando uina v0 S a ^?^^, e formando a muda e a 
muda e de outra consoanue liquida^ collo cada, na 
liquida a syllaba segmnt a J°» u longa por 
prosa é breve, e no vei.o P° a ° na qual a vogal « é 
Lemplo na palavra w>Z«« « P a ,a i , ^ ^i nft p 

■ fc r eve na prosa mas _ pode se i ou ^^ ^ r> e b 

P0 " S^ras concon4m ptm a formacáo da syllaba segmnte 
Iquellt' ein que se f ¿^^^esenca sobre a quantidade 

h-Tp^ 9 ^ serapíe como ura Slg ae 

«naes, que ac ima — ™ ^sl ^eE 
syllabas breves elongas ^^ r _ nog re lativainente a 
contram nos Dicciona nos paia ^u ^.^ s 

quantidade da, ^f^J^. escriptas em latim, n*> 
mesmo em quae&q>^i 
. sáo empregados. especies de palavras, que sao : 

14. Hanalmgualal naoj -to ^Vf r Verbo , Particvpio 

Nome (substantivo e *W™™¿ e Jn ^rje¿cao. Em latim nao 

ba Artiqo : rneíwa signifig a gn.Umen ^ w s 

,- 15. Como a lmgua POjUgim . ce n g . ^ t& de 
v " grammaíicaw : o S.nguiar, e o Jur^ ¿ de maig de , uma 

¿ina só pessoa ou couBc, , o^ 

pessoa ou cousa. t ma scuÍMio, f«»«» MW e 

1 16. Osgeneros dos nomeb sao t reb m nome , _ou 

pela sígmf^acdo do aiesmo ^ m ^ n ° e % P mascu iino-sáo todos os 
Í pelas sum letras finaes. Do genero aos am maes do 

no P mes que ^Sp^U ^tonio ; poier, pai; 
sexo masculmo, poi exempw 



. • 



N0C5ES prelimináres. 7' 

cervus, veado ; do genero feminino sao todos os nomes que 
convem sómente á mnlher, ou aos animaes do sexo feminino, 
por exemplo : Eva, Eva ; mater, mai ; cerva, corca. 

uso estendeu a distinccao dos generos dos nomes ás 
cousas inanimadas ; e assim dizemos que capülus, cabello; 
panis, páo ; clavus, prégo ; sáo do genero masciüino : que 
anchora, anchora ; luna, lua ; flamma, chamma, sao do ge- 
nero feminino. 

17. Além destes dousgeneros, ha tambem o genero neutro 
(da palavra latina neutrum, nem um, nem outro), em que se 
incluem todos os nomes que nao sao nem do genero mascu- 
lino, nem do feminino ; por exemplo : acetum, vinagre ; 
ccelum. céo ; tintinnabülum, campainha. 

18. Muitos nomes ha que sáo communs dos dous generos, 
chamados geralmente communs de dous, isto é, masculinos, ou 
femininos, conforme o sexo da pessoa, ou do animal de que 
se faüa; por exemplo: conjux (masculino, si significa ma- ■ 
rido; feminino, sisigmificamulher);/¡<a;res (masculino, si si- 
gnifica herdeiro, feminino, si significa herdeira) ; sacerdos 
(masculino. si significa sacerdote ; feminino si sigmfica sa- 
cerdotiza) ; .parens (masculino, si significa pai); feminino, si 
significa mai) ; mus (masculino, si significa rato ; femimno, 
si significa rata); sus (masculino, si significa porco ; femi- 
nino, si significa porca). 

18 a. Outros nomes finalmente existem, que tem uma só 
terminacáo e um só genero para exprimir qualquer do; 
sexos, a que o animal pertence ; por exemplo : corvus, corvos 
passer, pardal; aquüa, aguia; taes nomes chamam-se epcereos. 
18 b. Alguns nomes latinos se encontram nos classicos, 
que tem indistinctamente ora um genero, oraputro : a estes 
nomes os G-rammaticos chamam incertos ; pois umas vezes 
encontram-se como masculinos, outras como femininos, e 
outras finalmente como neutros ; por exemplo d¿es,.dia, que 
umas vezes é feminino, outras masculino ; specus, caverna, 
ora masculino, orafeminino ; sal, sal, ora masculmo, ora 
neutro. 
<* 18 c. Nem sernpre os generos dos nomes correspondem-se 
em portuguez e em latim : flos, fior, é masculino em latim, 
feminino em portuguez ; pinus, pinheiro, feminino em latim, 
masculino emportuguez ; caput, cabeca; os, bocca; butyrum, 
manteiga, sao neutros em latim, e femininos em portuguez. 
uso e os Diccionarios melhor ensinarSo a conhecer o 
genero dos nomes. 

19. nome (quer substantívo, quer adjectivo) nao e, como 
acontece em portuguez, invariavel nas suas lettras finaesj; 
tem differentes maneiras de terminar, e a estas diversas ter- 



LTNGUA. LA.TINA. 



ueiuacOssdmse o nome de ^ZZeSÍ mÍtZfll 
ou ad ectivo) teni «»««, "" ~™ 7er« idéas : os 

S^SfrSU! n'qne .Iga'ns Gcatnmattcos chamam 

ta ?o° e o SSfe o f ok¡íím ^r^HTcZ 

dicectos ; os otttfos ohliquos ou tndneet os De -«« 
algtms se assemelhatn en tie -.si, tu> mm po s p^ ^ 

^f^S^SZZr^os Tní' tre, ?« S senoe- 

mmativo 2. a loaos os numo 4 C ct¿saíwo ; no plu- 

no'sintS^mo fo plmral clw^^^^ ^ 

22. Ha cmco dechnapg» pa i- ° 9 J ^^ minar os seis c asos 
é, de cinco maneiras ^ 1 ^ 3 P ^^, eomo no plural. 

z^^^^P^ pertence um sub_ 

stantivo latiao P^^-^^^^fómente íres cleclinacoes, 

23. Para os ^^^° ^j^l si ngular, e se mo- 
que tambem se con iec ® m ^" ^ narneg ¿os substantivos.Os 
delam pelas tres pnmeira \^¡^%^ n . - 8 raI atermi- 
adjectivos, quando ^^^^¿Sm^h a termina- 

*W P ÍfcM em peqneno numero 

cupt feras ñnaes ou desinencms nunca ™*%*¿ ^ 
cbamam por isso *ndec hnav^s ; tae, ^^¿^ i sítt , 

iS^ que 

^q^^ 

pronome ago, eu ; a pessoa * ^ se Q píonoml' m, tu ; e a 

^sstem iSpel^ *, este; ♦«,, elle ou aquelle; 

^hSnaam-se estes pronomes , =; 0— ^^1 
.«, tu; náo tem generp propi-io ^f^f^ áí , aos ani- 
rencia ao homem ou a mulhei , qum em íoieiou 

(1) Varrao clrama tambem o Ablativo caso latino, talvez porqne 
os Gregos nao o tem. 



NOCOES PRELIMINAItES. L J 

maps de um ou outro sexo. Estes pronomes ego, eu ; tu, tu ; 
e o nronome reflexivo da terceira pessoa sui, cle si, tem uma 
declinacao propria, differente de qualquer das cmco decli- 

9*6 Toda a palavra, que estiver no singmlar, e náo fór ego 
e tu é suieito de ícrc?í'ra pessfe do singular ; toda nquella, que 
estiver lio plural, e náo fór nos ou oos, é sujeito de ícrceira 
vessóa do plural. . . . . , • 

^7 Os verbos latinos tem quatro conjugacoes, ísto e, quatro 
maneiras differentes, pelas quaes as tres pessoas, tanto no 
sino-ular, como no olural, terminam; e comorme e esta ier- 
minacno, assim se conhecem cs modos, tempos, e pessoas dos 

mesmos verbos. ' , . 7 . ,. 

Os quatro modos principaes dos verbos sao, o maicativo o 
conjunctiw, o imperativo, e o infinito. Os tres pmneiros modos 
constituem o modo fmüo, isto é : todo o verbo que esca no 
indicativo, conjunctivo, ou imperativo, esta por isso mesmo no 

modo ñnito. ^ n 

28 Cbamam-se regulares todos os verbos, qne seguem uma 
destas quatro conjugacoes ; irregulares todos os que se apar- 
tam da conjugacüo, a que pertencem, em algum ou em uodos 
os seus tempos e pessóas 

29. Os verbos sáo : activos, passivos, depoentes, e serm-de- 

poentes. - . , „ „,-, 

30. Os activos tem em geral a termmacao em o, _e ou 
sao de appcio transitiva, como íawíZo, eu iouvo; ou de aceao %n- 
iransitiva, como jento, eu almoco. 

31 Os passivos tem a terminacao em or, como cas^or, eu 
sou castigado ; os depomtes sáo aquelles que temlo a lermi- 
nacño emor tem significacáo activa e podem ser iransmvos, 
coiño piscor, eu pesco ; ou intransitivos como prmhor, eu pe~ 
leio- os semi-denoe?iíes sáo osque terminando em o apreseruam 
em a>uns tempos a fórma dos verbos passivos, tendo en- 
tretanío significacáo activa, como seja o verbo audeo, eu ouso, 
que faz no perteíito perfeito ausws-swm, forma esta propna 
dos verbos passivos. 

32 Ha tambem verbos, que termmando em o, e conju- 
gando-se em todos os seus ternpos corao activos, tern comtudo 
sigmificacao passiva, como sejam : vapülo, en sou acomatlo ; 
veheo, eu'sou vendido. Alguns Grammaticos chamam a estes 
verbos depoeníes em o, em contraposicao aos depoeníes em or. 

33. Chamamtambemalguns Grammaucos verbos communs 
aquelles, que se encontram debaixo da forma de depoentes, e 
tem umas vezes significacao activa, outras passiva ; por ex- 
emplo : criminor, eü accuso, ou eu sou accusado. . 

A denominacáo de depoentes dada aos verbos, que tem si- 



ÍHP 



•dt 



|0 LINGÜA LA.TINA. 

o«nificacao activa, apezar de terem a fórma passiva or, de- 
B^cle dfque estes verbos foram primitivamente usados com 
sua fórmíactiva; mas a depuuram depois adoptando a fórma 
uaiiva e conservando sómente a sigmficacáo activa, que 
?& ti iham ; e mesmo assim, totos ou quasi todos os yerbos 
Ío e chamados depoentes, conservam ainda nos P^cjos 

(quer do presente, quer do pretento, quer do futuro), a 

fórma dos participios dos verbos em o. 

34 . verbo esse, ser ou estar, tem uma conjugacao espe- 

•cial; chama-se auxiliar, porque auxüia a conjugacao dos 

verbos passivos nos tempos compostos. Q1 - ^ifi- 

35 Os partid'pios latmos sao adjectivos, em cuja signm 
cacáo se envolve idéa de tempo: desta dupla natureza, ísto 
éte parTciparem da proprieclade dos adjectivos por serem 
i¿¿« S ),e das qualidades dos verbos (por envolver a , sua 
significacáo a idéa dos tres tempos presente, passado e futuro) 
vem-lhes o nome de Participio. _ • . 

36 Diz-se geralmente Participio achvo, aqueile cuja si to ni- 
ficacáo se resente da significacáo activa do verbo de que , pro- 
cede', como: ignorans, ignorante, ou o que ignora . ou o que 
ugnoVava ; ignoratürus^ que ha de ignorar ; P^U^opas- 
sivo aquelle que tem a sigmficacao passiva do verbo donde 
se deriva, como : vellicalus, o que foi beliscado; vellicandus, o 
que ha de ser beliscado, o que deve ser beliscado. 

37 ks terminacoes ns e wrws (masculma), «ra (temmmaj, 
urum (neutra), sáo proprias do Parficipo oc^o : < ^s termina- 
coss íis, a, «m (masculma, feminma e neutra) * ^fytem 
.(masculiua, feminina e neutra), sao pnvativas do Paitiapio 

^SS^Ós participios em tus, a, um, e os acabados em dus,da, 
dum, clos verbos depoentes, podem muitas ^ezes sertr^duzKlo& 
como participios passivos, por isso que acima dissemo£,-que 
todos ou quasi todos os verbos depoentes conservam amdanos 
participios afórma dos verbos termmaclos em o. 

39. Os participios do futuro dos verbos passivos foim.m 
uma especie de nomes verbaes, que se declmam só no sm- 
gular e tem apenas Genitivo, Dativo, Accusativo e Abiativo. tacs 



nomes verbaes chamam-se Gerundios 



)ines veroaes uucimcuu-üc wc( tw^^... r wn- 

40. Designam-se, grammaticalmente fallanclo poi Gerun 
dios em di, si estao em GetóÍM; por Genmdios em do, si es.ao 
em Dativo ou á&toiuo; e por Gerundios em ta,si estao em 
Acmsaíwo. Bem que estes nomes verbaes sejamformados poi 
participios do futuro dos verbos passivos, traduum-se tambem 
na vo% activa, e tem a propriedade de reger, assim como os veibos 
donde procedem, os mesmos casos que estes ultimos regem. 
41. Geruadio em do (quando representa A.blativo) e o uo- 



NOCÜES PRELIMINARES. 



11 



rundio em dum encontram-se muitas vezes precedidos de al- 
guma preposicao propria deste dous casos ( Ablativo e Acmsa- 
tivo). Exempío do Gerundio em di: laudandi, delouvar (repre- 
senta Genitivo) ; exemplo do Gerundio em do : laudando, a 
louvar ou para louvar (representando Dativo) ; de louvar, por 
louvar, em louvar (representando Ablativo); exemplo do Ge~ 
rundio em dum (este representa sempi'e Accusativo, regido de 
algumaPreposicao clara ou occulta) : laudandum, a louvar, 
para louvar. 

42. Ha alémdos Gerundios outra especiede nomes verbaes 
formados pelos Participios do preterito dos verbos passivos; taes 
nomes chamam-se Supinos ; sáo da quarta declinacdo, e so se 
usam em Accusalivo e Ablativo do singmlar. 

43. Os Supinos tem como os Gerundios a propnedade de 
reger os mesmos casos, que os verbos donde procedem. 

Quando estes nomes verbaes estao em Accusativo, cha- 
mam-se Supinos em um; usam-se ordinariamente depois de 
verbos que exprimem movimento. e nunca sao precedidos 
de preposicao; por exemplo: venio spectactum, venho para ver. 

Quando 'estes mesmos nomes verbaes estáo em Ablativo, 
cbamam-se Supinos em u; usam-se quasi sempre depois de 
adjectivos, e nunca sao precedidos de preposicao; por exem- 
plo : mirabüe visu, admiravel de ver-se. 

44. Os Supinosem. u, tem geraimente significacao passiva; 
entretanto que os Supinos em um tem de ordinario sigmfi- 
cacao activa.. 

45. Nos nomes substantivos eadjectivos,pronomes, verbos 
e participios, ha, além das propriedades, que acabamos de 
examinar, duas cousas a considerar, que sao: o seu radical, 
e a sua terminacdo ou desinencia. 

46. Chama-sé radical a parte do substantivo, adjectivo, 
pronome, verbo, ou participio, que nao varia, que nao muda, 
finalmente que é sempre a mesma, tanto nas' cleclinacóes dos 
nomes, como nas conjugacoes dos verbos : terminacdo ou desi- 
nencia é a parte do substantivo, adjectivo, pronome, verbo 
ou participio, que varia, que mucla, finalmente que nao c 
sempre a mesma, tanto nas declinacóes, como nas conjugagóes. 

Nas palavras amphor-a, talha; claud-us, coxo; nost-er, nosso; 
am-o , eu amo ; ama-ns, amante; as lettras amph, claud, nost, 
e am da quarta e quinta palavra, sao o seu radical; as lettras, 
que crescem além destas em cada uma das mesmas pala- 
vras, sáo o sua desinencia ou terminacao. 

47. As Preposieóes latinas,ou regem casos ou compoempalavras. 
Os unicos casos regidos em latim por preposicoes sao: o Ac- 

cusativo e o Ablativ'o. As preposicOes que entram na composi- 
cao das palavras modificam a significacáo destas, conforme a 



12 LINGUA LATINA. 

idéa que ellas exprimem. Exemplo cle preposi^ regmido 
Accusativo: inter amicos, entre amigos ; exemplc .c e '■J^~ 
sieao rep-endo Ablatiro: sine pecuma, sem dinheiro , exo mpio 
dlprepoícáo cornpondo palavras : P r*-video, eu prevejo (vejo 
antes); inter-positio, inter-posicáo (posioao entre . 

nóme da preposicáo dado pelos G-rammaticos a e^a 
palavra procede de que ella se colloca qüasi sempre nntes (p a) 
do caso, que rege, ou cla palavra etn ouja composicao enc j. 

Da Preposicao, Conjunccao, Adverbm e Interjeicao Iraoa- 
remos especiálmente na Segunda Parte cleste Sysíemo. 

48. Para os principiantes, e para os q"£ tem pou cou m d. 
traduzir latim, ha nesta lingua uma difflculdade, quo nas 
modernas náo existe ; e vern a ser que em latim as pan s 
estáo arranjadas em uma ordemtal, que para «^ esuang^u- 
ros parece uma vercladeira desordem : enrretanco ^ 
sicáo earraujo peculiar das pi.lav.-as ™* es ™V§*}^T. 
na'da tem cle caprichoso, mas antes depende uhmmdole ; e ca 
racter euphonico e harmonioso deste ichoma. Si ob.ei va, m 
bem, veremos que em Portuguez mesmo qua¿° i» 
usando de certas transposicoes e mvercendo a oidem n i ai 
das palavras (nao cle um modo excessivo), sahe-nob uma im 



m a 



ais cadeate, e raais harmomosa : é esta lamo 
razao porque a linguagem poetica ern todas as * } W=; r-~ 
ser harmonica e cadenciosa,altera acollocacao das pma^, 

emprega transposicoes, etc. , ,■„ 

Nao é porém esta apnarente desordem cla Imgua mana 
táo g-rande, que impossibilite sua comprehensao ; e c > u.o 
de ler os escriptos latinos classicos faimliansa-uos de mo o 
que facilmente e sem muita demora podemos traduz i üo 
latim para o portuguez, e verter com a mesma constiuccao 
oracoes portuguezas para o latim. „„„,,„ p m 

Nao se póde dar uma regra infallivel para escreve em 
latim usanclo de hyperbaton (figura pela qual a oKlem na- 
tural clas palavras é raais ou raenos mvertida) de quc usam 
os latinos ; mas pocle dizer-se em geral que as ideas capi- 
taes sao expressas em primeiro lugar, segumdo-se-iimb ue 
poisas outías, e finalmeate o verho. Exemplo: Alexande, Da- 
ríum fundvit : traduziclas estas palavras na ordern em que se 
acham, diremos: Alexanclre Dario afugeníou. Em porcu- 
srucz nao se pócle saber, dita assim a prsposicao, si loi Aie- 
xandre quem afugentou Dario ; ou si foi Dario quem afugentou 
Alexandre ; entretanto que em latim náo póde haver a menor 
duvida, ou equivoco, pois pelos casos em que estao os nomes 
Alexandre e Dario conhece-se perfeitamente qual e o Sujeito, 
e qual o Complemento directo do verho afugentou ; e amaa 
mesmo que se dissesse : Baríum Álexander fugavtt ; ou Fuga 



e 



... 



NOCOES PRELIMINAEES. 13 



vit Alexander Darium ; ou Darlum fugavit Alexander, o pensa- 
mento seria sempre o mesmo, isto é, Alexandre afugentou a 
Dario. 

Aqui teririinamos as Nocóes Preliminares, g*uardando para 
clepois dos exercicios praticos formados pelas Ltgóes o clesen- 
volvimento completo de cada uma das partes, de que consta 
a oracao latina. 

Para facilitar aos principiantes o estudo, reservamos 
para mais tarde, afim de nao fatigal-os, ou amedrontal-os 
log'o no comeco, toclas as particularidades relativas ao co- 
nliecimento.desta lingua. Esta retardacáo porém em nada 
diminue as vantagens, que o presente' systema de ensino 
possa offerecer ; porquanto o que é absolutamente essencial 
foi nestas Nocóes exposto, e acha-se exemplificado nas se- 
guintes Licóes. 



PRIMEIM LICAO. 



Casa est foona. Digitus ést 

A choupana é boa. dedo grande 



templo ha-de ser magniñco. Os escravos de Pedro 

mnt heri Antonii. Amicitia est egregium 

sao senhores de Antonio. A amizade um excellente 



"> 



presente do céo. As portas de Eoma estiveram fechadas, 

et popülus erat commotus'; quia he' 

e o povo estava abalaclo; porque a guerra 

erat funestum patrise: fuga autem non 

1 c-ra funesta á patria: a fugida porém nao 

erat decora viris adéo claris: vise erant 

honrosa para varoes íáo illustres ; as ruas estavam 

desertse; forum vero plenum. Maria, ávía- 

desertas; a praca mas cheia. Maria, avó 



álll 



16 



LINGUA LATINÁ. 



aaii 



Diüaci, 

de Diogo, 



Lga ac 



zambra 




í, simí (qne) 9 erat 

corcunda, de nariz cliaío (e), 

— 3lum 

raro exemplo • 

ioríiíne 



Lucretia, rarum exe 



Lrucrecia, 



pudicitiss, fuit formosa 

de nonestidaclc, foi formosa. 

i! Bígne fili ! O mqmMe puer 

0' travesso rapazl 



} Ueus, 

0' Deus, 



ó senlior 



hhiik 

do mundo ! 



0' digno 



lllio ! 



CONVERSA.QA.O. 



que se diz ser boa?-Como é ach upan ^ -0 ^ ¿^ 
ser g-randeS-Com que palavra s % a p ^^^^ifico <? 
dedo"? Oomo é o dedo? que e qa ta J sei i na . 
templo é já magnifico, ou hade ser S Como haoe st 
plo ? Quaes sáo os senliores de Antonio * Gomc se ae^ 
kderar a amisade? Qual é o presente mais g^nto £ 
eéo no8 póde fazer í que sao os e ^ r n ^ d ¿ om T es tava o 
estiveram as portas cla cidade d« Rom ^ r ¿^° Ro ma, e 
povo? Porque esüveram ^^^^,^ ffs cousas que 
porque estaya o povo abalado ! ^f P ' 1 "\ f . 

Ístavam fechadas ? Quem estava abalado ^ G que 
nesto ? A. quem era funesta a &*f ™ !°J^ ^ qae estado 
derar a guerra, quando e contra a pauB . Lm J QS 

estavam as ruas cla cidade % E a piaca • V^tado <? 
lug-ares desamparados pelo povo quand ^^f^speito 
que é que estava cheio de povo <? ^^cos « D?ze\-me 
de Diog-c ? Tiuha Maria alguus defmtos p hysm s J ^ 
de quem era Maria avó, e si o neto ^íntoTsu fhonesti- 
defeltos ? Dizei-me o que foi ^^S^^ latim 
dade % E quanto á sua belleza <? Como in ^voca rem o sc 
o norne de Deus, chamando-o senhor do j^ ™ ° • ¿ , Como 
dirigiremos em latim a um filho cligno de tai nome . oj 
diremos em latim, ó íramso rapaz ! 

ANALYSE. 

49. Casa é um substantivo appeilativo, feminino da pri- 
meira declioacao, porque faz o genitivo do singula em « 
diphtougo (V.quadro n. 1) ; está cm nommatRO do smgu- 



...... «ttÉtlgMJ 




LICAO PRIMEIRA. l^ 



lar suieito do verbo est, é (26) . Deste exemplo se conelue 
fjtlosubstantivo, que %er og™^»^*™ 
diphtongo é da primeira declinacao, e se dechna como tasa 

íq Em geral/L substantivos da primeira declinacáo íazem 
o nominativo do singular em a. . 

■Bsí, terceirapessoa do singular do presente do mdicativo 
do verbo Esse, ser (quadro n. 2). ^ 

50. Boíuj, adiectivo da primeira declmacao, esua na tei- 
minacao femiuina, declma-se como Casa : está tambem em 

-nominativo do smgular. Em laívm, os adjectivos (^ff~ 
quer especie que sejam) concordam com os suostantivos, a que 
se referem, em genero, numero e caso. _ . 

Casa e bona estao ambos em nommauvo do smg .üai , poi- 
que íoáo o «ome gue represenía sujeito ou altnbuto domjeito, es- 
tando o verbo no modo ¡imto, póe-secmlatim * m m™"*™-.^ 

51. Dújitus, substantivo appellativo , masculmo saj lo 
de est (26), e por isso em nominativo o0). E da segunao, ae 
cllnacac , porque faz o genitivo do singular em % ;,d'onde se 

Seque todo o nome que /fcer o genüivo do singular em 
Tfdasegunda decünaedo (quadro n. 1), e so dechna como 

m Í2 U Maqnus, adjectivo da segunda declinacáo, está na ter- 
mimmáo masculma, em nominativo, e declma-se coino Di- 

53.' Templum, substantivo neutro, está em nommativo 
pornue é sujeito do verbo erit (26), e e tambem daseguuda 
lecl nacáo, porque faz o genitivo do smgular en i * (au^ro 
n D.VimososubstantivoCam, da primeira declmacao e 
do genero feminino ; o substantivo Bigiius da segunda cie- 
clinacáo, e do gener* masculmo ; eo suost an u ¥«J : 

tambem da segunda cleclmacáo, e do genero neuko con 
vem agora explicar que quasi sempre ao menos na, e^o 
las, hío costume cle repetir o nommativo do singu ai de 
um nome substantivo acompanbado logo de seug-enmYod 
memo numero : e isto se íaz para que iogo se conheca a <pm 
declinacao pertence o.mesmo nome. Por exemplo spso no^ 
perpamtar corno se traduz choupana em latim, le^pqüuoie- 
mos: Casa, casce; indicando aprimeirapalavra o nomniuufo 
clo singular, e a segunda o genitivo &° ™ s ^°^^%, ]vc 
Erit, Tterceirapessoa do smgular clo fucufo do mdicaavo 
do verbo Esae, ser (quadro n. 2). 1JQ f A1 ,p 

54. Magnificum, adjectivo da segunda declmacac efe e- 
" se a Temíplum, ecoxiío este se declma. Vimos o adject , vo 
bona, na terminacáo femininaí o adjectivo magnus, na teimi- 
nacao masculina^; e ñnalmente o acljecüivo magmiicum, na 



■ l| 






<M l 



11 



m 



18 LINGUA IATINA. 

terminacao neutra : cada um delles concordandq em gcnero 
numero ecaso, com o substantivo, a que se referia 50) Ge- 
ralmente repete-se um adjectivo citando em seguida as tres 
formulas do nominativo do singular ; por exemplo. quanclo 
nueremos dizer cotno se traduz em latim o adjectivo portu- 
guez- bom— , assim nos exprimimos : bonus, a, um, ísto é, 
bonus, bona, tn, im. ,,-,._ 

Os adiectivos da primeira e. segunda declmacao, como 
bonus, a, um, magnus, a, um, e magnifícus, a, um, ciiamao-se 
da primeira classe. . . , 

55 _ 58 Servi Petri; servi, substantivo appeliativo, üa 
seemnda declinacáo, está em nominativo do plural ; sujeito 
de °sunt (26) : Petri, substantivo proprio, está em gemtrvo do 
singular, o seu nominativo é Petrus. Petrus é tambem da se- 
gunda declinacao. . . v ,- ^ 

Sunt, terceira pessóa do plural do presente do mdicativo 
do veroo Esse (quadro n. 1). Heri Antonii; heri, substantivo 
appellativo da segunda cleclinacáo, está em nommativo do 
plural (50) ; Antonii, genitivo do singular do nome propno 
/1 ntonius, cla seguncla declinacáo. _ 

57 Póe-se em genitivo todo o substantivo ou adjectivo, que em 
vortuquez tiver antes de si qualquer clas partioulas de, do cía, 
dos, das, envolvendo a phrase, proxima ou remotamente, tdea de 
possessao! E como o genitivo exprime mais ou menos essa 
idéa, deve liaver sempre, quer esteja claro quer occulto na 
oracao, um substantivo appellativo, ao qual serefira aidea 
de possessSo ; e esse é o substantivo, que, em lmguagem 
grammatical, diz-se que rege o gcnitivo. _ ¿ 

Amicitia est eqreqium doimm cceli. Amicitia, suostan tivo lemi- 
nino, da primeira declinacáo está ern nommativo clo smgu- 
lar, snieito de est (26) : egregium é um adjectivo da prnneira 
classe, que está em nominativo clo smgular concordaudo 
com donum que tambem está em nommativo do mesmo nu- 
mero (50) : cceíiestaem gemtivo (57). _ . 

58. Donum e cmlum, que fazem o gemtivo do smgular dom 
e caili sao substantivos neutros da segunda declmacao, e 
cleclinam-se por isso como templum (J>3) . 

Todos os nomes que fazem o gemtivo do smgular em % sao 
da seP-unda declinacao; sendo masculmos, ou femmmos, cle- 
clinam-se como digitus; sendo neutros, declmam-se como 
templum. Em geral os substantivos masculmos e femmmos 
da segunda declinacao fazem o nommativo do smgular em 

us eos neutros em um. 

Portm Romm fuerunt clausoe et populus erat cgmmotus , qma 
bellumerat funestum patrice. Portas, substantivo feminmo da 
primeira declinacáo, está em nommaüvo do.plural, sujeito 



T T-.-v^>^K giji^: ■ ■regcwMgs'gwragwffSB^BB: 



LICAO PRIMBIKA-. 1V 



de fuerunt (26) (50), que está na ter ceixa Pessoa J o p lunrt do 
preterito perfeito do verbo esse V}*™>**££Xol2v^ 
ra classe, na termmacáo femm ^ do ^ntl í masculino 
(50) ; popülus erat commotus : populus substarm \o £* . it 
da Vegunda declinacao, em nommatiyo do ^}^X™ 
de erat (26) (50) que é a terceira pessoa do smg^ar <w pi 
terito imperfeito do verbo esse ; commotus a ^ ec ¿7 g* P^ 
meira classe, na terminacáo^ ^adojmaM 
singular(50);guia,conjunc^ em 

substantÍYO neutro da segunda decl ^ ^ ¡ adje _ 
nominativo do singular, sujeito de erat (2 ) ^'¿™™' mi ¿ a _ 
ctivo da primeira classe na termmacao neuüa ao noi 
tÍYO do singular (50) . 

Et é uma conjunccao -^^n rin nriméira 

59. Poírio», á patria : substantivo emmmo ¿ pi me 
declinacáo, está em datÍYO do smgular Em ^geial po 
dativo todo o substantivo ou adjecnvo, «^« ^¡olnvolvendo 
de si algumas das parliculas á, ás, ao, aos, paia, nao 

a phrase idéa de lugar para onde alguemse airvja. t e 

60. Fuga autem, etc. ; porém a fugida, ertc. , IHJ" 
traduzidas estas palavras, devra dizer-se : a . fugid* . po 

etc. ; mas em latim as ?° n J^!? da ^T^ tan¿ 

porém); enim porque) ; quidem (na ^idaae) > g i ^ Ua 

bern) ; Vme» (comtudo) ; sempre se col ^J e por isso 

palaVVa antes da qual se acham em P^^'e^essao : 

. |Wa construir-se em lakm, por ; «emplo, este exp ^ 

masDiogo, diz-se : Dictoms a«ím. Taes conjuu . 

este motÍYO onome de fospositivas. a djectivo da 

Non crat decora ; non é um adverb 10 , decor^ ^ ^ ^ 

primeira classe, está na termmacao femmma 

do singular (50). _ iiin<,tres • adeo,é um 

adverbio ; ,¿m, está em dativo do p lmal^ ; J) . ta _ se 

stantivo masculino da segunda declmacac q F q 

da regra geral dos substantrvos ^^¿^emV ; e 
seu nominatiYO do smgular < na acaba em t^ YOCativo 
oseuyocativodosingularnaoterminaem«co 

do singular dos nomes da segund jde °l^> e m ^ 

pujo nomwiatiro acafca ero i* ^ ™^^¿r semelhante ao 
assim como pueb, rapító, /a^ ° ^««^ J 

nominativo do mesmo numero. . d primeira classe, 

Glaris é o dativo do plural do adjectivo aa pu 

Clarus, o, w (50). r ior»iín9cao substantivos, 

62. Assimcomo ha na Wda dechnaQ^ 
qye tem o nominatiYO do smgular, acabacu J« nomi _ 

hatambemadjectÍYOsdamesmadeclmacao,quece 



1 



1 I 
?1LS 



II 

m 

ISf 

lifc 

II- 



20 LINGUA LATINA- 

nativo do singular na terminacao masculina acabado em er, 
como os adjectivos liber, libera, liberum, livre ; tener, tenera, 
tenerum, terno ; asper, aspera, asperum, aspero ;miser. misera, 
miserum, miseravel ; prosper, prospera, prosperum prospero ; 
ceger, cegra, cegrum doente; macer, macra, macrum magroj 
niger, nlgra, nigrum, negro ; inlegcr, integra, integrum, intei- 
ro, e alguns mais, que sáo ainda da primeira classe: estes 
adjectivos fazem tambem o vocativo do smgular na termi- 
nacáo masculina semelhante ao nominativo, e assim deve 
dizer-se por exemplo ; o miser serve, ó desgracado escravo ; 
o macer digite, 6 magro dedo . 

Ha um só adjectivo da primeira ciasse, que tem o nomi- 
nativo do singular na terminacáo masculma acabado em ur, 
que é o acljectivo satur. satüra, satürum, farto : este iaz o 
vocativo cló singular na terminacao masculina o satur. 

63. Via¡ erant desertce, as rnas estavam desertas (26) (ou)_ ; 
forum vero plenum, mas a praca cheia. Nesta segunda oracao 
está occulto o verbo (pela figmra Ellypse), o que frequentes 
vezes succede emlatim, principalmente quando, como neste 
exemplo, é facil subentender o verbo. Temos que notar jorum 
vero, que se traduz, mas a praca (60). 

Vúb, nominativo do plural de via, substantivn femmino cla 

primeira declinacáo ; desertoe é o nominativo do plural. uo 

adjectivo cla primeira classe, desertus, a, um, na termmacao 

■ feminina: forum, substantívo neutro cla segunda declmacao 

(53), e plenum, adjectivo da primeira classe. _ . ' 

64. Maria, substantivo proprio cla primeira declmacao, 
feminino, é o sujeito de erat ; valga ac peta sao dous^adje- 
ctivos cla primeira classe (50), que estao cada um na termi- 
nacáo feminina do singular ; avia, substantivo feminmo da 
prímeira declinacao (49), está tambem em nommativo do 
singular referindo-se a Maria : ac é uma conjunccao. 

Lucretia, substantivo proprio feminino da primeira decli- 
nacáo está em nominatívo do singular, sujeito de fuk (2b) 
(50), que é a terceira pessoa clo singular do preterito períeito 
do indicativo do verbo csse ; formosa, acljectivo da primeira 
classe, está na terminacáo feminina do nominativq do singu- 
lar (50): rarum exemplum pudickke ; rarum, acljectivo cia 
primeira classe, está.na terminacáo neutra do nommativo do 
singular concordando com exemplum (50), queénm substam» 
« tivo neutro da.segunda declinacáo (58), e está tambemem 
nominativo do singular, referindo-se a Lucretia : pudicitiai, 
substantivo feminino da primeira declinacao, está em geni- 
tivo do sing-ular (57) . 

Maria, avia,, Maria, avó, etc. Lucretia, rarum exemvium 
pudicüicB, etc, Lucrecia, raró exemplo de honesticlade. etc. Os 



_.. 



LICA.0 PRIMEIRA. 21 

noines avia da primeira oracáo e rarum exemplum da segunda 
estao em nominativo, formando como que uma dependencia 
do sujeito. Cliama-se em linguagem grammatical o nome 
assim collocado caso de apposicdo, caso apposto ou continuado. Os 
casos de apposicdo podemexistir, como acontece em portuguez, 
entre substantivos de genero e numero differentes. 

65. Maria, aviaDidáci, balbi, gibbi, simique: Didáci, substan- 
tivo proprio da segunda declinacáo, masculino, está' em 
genitivo (57) : balbi, gibbi, simlque ; tres adjectivos da segunda 
declinacáo : estáo na terminacao masculina, e em genitivo 
do singmlar (57). Ao adjectivo simi, de nariz cliato, está 
junta a conjunccáo que, a qual significa e : esta comjunccao 
sendo tambem posposüiva (60), faz corpo e fórma uma só 
palavra para aquella depois da qual se colloca, e_por isso se 
chama enclitica. A conjunccáo ve, ou, e o adverbio infcerro- 
gativo ne (porventura nao 1) sao tambem parfciculas posposüi- 
vas e encliticas. 

66. Digne fili ; digne vocativo do singular do adjectiyo da 
primeira classe dignus, na fórma masculina ; fili, vocativo do 
singular do substantivo masculino fúius, da mesma decli- 
nacao. 

Ós vocativos podem usar-se umas vezes com a interjeicao 
o, e outras sem ella. 

67. nome appellativo füius, e todos os nomes propnos 
que tem o nominativo do singular acabado em ius, assim 
como : Yirgiíius, Yirgilio ; Caius, Caio ; Pompeius Pompeo, 
fazem o vocativo do singular em i ; o Yirgili, o Cai,o Pompei. 
Além do appellativo füius, só genius faz'o vocativo o geni. 

68. Deas; este substantivo do genero masculino, e tam- 
bem da segunda declinacao, faz o vocativo do singular, 
como vemos, semelhante ao nominativo, e nao o Dee, como 
segundo a regra geral devia fazer. substantivo agnus, 
cordéiro, e chorus, choro, bem que da segmnda declmacáo, 
náo fazem o vocativo do singular em e, mas em us, seme- 
lbautemente ao nominativo. Convem notar que, quando o 
nome Deus tem plural faz o nominativo e vocativo Dii, D%, 
e algumas vezes Dei ; o geuitivo Deorum, e pela figura Syn- 
cope Deum; o dativo e ablativo Diis, Dis, e algumas vezes 
~Dtás ; o accusativo Deos. 

domine mundi; o domtne, é o vocativo do singular do sub- 
stantivo masculino da segunda declinacao, dominus i : mundi 
é o genitivo do singmlar do substantivo masculino da se- 
gunda declínacao, mundus, i (57). 

Puer, 6 rapaz ; a respeito deste vocativo, veja-se o que 
acima dissemos (61): inquiete, vocativo do.singular do adje- 
ctivo da primeira cl&sse, inquieíus, a, tim. 



99 LINGUA. LA.TINA. 

RECAPITÜIACÍQ. 

Como se conbece a primeira declinacao dos substantivos e 

^omJsl Se i 4 S¿unda declinacao dos substantivos e 

'tiSum'ubstSíiVolatino faz o genitivo do singular ; 
ewil ó do gei lero masculino ou feminino, por onde se de- 
' cUna e a qufdeclinacfto pertence 1 (51) (Quadro n. .1). 

^^STtlJX^s da primeira 

do^ingntodSsadjectivos dasegunda dechnacao? (58) (Qua- 

dl Ouaes sáo as terminaeOes, nao sendo aem m, queonomi- 
nauvo do siiSnlar dos'adjectivos pode ter na termmacuo 

^Como^'c^nga (neste ou naquelle tompo e modo) o 
verbo csse 1 (Quadro n. 2). 
Quaes silo as coiyunccoes posposittvas .' (bU). 

^Z^V^o^eo attributo do sujeito, 

"So c^raam" X^A os substantivos a que 

Se Da£Srum 5 eiemplo de um caso de apposicao, ou caso con~ 
tínuado? (64) (65). . . „ ^. 

Quando se poe em g-emtivo um nome? (57). 

Quandosepoe em dativo um nome? (59). d 

Como fazei os substantivos masculmos ou íemrmnos üa 
segunda declinacáo o seu vocativo do Bmguiar? (68). 

Qaaes sao os que se apartam desta regra 1 (67) (68). 

Quaes sao as conjunccoes enchticas i (65). 

Porquetem estenome? (65). _ s 

Ha mais alguma particula pospostiwa enehtica, que nao 

seja conjunccao *? (65). 



LIClO PRIMEIRA.. 23 

coMPOsiglo. 

Deus é o grande senhor do mundo. — A choupana náo é 
decente (honrosa) para varoes illustres. — Roma foi um 
grande exemplo de povos illustres. — A amizade é um 
magnifico presente, mas (autem) a guerra um (presente) 
funesto. — Uin povo grande náo é escravo de homens (varOes) 
funestos á patria. — mundo é o grande templo de Deus. — 
As portas de Roma nao estáo fechadas para filhos dignos.— 
Os magnificos presentes do céo sáo e (que) hao de ser para os 
varoes illustres. Os rapazes estavamabalados, porqneapraca 
estava deserta, e (que) as ruas cheias. A amizade de Maria foi 
funesta a Diogo. Uma choupana boa e grande é rara. Os 
dedos de Lucrecia náo eram grandes, mas (veró) formosos. _A 
avó de Pedro era gaga, carcunda, e de nariz chato. Antonio 
era vesg-o, e os escravos do fillio deMaria eram zamhros.Um 
escravo hom náo é funesto ao senhor. Os filhos clos escravos 
tamhem (quoque) s5o escravos. céo é o magnifico templo 
dos filhos de Deos. 0' digno filho, ó formoso menino (rapaz), 
o céo é a patria dos homens de hem (dos varoes bons). 0' bom 
Deos, nao sejam os magnificos templos do mundo fechados 
ao povo. Roma esteve abalada, porque (enim) a guerra e'ra 
funesta e grande. Peclro nao eradono (senhor) da choupana 
Os varoes illustres sáo dignos filhos da patria. A guerra é 
funesta ao mundo. 



(*) Depois de ter lido uma e muitas vezes com bastante attengao _a 
parte intitulada A.nalyse, o estudante buscará applicar as regras colhi- 
. das ali, e observadas, nos exemplos cla primeira licao, traduzirido 
para latim estas , phrases. 



QUADRO 



N 



& e ses 



unda fieeltaaeá® dos momes substantivos 

c suiieeíivos. 



SUBSTANTIVOS. 



ADJECTIVOS. 



PKEMEIÍU DECLINAQAO. 



MASCOLINOS E FEMININOS. 

Singular. 
Nomin., Vocat... Oas— a. 
Genitivo e Dcdivo. Cas— se. 
Accusativo ....... Cas— am. 

Ablativo.. "... • Cas— a. 

Plural. 

Nomin. e Vocat.. Cas— se. 

Gen .... Cas-arum. 

Dat. e .l&l Cas-is. 

Acc...... ••■ Cas - as " 



MASCOLJNOS E EEMININOS, 

Singular. 

p _ _ , „ Digit— üs 

... Disit— c. 



Foc 

6fen. ••• • 

Dat. e Ábl.. 
Acc ■ 



TERMINAQAO FEMININA. 

Singular. 

Nom. e Voc. Bon-a. 

Gen.eDat. ...... Bon-ffl. 

Acc. Bon-am. 

Abl. Bon-a. 

Plural. 

Nora. eVoc Bon-se. 

Gen Bon-amm 

Dat. e Abl Bon-is. 

Acc... Bon-as. 

SEGUNDA DEOLINAQAO. 

TERMINA.QAO MASCULINA. 

Singular. 

Nom Magn-us. 

Magn— e. 

Magn— i. 



Digit— i. 
Diglt— o. 
Digit— um 



'Plural. 



Nom. e Voc... 

Gen •• • • 

Dat. e Abl 

Acc ........••• 



Voc 

Gen... ..... 

Dat. e Abl....... Maga-ó. 

Magn— um. 

Plural. 



Acc 



Digit— 1. 
Digit— orum. 
Digit— ís. 
Digit— os. 
TEBOEÍBA DECLINAQAO. 



Nom. e Voc. 

Gen... .■ 

Dat. e Abl.. 
Acc ■ 



Magn— í. 
Magn— orum. 
Magn— is. 
Magn— os. 



NEUTE0S. 

Singiolar. 
Nom., Voc. e Acc. Templ— um. 
Gen.... .....••••• Templ-i. 

Dat. e Abl....... Templ— o. 

Plural. 
■Nom., Acc. e Voc. Templ-a. 

Gen.......... Templ-orum. 

Dat. e AM....... Templ-is. ..' 



TERMINAQAO NEOTRA. 

Singular. 
Nom., Voc. eAcc. Magniííc— um. 

Gen........ • Magnifíc-L. 

Dat. e Abl Magnifíc-O. 

Plural, 
Norn., Voc.eAcc. Magnifíc-a. 
Gen.. .......••-• Magnifíc-orum 

Dat. e Abl....... Magnifíc-is. 



\ 



QUADRO N_ 2. 

C©HJnigai§ao «1® vertso Esse, Ser ou Estaff. 



MODO INDICATIVO. 



§rl 
V2 

H o 
K & 

s 



O' 03 



^ 



ft c3 
O ^3 ' 

P 3. 



S. sum, eu sou ou estou. 
es, 
est, 
lP. sü— müs, 
es — tis. 
sunt. 

. er— am, eu era ou estava. 

er— as, 

er— at, 
. er— amus, 

er — átis, 

er— ant. 

S. er — o, eu serei ou estarei. 
er— ís, 

61'—%, 

P. er—imus, 
er — itis, 
er — unt. 

S. fti — i, eu fui ou estive. 

fu— isti, 

fu — it, 
P. fu— imtis, 

fu — istís, 

■fii— erunt, ou fu— -ere. 

S. fu— -eram, eufóraoutinha 

fu— eras, siclo. 

fu— erat, 
P. fu— eramus, 

fu— eratis, 

fu— -erant. 

S. fu— ero, eu terei sido. 

fu — eris, 

fu— erit, 
P. fu— erímtis, 

fu— erítis, 
■ fu — erint. , >.,* 



MODO CONJUNCTIVO. 



sim, 
sis, 
sit, 

si— mus, 
si— tis, 
sint. 

es — sem, 
es— ses, 
es — set, 
es— semus, 
es — setis, 
es — sent. 



eu seja ou esteja. 



eu fosse ou estivesse. 



fu— erim, eu tenha sido ou estado. 

fu — eris, 

fu— erit, 

fu— erímtis, 

fu— erítis, 

fu — erint. 

fu — issem, eu tivesse sido ou estado t 

fu— isses, 

fu~isset, 

fu— issemtis, 

fu— issetís, 



fu- 



issent. 



CoirtianiOKfáo &o Huatlos'. 



t 



MODO IMPEBA.TIV0. 

(Tempodal. a s.) 



MODO INFINITO. 



S. Segunda jpessoa 
Terceira — 

P. Seguncla pessoa 
Terceira — 

Presente e irnperf. 
Preterito perfeito. 
Futuro imperfeito 

Futuro 'perfeito.. 



PABTICIPIO DO FÜTOEO. 



es ou esto, sé tu. 
esto, seja elle. 
este ou estote, sécle vós. 
sunto, sejam elles. 

esse, ser ou estar. 
fuisse, ter siclo ou estado. 
fore ou futurum, am, um, 
esse, luwer de ser ou estar. 
futurum, am, um, fuisse. 

futurus, a, um, o que ha cle 
ser ou estar. 



O preterito imperfeito do conjuncüvo tem, além da formuln oramuria 
- essem -, »s f.rmulus - forem, fores, füret - n. smgmar, e uo pl« 

%^£T£%J%¿ '^ - — "* 

ILTXrrlingam „s se S e,i»tes ve.mos, enr cuja eomposi ?S . OUe 

entra : 

Ab-sum, ab-es, ab-fui, ab-esse, estar ausente. 
Ad-sum, ad-es, ad-fui, ad-esse, esíar -preseníe. 
Dé-sum, de-es, de-fui, dé-esse, faltar. 
In-sum, m-es, in-fui, m-esse, estar em... 
Inter-sum, inter-es, inter-fui, inter-esso, assistir. 

Ob-sum, ob-es, ob-fui, ob-esse, ser nocívo. 
'PHB-sum, pree-es, prae-fui, prae-esse, estar á frente. 

Sub-sum, süb-es, sub-fui, sub-esse, estar deoaixo. 

Süper-sum, super-es, sü P er~fui, super-esse, restar, soor^ver. 

Pró-sum, prod-es, pro-fui, pród-esse, servMl. 

Neste ultimo composto intercala-se um-d-por eu V honia sempre 
que as formulas do verbo esse principiarem por vogal. A *»^» 
forem - do conjunctivo, e a do ínfinito - tóre - b5o nuuto menos usadas 
na conjugaeao destes dez compostos do que na do simples esse. 



\ , 



SEGUM LICÁO. 



i 
laeérat leves cervos. Soror patris | 

O leao dilacera os ligeiros veados. A irmaa do pai '■ 

Petri ' eastigávit fratrem Marise, quia vul- 

castigou o irmao tinha 

neravérat femnr leporis laj 

ferido a cóxa de uma lebre com tima pedra. Os fieis 

milites regis equitábant niirabili eeleritáte 

soldados do rei cavalgavam com admiravel velocidade 

timóre legidnis inimicse. Virgilius inelioavit,. 

por temor da legiao inimiga. Yirgilio comecou 

et terminavit sublíme poéma. Antonius 

terminou vm. sublime poema. 

manducabat far, et baccar. Arx, inontes 

comia centeio, nardo. A cidadella, os montes, 

s itiiiéris oceu| 

todas (e) as partes do caminho eram occupadas pelos 



lw 



t 



28 



LINGÜA LA.TINA. 



fortibus militibus Cfesáris. Prinia habi- 

( por os) fortes cle Oesar. A primeira habi- 



ta5 ao de Adao foi chamada Paxaiso pelos 

liomínes. Terra illmiiiátur jubáre soüs. 

(por os) homens. A terra . é illuminada pela claridade do sol. 

Nectar erat suávis potio Deorum immor- 

O nectar a suave bebida dos Deoses immor- 

taüum. Virtus detestatur vitium. igno- 

taes „ A.irtude detesta o vicio. Osignobers 

bfles adulantur pecuniam. Miles presliatur, 

(homens) adulam o dinheiro. P ele ^' 

otiosus iragatur. fesar occupatürüs 

oocioso (homem) anda vagabundo. ' X s-,<f™ ^^ , 

est monteni. Mons occupandus est Csesári. 

deve s'er occupado por Oesar. 



deverá castigar 

tüsandum erit Beo. Virtus non detestanda 



deve ser detestada 



0. clece^ 



iteu 



CONVERSA-GAO. 



Quem dilacera os ligeiros veados * que faz o leao * Queg 

castigou o irmao de Mana <? O^que %\¡™ % ™ e ?*¿ am 
Pedro % Porquefoi castigado o irmao J e Mma . u que i^ 
os soldadosdo Rei? Como eramos soldados do R.i . üe qi 
modo cavalga^am os fieis soldados d , Sei ^ Po.que cav 
gavain com tanta presteza os soldados do lei . u qie 



e 



^MMfeW^-irf^ 



clevem detestar. 
pelos (por os) homens. 



fr LIAAO SEGUNDA. 29 

Virgilio ? Como se cliama o auctor do mais sublime poema 
dos Romanos ? que fazia Ántonio ? Como estavam a cida- 

V della, os montes, e todas as partes do caminho ? Quaes eram 

as posicoes que estavam occupadas pelos fortes soldados 
de Cesar ? Como foi chamada a primeira habitacao cle Adáo ? 
que foi o paraiso ? que succede á terra quando é dia ? 
que é illuminado pela claridade do sol ? Como se cliamava a 

; bebida dos Deoses ? qué era o nectar ? que faz a virtude 

^- ao yicio ? qne fazem os homens ignobeis ? Quem detesta o 

vicio ? E que faz o soldado ? e o ocioso ? que tem Cesar 
de fazer? que deve o monte soffrer relativamente a Cesar ? 
que tem Deos de fazer em satisfacao á virtude ? que tem 

; o vicio de soffrer ? Como deve ser a virtude? que devem 

: os homens fazer em relacáo a ella ? 

ANALYSE. 

_ 69, Leo, substantivo masculino, está em nominativo do 

singular (50) : faz o genitivo do mesmo numero leónis ; é da 

; - tercerra declinacáo. Regra geral : Todoo nome, que fi&er o ge~ 

i nitivo clo singular em is é da terceira declinacáo, (Quadro 

n. 3.) 

; 70. Os nomes quer substantivos, quer acljectivos da ter- 

ceira declinacáo fazem o nominativo, accusativo e vocativo 

clo plural semelhantes : os masculinos, e femininos acabam 

em es ; os neutros em a : dividem-se em parisyüabos e impa- 

• ristjllabos : partsyllabos sáo todos os que tanto no nomínativo, 

como no genitivo do singular tem igmal numero de sylla- 

; bas : imparisyllabos, todos os que no genitivo do singular 

tem uma ou mais syllabas além das do nominativo. Exem- 

plo cle um parisyllabo : Nominativo — Collis, outeiro, Geni- 

i. tivo collis : exemplo cle um imparisyllabo : Nominativo — 

Leo, leao, Genitivo, leonis. 

71. Lacérat, terceira pessoa clo singmlar do tempo presente 

| do inclicativo clo verbo activo transitivo da primeira conju- 

i gacao (27) (29) (30). seu sujeito é leo (26) (50). Regra 

\ geral : — Todo o verbo latino, que fa& a segunda pessoa do sin- 

l yular clo presente do indicativo em as, e o infmito em are é da 

' vrimeira conjugacáo, e conjuga-se como Lacéro, as, lacerare. 

v (Quaclro n. 4.) 

.■ '' 72. Leves cervos : leves é um adjectivo da terceira declina- 

cáo. Os acljectivos cla íerceira declinacao ou da segunda 
classe dividem-se tambem como os substantivos em adje- 
ctivos parisyllabos e imparisyllabos. adjectivo teves é pa- 
risyUabo (70), pois faz o nominativo do singular levis, e o 
genitivo levis. Regra geral : todos os adjectivos parisyllabos 



WSfli: !!' 



j ; ! , 30 LINGUA. LATINA. 

I ' 

!¡ (70) da terceira declinacdo declinam-se como levis. : Nos adjecti- 

yos varisullabos a primeira termmacao mdica o geneio 
masculmoou feminino, a segunda indica o genero neutro. 

Ü¡ 7S Deíois de leves temos o substantivo cervos, que é da 

seguncla declinacáo, por isso que estando no plural tem um 

', cato acabado em os (Quadro n. 1), que e c accusativo Qra o 

! adiectivo léves, que tambem esta no plural, e iefeie-se a 

ñ !•• cervos, concorda com este em genero, numero e casc , (50; , e 

ú \ por isso está tambem em accusativo. Desta ?racao concluj- 

se aue íodo o verbo activo transitivo rege accusativo, chamado em 

linguagem grammatical complemento directo, paciente, obje- 

Cí¿ 74. toror, substantivo feminino da terceira declinacao, 
faz o genitivo do singular sororis, é imparisyllabo (70), ae- 

V clina-se como leo, leonis. Q ; n o-nlar 

75 Ha uma immensa vanedade no gemtivo do smguiar 

dos nomes da terceira declinacáo, nao obstame todos. aca- 

Sarem em is ; por exemplo, leo faz o f*f\^ZoVna£z 
faz sororis ; femur, faz femons ; lapis, íaz lapidis , poema taz 
: ! pogroofis, etc.: mas observando-se a regra segui* ^ facü- 

" ¡ mente se declinaráo os substantivos da terceira declmacao 

""1 Rao- r a fferál : Todo o substantivo, qualquer que.seja a te.rminacao 

donominativo, fazendo o genitivodo singular em is, e datermra 
declinacdo : sendoimparisyllabo (70) e masculmo, ou feminmo, 
, I decUna-se como Leo, leonis (Quadro n. 3), e sendo neutro impa- 

' '; risyllabo declim-se como Femur femoris. , . .. fln _.-„ 

! ' Os substantivos itnpansyllabos fazem o ablativo do sm 

i , ■ " crnlav em e e o 2,-enitivo clo plural em um. 

* 76. S4, gemtivo do singular cle páter K primeira vis ta 
parece ser este substantivo pansyUabo por ter igual numeio 
de syllabas tanto no nominativo, como no gemcivo , mas a 
respeito dos substantivos pater patns,^ pai;, fiatei t™*ris, 
irmSo ; roaíer, roaíris, mái ;. acapiíer, acapitris, acm, convem 
notar que perdem a vogal e do nommacivo, eemvbzie 
dizer-sé pater, pateris, diz-se paíer, patns ; naosao poiUn™ 



.U 






taes nomes, essencialmente considerados parisyllabon, mas 
nparisi/Wafcos 
Nesta licáo 



^arisyWaoos.^ ^.^^ substantivos imp arisyllabos, e 



adiectivDS>arisí/Ha6os da terceira declmacao. 

77. Cosíígffwí, na terceira pessoa do smgu ar dc » P ie ^ lt0 
perfeito do indicativo do verbo activotransidvo 30) cosííoo 
as, are; é portanto da primeira conjugacao (71). (yuaaio 

^'os tempos dos verbos dividem-se em cluas series : cbama- 
remos tempos da primeira serie todos os que apresentam a 



LICA.0 SEGKJNDA. 31 



accao do verbo como ndo estando concluida ; tempos da se- 
gunda serie todos os que apresentam a accao do verbo já con- 
cluida. Exemplifíquemos : castigo, eu castigo, castigabam, eu 
castigava, castigabo, eu castigarei, sáo tempos da primeira 
serie : castigavi, eu castiguei ; castigaveram, eu tinha casti- 
gado ; castiga.ve.ro, eu terei castigado, s-áo tempos da segunda 
série. Por uma notavel hfl.rra.onia da fórma, e do sentido, os 
tempos de cada serie se derivam uns dos outros ; isto é, 
nunca um tempo da primeira serie nasce de um da segunda, 
nem os tempos desta se derivam dos daquella. 

Fratrem, accusativo de frater, fratris (73) (76). 

Vulneraverat, terceira pessoa do preterito mais que per- 
feito do indicativo do verbo activo transitivo (30) vulnero, 
as, are (77). (Quadro n. 4). 

Nesta oracáo, quia vulneraverat femur ieporis lapuie, está 
por Eilipse (63) occulto o sujeito, que deve sevfrater (50) (76). 

78. Femur, coxa; este substantivo é da terceiradeclinacáo 
e do genero neutro ; faz o genitivo do singular femóris, está 
em,„accusativo (73). 

79. Nao analysaremos mais os substantivos da terceira 
declinacao, porisso que conhecidas as terminacoes priva-. 
tivas desta (Quadro n. 3) e a sigmificacao de todos os que 
vém nesta licáo, facilmente se póde saber, ou pelos Profes- 
sores, que devem explicar, ou pelos Diccionarios de portuguez 
para latira, quaes os seus nominativos e genitivos do singular, 
assim como o genero a que pertenct;m, para poderem os dis- 
cipulos declinar = os imparisyllabos masculinos e femininos 
por LEO, ONIS, e os neutros imparisyllabos por FEMUR, 
ORIS.^ 

Leporis, de uma lebre : o discipulo pela traduccao desta 
palavra deve já conhecer que ella está em genitivo (57), que 
é do genero masculino (18 a), que é da terceira declinacáo 
(69) (75), e portanto por onde se declina : para saber porém 
qual o nominativo, ou deve pergumtar ao Professor, ou em 
falta deste, recorrer ao Diccionario de portuguez para 
latim, procurando a palavra lebre (lepus). mesmo que dis- 
semos a respeito desta palavra se praticará com as outras, 
quando nao as explicarmos aqui. 

80. Lapide, com uma pedra : lapuie está em ablativo do 
singmlar (Quadro n. 3), declina-se lapis, lapídis. Regra geral: 
instrumento com quc se fa% alguma cousa o modo porque se 
fas, e a causa por que se fa%, exprimem-se em lat-im por ablatico. 

81. Fideles, adjectivo parisyllabo da terceira declinacao, 
está em nommativo do plural (26) (50) (72). Nesta licab só 
tratamos dos adjectivos parisijllabos da terceira declinaeao. 



32 LINGTTA LATINA, 

•\ > Milites declina-se miles, itis ; (75) é masculinoj regis é o 

r J^ genitivo (57) clo substantivo masculino (75) rex, egis. 

T 82. Equitabant, terceira pessoa do plural do verbo equito, 

as, áre, cavalgar : este verbo é activo intransitivo (30), e como 

tal náo necessita ter complemento directo claro, por isso que a 

X idéa do seu paciente está contida no radical equit. Daqui 

vé-se que em latim succede o mesmo que em portuguez 

com os verbos activos intransitivos, pois que no verbo ca-val- 

gar, o radical cavalg exprime a idéa do complemento directo. 

radical nos verbos intransüivos deve considerar-se como um 
substantivo neutro indeclinavel. 

Mirabili celeritáte, com admiravel velocidade ; mirabili, 
adjectivo da terceira declinacáo, está em ablativo cjncor- 
danclo com celeritate e exprimindo o modo (80) ._ Celerüate de- 
clina-so celemtas, celeritatis (Quadro n. 3]. Timore^ov temor, 
está em ablativo, exprime a causa (80) : timnr, timoris, mascu- 
lino (Quadro n. 3) ; legionis (57) g'enitivo de legio, substan- 
tivo femínino (75) . 

83. Inchoávit et terminavit : verbos da primeira conjuga- 
cao, inchoo, üs, áre, termvno, ás, are (71) (77) : subllme poema ; 
poema, substantivo neutro da terceira declmacao, está^em 
accusativo (20) (73),faz o genitivo do smgular poematis ; 
sublime, adjectivo pansyllabo, em accusativo do singular na 
terminacao neutra (72), concordando com poema (50) (73). 
Do genitivo clo singular dos nomes de qualquer declinacáo 
se derivam os casos obliquos (20) dos mesmos nomes. 

Os nomes acabados em a cla terceira declinacáo sáo do ge- 
nero neutro. . . 

Manducabat, terceira pessoa clo smgular do ímperteito do 
verbo activo transitivo cla primeira conjugacao (71), man- 
düco, as avi, atum, are, 

Far e baccar, neutros da terceira cleclinacao, fazem_ o ge- 
nitivo do singular farris, e baccáris, estáo em accusativo do 
smgular (20) (73) (75) (78) (79). Baccar nao tem plural. ' 

84. Arx está em nominativo do smgular : faz o gemtivo 
arcis, é feminíno e da terceira declinacao ; montes, nomina- 
tivo do plural ; o clo singular é mons, o genitivo ; monhs; 
partes nominativo do plural ; o do singular é pars, o gem- 
tivo partis ; temos mais a notar o adjectivo da terceira de- 
clinacao omnes concordanclo com partes e a conjunccáo pos- 
positim e enclitica que (60) (65) ligada a omnes. Sstes e toclos 
os substantivos imparisyllabos cla terceira declmacáo, cujo 
nominativo do singular acaba ns, eu em x precedido de le- 
tra consoante. fazem o genitivo do plural ium. Ars, artes ; 
pars, parte ; cohors, cohorte ; nox, noite ; sors, sorte ; mors, 
morte ; chors, pateo ; puls, papas de farinha, cleclinam-se do 



L, 



LICAO SEGUNDA. 3 3 



mesmo modo que estes ultimos. Arx, montes, omnesque paries, 
estao, como já dissemos, em nomiaativo, aquelleno singu- 
lar, e os dous ultimos no plural, representando o sujeito 
do verbo passivo occupabantur (26) (50). 

Itineris, genitivo de iter (57), substantivo neutro da ter- 
ceira declinacáo (75). 

85. Occupabantur, eram occupadas ; é a terceira pessoa do 
plural do preterito imperfeito do indicativo do verbo pas- 
sivo da pnmeira conjugacao occüpor (31). (Quadro n. 5.) 

Conhecem-se os verbos passivos da primeira conjugacao 
pela segunda pessoa do preseute do indicativo em aris, ou 
are, e o infitivo em ári. 

86. A fortibus militibus, pelos fortes soldados : fortibus, 
adjectivo da terceira declinacáo, e milüibus, substantivo da 
mesma declinacíio, estáo em ablativo do plural reg'ido da 

. preposicao a. Este ablativo a fortibus militibus chama-se em 
linguagem grammatical complemento indirecto do verbo pas- 
sivo, ou, como outros o denominam, caso necessario, caso clo 
verbo passivo. Quando este ablativo é representado por pessoa, 
em consequencia da qual resulta a accSo do verbo, é regido 
pela Preposicao a (si a palavra seguihte comeca por con- 
soante) e por'Vzfc (si a palavra seguinte principia por vogal, 
oupor h)\ quandoporém o mesmo ablativo representa cousa, 
em consequencia da qual resulta a accáo do verbo, entáo 
náo é uso por clara a preposicáo ooii ab. complemento in- 
clirecto do verbo passivo póde ser tambem expresso por ac- 
cusativo regiclo cla preposicao PER e por dativo só quando a ora- 
cáo passiva é formada pelo participio do futuro. 

Ccesaris é o genitivo (57) do substantivo proprio mascu- 
lino Ccesar (75). 

Prima, adjectivo da primeira classe (50). 

Habitatio faz o genitivo do singular habitationis, e é femi- 
^ nino. 

Adami está em genitivo do singular (57), e faz o nomina- 
tivo Adamus. 

87. Vocata est Paradísus per homines : vocata est, terceira 
pessoa do singular do preterito perfeito do indicativo_do 
verbo passivo da primeira conjugacáo vocor, aris, ou are, 

' vocari : é um tempo da segunda serie. Os' tempos da segunda 
serie nos verbos passivos sáo sempre formados com oparti- 
■cipio passivo clo prelerito, e com o verbo esse : o participio pas- 
sivo vocata está na terminacao feminina porque refere-se ao 
: sujeito habitatio, que é femmino (50) : si o sujeito fosse do 
genero masculino, o participio passivo seria posto na termi- 
nacao masculina (50) : e si fosse do genero neutro o parti-. 
ciplo seria tambem empregado na terminacáo neutra (50) . 



34 LINGTJA LATINA. 

Paradísus está em nominativo clo sing'ular por ser attributo 
do sujeito clo verbo passivo vocata est (50); per homines é o com- 
plemehto indirecto clo mesmo verbo passivo vocata es£_(86)._ 

Terra illuminatur jubáre solís: oracáo passiva ; cujo sujeito 
é terra, substantivo da prinieira cleciinacáo (49) (50) ; o verbo 
illuminatur é passivo e daprimeiraconjugacao (85), o seu com- 
plemento indirecto é o ablativo jubáre (86) cujo nominativo é 
jubar clo genero neutro; jubar nao tem plural. 

Solis é o genitivo do singular de sol, masculmo (75) : este 
substantivo náo tem genitivo do plural em latim. 

Nectar é do genero neutro, e faz o genitivo do singular ne- 
ctáris; náo tem plural -.jpotio está em nominativq, é feminino 
e o seu genitivo é potiónis: immortalium é o genitivo do plu- 
ral (57) do adjectivo parisyllabo immortalis, que concorda com 
Deorum (50) (57) (68). . 

88. Temos visto nesta licáo oracoes activas, ísto e, íor- 
madas por verbo activo, cbmo Leo Íacerat leves cervos ; e ora- 
coes passivas, isto é, formadas por verbo passivo, como Terra 
üluminátur jubáre solis. Nas oracoes activas, lia o sujeito, o 
verbo< e o complemento directo (quánclo o verbo é transitivo)_; 
nas oracOes passivas ha o sujeiio, o verbo e o complemento indi- 
rccto (qiíe umas vezes vem claro, e outras acha-se qcculto.) 
Além destas tres partes essenciaes cle uma oracáo existem as 
demais circumstancias expressas pelos casos competentes, 
pelos adverbios, e outras partes do discurso. Regra geral : 
Transforma-se uma oragáo activa em oracao passiva, mudandose 
o sujeito para complemento indirecto : o verbo activo para o mesmo 
tempo e modo da voz passiva; e o complemento directo para sujeito. 
Para transformar uma oracáo passiva em activa, faz-se jus- 
tamente o inverso; isto é: Muda-se o complemento indirecto pára 
sujeito; o vcrbo passivo para o mesmo tempo e modo da voz activa, 
e o sujeito para complemento directo. 

89. Quando á-oracao activa é formada por verbo intrans- 
itivo (30), e hao tem por isso claro o complemento directo (82), 
procede-se para transformal-a em oracao passiva deste modo: 
sujeito do verbo activo intransitivo muda-se para complemento 
indirecto ; e o verbo muda-se para o mesmo tempo e modo da voz 
passiva, devendo ficar sempre no numero singular. 

A. razao de ficar sempre no singular o verbo intransitivo 
quando é mudaclo para a voz passiva procecle de que tendo os 
verbos intransitivos contida no seu radical a idéa do comple- 
mento directo (82) e sendo ella unica, deve por isso essa ídéa 
considerar-se expressa no numero singular, e representar o 
sujeito : exemplo ; er¡uitabatur a militibus. 

90. Virtus detestatur vitium : virtus está em nominativo, é 
feminino, e faz o genitivo do singular virtutU ; é sujeito do 



LICAO SEGUNDA. 35 



verbo depoente detestatur (31), cujo complemento directo é vi- 
tium, substantivo neutro da Sbgunda declinacáo, e que está 
emaccusativo (73). Os verbos depoentes ern or conjugam-se 
pelavoz passíva das conjugacOes ríspectivas, e podem ser 
transitivos, e mtransitivos (30): este é, como vemos, transitivo, 
e da primeiraVonjugacao. fQuadro n. 5). 

91. Ignobiles: adjectivo parisyllabo cla terceira declinacáo, 
está em nominativ^o do plural da terminacáo masculina (70), 
e concorda como substantivo homines, que está occulto. G-e- 
ralmente usam os latihosdesta Ellipse occultando o substan- 
tivo homo ; de modo que encontrando em uma oracao um ad- 
jectivo na terminacáomasculina, e náo havendo substantivo 
claro a quem elle se possa referir, deveremos subentender o 
substantivo homo ou homines. y 

Adulantur pecuniam (90) (73)\ 

92. Prailiatur, vagatur : doiis verbos depoentes da pri- 
meira conjugacao, intransitivos (82) (90). Otiosus, o bomem 
ocioso (91). 

93. Caisar occupatürus est moniem : Cesar deve occupar o 
monte : temos que notar nesta oracao esta locucáo occupa- 
türus est, que náo encontramos nos modelos dos verbos da 
primeira conjug-acáo, tauto da voz activa, como da passiva. 
Usam os latinos dbparticipio do futuro junto ao verbo esse para 
formar esta especie de futuro, a que chamaremos fuluro cir- 
cumlocutivo, o qual differe do futuro imperfeito tanto, quanto 
differem em portug'uez estas duas maneiras de í'allar : Cesar 
occupará o monte,- e Cesar deve occupar o monte, Em summa, o 
futuro circumlocutivo encerra idéa de dever ; entretanto que os 
outros tempos futuros exprimem simplesmente que uma accáo 
ha de ser preenchida, ou executada. Montem é o complemento di- 
recto do futuro circumlocutivo activo do verbo transitivo occupo- 
(36) (73), cuja voz passiva já encontrámos (85). 

94. Mons occupandus erit Caisari: o monte deve ser occupa- 
do por Cesar. Eis nma oracao passiva (86) (88). futuro cir- 
cumlocutivo passívo é formado pelo participio do futuro da 
voz passiva, e pelo verbo esse. 

Ccesari, que está em dativo, é o complemento indirecto do 
verbo passivo desta oracTio (86). _ . 

95. Virtus non detestanda hominibus : esta oracao é passiva 
(88), e tem por Ellipse occulto o verbo est (63) : hominibus 
está em dativo por ser o complemento indirecto do verbo pas- 
sivo detestanda est (86). 

Homines non detestatüri virtutem : esta oracao é activa (88) ; 
e tem por Ellipse occulto sunt (63) : virtutem é o complemento 
directo do verbo activo transitivo detestatari sunt (73) (90) (93). 



I"! 



36 LJNGUA LATINA. 

RECAPITULACAO. 

Como se conbece um substantivo da terceira declina- 
cao?(69). . _ 

Como se dividem os substantivos da terceira declinacao 
relativamente ao numero de suas syllabas % (70). 

Como se conbecem os adjectivos da terceira declma- 

cao?(69). 

Como se dividem os adjectivos da terceira declinacao re- 
lativamente ao numero de suas syllabas ? (72). 

Por que nome se declinam os substantivos imparisyllabos 

daterceira declinacao, sendo masculínos ou feminmos? (75). 

Por que nome se declinam os substantivos imparisyllabos 

i da terceira declinacáo sendo neutros % (75). 

I ' , Por que nome se declinam os SbdjectiYOsparisyllabos da ter- 

I !■ ceira declinacáo ? (72) (Quadro n. 3). 

s 1 ' , Qual é avogal em que termina o ablativo do singular 

¡ , dos substantivos imparisyllabos da terceira declinacáo *? 

| '' (Quadro n. 3). 

M • Como termina o genitivo do plural dos substantivos %m- 

í'; parisyllabos da terceira declinacao ? (Quadro n. 3). 

I , Qual é a vogal em que termina o ablativo clo smgular 

I ■ dos adjectivos parisyllabos da tercsira declinacáo "? (Qua- 

'<"' dro n. 3). 

Como termina o g'enitivo do plural dos adjectivos pansyh 
[I !!- lábos da terceira declinacao % (Quadro n. 3). 

'i . Nos adjectivos parisyílabos da terceira declinacao, aque 

g-eneros correspondem a primeira e segunda termina- 
cáo? (72). 

Como se conbece a primeira conjugacáo dos verbos lati- 

nos?(71). . . 

Por que modelo se conjugam os verbos activos da primeira 

\\ conjugacao? (71) (Quadro n. 4). 

¡ Por que modelo se conjugam os verbos passivos da pri- 

!: meira conjugacao ? (Quadro n. 5). 

¡! Porquemodelo se conjugam os os verbos depoentes da 

}: prímeira conjugacáo ? (Quadro n. 5). 

Em quantas series se dividem os tempos dos verbos la- 

ií tinos? (77). 

que se entende por tempos de primeira serie, e quaes 

li sao elles ? (77) . 

I! que se entende por tempos da segmnda serie, e quaes 

| sáo elles? (77). 

¡ Em que caso se pOe o complemento directo de um verbo 

,| activo transitivo 1 ? (73). 



m Ü'- 



r¡ 



. LICAO SEGUNDA. 37 

Por que motivo os verbos Intransitivos nao trazem qua'si 
nunca claro o seu complemeníQ directo ? (82). 

Como ss deve considerar o radical nos verbos intransiti- 
vos? (82). 

Em que caso se poe o nome que exprime o modo, com que 
se faz alguma cousa ? (80) . 

Em que caso se poe o nome que exprime o instrumento 
corn que se faz alguma cousa ? (80). 

Em que caso se püe o nome que exprime a causa por que 
se faz algmma cousa'? (80). 

Ern que caso se poe o- complsmento indirccto de um verbo 
passivo? (86). 
_Ern que caso se pee o complermnto indirecto do verbo pas- 
sivo, quando esíe está no futuro circumlocutivo% (86). 

Quando os adjectivos estao na terminacSo masculina, 
sem haver na oracao um subsfcantivo, com qlie concordemj 
qual é o substantivo que g-eralrnente se subentende ? (91). 

Como se muda uma oracao da voz activa para a pas- 
siva'? (88). . " ~ 

Como se mudá uma oracüo cla voz passiva pa^a a a- 
ctiva? (88). * L L . 

Corao se muda uma oracELo da voz activa para a passiva, 
quando o verbo é iníransitivo •? (89). 

COMPOSICAO. 

Üm ligeiro veado dilacerou urn forte leao.— Os irmaos de 
Pedro feriram o pai do Maria com uma grande pedra.-— Os 
dédos da irma de Antonio forani feridos por um soldado da/ 
legiáo miiniga.— • pai de Maria nao andava a cavallo por ; 
temor.— Grandes poemas foram comecados, masnao termi- 
nados.— Os filhos dos Irmaos de Maríafdetestavam os vicios 
dos escravos. — A. velocidade das legioes de Cesar éra admi- 
ravel.— sol illumina todas as partes da terra com admira- 
vel claridade. — Os ociosos detesiam o caminho da sublime 
virmde.-~üm povo fiel nao detesta urn rei bom.— Os sol- 
dados foríes pelejam., e nao andam vagabundos. Os Iiomens 
cliamaram a primeira habiíacao de Adao Paraiso ; e a uma 
(nau setraduz para o latlm a palavra uma) snave bébida dos 
'Deoses uectar. Os soldados occuparam a cidadeíla, o monte, 
e parte do caminbo. — Cesar termiuou aguerra com magni- 
-ficos presentes. — A primeira terra occupada por Adao^pai 
de todos os homens, foi chainada Paraiso. — Deos castigou 
a Adao e a todos os filhos de Adáo.— Deos illumina os varoes 
bons como' o sol da vircude.— A terra deve ser illuminada 
pelo sol. Os bons (homens) deveráo occupar o céo.~~ céo 
cleverá ser occupado pelos bons (homens) 



3), 



QUADRO N- 3. 



Vw'- 



TERCEIRA DEOLINAQAO. 
Substantivos imparisyllabos. 



PARA MASCDLINOS E FEMININOS. 

Singular. 

Nom., Voc....... Le-o. 

Gen Le5n-is. 

Dat Leon-i. 

Acc... Le5n-em. 

Abl • Leon-e. 

Plural. 

Nom., Voc, Acc. Le5n-es. 

Gen Leon-um. 

Dat., Abl Leon-ibus. (*) 



PARA NEUTROS. 

Singular. 

Nom., Voc, Acc. Femur. 

Gen Femor-is. 

Dat Femor-i. 

Abl • Femor-e. 



Plural. 

Nom., Voc, Acc. Femor-a. 

Q en Femor-um. 

Dat., Abl.... (**) Femor-íbus. 



Adjectivos parisyllabos. 

TEROEIRA DECLINAQAO. 

Singular. 

Nom., Voc Lev-is (masculino e feminino) lev-e (neutro). 

Gen... ....... ^ V " 1S para os tres generos. 

Dat.,Abl.. ....... Lev-i J ..,,"",+„> 

Acc o _ Lev-em (maseulinp e femmmo) lev-e (neutio). 

Plural. 

Nom.,Voc.,Acc. Lev-es (masculino e feminino) lev-ia (neutro). 
Gen.............. Lev-ium) q¡¡ ^ ^^ 

Dat.,Ábl..„ {"**) Lev-ibus) 



(*) Como Leo declinam-se os suustantivos imparisyllabos da terceira decli- 
nagáo, sendo masculinos ou femininos. 

(**) Como Femur declinam-se os substantivos imparisyllabos da terceira 
declinagáo, sendo neutros. 

(***) Como Levis, leve declinam-se todos os adjectívos parisyllabos da ter- 
ceira declinacáo. 



§«ad_o m. 4. llodelffi d©s verlnffls «Isa pi-imeiffa e©n|ragsacÍ6©. (*} 

VOZ ACTIVA 
Lac&ro, as, avi, atum, are, dilacerar. 



INDICATIVO 



t3J 



Lacer 



Lacer 



$ 



o, 




as, 

at. 
amus, 


<_ 

o 
e 
•*- 

•a 


átis, 


sP 


ant. 


<_ 



» í abam, 

| S. Lacer . . j abas, 
| \ abat. 

*-§ í abamíls, 

s P. Lacer . . \ abatis, 
\ abant. 



Lacer 



CONJUNCTIVO 



Lacer 



Lacer 



1 emus, 
, . \ étis, 
( ent. 



§S. Lacer... 



P. Lacer . . 




aremus 

arét'ís . 
árent. 



Lacer . . • 



Lacerav 



•■-_ 



5P. Lacerav<! 



:S. Lacerav 



;P. Laceraví 



«S. Lacerav 

■<---' 
•e 



ÍP. Lacerav 



av| 



ero, 
eris 
. erit. 
erimus, 
er'ítis, 
erint. 



Lacerav 



Lacerav 



Lacerav 



•tí 



gP. 



Lacerav • 



IMPERATIVO 



erim, 
ens, 
erit. 
erimíís 
eritis, 
. erint. 

' issem, 

isses, 
. isset. 
' issemiís 

issetis, 
k issent. 



■ü-S. Lacer—a ou Lacer— ato 
g Lacer — ato. 
^P. Lacer— ate ou Lacer— 
j~ atote, Lacer — anto. 

INFINITO 

PEESENTE E PRET. IMPERF. 

(tempo da l. a serie). 
Lacer — are, dilacerar. 

PRET. PERF. E MAIS QUE PERF. 

(tempo da 2. a serie). 
Lacerav — isse, ter dilacer. 

FUTURO IMPERFEITO 

Lacer— atúrum, am,um, esse, 
haver de dilacer. 

FUTURO PERFEITO 

Lacer — átürum, am, «m, fuis- 
se, haver de ter dilacerado. 

GERUNDIOS 

Gen. Lacer—andi de dilac. 
Dat. Lacer — ando a dilac. 
Acc. Lacer — andum, para di- 

lacerar. 
Abl. Lacer— ando, em dilace- 

rar, dilacerando. 

PARTIOIPIOS 

PRES. E PRET. IMPERF. 

Lacer— ans , Lacer-~-antis o 
que dilacera ou dilacerava 
ou dilacerando. 

FUTURO 

Lacer — atürus, e, um, o que 
ha de dilacerar, ou $>ara 
dilacerar. 

SUPINO 

Acc. Lacer— atum, a dilace- 
rar, para dilacerar— 



*) Por este modelo conjugam-se todos os verbos activos da primeira conjugagáo. 



\/ 



Quadro m.' 5. Modclo clos wrtss da *.* conjnga^&o (*) - Voz passiva.- 

laoeror, oris ou Sre, LScératus sum, lácerürí, sbr dilacerado. 



INDICATIVO 



! cí 



. Lacer 



. Lacer 



, Lacer 



'.Lacer 



SS.Laeer 



. Lacer 



>S. Lacer 



: P. Lacer 



. Lacer 



CONJONCTIVO 



s ' <=> 



liacer 



i?l "|S. Lacer 



sp. 



t or ' 

\ íirís ou áre, 

f atiír. 

,' amur, 

I auiíní, 

\ antür. 

í abar, 

| abáristw abare 

\ ábatür. 

( abamur, 

' abaniíní, 

\ abantür. 

í abor, 

| aberísow abere 

l ábitur. 

( abímur, 

| abimml, 

V abuntvír, 

atus, ata, aturn 

sum ovj fui, 

es oio fuisti. 

6St ou fuit. 

atí, atíe, ata, 

sumus ou fui- 

mus, 

estis ovj fuistis 

sunt ou fue- 

runt ou faeve 

atíís, ata, atum 

eramew fuera™ 

eras ou f ueras 

, erat ou fuerai 

ati, atce, ata 

eramus ou fue- 

ramus, 

s eratis ou fue- 

I ratis, 

| erant ou fue- 

\ rant. 

f atfís, ata, atum 

< ero, eris, 

\ erit . 

í atí, ata}, ata, 

5 erímiís, erítis, 

\ erunt. 



^S 






Lacerj érís ou ere, 

V étür. 

( émfír, 
Lacer| éminí, 

\ entur. 



IMPERA.TIVO 



acei'' 



. Lacer 



tirer, 

aréris ou arcre 
arétúr, 
arémnr, 
areminL 
' arentür. 






Lacer 



: p. Lacei 



átiís, ata, atum 
sim ou fuerim 
sis ou fueris, 
sit ou fuerit. 
/ ati, atce, ata, 
[ símus ou fue- 
; rimus, 
i sitis ou fuéri- 

f tis ' 

\ sint ottfuerint 

[ atüs, ata, atum 

c, T ^ y i essem ou fuis m 
S. Lacer-; „ . 

j essesoisfuisse 5 

! esset o?*fuissot 
/ ati, atse, ala,' ' 
\ e s s e m iis' ou 
ij íuissemus, 
P. Lacer<; essetis ou fuis : 
| setis, 
" ! essent ou fuis- 
\ sei<t. 



t .S. Lacer-are ou La- 
§ cer— ator, 
~ Lacer — ator. 
^P. Lacer— amnií oio 
42 Lacer— amínor (**) 
'" Lacer— antor. 
INFINITO 

PEES. E PEET. IMPERF.' 

Lacer— árí, ser düacer. 

PRET. PERE. E M. Q. PERF. 

Lacer-atum, atam, atum 
esse ov, fuisse ter siclo 
clílacerado. 

PUTURO 

Lacer— atum írí' ou la- 
cer— andum, am, um 
esse ou fuisse, haver 
cle ser düacerado 
GERÜNDIOS 

Gen. Lácer— andi, cle ser 
düaceraclo . 

Dat. Lacer— ando, a ser 
dilacerado . 

Acc. Lacer-andum, para 
ser düacerado. 

Abl. Lacer— ando, em ser 
.dilacerado, sendo, etc. 
PARTICIPIOS 

PRETEEITO 

Lacer— atiís, ata, atum 
dilacerado,-ada{cousa 
' clilacerada). 

■' ' ■ FUTÜEO 

Lacer— andus, anda, an- 
• : cluin, o que deve ser 

dilacerado. 
■; : " SUPINO 

Abl. Lacer— atú, de ser 

clilacerado . 



(*) Por este modslo conjn 
o-am-sc todos os verbos pas 
sivos e depocates da primeira 
tíonjusagao. 



^*) Esta 2.a fórma do im- 
perativo da voz passiva é 
rarissimas vezes empregada 
quer nesta, quer nas outras 
conjugagoes. 



ERCEIRÁ LICÁO 



K 



£\ ■o-s.rílo-v r>.'n>c>"H£í Ih'ta '?">;£> ir <p>,rá'!]¡ a,~nn ° .¡aj" "¡h^TSfo.p-lh 

X&.\JLÍ)i¿-bJ. : ^. JLS.OC3 1LíAC3 a¿w'jí.jV/4j tv««viU!.Vjli¿ j «^ 6j U '¡-/ j!. A ^ C/ 

O auclaz inimigo' tem (occupa) o outeiro ; atcrra- 

nos easibiiSo Ti non times 

nos com as espaclas Ta temes 

cladeii 

estrago. Fabio mostrou-se sagaz 'pela 

ctatione. Potentes valent, sed iafelix 

tardanca. Os poclerosos ('homens) tem saude, mas o infeliz 



Q-rande 



il? bkSJAÜLÉS pü. OCÍÍJ Vil'i/ QO ta'ü'in^j. 6»-/i.jiA ■<_> U-.JU. 



popiiiiis 






^- 1 €5 f 



iis?¡iie'& íame. ümnis 



=■© 



temnecessiclad.es, está sem í'orcas por fome. rio 

injmdans teíriiit cives, classemque. M eptis 

trasborclando. aterr.ou oscicladaos, a arrnada (e). Á néta 

mea habeliat clavem tnam, pelvem nGstrani, 

minha .• •-ti.nlra. a cliave tua, a bacia nossa, 

e secürim vestram. Antonins amabat pa- 



a machaclinha 



vossa. 



amava 



i;g<a8 



42 



LINGTJA LÁTINA» 



H '! 



ilfl 

íll 
Éfif 

1 



II 



trem suum. Servi Petri timébant dominum 

seu. temiam 



,, _^jsis, atque r¡ 

seu. A séde, a tosse, e a rouquidao affli- 



bant me. Polliceor 

ffiam- me. Prometto a ti uma cama de páo, 



puiviiiar sericum, _<o_o ^__ ^w-*--.-, 

um travesseiro de seda, uma réde pennas, collares 



de diamantes, 



prata. 



esporas 

ssus non 

trabalhador merece impostos. 

Petrus studet mecum, gaudet tecum ; 

estuda commigo, folga comtigo ; 

sed non liabet libros secum. Deus est no- 

livros comsigo. está com- 

biscum, atque erit etiam vobiscum. 

nosco, estará tambem comvosco. 

CONVERSAglO. 

Quem occupa o outeiro, e nos aterra com espadas ? que 
faz o audaz mimig-o % que naotemes tu? que fez Fabio % 
Como passam os poderosos? E o povo? Porque soffre o povo 
necessidades, e está sem forcas ? Como se deve considerar o 
povo quando passa necessidad.es, e está sem forcas pela fome 1 ? 
que fez o rio trasbordando ? Quaes eráo as cousas que 
minha neta tinha % que fazia Antonio'? que faziam os es- 
cravos de Pedro^Quaes eram os incommodos que me affií- 
.giam? que me faziam a séde,tosse,e rouquidíio ? Quaes sao 
as cousas que eu te prometto? Porque esperas tu ter uma 
■cama de páo, um travesseiro de seda, uma redede pennas, 
■collares de. diamantes, e esporas de prata % Quem nao me- 
rece impostos? que nao merece umpovo trabalhador'? 
que faz Pedro ? Com quem está Deos ? E com quem tam- 
bem ha de estar ? 



1 1 \, ; 

.t_ _; 



LICAO TERCEIRÁ. 43,. 



ANALYSE. 



I 



96. Andax hostis; temos um adjectivo e um substantivo 
da terceira declinacao : o adjectivo é imparisyllabo (70), o 
substantivo é parisyllabos, (70). Nesta licao tratamos dos ad- 
jectivos imparisgllabos,e dos substantivos parisyllabos cla ter- 
ceira declinacao. Regra geral : Os adjectivos imparsiyllabos 
da terceira declinacdo tém no nomiñativo do singular uma só de 
sinencia para os ires generos ; fazem o ablativo do singular em 
ou E, o genitivo do plural em ium e o nominativo, vocativo e ® ac- 
cúsativo do plural na terminacdo neutra acabam em ia, como o§ 
adjectivos parisyllabos (Qaadro n. 6). 

97. Hostis : substantivo parissyllabo da terceira declinacao 
(70), está em nominativo do singular (50). Regra geral : Os 
substantivos parisyllabos da terceira declinacáo fazem o genitivo 
do plural em ium. Muitos destes substantivos parissyllabos fazemo 
accusatiYO do singular umas ve¿es]em em e em m, e algunssó- 
mente em im . ab'lativo do singular conserva a vogal do kccusativo; 
mas algumas vezes aámitte e ou i em certos nomcs, que fazem o ac- 
cusalivo sómente terminado em em. (Quadro n. 6.) 

98. Habet, terceira pessoa do singular do presente do in- 
dicativo do verbo activo transitivo da segunda conjugacao 
Habeó, es, habui, habitum, ere. Regra geral: Os verbos da se- 
gunda conjugacdo fazem a segunáa pessoa do singular do presente 
do indicativo em es, e o infinüo em ere longo. (Quadro n. 7.) 

Collem, accusativo do singalar do s ubs fcantivo parisyllabo 
da terceira declinacáo coilis (73) (97) ; declina-se como hostis. 
(Quadro n. 6). . 

Terret, terceira pessoa do singular do presente do indica- 
tivodoverbo activo transitivo dasegunda conjugacao Ter- 
reo, es, terrui, territum, terrerc ; conjuga-se como habeo. 
(Quadro n. 7). 

99. Nos, accusativo do plural do pronome pessoal Ego, eu 
(73). (Quadro n. 6 A). 

Ensibus ablativo do plural do substantivo masculmo pan- 
syllabo da terceira declinacao ensis, que se declina como hostts 
(Quadro n. 6), exprime o instrumento (80). 

Tu, Pronomepessoal,está emnominativo do singular (40). 
(Quadro n. 6 A). . 

100. Times, segunda pessoa do singular do presente do m- 
dicativo do verbo activo transitivo da segunda conjugacao, 
Timso, es, timui, ere. Convem notar que os verbos da segunda 
conjugacao em latim apresentam uma grande variedade nos 
seus preteritos,esupinos; jáporque nem todos os fazem se- 
melhantes aos do verbo habeo, es, ui, itum, ere (que tomare- 
mos como modelo dos verbos regulares da segunda conjuga- 



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44 



LINGUA LATINA. 



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cao); ]£i porquemuitos delles tendo preterito, nao tém supi- 
no, como por exemplo, timeo ; já íiualmente porque alguns 
náo térn, nem preterito nem supino, Náo difflculta porém 
esta irreg'ulnridade a conjug-acáu destes verbos, porque uma 
vez conhecida a terminacáo cla seguncla pessoct clo singuías clo pre- 
sente clo indicativo, e o presente do infmito de qualquer verbo, sa- 
"be-se log-o a que conjugacáo pertence, e busca-se-lhe ajim- 
tar as terminacóes proprias cios tempos de cada umo, das cluas 
series. 

Ingentem cladem: ingentem adjectivo imparisyttabo cla ter- 
ceira declinacao (Quadro n. 6), esfcá ein accusativo clo singu- 
lar eoueordaudo com claclem (50) (73), que é um substanfcivo 
parisyilado da terceira declinacao, e se clecliua coino hosíis 
(Qusdro n. 6) ; o seu nomeativo é clades. 

101. Tu no n times ; vemos times na seguncla pessoa clo sin- 
gular ; e a razao é que o sujeito deste verbo é o Pronome 
pessoal Tu. Já disseínos (26)' que todo o nome que estando 
no singular náo fór Ego ou Tu, é sujeito cla terceira pessoa 
do smgular; assim como que todo o nome que estando no 
plural nao íor nós e vós é sujeito da tereeira pessoa cto.píu- 
ral. Agora clirernos conio regra geral : verbo concorda com 
o seu sujeito emnumn-o e pessoa, isio é, o verbo deve estar no mes- 
mo numero, em que estiver o seu sujeito, e esiando na primeira 
pessoa áo singular^ o sujeito será sempre sgo ; e ttj si esíiver na 
segunda ; estando porém o verbo na primeira pessoa clo plural, o 
seu sujeito será sempre nós, e estanclo na segunda pessoa clo mesmo 
numero, o seu sujeiio será sempre vos. 

Fabius prcebuií : Fubius, substautivo proprio da segunda 
declinacfio (51), sujeifco de prcsbuit, que é a terceíra pessoa 
do sam'ular do nreteriío perfeito do Inciicativo clo verbo 



rtivo 



g'unda conjugacao pradoeo,. és, bui, 



'cransi'civo ua 
ítv/m, ere. (Quadro n. 7). 

102. Se, prenome refiexivo cla terceira pessoa ; está em 
accusativo do singular (73) (Quadro n. 6 A.) : náo tem nomi- 
nativo : a sua declinacao éa mesma tanto no singaüaigcomo 
no plural ; soteríem, accusativo clo singular do adjectivo -vm- 
parisyllabo da terceira declinacao solers ; concorda com o 
proncane se (Quadro n. 8 k). Cunctatione, ablativo do singu- 
lar do subsfcantivo imparisyliabo da terceira declinacao cun- 
ctatio, espriine omodo (80). 

103. Potentes valent : potentss, nominativo do plural na ter- 
minacáo rnascnlina do adjectivo imparisyllabo potens, con- 
corda corn homines (91) e é sujeito de valení que é a terceira 
pessoa do plural clo presente do indicativo do verbo activo 
intransitivo da seguncla conjugacao valeo, es,uí, itum, ere. 
(Quadro n. 7). • 



LICAO TERCEIRA. 45 



Infelix, adjectívo imparisyllabo cla terceira declinacao. 
(Quadro n. 6). 

Eget, et languet : estes dous verbos hgados pela conjuga- 
cáo'eí sáo da segunda coujugacáo (98), sáo activos mtransi- 
tivos (30), o sujeito do primeiro é popülus, que é tambem 
do segundo : arnbos estes verbos fazem o preterito era ui, 
mas náo tém supino (100). Fame, ablativo do singular do 
substantivo feminino parisyllábo cla terceira declmacao fa~ 
mes, exprime a causa (80). Fames náo tera plural ; declina-se 
como hosiis (Qnadron. 6). 

104. Amnis inundans terruit cives classemque. Amnis suD- 

stantivo xnzsc aluioparisyllabo da terceira declinacao, decli- 

na-se como hostis (Quadro n. 6), rnas faz o ablativo do sm- 

gular em e oxxi: inundans, adjectivo imparisyllabo (Quadro 

n. 6), da terceira declinacáo, e participio do preseuLe _ do 

verbo activo da primeira conjugacáo (71) inundo, as, avi^ a 

tum, clre, está em nominativo concordando como amrns (oO) 

sujeito de terruit, que é a terceira pessoa do preíento per- 

feito do indicativo do verbo terreo (98) : cives, accusativo do 

pluraldosubstantivoparisyllabo civis (70) (73j, que se cle- 

clina como amnis:' classemque accusativo do_ siugular do 

substantivo parisyllabo cla terceira cleelmacao_ classis (73), 

que se cleclina tambem corao amnis : que é a conjunccao pos- 

positiva enc'itica (60) (65). 

105. Neptis meahabebat : neptis substantivo feminmo pari- 
syllabo da terceira deelinacao, que se declina coino amnis : 
está em nommativo do singular, sujeito de habebat ;50:: mea 
adjectivo pronominal; está na terminacao feminma do nq- 
minativo do smguilar, concorclando eom o substantivo femi- 
nino neptis: decíina-se meus, mea, meum, corao bonus, a, um 
(Quadro n.í), só com a clifferenca cle fazer o vocativo clo sm- 
guiar na terminacáo masculina o mi, em vez de ser o mee, 
como pela regra geral clevia ser, por isso que o vocativo do 
singular de bonus, a, um, na terminacáo inasculina é obone. 
Clawmtuam: clavem é o accusativó clo singular (7o) do 
substantivo parisyllabo feminino clavis, que se declina como 
hostis (Quadro n. 6), mas que faz' o accusativo do smgular 
em em ou %m, e o abletivo clo mesmo numero ern e, ou t; 
tuam accusativo do singular naterminacao feminina do ad- 
jectivo pronominal tuus a, um, concorda coin clavem (ou) ('io) 
Pelvcm nostram et sscürim vestram : pelvem accusativo ao 
singular (73) do substantivo feminino parisyliabo cla terceira 
cleclinacáo pelvis (97) que se declina como clavis : nostram ac- 
cusativo do singular na terminacao jbminma do adjectivo 
pronominal noster, nostra, nostrnm: securim é o accusativo clo 
singular (73) do substantivo feminino parisyllabo (97) aa 



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46 LINGUA. LATINA. 

terceira declinacao secüris, que se declina como hostñ (Qua- 
dro n. 6) ; faz sómente o accusativo do smgular em im, e o 
ablativo 'do mesmo numero em *. 

106 Antonius amabat patrem suum : serm Petri timebant 
dominum suum. Nas primeiras oracoes temos Antonius (50) 
suieito do verbo activo transitivo da pnmeira conjugacSo 
amabat (71) : patrem suum é o complemento directo de amabat (7d) : 
suum adjectivo pronominal suus, a, um, concorda com patrem, 
substantivo imparisyllabo da terceira declmacao (69) (76) : 
nesta oracao suum significa séu (delle Antomo) ; na segunda 
oracáo porém Servi Petri timebant dominum suum ; o adjectivo 
pronominal suum significa seu (delles escravos). 

107. Sitis, tussis, atqueravis: süis tussis, ravis, substantivos 
femininos parisyllabos da terceira declmacao (97), estao em 
nominativo do singular : estes substantivos fazem o accu- 
sativo do singular em im, e o ablativo do mesmo nuinero em 
i ■ em todos os mais casos declinam-se como hostts (Quadro 
n. 6). Sitis náo tem plural. Atque é uma conjunccao. 

108. Vexabant me : vexabant, verbo activo transitivo da pri- 
meira coniugacao (71), está na terceira pessoa do plura ^do 
preterito imperfeito do indicativo : Regra geral .: Havendo 
em uma oragao mais de um sujeito da terceira pessoa do smgular, 
o verbo póe-se na terceira pessoa do plural. 

Me é o accusativo do singular (73) do Pronome pessoal Ego 

109 ^ l0 pdlicé or 'tibi : Polliceor, verbo depoente transitivo da 
seffunda conjugacáo, Polliceor, erís, pollicitus sum polhcen 
(Qviadro n. 8) está na primeira pessoa do presente doindicar 
tivo e tem portanto como sujeito o pronome Ego (101). Jim 
latim quando os verbos estao na primeira ou na segimda 
pessoa, quer do singular, quer do plural oeculta-se quasi 
sempre o sujeito ; excépto quando se quer designar uma op- 
posicao, como por exemplo aesta phrase : Ego studeo, eu es- 
tudo' ; tu qaudes, tu folgas. . n 

Tibi, é o dativo do singular do pronome Tu (59) (Quadio 

D 'll0 'CublU ex ligno, pulvinar sericum, rete ex pennis, monilia 
adamantina, et calcaria ex argento. Cüblle,puMna.r, rete, mo- 
nilia e calcaria sáo substantivos parisyllabos neutros da ter- 
ceira declinacao : os tres primeiros estao em aceusativo do 
singular (73), e os dous ultimos em accusativo do piurai (/d). 
Eegra geral : Os substantivos parisyllabos neutros da terceira de~ 
olinagao terminam em e breve, mas o uso tem supprvmido esla vogal 
nos neutros parisyllabos cuja desinencia é em al e em AR. O abta- 
tivo do singular é sempre em i, e o genitivo do plural em ium. 
(Quadro n. 6). 



LICA.0 TERCEIRA.. 47 

111. Gubile ex ligno, pulvinar sericum, rete ex pennis, monilia 
adamantina, et calcaria ex argento : cama de pao, travesseiro 
de seda, rede de pennas, colíares cle diamantes e esporas de 
prata: os termos páo, seda, pennas, dmmantes e prata exprimem 
a materia de que sao feitos a cama, o travesseiro, os collares, 
e as esporas :_ algumas destas palavras estáo em latim em 
ablatiyo regido da preposicao ex, outras sao expressas por 
adjectivos que concordam como substantivo respectivo (50), 
como sejam o adjectivo sericum (sericus, a, um), que está em 
accusativo do singular (73) concordando com o substantivo 
parisyllabo neutro da terceira declinacao pulvinar ; e o ad- 
jectivo áddmantina (ádamantinus, a, um), que está na termi- 
nacao neutra do accusativo do plur-il concordando com mo- 
nilia, que é accusativo do plural (73) do substantivo parisy- 
labo neutro da terceira declinacáo monlle. 

Ligno, ablativo de lignum, i (58), pennis, ablativo do plural 
de penna, a¡ (49) ; argento, ablativo de argentum, i (58). Regra 
g'eral : nome que exprime a materia de que se faz alguma cousa 
(qaandu os objectos sdo féitos pela máo do homem) póe-se em abla- 
tivo regido da preposicáo e ou ex ou de ; e em genitivo (si se trata 
das obras da natureza, ou sejam reaes, ou suppostas) : si o noms 
que exprime a materia é adjectico, entdo concorda com o substan- 
tivo respectivo em gmero, nume.ro e caso (50). 

Popülus laboriüsus non meret vectigalia (50) (98) (73) (110) 
(Quadro n. 6). 

Petrus_ stüdet (50) (30) ; studeo, cs, dui, dere (100) ; mecum, é 
o ablativodo sing'ular do pronome pessoal Ego (Quadro 
n. 6 A) regido da preposicáo. cum, que com os ablativos me, 
te, se, nobis, vobis sempre se pospoe, dizendo-se mecum, tecum, 
secum, nobiscum, vobiscum. Ha uma modificacao semelhante 
em portuguez quando dizemos comigo, comtigo, comsigo, com- 
nosco, comvosco. A preposicao cum rege ablativo : em lingua- 
gem grammatical o ablativo regido da preposicáo cum cha- 
ma-se ablativo de companhia. 

_ 113. Gaudet, terceira pessoa do singular do presente do 
indicativo do verbo semidepoente (31) intransitivo da segunda 
conjugacao Gaudeo,es, gavisus sum, gaudere. Regra g-eral : Os 
verbos semidepoe?ites conjugam-se nos tempos da primeira serie 
pelo modelo dos verbos actívos ; e nos tempos da segunda serie pelos 
modelos dos verbos passivos das conjugacóes a que pertencem . 

Libros, accusativo do plural do substantivo masculino da 
segunda declinacao, liber libri (61, 73) . 

RECAPITUIACAQ 

Quaes sao os substantivos cla terceira declinacEo de que 



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l'. ''i 

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43 LINGrtJA LATINA. 

trata a terceira licán, relativamente ao numero de suas 

syllabas (96) *? ., . . ,, , , 

Porque nome se cleclinam os substantivos parisyllaoos ua 
terceifa declinacáo, seado masculinos ou femininos (97) /? 

Porque nome se declinam os substantivos parisyllubos da 
terceira cleclinacáo quando fazern o ablativo do singular em 
é ou i (Quadro ñ. 6) 1- . . 

Porque norae se deciinam os substantivos pansyllabos da 
terceira declinacao quando fazem o accusativo em em ou im 
e o ablativo do mesrno numero em e ou t (Quaclro n. 6) '? 

Quaes sáo os substantivos que fazera o accusativo em %m, 
ou em, e o ablativo ern i ou e (Quadvo n. 6) *? 

Porque nome se deollnam os substantivos parisyllabos neu- 
tros cla terceira cleclinacao, tenclo o nominativo do singular 
ein e (110) íQuadro n. 6) '?' 

Porque nome se cieclinam os substantivos neutros cla 
terceira cleciinacáo acabando o nominativo do siugular 
emJ (110) (Quad'ro n. 6)? 

Porque norae se cleclinam os substantivos nemuos da ter- 
ceiradeclinacao tencio o nominativo clo smguüar em ar (110) 

(Quaclro n. 6)? , • ,-,!! 

Como fazern o ablativo do singular e o gemtivo do plurai 
os neníros parisyllabos da terceira declinacao (110)? 

Quaes sáo os 'acljectivos da terceira deelmacao, oe que 
trata a terceira licáo, relativamente ao numero de suas syl- 
labas (96) (Quadro n. 6)? . v . 

Poraue noine se declinam os adjectivos impansyUabos cia 
terceira clecliaacao (96) (Quadro n. 6) ? _ 

Ouantas desinencias teui no nommativo clo smguuir os 
adjecíivos imparisyllabos da terceira declinacáo, e a que ge- 
nero correspendem (96) % 

Como se conliecem os verbos latinos cla segunda coojuga- 

cüo (98) ? 

" Porque morlelo que se conjugam os verbos activos da se- 

guincla conjugacao (Quaclro n. 7) " 

Porque modelo se conjugam os verbos passivos ua se- 
gundauonjngacao íQuadro n. 8) ? 

Porque modelo se conjugain o&- verbos depoentes cia se~ 
gunda conjugacáo (Quadro n. 8) *? , 

Porque inodeio se conjugam os verbos semidepoentes cia 
segunda conjugacao (113) ? 

Quanclo um verbo está na priineira ou na segunda pessoa, 
quer do singulaiy quer do plural, qual é sernpre o seu su- 
jeito (101) % . 

Corno concorda o verbo com o seu sujeito (101) \ 

Quanclo ha na mesma oracáo niais de um sujeito da ter- 



■:?■■ 

■ . .. .! 



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LICA0 TERCEIEA. 49 

ceira pessoa do singular, em que pessoa e em que numero 
se poe o verbo (108) ? 

Qual é o caso regido pela preposicao cum (112) ? 

ablativo regido pela preposicáo cum, como é gramati- 
calmente cliamado (112)? 

Eni que caso sepoe o nome que exprime ñmateria, de que 
se faz algmma cousa, quando os objectos sao feitos pelos 
homens (111) ? 

Em que caso se pOe o nome que exprime a materia, de que 
se faz algmma cousa, quando se trata de obras da natureza, 
quer sejain estas reaes, ou suppostas (111) "? 

que se pratica quando o nome, que exprime a materia, 
cle que se faz algmma cousa, é um acljectivo latino (111) ? 

Quando os pronomes pessoaes em latim es'cao em ablativo 
e sáo regiclos da preposicao cum, de que modo é esta prepo- 
sicao empregada (112) ? 

Porque nome se declinam os adjectivos pronominaes, meus 
mea, meum ; tims, tua, tuum ; suus, sua, suum ; noster, nostra, 
nostrum ; vester, vestra, vestrum (105) ? 

Como se faz o vocativo da singular na terminacao mascu- 
lina o adjectivo pronominal meus, mea, meum (105) *? 

COMPOSICAQ 

outeiro era tido por audazes inirnig-os. — As vossas es-. 
padas n5o aterraram as poderosas legioes de Fabio. — Tua 
neta é infeliz, porque tem irmáos funestos a seu pae. — ■ A 
tardanca de minha irma affiig'e os nossos escravos, porque 
( os escravos ) nao tém saude, e estáo sern forcas. — Eu nao 
mere.co grandes (ingens) presentes, porém tu, (fallaudo de 
.uma mulher) prometteste-me (a mimj dinheiro e uma chave 
de prata. — rei esteve comigo, mas nao comvosco. — 
Os soldados tém camas de páo e travesseiros de pe- 
dra, — • Pedro tinha uma grande [ingens) tosse, rouqnidao, e 
sécle, porque tinha comido um veado e uma lebre.— Eu 
amo os meus filhos, porque sou pae.— Antonio ferio-se com 

j uma espora.— Os leoes dilacerarani as recles, e atterraram os 

sokiaclos de Cesar. — Os livros devem ser ainaclos por nós. 

I — Os bons merecem o paraiso.— rei castigou toclos os 

ciciaclaos, e prometteu dinheiro aos seus soldados, — 'Eu es- 
tou sem forcas, e tu folgas, porque tens muito (ingehs) di- 

í nheiro. — Üm rei bom deve ser amado por cidadáos fieis. — 

¡ Um povo ocioso deve ser affiigido com grancles (magnus a, 

um) impostos,— Eu sou chamado Antonio. 



QUADRO N. S. 



ADJEOTIVOS IMPARISYLLABOS. 



Singular. 

Nomin., Vocat... Audax, audaz 
(para os tres 
generos). 

Gen Audac-is, (para 

os3g.) 

Dat. .. Audac-i, (para 

os 3 g.) 

Acc . . Audac-em, (m. 

e fem.) audax 
(neutro). 

Abl Audac-íowAu- 

dac-e, (qual- 
quer dos2pa- 
raos3g.) 



Plural. 

Nom., Voc. eAcc. Audac-es , ( m. 

efem.)audác- 

ia (neutro). 
Gen . ..... Audac-íum (pa- 

ra os3 g.) 
Dat. e Abl. ...... Audac-ibus, (p. 

os 3 g.) 



SÜBSTANTIVOS PARISYLLABOS. 



MASCULINOS E FEMININOS. 



m 



m 



Singular. 

Nom. e Voc. ..... Host-is, inimi- 

go (publico). 

Gen.... Host-is. 

Dat Host-i. 

Acc .............. Host-em. 

Abl. Host-e. 



Plural. 



Nom., Voc. e Acc. 

Gen. ......... 

Dat. e Abl 



Host-es. 

Host-ium. 

Host-ibus. 



MASCULINOS E FEMININOS. 



Singular. 

Nom. e Voc...... Amn-is, rio. 

Gen.. ... ......... Amn-is. 

Dat.. ......... Ama-i. 

Acc.... Amn-em. 

Abl. ......... Amn-eowAm-ní. 



Plural. 



Nom., Voc. e Acc. 
Gen .......... o .. . 

Dat. e Abl....... 



Amn-es. 

Amn-ium. 

Amn-ibus. 



ill, 

... 



(ComtiiMHa^áo d® quadro m. 6)» 



MASCULINOS E FEMININOS. 



Singular. 

Nom. e Voc Clav-is, cliave. 

Gen . Clav-is. 

Dat Clav-i. 

Acc Clav-em ouGla- 

vim. 
Abl. Clav-ecmClavi. 



Plural. 

Nom., Voc. e Acc. Clav-es. 

Gen....... Clav-ium. 

Dat. e Abl ... Clav-ibus. 



SUBSTANTIVOS PARISYLLABOS NEUTROS. 



Singular. 

Nom., Voc. e Ácc. Oubíl-e, cama. 

Gen. Cubíl-is. 

Dat. e Abl Cubil-I. 

Plural. 

Nom., Voc. e Acc. Cubll-ia. 

Gen Cubll-íum. 

Dat. e Abl Cubíl-ibus. 



Singular. 

Nom., Voc. eAcc. Vectlgal , im- 
posto. 

Gen Vectlgal-is. 

Dat. e Abl Vectigai-i. 

Plural, 

Nom., Voc e Acc. Vectlgal-ía. 

Gen Vectlgál-ium. 

Dat. e Abl Vectlgal-ibus. 



Singular. 

Nom., Voc, A.cc. Pulvínar, travesseiro. 

Gen Pulvlnar-is. 

Dat., Ábl. ...... Pulvlnar-i. 

Plural. 



Nom., Voc, Acc. Pulvlnar-ia. 
Gen. ............ Pulvlnar-íum 

Dat., Abl. ...... Pulvinár-ibus. 



QUADRO N- 6 A. 



IPfl'fflsmüBaes pess©aes. 



Singular. 

Nom. . . Ego, eu. 

Gen.,.. Mei, de mim. 

Dat. ... Mihi ou mi, a mim, me. 

ou, 'para mim. 
Acc. . .. Me, me, a mim. 
Abl.... Me, de mim, por mim, 

em mim. 

Singular. 

N., V... Tu, tu. 

Gen Tui, de ti. 

Dat. . . . Tibi, a ti, te, 'para ti. 

Acc. . . . Te, te, a ti. 

Ábl. ... Te, de ti, por ti, em íi. 



Nom. 
Gen.. 

Dai. 

Acc. 
Abl. 



N., V 
Gen. 

Dal. . 

Acc. 
Abl.. 



Plural. 

N5s, nós. 

Nostrum, ou nostri, de 

nós. 
Nobis, a nos, nós, para 

nós. 
Nos, nos, a nós. 
Nobis, de nós, por nós, 

em nós. 

Plural. 

Vos, vós. 

Ycstrum, ou vestri, de 

vós. 
Yobis, a vós, vós, para 

vós. 
Yos, vos, a vós. 
Yobis, de vós, por vós, 
em vós. 



II ■ 
P 

í 

■ 



Singular e Plural. 



Gen.... Sui, de si (delle ou delles, della ou dellas). 
Dat. ... SiM, a si (a elle ou a elles, a ella ou aellas). 

Acc Se, se, a si {a elle ou elles, a ella ou ellas). 

Abl. .... Se, de si [delle cu delles, della ou dellas), por si {por elle 

ou por elles, p or ella ou -j?or ellas), em si (nelle ou nelles 

nella ou nellas). 



»1 



ájijatto© m. >%. Hoelel® «los ^ffii'lbas sla segttsiasta ©OEi|5sgís,e«é= (*) 

VOZ ACTIVA. 
Habeo, es, Hábüi, Hábttum, ílábere, ter. 



INDICATIVO 




CON.TUNCTIVO 



( eam, 
Hab. | eas, 
( eat. 
eamüs 



Hab. 



Hab. 



Hab . 



eátis, 

eant. 

erem, 

eres, 

eret 

eremiís, 

erétis, 

erent. 



erim, 
^S. Habu.j eri's, 
e ( erit. 

s [ er'ímus, 

P.Habu< eritis, 
( erint. 



S. Habu 



P. Habu 




(*) Por este modelo 
coirJTigarn-se todos os 
verbos activos da se 
gunda conjug-agao. 



IMPEHATIVO 



¿S. Hab— e ou Hab— eto. 

Hab — eto. 
■^ P . Hab— ete ou Hab— etote 
S Hab — ento. 

INFINITO 

PEESENTE E PEET. IMPERF. 

(tempo da l. a serie), 
I-Iab— -ére, ter. 

PRST.PEEF. E MAIS Q. PEBF. 

(tempo da 2. a s'erie). 
líabu— ísse, ter ticlo. 

FUTUEO IMP3RFBITO 

Hííb — itürum, am, um, esse 
liaver cle ter. 

FUTUEO PERFEITO 

líab— 'íturum, am, um, fuisse 
haver cle ter ticlo. 

GE'EÜNDIOS 

Gen. Hab— encli, cle ter. 
Bat. ílab — endo, a ter. 
Acc. Hab— endnm, para ter. 
Abl. Hab — endo, em ter, 
tendo. 

PABTICIPIOS 

PKES. E PEET. IMPERF. 

Ilab— ens, hab — entis, o gue 
tem , ou tirilia , tenclo. 

FUTUEO 

Hab— 'ítürus^ a, um, o gue 
ha cle ter, 'para ter. 

SUPINO 

Acc. Hab— í'tum, a ter, %>ara 
ter. 

6 



aaílE"© h= 8» fflíütl©!© dos vca>b©s cfla ^egiaiirjla. cojíjsiga^sá©. {*) 
VQZ PASSIVA 

Habé'or, eris ou ere, habitus sum, haberi, ser tido. 



INDICATIVO 



lab. 



sP. Hab. 



¿S. Hab. 



sP.Hab. 



¿S. Hab. 



£P. Hab. 



CONJUNC'HVO 



S I °P 



M 



eor, 

eris ot6 ere, 

etur. 

émiu', 

ernini, 

entur. 

ébar, 

ebáriscmebare 

ebátur. 

ebamur, 

ebámini, 

ebantur. 

ebor, 

éberisowebere 

ebi'tur. 

ebimur, 

ebimini, 

ebuntur. 

'ítus, ita, i'tum 

sum ou fui, 

es ou, fuisti, 

est ou fuit. 
/ ití, ítce, i'ta, 
í sumus ou fui- 
4 mus, 

\ estis oiífuistis 
I sunt ou fué- 
\ runtoiífuére. 
j itus,ita,itum. 
j eramúíífueram 
) erasou fueras, 
['évalou fue'rat. 
| iti, itffi, i'ta, 
i eramusoztfue- 
{ \ ramus, 
eratis ou fue- 
ratis, 
'j erant ou fue- 

rant. 

/ itus,a,um,eró 

S. Hab. ' Itus,a,um,eris 

t itus,a,um,erit 

, tí,se, a,erimüs 

P. Hab. ' iti, aj, a, er'ítis 

i iü, 33, a,erunt. 



I eai 'j 
§ S. Hab . I earis ou eare, 
« " eatur. 

§> i eamur, 

gP. Hab. < eami'ni, 
^ teantur. 

I erer, 
gS. Hab. ] ererisowerére 



-P. Hab. 



{ éietur. 
erémur, 
éremini, 
eientur. 



IMPEP,ATIVO 



Hab. 



¿S. 



Hab. 



«P. Hab. 



■•SS; Hab. 



ilab 



[ itus,ita,itum 
sim oit faerim 
sis ou fueris, 
sit ou fuerit. 
iti, i'tfe, ita, 
slmus ou fue- 
rimus, 

sitis ou fueri- 
tis, 

sintotí. fuerint 
itus,ita/ítuin 
) essemoufuis 111 
) essesa«í'uissc s 
; l essetoíífuisset 

s / i'ti, itffi, ita, 

• I esscmus ou 

'• \ íuissemus, 

ÍP. Hab.< essetiso'iífuis- 
; | setis, 

L ( essentowfuis- 

\ \ sent. 



(*) Poreste modelo conju- 
gam-se todos os verbos pas- 
sivos e depoentes em or da 
segunda conjugacáo. 



^ S. Hab-eie o u 
^ hab-étor. 
,§ Hab-étor. 
■S P. Hab-emini ou 
& Hab-eminor ( * *) 
*> Hab-entor. 

INFINITO 
PRES.li PKl-.T.lSIPEEF. 

Hab-erL serlido. 

PE. PEHF. K M.Q.PERF. 

Hab-itum,am,um, 
essc ou fuisse ter 
siclo ticlo. 

FUTUEO 

HabÍtum ír¡cwhab- 
endum, am, um, 
esseoufuisse,7ia- 
ver de ser tido. 

GERUNDIOS 

Gen. Hab-endi, ds 
ser tido. 

Dat. Hab-endo, a 
ser ticlo . 

Acc. Hab-endum, 
paraser ticlo 

Abl. Hab-endo, 
em ser liclo, 
senclo ticlo. 

PAKTICIPIOS 
PEIiTERlTO 

líab-ilus, a, imi, o 
que foi ticlo. 

FÜEÜRÜ 

'íi ab - c n d u s , a , um , 
o que ha cle ser 
ticlo, ou o que cle- 
ve ser ticlo. 

SUPINO 

A bl.lí aWít-UjCZe ser 
tido,paraseter. 



(**) Esta seg'unda 
fórma é, como já dis- 
semos, rarissimas 
vezes empregada. 



k 






A 



QÜARTÁ LICAO. 



EEie texit currum sindoiie ; ille fregit 

Este cobrio nma carroca com um lencol ; aquelle quebrou 

Lecticam; alius suet ephippium. Nulla 

uma liteira ; ouíro 



'P 



arvore 



iel 



cosera 

íructus. 

fructos. 



um sellim. 

üsesar s 



so 



Nenhuma 

s defen- 

defen- 



dia 



tes 



produz 

;am insulam et incolss ejns 

toda a ilha (a ilha inteira) ; os habitantes desta (ilha) 

3aat arcum. Exercitns facit im- 

armavam (estendiam) o arco. O exercito faz impeto 

pétuia; Iiostes fnginiit; ipse diix 

(acommette) ; fogem ; mesmo o general (opropriogeneral) 

f acit idem ; equitatus revertítur ; cornu 

a mesma cousa ; a cavallaria regressa ; a ala 

e dat sigxmm receptui ; senatusque. 

para a retiracla ; 



xt: 



direita 



clá 



sia;nal 



o senaclo (e). 



I 



1: 



56 LING-UA LATINA.. 

comprímit tumultum. Taurus kafoet eor- 

abafa (comprime) o tumulto. touro cln- 

■nua. Pater tnns spernit ístos gemitus. 



fres. 



despreza esses gemiclos. 



Jesus passns est oniB.es cruciatns wltu 



Jesus soffreu os tormentos com semblante 

sereno. o\ ° 

sereno. -\ . ~ ,,• 

C0NVERSACA.0 

que fez este homem ? E aquelle ? que fará o outro ? 
ane é que nenbuma arvore faz? queé que náoproduz ira- 
ctos^Oque fazia CesarlCorao defendía Cesar todaailha ? 
que faziam os hahitantes della ? Dizei-me qual o procedi- 
niento do exercito, dos inimigos, do general, da cavailana, 
da ala direita do exercito, e finalmente do senado •} U que 
tem o touro ? que faz teu pai '? Quem despreza esses ge- 
midos ** Quem soffreu todos os tormentos com semblance 
sereno ? que soffreu Jesus ? Corno soffreu Jesus todos os 
tormentos '? 

ANALYSE 

11¿ Hic adjectivo demonstrativo (Quadro n, 9), está em 
nominativ'o do singnlar na terminacáo mascullna, concorda 

com homo (91). ^ . 

115. Teasií, éa terceira pessoa do smgular uo prebeiico 
pe"feito do indicativo do verbo activo transitivo Tego, w, 
exi tectum, qere, cobrir. Este verbo é tla terceira conjugacao. 
ReWa geral : Todo o verbo latino, que fizer a segunda pessoa do 
singular do presente do indicativo em is e o infinito em eee breve, 
é da terceira conjugacdo, e conjuga-se como Tego, is, (Quadro 

^' 116 Currum, substantivo masculino da quarta cleclinacao, 
está ém accusativo do síngular (73)., Regra geral : Todo o 
nome substantivo que fizer o genitivo do smgular em us e da quarta 
declinacdo, e declina-se como currus (Quadro n. 12). 

Sindóne, substantivo imparisyllabo femmmo da terceira de- 
clinacao, está em ablativo (80), faz o nominativo do smgular 
sindon. 



LiglO QUARTA. 57 



Ille, acljectivo (Quaclro n, 9), esfcá ern nominativo do sim- 
gular iia terminacFio masculina (50) (91), sujeito de fregit. 

117. Fregit, é a terceira pessoa do singvilar do preierito 
perfeito do indicativo do verbo activo transifcivo da terceira 
conjug'acáo Frango, is, fregi, fractum, frangere, quebrar. 
Cumpre fazer aqui unia observaeao importante, e que deve 
ser sempre lembrada : — Conhecicla a segunda pessoa chsinaular 
do presente do indicativo, e o prcsente do infnito de qualquer ver'oo. 
eslcl por isao mesmo conhecida a Gortjugacao a que elle pertence, e 
para conjugar os tempos da primeira se'rie, nada inais é vreciso do 
c[ue ajuritar-lhes as terminacóes proprias de cada um dessss temvos 
as quaes se acham nos mndelos respectlvos, Quanto aos íempos da 
ssgunda sérip, corno as suas terrninacóes sdo sempre as mesmas para 
ioclos os ver'oos, sem excepedo alguma, basta simp'esmente conhecer 
a primeira pessoa do singular cío preíerito perfeiío do indicativo e 
juntar ao radical deste as terminaeoes proprias de cacla um clessss 
tempos, as quaes se acham nos modelos respectivos, e silo as mesmas 
para toclos os verhos. Os futuros do infnito, e o participio clo fu 

ws 



turo derivam-se clo supino ; cíe moclo que para formar estes iempos 
do infrnito, ó indispensavel conhecer o supino tlo verho que se quer 
conjugar. Os gerundios^ e o pariicipio do presente, fazem parie clos 
temvos da primeira serie, e por isso basía juntar as suas termina- 
cóes proprias ao racliccd clo presente do indicativo. Toda esía ex- 
plicacao é relativa aos verbos activos. 

Lecñcam, substaniivo da primeira deelinacao (49) (73). 

Aítus, adjectivo determinativo, signinca oidro (por op- 
posicáo a todos, ou a alsnms), deciina-se eomo Ille (Qoa- 
dro ñ. 9). 

Suet, terceira pessoa do singailar do futuro iinperfeito do 
verbo actívo írausitivo da terceira conjugacao suo, is, sui, 
siituni, ere, coser (115) (117). 

Ephipphim, substantivo neutro da segmnda declinacao, 
está em accusativo (58) (73). 

Nulla (Quaclro n. 9), adjectivo cleterminativo, está na ter- 
minacáo íeminina coiicórclando corn arbor, que é um sub~ 
stantivo ferninino imparisyllaho da terceira declinacao ; esíá 
em nominativo (50), e faz o g-enitivo do singmlar arboris. 
Prochicit é a terceira pessoa do singuiar do presente do in- 
dicativo do verbo activo transltivo da terceira conjug-acao 
Prochico, is, produxi, productum, prodncere, nroduzir (115) 
-(117). 

Frucíus, accusativo do plural (73), complemento clirecto de 
producit: fructus é da 4.° declinacao (116) (Quaclro n. 12). 

Solus, adjectivo determinativo° (Quadro n. 9) ; está em no- 
minativo do singmiar concorclando com Ccesar (50) : defendebat, 
3. a pessoa do singular do preterito imperfeito clo inclicativo 



s 




LINGTuA LATINA. 



Q a 



conjugacao : defendo, is, defendi, defensum, de- 



^IÍlS^Mi^nativo (Quadron 9), estaemac- 
o4° tivo (73) concordando com insülam, substancivo mmi- 

^ÍX-sSSS df i, declina ? ao (49), esta em nomi- 

ea, íd, este (Quadro n. 9) ; ^fere-sea nha (a7). 

Wdítoí, 3.« pessoa do piural.do p< .eoei wmip^ ito ao 
ín-iíontivo da verbo activo transitivo da 3. a conjugacao (lío). 
Bs eíeX fazde dousmodos o preterito, e o supino ; assim 

Í-Ído i TRNDI OU TETENDI, TENSUM OU TENTüM, ««^6, e S- 

tender (115) (117). Aqui está traduzido por arroar, po.que 

estender o arco é o mesmo que arma-lo ,~ tá 

Xnum, substantivo da 4.' decimacao (Quadro n. 12), ~s„a 

lilIlSfgsss 

o-vlar, carnplemmto directo de /aaí (7.5 • ^ 00 . TÍ+|5 ¿n ; nf ii_ 

° U8 Fací é a 3/ pessoa do smgaüar do presente dc mcii 

"'í^", do p5es nfo áo ln¿c,tivo a»U em ío como 
«fe e>t™, r«»w, ea arrebato, ftícw, eufujo.joc o ea 

S?£¿: P ;> ^>%L do plural do pr^do 
indicativodoverbo activo mtransmvo da 3. co * Ylf; 
j?f/wo -•<! ft/rn fuqitum, fiínere, fugir (30) (li_) U^J ^ iiOJ .; 
Sffem 'Soseu comolemento directo pela razao ja 
d-d« (_V Íi-unsGrammaticosnáolh8daoSupmo 

¿Tsp dí¡- ftY tyse íOuaclro n. 9), adjectivo demonscrativo, . 
JS ;¡ vo do singular na terminacao masculma 
^ írí^ au° é um substantivo masculmo 
Tn^wttttM^ ™, e faz o genitivo do sm- 

acculativodosíngular (73) natermmactao ^'^™ 

anteriormente que quando um ^J ectlv ff ú J^ ci ;° e? ^ subs- 
terminacao masculma concordava em geral com o suds 



b' 



LICA.0 QUARTA. 59 

.antivo homo, liomem (91) ; agora cirmpre attencler a esta 
re°*ra p-eral : Sempre que um adjectivo lcúino se acha na íermi-' 
naccio neutra, náohavendo namesma oraeao ou em alguma im- 
mecliata substantivo clo mesmo genero a que elle se refira, deve sub- 
entencler-se v substantivo neutro' Ne&otium, ii, que signifca 

COUSA.. 

119 a. acljectivo ülem está pois na terminacSo neutra e 
deve concorcíar com o substantivo Negotium, cousa. Litteral- 
mente traduzida a oracao, dir-se-ha : proprio gsneral fa% a 
mesma cousa. Emprega-se ipse quando mesmo é synonimo de 
proprio ; e iclem quanclo mesmo inclica que apessoa^on cousa 
náo édifferente. A. differenca que lia entre Ipse eiclem^ está 
exemplificada na nota segunda do Quadro 9. Equitatüs re- 
vertítur ; equüatus, substantivo masculino da 4. a declinacáo 
(Quaclro n. 12), está em nominativo do singmlar, sujeito de 
revertitur (50), que é a3. a pessoado singralar do presente do 
inclicativo do verbo clepoente Intransitivo da 3. a comjugacao 
Révertor, reverteris ou ere, reversus sum, reverti, regressar, 
(Quadro n. 11). 

120. Comu dextrum, a ala direita : cornu é um substantivo 
indeclinavel, e do genero neutro ; está em nominativo do 
singular (50). Regra geral : Todos os substantivos neutros da 
quarta deelinacdo scio incleclinaveis no smgular, e acabam em u ; 
no plural clecíinar-se como Cornua (Quadro n. 12) . 

120 a. Dextrum, é a terminacSo neutra do nominativo do 
singular do adjectivo dexter, clextra dexírum, da parte da- 
maodíreita (62). Dat signum receptui : dat é a 3. a _pessoa clo 
singular clo presente do indicativo do verbo activo transi- 
tivo da l. a conjugacáo Bo, das, clédi, clálum, clare, clar. Este 
verbo conjuga-se eorno Lacero, as, com a unica differenca 
de ter elle, e os seus compostos, a syllabató sempre breye, 
excepto na segunda pessoa do singralar do presente cío in- 
dicativo clas, tu dás, e na segunda pessoa do singular _do 
presente do imperativo dü, dá tu. Signum, substantivo 
neutro da 2. a declinacao (58) (73) ; receptui, sabstantivo mas- 
culino cla 4.° declinacao (116) (Quadro n. 12), .est-a era da- 
tivo (59). 

Senatus comprvmit tumultum : senatus, e tumultum, cious 
substantivos masculinos da4. a declinacáo (116) ; aquelle era 
nominativo do singular (50), este em accusativo (73)« Com- 
-prímit é a 3. a pessoa do singular do presenfce do inchcativo 
cio verbo actiyo transitivo da 3. a conjugacao Comprimo, ts, 
compressi, compressum, comprtmere, comprimir (115) (117) 
(Quadro n. 10). __ . 

Taurus, substantivo masculino da 2. a declmácao (50) (b2); 



^d 



m 



60 LINGUÁ LÁTINÁ. 

corn.ua, accusativo do plural (73), complemento directo cle 

habet (98) . 
I Paíer tuus spemit : as duas primeiras palavras já conlie- 

; 1 cemos : speniit é a 3.° pessoa do singular do presente do 

j' indicativo do verbo acfcivo transitivo da 3. a conjugaeao 

Speriio, is. sprevi. spretum, spernere, desprezar (115) (117) 
Ü (Quacíro 'n. 'IOJ.' 

l\ istos (Quodro n, 9), accusativo clo plural(73; clo adieetivo 

determinativo Iste, istá, istud, esse, essa, isso Cessa cousa), 

concorcla com gemitus, subsíantivo masculino cla 4. a clecli- 
p nacao (Ouadro n. 12), que está em aocusativo do plural 

por ser o comvlemento directo de spernit (73) . 
|¡ 120 b. adjectivo Iste sigaifica propriamente aquelle que 

, ',, está perto de vós, assirn conio Hic sigñifica aquclle rius esta, 

jj| perto de mim : e Ille aquelle que está longe. acljectivo Iste é 

ernpregaclo o mais clas vezes quanclo queremos exprimir 
; '| desdem para com aquelles a respeito cle quem fallamos; 

i ( nao obstante tambem se usa fóra deste santido. 

) Jesus passus est omnes cruciatus vultu sereno. sa.ntissimo 

! '; nome de Jesus é cla 4, a declinacao (116), e faz o nominativo 

! \ Jesus, e o accusativo Jesum ; em toclos os mais casos faz Je- 

\'<\ su : passus est é a 3. a pessoa clo singmlar clo preterito per- 

{ , feito cio verbo depoente iransitivo da 3. a conj.ugacáo Pcvdor, 

1 \\ t páieris, passus sum, páti, soffrer (Quaclro n. 10 A) Cruciátus, 

'[} substaníivo masculino da quarta declinacáo (Quadro n- 12), 

í.j' está em accusativo clo plural (73). Omnes (72) (73). 

t¡ Vultíi, substantivo rnasculino cla quaría cleclinacao (Qua- 

\\ dro n, 12), está ern ablativo clo singmlar (80). Sereno, aclje- 

;' ctivo cla primeira classe, concorda com vultíl (50). 

j i 

RECá,PITÜLAOAO. 

Como se conhece que um substantivo é cla quaríadeclina- 
! cao (116) ? " 

; >: Porqne norne se declinam os substantivos da quarta de- 

¡ clinacño (Quaclron. 12). 

Os substantivos neutros da quarta declinacao em que let- 
I tra acabam (120) ? 

Estes nomes sáo declinaveis no singular (120) ? 

Como se declinam no plural os substantivos neutros da 
quarta cleclinacao (120) ? 

Quantos sao os acljectivos que se cleclinam como Ille, Illá, 
Illiíd (Quaclro n. 9) 1 
,1 Quaes sao elles (Quaclro n. 9) ? 

h Qual é propriamente a signiifieacao de JIlc (120 b) '? 

tMi Qual é propriamente a sigmificacao de Islé (120 b) ? 



ílli 



m 



!■'* 



LICAO QUAB.TA. 61 

Qual é propriamente a signifícacao de Ille (120 b) ? 

Em qus differe a quarta cla terceira declinacáo (Quadro 
n. 12 noia) ? 

Corno se conhece um verbo da 3. a con]'ua:acao em la- 
tim (115]? ' " ' 

Para conjugar qualquer verbo o que é indispensavel sa- 
ber primeiro (117)? 

Quaes sáo os tempos (si sao os cla l, a , ou si os da 2. a serie) 
que se pódem conjugar log-o que se conliece a conj ugacao 
a que pertence o verbo, isto é, log*o que se conhecna2. a 
pessoa cío presente do indicativo, e o presente do infinito 
(117) ? (Esta pergunta diz sómmte respeito aos verbos activos), 

Para que é preciso conhecer a primeira pessoa clo singu- 
lar clo pre'&erito perfeito cle urn verbo (117) ? (Esta p&rgunta 
diz resprito sómente aos verbos activos.) 

Quaes sáo' os tempos e partes do verbo activo que para 
serem conjugados faz-se necessario conhecer o supino do 
mesmo verbo (117) "? 

Quaes sao os verbos cla 3. a conjugacáo que experimentam 
nos ternpos da l. a serie uma pequena'modificacao em algu- 
mas de suas pessoas (118) ? 

Qual é o modelo porque se conjug'am taes verbos (Ouadro 
n. 10 A) ?. 

Em que differe Ipse de Idem (119 á) % 

Quanclo um adjectivo latino está na terminacáo neutra, 
■nao havendo na mesiha oracao, nem em alg-urnammrnediata 
substantivo do mesmo genero, a que elle se refira, qnal é o 
substantivo que se cleve subentencler para concorclar com 
esse adjectivo (119) % 

Ern que differe o verbo Do, Das, clos verbos da primeira 
conjugacáo, a que elle tarnbem pertence (120 a) "? 

COMPOSICAO. 

Estes rneninos quebraram aquellearco. — Estas arvores 
nao procluzem os mesmos fructos.— Peclro nao andava a 
cavallo, mas tinha magmificos sellins.— iNenhum soldaclo 
) defenderá essa cidadella, porque os inimigos temem o nosso 

\ exercito, e nao accommettern (fazem impeto) . — A cavalla- 

ria acommetteu (fez impeto) com grande velocidade, aterrou 
o povo, e (que) mesmo a Cesar (e o proprio Cesar).— Minha 
irma abafava os seus gemiclos por temor de tua avó,— Nós 
eramos feridos pelas espadas dos habitantes desta ilha, 
porque elles faziam g-rande tumulto e mostravam-se f u nestos . 
a todos. — templo todo (todo inteiroj estava occupado 
pelos filhos de Jesus, nosso Senhor.— 0' meu pai, eu des- 



Iil! 



m 

m\w- 



& 



62 LINGUA LATINA. 

preso o dinheiro, porém amo a virtude ; esta é a chave 
das portas do céo. — Tu promettias-me (amim) essa liteira, 
os teus escravos, e os (escravosj de tua irmá. — Este general 
nao castiga os seus soidados, porém chama-os (estes solda- 
dos) filhos e irmáos. — Este poema nao foi terminado ; e 
parte delle (poema) deve ser amada pela irmá de Maria. — 
Aquella hahitacao é admiravel ; tem g'randes arvores; estas 
procluzem acpuelles fructos, e mesmo o dono (senhor) (o pro- 
prio dono), e todos os hahitantes da mesma chamam-a (a 
hahitacao) o seu Paraiso. — Vós cohristes o rosto (semhlante) 
com os dedos, mas comprimistes a coxa deste soldado. — 
Nao consinto (soffrol este tumulto ; os soldados hao de re- 
gressar, e háo de defender o senado, — Este touro ferio 
ac¡uelle veado com os chifres. — Cobre esta cama com 
aquelle lencol.— pai e o filho occupavam o mesmo carro 
esós atterravam com as suas espaclas todos os cidadáos. — ■ 
Eu fui illuminada por Deus ; e mereci manificos dons. 



QUADRO N. 9. 



aclBH&eíá© tlffls pi'oaifflasies «EeBsoiBasíffaílvos. 



Singular. 

Este, esta, isto (esta cousa). 

Nom. .. Hie, liffic, hoc. 

Gen HCijus, \ para os tres 

Dcrí. ... Huic, ) generos. 

Acc. ... ílunc, lianc, hoc. 

Abl Hoc, liac, hoc. 



Nom . . . 
Gen .... 
Dat.Abl. 
Acc 



PluraX. 

íli, hse, htBC. 

Horum, harum, horum. 

His, (para os 3 generos) 

IiOS, has, ll83C. 



Singular. 

Elle ou aquélle, ella ou aquella, 
aquillo (aquella cousa). 

Nom. .. Ille, illa, illud. 

Gen Illlus, \ para os tres 

Dat.... Illí, j generos. 

Acc Illum, illam, illucl. 

Abl. ... Illo, illa, illo. 

Plural. 

Nom. .. Illi, ill£e,.illa. 

Gan. ... Illorum, illarum, illdrum. 

Dat.Abl. Illís, (para os 3 generos). 

Acc... Illos, illas, illa. 



Singular. 

Este, esta, islo (esta cousa). 

Nom. . . Is, ea, id. 

Gen. ... Ejus, J para os íres 

Dat. .. . Ei, ( generos. . 

Acc. ... Eum, eam, id. 

Abl.... . Eo, ea, eo. 

Plural. 

Nom. . . li, ese, ea. 

Gen. ... Eorum, earum, eorum. 

Dat.Abl. lis ou Eis, (qualquer dos 

2 para os 3 generos. 
Acc. ... Eos, eas, ea. 

Singular. 

mesmo, a mesma, a mesma 
cousa. 

Nom. . . ídem, eadem, íclem. 

Gen.... Ejusclem, ) para os tres 

Dat.... Eldern, ) generos. 

Acc. . . . Eundem, eandem, íclem. 

Abl. ... Eodem, eadem, eodem. 

Plural. 

Nom. .. Ildem, eajclem, eadem. 
Gen Eorundem , earundem, 

eorundem. 
Dai.Abl. lisdem ou Eisdem, (para 

os tres generos). 
Acc. .... Eosdem,easclem,eaclem (*) 



[*) Ests adjeetivo declina-se como — Is, ea, id, -- juntanclo-se-lhe soinente a 
sylíaba — dem. — nominativo do singular na terminacao masculina e — ulem — 
em vez de —Isdem,— e na termmacáo neutra é — idem — em lugar ae — nldem. 

O adjectivo — idem — differe de — Ipse — tanto como o adjectivo mesmo differe 
nestas oracoes portupuezas : Pai MJSSIáO castigou ojilho; elles sao jlllios do 
MESMO Pai ; na pi'imeira oracao deve dizer-se em latiin : - Ipse pater casti- 
gatit íilium; — e na segunda : — Illi sunt íilii ejusdem patris. 



^ 



iLfj! 



Alíus, alia, aliucl.. outro, outra, outra cousa (por opposicao a todos ou 
amuitos). 

Iste, ista, istud, esse, essa, isso (essa cousa). 

Ipse, ipsa, ipsum, o'mesmo, a mesma, amesma cousa. 

UIIus, ulla, ullum, algum, alguma, alguma cousa, e Nullus, a, um, 
{convposto cle ne e ullus). 

Uter. utra, utrmu, qual dos clous, qual clccs cluas, qual das duas cousas. 

Neuter, neutra, neutrum, nem um, nem outro, &e. (com-posto de ne e 

iT.li '51 . ) 

Uterque, utraque, utrumque, um e oulro, uma e outra, uma e outra 
cousa. 

ütervis, utravis, utrumvis, qual dos dous quisercles, qucd das cluas 
quiz-erdes, qual clas duas eousas quizerdes . 

Uícrlibet, utralibet, utrumlibet, qualquer que nos agracle, &c. 

Utercunque, utracunque, utrumcumque, qualquar dos clous que 

qualquer clas duas que... &c. 

Alter, altera, alterum, outro, outra, ouíra cousa (fallando sómente de 
duas pe-ísoas, ou de duas cousas). 

Alterüter, alterütra, alteríltrum, um e outro, &c. (Este adjectivo com- 
posto de Alter, e de líter, tambem se declina deste moclo — alter uter, al- 
tera ütm, alíerum utrum). 

Solus; soia, solum, só, %mico, &c. 

Totus, tota, toturn, toclo inteiro, tocla inteira. 

Unus, una, unum, umsó, uma só, uma só cousa. 

Estes quinze acljectivos declinam-se corno. — ille, a, illud — com as se- 
guintes diiicrencas: 1.° sómente— Alius e Iste— tem aterminacao neutra 
clo singular acacada em — ud — ; toclos os mais a tem em -— um — : 2.° 
toclos fazem o genitivo clo singular em — ius — , sendo o í longo, excepto 
— Alter— , que faz — Alterius — com o i breve: 3.° nenlium clelles tem Yo- 
cativo, excepto— Unus, a, um, Solus, a, um — , e — Totus, a, um.— (*) 




ffim&dlffiOi su Q®° HsaleS© tlos ^esílij©s ¿la üea'ceHa.'a e©iajiíaga.sí 

VOZ ACTIVA 
, is, texi, tedum, tegere, cobrir. 



INDICATIYO 



,S. Teg 



Teo- 




Tef 



Teo- 



f ebam, 
< ébas, 
v ebat. 
( ébamus, 
l ebatis, 
\ ebant. 



CONJUNCTIVO 



l'MPERATIVO 



í3 S. 

.-S 

b 

§p. 



íS. 



¿ "D 






* 9, 

« S 



Tes- 



Tes- 



;S. Tex< 







P. Tex< 



Tex 



Tex< 



f am, 
Teg as, 

Ut. 

1 amns, 
Tegs atis, 
( ant. 



í erem, 
Tegj eres, 

V eret. 

( erémüs 
leg<j eretis. 
erent. 



SS. Tex' 



iP. Tex 



erim, 

eris, 
. erit. 

erímus 

erítis, 
. erint. 



Texi 



Tex 



eritis, 
erint. 



f issem, 
Tex| isses, 
v isset. 



Tex 



f íssemus 
} issetis, 
(issent. 



^•S. Teg-e ouito. 

"" ■ Teg-ito. 
<» ° 

¿P. Te.g-ite ou itote. 
«-> Teg-unto . 

INFINITO 

TEMPO PRES. E PRET. IMPERF. 

(tempo da l. a serie). 
Teg-ere, cobrir. 

PRET. PEEF. E MAIS QUE PERF. 

(tempo cla 2. a serie). 
Tex-isse, ter.coberto . 

FUTURO IMPERFEITO 

Tect-urum, am, um, esse, ha- 
ver de cobrir. 

FUTURO PERFEITO 

Tect-ürum, am, irrn, fuísse, 
haver de ter coberto. 

GERUNDIOS 

Gen. Teg-endi,' de cobrir. 
Dat. Teg-endo, a cobrir, pa- 

ra cobrir. 
Acc. Teg-enclum, a ccbrir. 
Abl. Teg-endo, de cobrír, co- 

brindo. 

PARTICIPIQS 

PEES. E PRET. IMPERF. 

Teg-ens, entis, o que cobrs, 
cobria, cobrindo. 

. FUTURO 

Tect-ürus, a, um, o que ha 
de cobrir, para cobrir. 

SUPINO 

Acc. Tect-um, a cobrir, 'para 
cóbrir. 



.(*) Por este modelo se conjugam os verbos activos da terceira conjug-acáo. 



ilJ 



QUADRO N. ! O A. 

Moilel® jraaira os vea'Hnws cla 4ea»cesj?a esmjj«ag&¡B&ffl qrae ffazcas» ss¡. 
pa'lMseia'a pessoa ílo lía'esemte S.& ostlseaÉáv® eaai i® (*). 

VGZ PASSIVA. 
Capio, is, Cep¿, Capium, Capere, (tomar). 



INDICATIVO. 


P. Cap— iebamus. 


IMPERATIVO. 


INFINITO. 


PRESENTE. 


Cap — iebatis. 


PRESENTE. 


GEKÜMDIOS. 


S. Cap— io. 


Cap— iebant. 


P. Cap— iunto. 


Cap — iendi. 


P. Cap— iunt. 


FUTURO . 


CONJUNCTIVO. 


Cap — iendo. 




S. Cap— iam. 




Cap — iendum. 


IMPERFEITO. 




PRESENTE. 




S. Cap — iebam. 


Gap — ies. 
Cap — iet. 


S. Cap— iam. 


PARTICIPIO. 


Cap — iebas . 
Cap — iebat. 


P. Cap — iemus. 
Cap — ietis. 


Cap — ias. 
Cap— iat. 


Cap-iens, cap- 
ientis. 




P. Cap — iamus. 






Cap— ient. 


Cap — iátis. 
1 Cap — iant. 


1 



VOZ ACTIVA. 
Capior, Caperis, ou Capere, Captus Sum, Capi (ser tomajdo) 



INDICATIVO. 

PRESENTE. 

S. Cap — ior. 
P. Cap— iuntur. 

iMPERFEIT . 

S. Cap— iebar, 

Cap— iebaris ou 
iebare. 

Cap— iebatur. 
P. Cáp — iebamur. 

Cap— iébamini. 

Cap — iébántur . 



FUTURO. 

S. Cap— iar. 

Cap — iéris ou 

iere, 
Cap— ietur. 
P. Cap — iémur. 
Cap — iemini. 
Cap — ientur. 
IMPERATIVO. 

PRESENTE. 

P. Cap— iuntor. 



CONJUNCTIVO. 


Cap— iendo . 


S. Cap— iar. 


Cap — iendum. 


Cap — iáris ou 


PARTICIPIO DO 


cap— iare„ 


EUTURO. 


Cap— iatur . 




P. Cap— iamur. 


Cap-iendus, a, 


Cap — iamini. 


um. 


Cap — iantur. 




INFINITO. 




GERUNDIOS. 




Cap — iendi. 





(*) Aqui vem so os tempos e as pessoas onde se accrescenta o i : nos mais 
tempos epessoas, conjug'am-se como Tego, iS, (Quadro n. 10), ou corno Tegor, eris. 
{Quadro n. 11). 



II- 



£!>ffiKi.díir® m= ffl. 



Twn.nn 



iws verlios «!& üeü'eCiipa. c®saJi¡5ga¡Bííe> (*). 
YOZ PASSIVÁ. 
ou c y re, TECTUS SUM, Tégi, ser cobeeto. 



INDICATIVO 



I | 01 '' 

; S. Teg. . \ erís oi¿ ere, 
> f ítur. 

s f ímur, 

íminl, 
untur. 
ebar, 

ebarisow ebare 
ebatur. 
ébamitr, 
ebamínl, 
ebantur. 
ar, 

eris ou ere, 
étur. 
emur, 
émmi, 
entur, 
us, a, mn, 
sum ou fui, 
es ou fuisti. 
est ou fuit. 
i, 33, a, 
sumus ou fiu- 

mus, 
estis ou fuistis 
sunt, fuerunt 

ou fuére 
us, a, um, 
eramou fuera m 
eras ou fueras 
Terat ou fue'rat 
i, 83, a, 
eramus ou fue- 

rámus, 
eratis ou fue- 

ratis, 
erant ou fue- 

rant . 

Íus, a, um, ero, 
us, a,um, eris, 
us, a, um, erit. 
f i, a3, a^enmus, 
. Tect. ] i, as, a, erítis, 
^ i, 83, a, erunt. 



Teg.. 



!P.Teg.. 



1:0 S. Teg., 



SP. Teg.. 



"S. Tect. 

o 



Teet. 



-SS. Tect, 

o 
o 



§P. Tect, 
o 



CONJUNCTIVO 



SS. Teg. 



ÍP.Teg.. 
\s. Teg.. 

) 
) 
) 

ÍP.Tes.. 



ar, 

ai'ís ou are, 

atur. 

amur, 

amini, 

antur. 

erer, 

ereris ou erere 

erétur, 

eremur, 

eremíní, 

erentur. 



sS. Tect. 



:p. Tect. 



S. Tect. 



>P. Tect. 



us, a, um, 
sim oic fuerim 
sis ou fueris, 
s¡t ou, fuerit. 

/' i, 33, a, 

i slmus ou fue- 

) •• rimus, 

j sitis ou fueri- 

f ÜS ' 

\ sint ouíxxév'mi 

us, a, um, 

essem ou fuis m 

essescmfuisse 9 

esset oísfuisset 

/ i, 33, a, 

e s s e m us ou 

fuissemus, 
essetis ou fuis- 

setis, 

essent ou fuis- 
\ sent . 



(*) Por este rnodelo conju- 
§•¿01-86 todos os verbos pas- 
sivos e depoentes em or da ter- 
ceira conjugacao. 



ÍMPERATIVO 



.S.Teg-eréoisteg- 

^ Teg— ítor. 

"P. Teg— muni ou 

■" teg — "ímmor (**) 

•o ° 

'" Teg— untor. 

INFINITO 

PEES. E PRET. IMP. 

Teg — í, ser coberto. 

PKET. PEEF. B M. Q. PER. 

Tect — um, am, um, 
esse ou fuisse ter 
sido coberto. 

EUTURO 

Tect — um, Irl ou teg- 

enclnm, am, um, 

esse ou fuisse, 7ia- 

verde ser coberto. 

GERTJNDIOS 

Gen. Teg — endi, de 
ser coberto. 

Dat. Teg— endo, a 
ser coberto, parcc 
ser coberto. 

A cc. Teg— e n d u m, 
para ser coberio. 

Ábl. Teg— endo, em 
ser coberto, sendo 
coberto . 
PARTIGIPIOS 

PRETERITO 

Tect — us, a, um, o 
que foí coberto. 

FUTURO 

Teg— endus, a, nm, 
o que cleve ser co- 
berto . 

SUPINO 
Abl. Tec— tu, de ser 
coberto. 



(**)• Esta seg-unda 
fórma do imperativo da 
voz passiva é rarissi- - 
mas 'vezes usada. 






UADRO N 



2. 



sguEíwta de®Miiafáí!) (*)„ 



SUBSTANTIVOS MASCULINOS E FEMINIMOS. 



iYorn. e Voc... Curr-íís, carroga 

Gen ........ Curr-íis. 

Jtaf Curr-üi (curr- G) . 

^lcc Curr-um. 

Abl Curr-ü. 



Plural. 

N.,Voc. eAcc... Curr-üs, carrogas 

Gen Curr-uum. 

Dat. e Abl..... Curr-ibus. 



SUBSTANTIVOS NEUTEOS (**)• 



Singular. 

Nom. e Voc Comu, chifrc. 

Gen Cornu. 

Dat. . , Comu. 

A.cc Cornu. 

Abl Cornu. 



Plural. 

N. , Voc. e Acc. . . Cornu-a, chifres. 

Qen Cornu-um. 

Dat. e Abl . Corn-'ibus. 






ili. 



1*1 A quarta cleclinacáo differe da terceira, só porque admitte uma contrac- 
eáa'em alguns casos. O genitivo do siugular — cuitus — ó a contraccao cle 

— eurruis — e por isso a syllaba — us — é longa neste caso;_ © dativo clo 
sinmüar é s'emelhaute ao dativo dos nomes da terceira declinacao; mas algu- 
mas vezes encontra-se coutrabido, deste modo — curru — ; o accusativo_ e — 
currum— em vez cle .— curruem — ; o ablativo e — curru— , contracoao de 

— currue — , e por isso a syllaba — ru — é longa : no plural os tres casos 
em _us— longo, sáo a contraeeao de — ues — ; e diz-se — currus — em 
luear de — currues — . nominastivo e vorativo do singular dos uomes da 
quarta declinaeao acabam sempre em — us — nos substantivos masculmos e 
femininos. , ,. _ _ . . .. 

(**) Todos os substantivos neutros da quarta declmacao sao mdeclmaveib 
no singular, e acabam em u: no plural declinam-ss como — Cornua — . (Vule 
Parte Hegutida no fim do Capitulo quintoj- 



._ 



QUINTA LICÁO. 



Jies, qm est piuviGSus, efficit 

O dia, que (o qual dia) chuvoso, produz 

S3í 



.ristitiam. Fetras audivit rem ? quam 

tristeza ouvio a cousa, que (a qual cousa) 

mrrabas Antonio. Judex puniet fo.rtum ? 

contavas Juiz punirá o furto, 



que (o qual furto) foi commettido pelo escravo 

tuo. II cruibus sumus 



.es 5 prse= 

Aquelles, a quem (aos quaeshomens) somos uteis, 

, bent se gratos. Pater tuus venit. Catilina 

agradecidos. chegou. Catilina 

molittir coiijiirationem,, Epaminondas, 

maquina (emprehende) uma conjuracao. Epaminondas, 

Thebanns non mentiebatur. Quis fecit. 

natural de Tliebas mentia. Quem fez 

7 



LINGUA LATINA. 






»: 



70 



? ©artor 

camisa ? O alfaiate. De quem 

est hic galérus ? Francisci. Quis frixit 

chapéo ? de Francisco. frigio. 



,ros f 

camaroes? Ocozinheiro. boceta ? 

ea . Faeies tua est candidior quám nix. 

A face mais alva clo que a neve 

Antonius erat doctior, quáni Petrus.Hoc 

mais douto, 

vinum est duleius saccháro. Uxor Petri 

vinho mais doce do 'que assucar. A mulher 

est' obesior levíro tuo. Nauta est 

mais gorda do que cunhado. marinheiro 

miserior milite. G-ladius Alexandri 

mais desgracado do que A espada do Alexandre 



fuit famosissimus. ±»rogenieb 

famosissima. A descendencia de Joao 

miserrima. 

desgracadissima. 

CQNVERSaCAO. 

' que é que produz tristeza <? que faz o dia que é chu- 
JnVn^o imip Pedro ouvio ? que é que o juiz lia de 
!a?e°r\ Qulm ÍZt c'^o furto qie foi commettidc ) P e o 
teu escravo ? Quaes sáo os que se ^s^mgTB^^M^ 
a quem somos uteis, o quefazem comuosco Q gitc ae 

teu üai^ que faz Catilina'? Donde era iiatuial ^P aml 
íonía"? que é que teu alfaiate te fez ^ Quem te fez es a 
camisa? Qual é o objecto que e de ^^^f^ í^ 

cozinheiro ? Quem frigio estes camaroes ? Q ual é a ^cousa 
que émiuha* Como é atuaface? Conio era intog 

1 sua instruccáo * Que tal é este vrnho? Oomo é a . mulher 
dePedro ? Quem é mais desgracado, o marmheiio, ou o sol 



...._ 



LICAO QUINTA . 71 

clado "? Como foi a espada de Alexandre ? que é que foi fa- 
mosissimo ? Quem terá uma sórte muito desgracada ? Como 
será a descendencia de Joao '? 

ANAXYSE. 

121. Dies substantivo da quinta declinacao, está em no- 
minativo do sing-ular (50) sujeito de efficit. Regra geral : 
Todo o nome substantivo que fizer o genitivo do singular em ei 
tendo o nominativo do mesmo numero'em es pertence á quinta de~ 
clinacao (Quadro n, 13), Dissemos que Dies é o sujeitc de 
efficit ; mas o verbo está separado clo sujeito por tres pala- 
vras,_ que formam uma oracao interroeclíaria, incidente, ou 
relativa. Ha pois duas oracoes ; a primeira Dies efficit tristi- 
tiam, e a segamda : qui est pluviosus. Analysemos porém em 
primeiro lugar a oracao incidente. 

122. Qui, adjectivo relativo, declina-se qui, quos, quod 
(Quadro n. 14) ; está em nominativo do singular na termi- 
nacáo masculina, é o sujeito do verbo est (50), e refere-se a 
dies. Reg'ra geral : adjectivo relativo tem quasi sempre anles 
de si (ou clara ou occultamente) um nome, ao qual se refere, e que 
em linguagem grammatical se chama antecedente, com o qual 
eoncorda em genero e numero.. 

Neste exemplo o antecedente clo relativo é dies, que é do 
g-enero masculino, e está no singular ; por isso o relativo 
qui tambem está na terminacáo masculina, e no numero sin- 
gmlar. 

Pluviosus, adjectivo da primeira classe, está na terminacáo 
masculina do nominativo clo singular (50), concorda cbm 
dies (50) . Efficit, verbo da terceira conjung'acáo, está na ter- 
ceirapessoado singular do presente doindicativo, efficio is, 
effeci, effectum efficere, fazer, produzir (Quadro n. 10 A). É 
activo transitivo ; o seu complemento directo é tristüiam (73), 
substantivo feminino da primeira declinacao (49) . 

123. Petriis andivit; Petrus, nominativodo singmlar (50), su- 
jeito de audivit, que é a terceira pessoa clo sing-ular do pre- 
terito perfeito de indicativo clo verbo activo transitivo da 
quarta.conjungacao, Audio, is, audlvi, avditum,lre, ouvir,, 
Regra g-eral : Todo o verbo latino, que fizer a segunda pessoa do 
singular do presente do mdicativo em is, e o infinilo em ire, é da 
quarta conjugacdo, e se conjuga como audio (Quadro n. 15). 

Rem, accusativo do smgular (73) do substantivo feminino 
da qugñ-'ta declinacao res, rei (Quadro n. 13) ; é o complemento 
directo de audivit ; e o antecedente (122) do relativo quam (Qua- 
dro n. 14). 

124. Qu%m, adjectivo (Quadro n. 14), refere-se a rem, e por 



2 LINGUA LATINA. 



fA -nn rmmero do singular, e na terrninacao feminina 

S^tmoSmqueW está em accusativo, e que 

ÍX f ^ JnStivoTo ompíemenío d¿r«*o cie narrábas que e a 

este accusBtivo oroj preterito impe-feito do verbo 

segunda P^f.9» d ° d ^^ ¿ conjugacSo tfarro, «, eíc. (71). 

Quam e a P^"^ t ., , os CO mplemento directo de 

Ant °:Z\ (73) DaqS Ve deduíe ta ?egra|eral : ^,o re- 
iZoeseífr'e ^metrapalavra da oracdo, a que pertena; quer 
^a^^pltnmío directo ou indirecto, quer esteja em gem~ 
tZXlatZ, lconcorda sempre com o antecedente em genero e 

To nrimeiro exemplo Dies, qui est, etc; o relativo qui é su~ 
J;C 8 . ¿o seSmdo e^emplo Prtrus atwífwí », f« 
£°,t: ek ; o relativo g»am I o complemento torecto de nar- 

^rabasAntonio; o sujeito de tnarr^as é ^ P™ P es ~ 
^nal /w (101) • Areíonio está em dativo do smgulai (5J . 
8 °tul^niet furtum ; Judex, ^^^TÍtíeto 
terceira declinacao (70), faz o gemtivo ^ c "¿ \°/ f XS 
<1p 7i?;?iíeí (50) oue é a terceira pessoa do singulai ao wiu u 
?mp P e fe?t¿ d°o'indicativo do verbo activo transitivo da quari 
rn-nhiP-ticíio Pünio, w, jwwmji, punitum, m, punir W u aaro 
n lf ?S>, substkntivo neutro da segunda declma^ , (58) 
está em accusativo do singular, complemento dnecto cle 

Pl t?odl!tnmis S u m est a mancipiotuo : o relativo quod esikem 
nominativodo singular (50) (124) na termina§ao neucia (U¿h 



seo-unda declinacáo (58) manctpmm 
°86). 
125. I 



" ll: K, 9 «fa s« «ritos, prafcní se gratos Temos duas 

oracoes : a primeira - Ji pro^ní "Sr^l^Xtmtiné 
é a incidente-qwfms sMirms utiles. sujeico d f. P^" c \ e 
o nominativo do plural do adjectivo demonstrativo « ea ^_ 
(Ouadro n. 9) : está na termmacáo masculma (122) (9 . sa 
bemos que o adjectivo Ji sigmfica estes j; mas ; aqui o t adu~ 
zimos por ogwtó», por ser o antócaden te do relativo ^ ows. 
Regra geral : Sempre que o antecedente do relativo /o? is, ea, id, 



LICAO QTJINTA. 73 

ou hic, hjec, hoc, qualquer dos mencionados adjectivos significa 

AQUELLB, AQÜELLA, AQUILLO. 

Prcebent se graws ; a primeira palavra ]á conbecemos (98), 
(Quadro n. 7) ; a segmnda é o accusativo do plural (/3) do 
pronome reflexivo sui, sibi, se, está no plural porque se diz 
Tespeito ao sujeito do plural aquelles {%%) ; gratos, adjectivo 
da primeira classe, refere-se a se, está tambem em accusa- 
tivo do plural (73) (50). . íKn ^ 

126. (ha&ws suniMS wízies ; gM¿íws, dativo do plural (59) de 
gm, gme, quod (Quairo n. 14) ; está em pnmeiro lugar na 
oracao (Í24) ; o'seu antecedente é li da primeira oracao. INos 
dous primeiros exemplos, vimos que o relativo estava no 
mesmo caso em que estava o seu antecedente ; Dies, qm cst, etc. 
Petrus audlvit rem, quam narrábas, etc ; agora porém o ante- 
cedente é o nominativo li, e o relativo está em dativo {qmbus), 
donde se deduz esta regra geral : adjectivo relaUvo deve ter 
quasi sempre antes de si (ou clara ou occultamente) um aniecedente 
(122) ; é sempre a primeira palavra da oracao a que pertence (124 ; 
deve sempre concordar com o antecedcnte em genero enumero (122) ; 
mas póde cleixar de concordar em caso. Sumus, primeira pessoa 
do plural do presente do indicaüvo do verbo esse (Quadro 
n. 2), o seu.sujeito é o pronome nos (101) ; utiles, nommativo 
do plural (91) clo'adjectiyo parisyllabo da terceira declinacao 
na terminacao masculina (50) (12). ._ 

127. Pater tuus venit ; Catillna mohtur conjurationem ; hpa- 
minondas Thebanus non mentiebfitur . Temos tres oracOes ; o su- 
jeito da primeira é Pater tuus ; o verbo é venxi, que _e a ter~ 
ceira pessoa do siugular do preterito perfeito do mciicauvo, 
e conjuga se, venio, is, vení, ventum, venire,riT, caeg&r. ü 
da quarta conjugacáo (1:23) (Quadro n. 15) ; eactivo mtran- 
sitivo (30). sui'eitó da seguncla oracáo é o substamiVu u^,o 
culino da primeira declinacao Catihna (nopse proprío ae 
bomem) ; o verbo molitur é depoente transitive aa quarta 
conjugacáo (30) Quadro n. 16), conjuga-se mclior, zns, mo~ 
lítus sum, mollri, macbinar, emprebender ; esta na uSioeirc. 
pessoa do singular do presente do indicativo : conjuratio- 
nem, substantivo feminino imparisyllabo da terceira clecima 
cao, é complemenío dir-ecto de molitur ; decima-se conjwravw, 
tionis. O sujeito da terceira oracáo é Epam%nondas, subsi-aa- 
tivo masculino da primeira declinacao (nome proprio ae 
bomem), está em nominativo do singular (50) : Thebanus, ao- 
jectivo cla primeira classe, concorda com Epammondas : o 
verbo meníiebatur é depoente mtransitivo (30) da quarta con- 
jugacáo (Quaclro n. 16) ; conjuga-se mentior, menUris,_ me.n^ 
tltus sum, menttri, mentir ; está na terceira pessoa do singa 
lar clo preterito imperfeito clo indicativo. 



f.fta 



74 LINGUA. LA.TINA. 

128. Quis fecit hoc indusium tibi? (Esta oracáq é interroga- 
tiva, e"a sua resposta constitue a oracáo seguinte expressa 
apenas por ciuas palavras sartor meus, que daqui a pouco ana- 
lysaremos). 

Quis é o adjectivo interrogativo quis ou qui (para o gene- 
ro íuasculino), quce (para o feminino), quod ou quicl (paya o 
neutro) (Quadro n. 14). Está em nominativo dojñngular 
(50), na terminacao masculina (91), é sujeito de fecit (50) ; 
indusium, accusativo do singular do substantivo neutro (58) 
da. seg'unda cleclinacao (73), indimum, ii; hoc, accusativo do 
singular de hic, hccc, hoc na terminacáo neutra concordando 
com iuclusium ; tibi, dativo do síngular do pronome pessoal 

VI tu 59 - 

ft! Sartor meus ; estas duas palavras formam uma oracao, onde 

fp! üor Ellipse está occulto o verbo e o seu compkmento directo, 

f/ estando apenas claro o sujeito, que é sartor meus. Sartor, 

Sji sartoris, su^stantivo imparisyUabo da terceira declinacao, 

l está em nominativo clo singular sujeito de fecit, que se re- 

|!| ' pete : o complemento directo desta segunda oracáo é_o mesmo 

que o da pidmeira (indusium) ; o adjecíivo pronominal meus 
fíps.corda com sartor (50) . 

*" K f¿9. Observando a oracáo interrogativa— Quis fecit hoc in- 
dusium tibi ? e a oracao Sartor meus. que expríme a resposta 
áquella pergunta, ve-se que o caso, cle que nos servimos para 
fazer a pergunta é o mesmo com que índicámos aresposta; 
donde se decluz esta regra geral : .4 resposta a qualquer per- 
gunta é sempre expressa pelo me.smo caso por que fór feita a per- 
gunta; excepto, quando a palavra da resposta fór algum dos adje- 
ctivos pronominaes meu, teu, seu, nosso, vosso, sem substan- 
tivo claro, tendo sido apergunla feiia por genitivo. 

A perg'imta foi feita pelo nominativo Quis ; a resposta foi 
dada peio nominativo Sartor meus. 

130 Cujus est hic galerus ? Francisci, A pergunta é feita 
neste exemplo pelo genitivo cujus (57) de quis ou qui, quo¡ 
quocl ou quicl e a resposta dada pe!o genitivo Francísci (129), 
sujeito da primeira oracao é hic galerus ;_ esta cujus em 
primeiro lugar por ser acljectivo interrogativo. Galerus é 
substantivo masculino da segunda declinacáo (51). Na ora- 
cáo cla resposta estao occultos o sujeito e o verbo, que sao 
ós mesmos da oracao da pergunta. Regra geral : Quanclo na 
oraccio da resposta estejam occultas alguma, ou algumas clas prin- 
cipaes partee de umci, proposicáo (sujeito, verba, complemento dire- 
cto, ou indirecto, attributo) subentender-se-hao as da oracdo da 
pergunta. 

Quis frixit hos cammáros? Coquus. A pergmnta foi feita 
neste exemplo pelo nominativo Quis ; e a resposta dada pelo 



1 



li' 



LICA.0 QÜINTA. 75 

Borainativo C.oquus (129,) substantivo da segunda declinacao 
(51), mascuíino, e sujeito do verbo frixit que se repete (130). 
Na oracao da pergamta/Wícií é aterceira pessoa do singular 
do preterito perfeito do indicativo do verbo activo transi- 
tivo da terceira conjugacáo Frlgo, is, frlxi, frictum, frigere, 
frigir (115) (117) : cammáros, accusativo clo plural (73) do su- 
ostantivo masculino da seg-unda declinacao (51) cammárus, 

j ; i: hos, accusativo do plural de hic, hcec, Iwc, concorda com 

i ! cammáros. 

fj Cujus est hcsc pyxis? Mea. sujeito da primeira oracáo é 

jp pyxis, substantivo feminino imparisyllabo da terceira decli- 

nacáo, faz o genitivo do singular pyxidis ; hcec, norninativo 
clo "singular concordando com pyxis • a pergamta é feita pelo 
genitivo cujus (57), mas a resposta é dada pelo nominativo 
(129) mea (sc. pyxis*). A oracao da resposta só tem uma pa- 
lavra, que é o adjectivo pronominal mea ; deve-se portauto 
preencher a falta clas outras partes cla oracáo seg-undo o que 
já se acha estabelecido (130). 

131. Facies tua est candidior, quamnix. Ha neste exeaiplo 
duas oracoes. Analysemcs a primeira : facies, substantivo fe~ 
minino da quinta declinacáo (121), esfcá em nominativo do 
sing-ular (50) (Quadro n. 13): candidior é adjeccivo compa- 
rativo (23), refere-se a facies, com o qual eoncorda (50). 
adjectivo positivo é canduius, a, um, alvo, branco. Regra 
geral: Os adjectivos comparaiivos formam-se juntando ao caso 
acabado emido positivo as lenninaxóes or (masculina ou femi- 
nina) e us {neutra) para o nomimatívo clo singular ; e no genitivo 
do mesmo numero oris (para os tres generos) . 

Todos os comparativos regulares se declinam como candidior, 
candidius (Quadro n. 13). 

Neste exemplo o adjectivo positivo é candidus, a, um, cujo 
caso acabado em i é candtdi : junfcando-se lhe oit e us forma- 
se o comparativo candidi-or (masculino oufeminino), candi- 
di-us (neutro). 

132. Quimnix : esta segunda oracáo é a que constiíuñ o 
termo de comparacáo : quam é uma conjunccao ; significa 
que, clo que ; nix, substantivo feminino impary^jliabo da ter- 
ceira declinacáo, faz o genitivo ntvis ; está- em nominativo 
do singular sujeito do verbo est, que se repete da primeira 

' oracao. Regra geral : Á conjunccao portugueza que, vindo im- 
mediatamente depois dos adjecticos comparatixos é tradusida em 
latim peia conjunccdo quam, e o nome qne- indica a pessoa ou cousa, 
com que comparamos outra qualquer, ó collocado no caso que o sen- 

[*) Estas duas lettras 5 c, querem dizer sciíicet, adverbio latino muito 
usado em linguagem grammatical, cuie significa isto é, convem saber, a 
'saber. 



76 LINC4UA. IATINA. 

tido da oracao exige ; algumas vetes porém a particula que ndo é 
traduzida por quam, e o nome da pessóa, ou cousa, com que com- 
paramos outra qualquer, é expresso por ablativo. 

Antonius erat doctior, quam Petrus : doctior é o comparativo 
de doctus, a, um, que faz o caso acabado em i docii : quam e 
a conjunccao que traduz a portugueza qw ; Petrus é o nonie 
da pe'ssoa,* com quem comparamos Antonio, e portanto esta 
em nominativo, sujeito do verbo est, que se repefce, por ísso 
que o exige o sentido da oracáo (132). Desta, bem como das 
outras oracües comparativas, a ordern grammatical é a se- 
guiüte: Antonius erat doctior, quam Petrus erat doctus ;Facies 
tua est condidior, quam nix est candida ; isto é. Antonio éra 
mais douto em comparacáo de Pedro, que éra douto, A tua 
face é mais alva em comparacao da neve que é alya. 

132 a. Hoc vinun est dulcius saccháro : vin-um, substannyo 
neuti-o da seg'unda declinacáo (58), está em nommativo do . 
smguiar (50), com o qual concorda o adjecfcivo hoc : dulaus 
é o comparativo cle dulcis, dulce, acljectívo parisyllabo da ter- 
ceira cleclinacao ; nesta oracao o comparativo dulcius esta na 
terminacáo neutra (131), porque concorcla e refere-se a m- 
num, substantivo neutro (50) ; saccháro é o ablativo do sm- 
gular do snbstantivo neutro cla seg'tmda declinacáo, saccha- 
rum, saechári (58). Nesta oracáo comparativa a conjunccao . 
portugmeza que nao foi traduzida em latim por quam,_ e por 
isso o'nome cla cousa, com que comparamos o vinho, foi ex- 
presso pelo ablativo saccháro (132). A este caso cliamam os 
Graminaticos ablativo do comparativo, o o regeni da preposi- 
cáo pra), que significa em vista de, em comparagáo de, chante de. 
As o'racóes comparativas formadas com sernelbante ablutivo 
tracluzém-se litteralmente assim : Hoc vinwn est dulcius proz 
saccháro dulci ; este vinho é mais cloce em comparacao do as- 
sucar-cloce. . . 

JJxor Petri est obesior léviro tuo ; uxor, substantiyo fetmnino 
imparisyllabo cla terceira declinacáo, faz o genitivo;ua;or¿s, 
sigaiifica mulher casada, está em nominativo do singular 
sujeito de est (50) ; obesior é o comparativo de obesus, a,umj 
lemro, substantivo masculino cla segunda decliiiricao, decli- 
na-se levir, leviri ; é o ablativo do comparaüvo obesior (132). 
Ponclo em ordem grammatical esta oracáo, direinos : Uxor 
Petri est obesior prce leviro tuo obeso; isto é, a mulher de Ped.ro 
é mais gorda em comparacao do teu cunhado que é gorao. 
133. Nauta est miserior miliie : Nauta, substantiyo mas- 
culino cla primeira cleclinacáo, sujeito de est ; miserior é u 
comparativo de miser, éra, erum (13 i) (50) : milite é o ablativo 
do eomparativo miserior (122). Nauta est miseriorprm müite mt~ 



iffSt 



'. : í" 1 



LICA0 QUINTA. 77 



sero ; isto é, o marlnheiro é raais desgracado, em compara- 
cao do solclaclo que é desgracado. 

Si em vez de soldado, dissessemos por exemplo lavrador 
(Agricola, ce), náo deveriamos usar de ablativo, mas empre- 
gariamos a conjunccáo quam, e a palavra lavrador seria ex- 
pressa por nominativo, sujeito de est, que se repetiria (132); 
e a razáo clisto é evitar o equivoco que possahaver. porque 
tanto nauta, como agpicola sáo cla primeira declinacao, e fa- 
zem o nominativo e ablativo do singular semelhantes ; dizen- 
do-se pois nauta est miserior agricola, póde haver cluvida, por 
nao saber-se ao certo qual clos clous é o nominativo, ou abla- 
tivo ; o que náo acontece empreg-ando a conjunccao quam : 
Nauta est miserior quam agricola. 

,. 134. Gladius Alexandri fuit famosissimus : gladius, substan- 
tivo masculino da segunda declinacao (51), está em nomina- 
tivo do singrilar sujeifco de fuit (50) ; Alexandri é o genitivo 
(57) de Alexander, substantivo masculino da seguncla clecli- 
nacao, famosissimus, adjeeíivo superlalivo, da segunda decli- 
nacáo, refere-se a gladius. (50). Regra geral : Os acljectivos su- 
perlaiivos formam-se clo caso acabado emido positivo, juntando- 
-se-lhe as syllabas ssimus, ssima, ssimüm ; quando porém os po- 
sitivos acabam em er, corno os adjectivos miser, a, um, os superla- 
tivos sao formados juntando-sc as syllabas rimus, a, um ao caso 
acabado cm er. Todos os superlativos scw adjectivos da primeira 
classse. 

Progenies Jomnis erit m/iserrima : progénies, substantivo 
feminino da quinta cleclinacáo (121) (Quadro n. 13), está em 
nominativo sujeito de erit (50); Joanms, é o genitivo clo sin- 
gular (57) do substantivo masculino parisyllabo da terceira 
declinacáo Joannes ; miserrima é o superlativo de miser, a, 
um (134), está em nominaíivo na terminacáo feminina (50), 
referindO-se a progenies, nome com o qual concorda. 

RECÁ.PITÜLÁ.CAG. 

Como se conhece uin substantivo da quinta declina- 
cao (121) ? 

, que se entende por antecedente do adjectivo relati- 
vo (122) ? 

Como concorcla o relativo com o seu antecedente (122) ? 

Como se conhece um verbo da quarta conjugacao (123) ? 

Porque modelo se conjugam os verbos da quarta conju- 
gacao (Quadro n. 15) *? 

Qual é o lug-ar que o relativo deve occupar na oracáo a 
que pertence (124) *? 



78 LINGUA LATINA. 

Como se traduzem os adjectivos is, ea, id, e hic, hmc, hoc, 
quando sao antecedentes do relativo (125) "? 

relativo póde deixar de concordar com o seu antecedente 
em genero, e numero (126) "? 

relativo póde deixar de concordar com o seu antecedente 
em caso (126) % . 

Nas oracoes interrogativas qual é a regra a seguir, quando 
damos a resposta (129) % 

A resposta a qualquer pergunta é sempre dada pelo 
mesmo caso, por que foi feita a pergunta (129) ? 

Quando é que a resposta póde náo ser dada pelo mesmo 
caso por que foi feita a pergunta (129) "? 

Quando na oracao que forma a resposta.estáo occultas al- 
guraa ou algumas das partes essenciaes de uma proposicao, 



9 



o que se pratica para pol-as claras (130) 
Como se formam os adjeetivos comparativos (131) V 
Qual é a terminacáo masculina e fernmma dos comparattvos 

no numero singular (131) ? 

Qual é a terminacao neutra dos mesmos no smgular (131)? 
A conjunccáo po°rtugueza que vindo immediatamente de- 

pois d3 ádjectivos comparativos, por qual palavra é traduzida 

em latim '(132) •? 

Quando se emprega a conjunccao quam nas oracoes com- 
paraíivas, em que caso se poe o nome da pessoa ou cousa, 
com que comparamos outra qualquer_(132) "? 

Quanclo náo se emprega a conjuccao quam para uraduzir 
a portugueza que, emque caso se poe o nome da pessoa ou 
cousa, com que comparamos outra qualquer (132) V 

Como cliamam os G-rammaticos o Ablatvvo que expnme o 
nome da pessoa ou cousa, com que comparamos outra qual- 
quer (132 a) ? . , 

De que preposicáo regem os Grammaticos o Ablativo do 

comparativo (132 a) 1 

Quando náo deve ser empregado o Ablatwo docomparativo, 
mas sim a conjunccao quam (133) 1 

Como se formam os superlativos (134) ? 

Quando empregaremos as syllabas rimus, a, um, para tor- 
mar os superlativos (134) ? . 

A que classe pertencem os adjectivos superlaxivos (134) 

COMPOSICAO. 

Aquelllas cousas (res), que ouvimos (no preterito) affligi- 
ram a meu pae, que soffreu todos os tormentos com sem- 
blante sereno. A. ilha, da qual eu era habitante, era delen™ 
dida por Alexandre, que por si só accommetteu, e abatou o 



LICA.0 QUINTA. ^ 9 



< 



inmnlto Meu cunhado, a quem o povo mostrou-se aggra- 
deSdo des ezTva os ¿resentes, que os soldados promet- 
tiam-lhe (a P este), e punia aquelles (soldados) que fugiam 
T>oí temor da guerra. Tua ueta quebrou com uma pedra uma 
l\Sl 5p írata aue era do cozinheiro de mmha írtna. 
N°o^irma P o na¿ é^natural de Thebas, porque (elle) mente. 
?aa avó ha de chegar ; e ha de punir o furto, que foi com- 
meítfdo pelo teu escravo. Os fructos desta «¡o^f, ^ 
Fste dia está chuvoso, mas eu náo teuho chapéo. Os ^oldados 
audavam,a|abundos, e n*> ^f^f^Pl^ 
general mesmo). Quem é o teu alfaiate V^fpedro D^ 
promettiam os soldados grancles presentes^ J A. Pedio De 
Súem sao estes collares de diamantes ? De Mar a Q™* iez 
pVfa camisa * Minha irma. De quem e aquelle chapéo i Meu. 
Dequemsío'estasbacias? Nossas. Quem comeu estes ca- 
maroes? I mulher do cozinheiro. Catihaa machmava urna 
SSuraiát funesta á Roma. Os filhos de ^tomo est u^vam, 
mas a irmá de Francisco náo fazia o mesmo. Eu sou raais 
infeliz do que tu. Mexandre foi mais forte do que Ce^ai. Us 
lencóes de q minha cama sao mais alvos do que a neve. , as- 
sucar é mais doce do que o ^nho, e pne^tm^ m^ 
qne o assucar. A fugida dos soldados foi funesti* ;™?, poiem 
lero) a hesitacáo "(tardanca) do general foi mjis fane,ta. 
Todos os filhos'de teu cunhado sáo muito forn iosos (to mio 
sissimos). Os ociosos sáo muito desgracados (desgracadis 
simos) . 



• 



I 



QUADRO N. 13. 



SUBSTANVIVOS MASCULINOS E FEMININOS. 



Singular. 

JSfom., Foc. ....... Di— es, dia. 

Gen. e Dat. ....... Di— éi. 

Acc. ..... ........ Di— em. 

Abl.. .............. Di— é. 



Plural. 

Nom., Voc, Acc. Di— és. 

Gen .............. Di— érum. 

Dat., Abl ..... Di— ébus, 



Mffiilel© papsa & éeeMiasaelíffl dos cwimpaii-s&tl^os. 
Singular. 



. „ . Candidi-or (paia o genero mascnlino e feminino) 
candidi— üs (para o genero neutro). 
Gen. ...... .... Candidi-oris, 



Nom., Voc. 



. para os tres generos. 

Dai ........ ... Candidi— ori, J 

A cc .............. . Candidi— orem (masculino e feminino), candidi—us 

(para o genero neutro) . 
Abl .... Candidi— ore ou candidi— ori (qnalquer dos dous 

para os tres generos). 

Plural. 

N., Voc, Acc... Candidi— ores (masculino e feminino), candidi-ora 

(neutro) . 
Gen. .............. Candidi— orum (para os tres generos). 

Dat. Abl. ........ Oandidi— oribus (para os tres generos). 



(*) Exceptuando o substantivo-Dies-que e masculmo ou tonnimc > nc sm 
gular e sempre masculino no plural, e o seu composto-Mencli es > me^diei , 
meio dia (tambem masculino) ; todos os mais nomes da qumta declmacao sao 
femininos. 

Os'substantivos da quinta declinacao declinam-se no plural s°mente n os 
casos acabados em-es-, exceptuando-Dies-e-Res-(cousa) que tem toüos os 
casos em ambos os numeros. 



QUADRO N. 14. 



Singular. 

Nom.-. Qui qua3, quod, que, o 
qual, a qual, o que (a 
qual eousa). 

Gen... Cüjus, \ paraos tresge- 

Dat... Cui, \ neros. 

Acc... Quem, quam, quod. 

Abl . . . Quo, qua, quo, (ou só- 



Plural. 



Nom. 



Qui, qua3, quse, os 
quaes, as quaes,(as 
quaes cousas). 

Gen Quorum, quárum, 

quórurn. 
Dat. Abl.. . Quíbus para os 3 g.) 
Acc Quos, quas, qua3 . 



mente qui). 

Este adjeotivo faz tambem o dativo e ablativo do plural (principal- 
'mente entre os poetas) — queis e quis— em lugar de — quíbus. 

Dü ADJECTIVO INTERROGATIVO. 



Nóm . 



Gen. 
Dat. 
Acc. . 

Abl.. 



Singular . 

Qui's ? ( ou qui ? ) quas ? 

quid ? ou quod ? quem ? 

(que liomem ? 

(que mullier 1\ 

que ( com 

neutro) . 
Cújüs? ) para os tres ge- 
Cui ? ( neros. 
Quem ? quam ? quíd ? 

quod ? 
Quo ? qua ? quo ? 



quem ? 
o que ? 
um nome 



Plural. 

numero plural deste adjectivo 
é exactamente como o plural do, 
relativo — Qui, qua3, quod. 



INTEREOGATIVOS COMPOSTOS. 

[Declinam-se como qüis,) 

1 Quisnam, qusenam, quidnam ou quodnam ? quem ? E cornposto de— 
quis— e— nam— •: interroga com mais forca do que — quis. 

2 Ecquis, ecqaa, ecquid ou ecquod ? por ventura ha algum que ? Alóm 
do nominativo— ecquis, ecqua,— eucontra-se tambem exemplo de— • 
ecquí, ecqua3— no numero singular. 



(CONTINüAQAO DO QUADRO N. 14.) 

DETERMINATIVOS COMPOSTOS 

1 Alíquis, alíqua, aliquíd ou ali- 
quod, algum. Declina-se jun- 
tando áli (de alius) e quis. 

2 Siquis, siqua, siquid ou siquod, 
se algum. Em vez de siqua no 
nominativo do singular ha exem 



7 Quivis, qusevis quidvis ou quod- 
vis, qualquer que, &c. 

8 Quiííbet, quselibet, quidlibet ou 
quodiibet, qualquer que, &c. 

9 Nequis, nequa, nequíd ou nequod, 
para que ninguem. 

plos de siquse ; mas a primeira 10 Numquis, numqua, numquíd ou 
fórma é mais empregada. numquod, por ventura alguem. 

3 Quispiam, quaspiam, quidpiam 11 Quidam, qusedam, quiddam^ ou 
on quodpiam, algum. É com- quoddam, algum, um certo. É de 

posto de quis e piam ; e o seu uso muito frequente. Declina-se 

como quis, juntando-se sempre 

dam 
12 Quicumque, quajcumque, quod- 

cumque, todo aquelle que, &c. 

Declina-se como o relativo qui, 

qrue, quod, juntando-se-lhe sem- 

pre cumque. 



uso mais raro que quis. 
i Quisquam, quajquam , quidquam 
ou quodquam, algum. Emprega- 
se nas phrases que exprimem 
duvida. Na terminacao neutra 
diz-se tambem quicquam em vez 
de quidquam 



q Quisque, quaaque, quidque ou 13 Quisquis, quidquid, todo aquelle 



quoclque, cada um, cada uma 

(entre muitos) . Declina-se todo 

como quis acresceutando-se-lhe 

sempre que. 

6 Unusquisque, unaquseque, un- 

umquidque, ou unumquodque, 

. cada um, cada uma, cada cousa. 

Unus e quisque declinam-se ao 

. mesmo tempo, como se as duas 

palavras estivessem separadas. 



que. E' o interrogativo quis de- 
clinado duas vezes ; mas exce- 
ptuando quisquis e quidquid, que 
sao muito usados , o ablativo quo- 
quo e quaqua, e o nominativo do 
plural quiqui, é melhor empregar 
quicumque . 



O ammno deve trazer declinado, por escripto, cada um destes interroga- 

TIVOS e DETEEMINATIVOS COMPOSTOS. 



|iia<lffo i. 15. Moáelffl dos tcí'Iíos elss qraarta eosijága^á©. (*) 

VOZ ACTIYA 
Audiu, is, Ivi, Itum, Ire, ouvir. 



INDICATIVO 




íverimus 

Iveritis, 

íverint. 



CON.TUNCTIVO 



■S. Aud.. 



P. Aud. 



SS. Aud. 

<*! 
■** 
P> 

o 

|P. Aud. 



o 

|s. Aud. 
s 

o 
«S 

^P. Aud. 
s 



S S. Aud. 
o 

■c¿ 

§P. Aud. 



íam, 

ias, 

íat. 

iamus, 

iatis, 

iant. 

Irem, 

Ires, 

Iret. 

irémus, 

Iretis, 

Irent. 



ívenm, 

íveris, 

íverit. 

íverimus, 

Iventis, 

Iverint. 



ívissem, 

ívisses, 

Ivisset. 

Ivissémus 

ívissctis, 

Ivissent. 



(*) Por este modelo con- 
jugam-se todos os verbos 
activos da quarta conju- 
gacáo. 



IMPEHATIVO 



o'S. Aud-I oic Aud-Ito. 
g Aud-Ito. 
§P. Aud-IteoiíAud-Itote 
I Aud-iunto. 



INFINITO 



PRESENTE E PRET. IMPERF. 

(tempo da l. a serie). 
Aud-íre, ouvir. 

PRET. PERF. E MAIS Q. PERP. 

itempo da 2. a serie). 
Aud-ivisse, ter óuvido. 

EÜTURO IMPERFEITO 

Aud-ítürum, am, um, esse 
haver de ouvir. 

FÜTURO PERFEITO 

Aud-Iturum, am, um, fu- 

isse, haver de ter ou- 

vído. 

GERUNDIOS 
Gen. Aud-iendi, cíe ouvir 
'Dat. Aud-iendo, a ouvir 
Acc. Aud-iendum, para 

ouvir. 
Abl. Aud-iendo, de ouvir, 

ouvindo. 

PARTICIPIOS 

PRES. E PRET. IMPERF. 

Aud-iens, entis, o que ou- 
ve, ouvia, ouvindo. 

FUTURO 

Aud-Itiirus, a, um, o que 

ha de ouvir, para ou- 

vir. 

SUPINO 

Acc. Aud-Itüm, a ouvir, 

para ouvir. 



'ígU&fllffO Hlo 16. 



!©deIo d©s Tffifflnos fia qMafffe ®ffls!|sagafá© (*). 

VOZ PASSIVA. 
Audlor, Iris, auditus sum, vri, ser otjvido. 



INDICATIVO 



S.Aud.. 



§P. Aud. 



CONJÜNCTIVO 



"P. Aud. 



^S.Aud.. 
o 



!P. Aud. 



. Aud. 



§P. Aud. 



SS.Aud. 



oS. Aud.. 



J>P. Áud. 



íor, 

íris ou íre, 

Itur. 

ímür, 

íiriíní, 
. íuntur. 
' iébar, 

iebaris ou iebare 
, iébatur. 
' iebamur, 

iebamini, 
v iébantur. 

íar, 

ieris ou iére, 
l ietur. 

Íiémur, 
iemini, 
ientur, 
ítus, a, um, 
sum ou fui, 
es ou fuisti. 
est ou fuit. 

Íti, 33, a, 

sumus ou 

mus, 
estis ou fuistis 
sunt, fuerunt ou 

íuere 
itus, a, um, 
eram ou fueram 
eras ou fueras 
V erat óu fuerat 
íti, 33, a, 
eramus ou íue- 

ramus, 
eratis ou fuera- 

tis, 
erant ou fue- 

raní. 
ítus, a um, fuero 
itus, aum, fueris 
Itus, a um, fuerit 
Iti, teajfuenmüs 
íti, 03, a, fuerítis 
,. íti, 83, a, fuerunt 



S. Aud. . 



'tp. Aud. 



o 

•gS.Aud. . 
8 

o 



|P. Aud. 



íar, 

iaris ou iare, 

iatur. 

iamur, 

iamini, 

iantur. 
. írer, 

Iréris ou, írére, 
' Irétur, 
' iremur, 
' irémmL 
) irentur. 



IMPERATIVO 



fui- 



ÍS.Aud.. 



;p. Aud. 



I S. Aud. . ■ 



Aud. 



itus, &, um, 
sim ou fuerim 
sis ou fueris 
sit ou fuerit. 
íti, 33, a, 
slmus ou fue- 

rimus, 
sitis ou fueri- 

tis, 
sint ou fuerint 
Itus, a, um, 
essern ou fuis m 
essesowfuisse 5 
essetotífuisset 
iti, 33, a, 
essem üs ou 

fuissemus 
essétis ou fuis- 

setiSj 

essent ou fuis- 
\ seiit. 



. S. Aud-Ire ou Aud- 
"3 itor, 

■<>i ■" 

| Aud-Itor. 
°P. Aud-Immi ou 
■^ Aud-ímínor (**\ 
'" Aud-íuntor. 
INFINITO 

PRES. E PRET. IMP. 

Aud-Iri, ser ouvido. 

PRET. PERF.E M. Q. PER. 

Aud-ítum, am, um, 
esse ou fuisse ter 
sido ouvído. 

FUTDR0 

Aud-Itum, iriowaud- 
iendum, am, um, 
esse ou fuisse, ha- 
verde ser ouvido. 
GERUNDIOS 

Gen. Aud-iendi, de 
ser ouvido. 

Dat. Aud-iendo, a 
ser ouvido, 'gara 
ser ouvido. 

Acc. Aud-iendum, 
para ser ouvido. 

Abl. And-iendo, de 

ser ouvido, sendo 

ouvido. 
PARTICIPIOS 

PRETERITO 

Aud-Itus, a, um, o 
que foi ouvido. 

FUTURO 

Aud-iendus, a, um, 
o que deve ser, ou 
oZeve ser ouvído 
para ser ouvido. 
SUPINO 

Abl. Aud-Itu, de ser 
ouvido,para se ou- 
vir. 



(*) Por este modelo conjtv 
gam-se todos os verbos pas 
sivos e depoentes da quarta 
conjugacjío. 



{**) Esta seg-unda 
fórma do imperativo da 
voz passiva é rarissi- 
mas vezes usada. 



X SEXTA LICÁO. 



Qui amat homínes, i 

(Aquelle) que ama , (aquelle) 

Deum. Tune leges paratse sunt, quibus 

Entao leis foram promulgadas, pelas quaes 

legibus exilium permissum est. Ouod dicis 

leis o desterro foi permittido. que dizes 

nego. Ego, qui audiébam gemítus 

eu nego. Eu que 



da rapariga, 



fi ; 



o cao. Padrasto 

,5, 



noverea 

madrasta 



um (um só) pao ; sogra 



(coméo) dous peixes. 



genro 



7 



h 



ií! 



LINGUA LATINA. 

80 



j 
tanoairos ; 



ambos 



o enteado 

habebant tres fratres. Erant tria 



Havia tres espelhos, 

tres 



q uatuor me«, et quin** ^ ^ 

quatro mesas, 

Sunt mille milites eum Caesaree 



(cincomilanneis). Ha mü 



As virgens ' dansavao 



ternse; sed singulse 

de tres em tres; cada nma dellas de per si 



cantavao. Eomulo 

Suma Pompllius seoondBB. Semo lata* 

Num , Pompibo osegundo. A bngm, 



est&cüis, Gallicus ^^^. 

facil, a íranceza 

Hsee tellus est utilissima ac fer-tilissima. 
Antonius est melior quám Petrus ; Petrus 

melhor 

,««, Tn«-nnes • Joaimes major quam 
pejor quam «J0o.nut?& , «j^«* 

peior . ■ ■ ' 

Franciscus ; Franciscus minor 



menor 



Antonius erat optímus ; Petrus pe» 

optimo (muito bom) , 



pes- 



" . , muito grande (maximo); 

simo (muito mao); . UUUÜ . b 

cus minimus. •• 

minimo (muito peqneno). 



LICAO SEXTA. 



CONVERSACAO 



■87 



Quisamat Deum? Foram entáo promulg-adas que leis ¿ 
que é que eu neg-o ? que fazia eu quando fugi 9 E qúefi- 
zeste tu .? Que fizeram teu padrasto, e minha madrasta ? E 
tua sog-ra ? Quis mcmducavit unum panem* Quis manducavit 
duos pisces ? Que officio tmham o g-enro de Antonio e o en- 
tead.o de Joao? Quem tinha o officio de tanoeiro? Qua pa- 
rentes tmham o genro de Antonio, e o enteado de Jóao 'i 
Dizei-me qual era o numero de espelhos, de mesas e de 
anneis, que havia? Dizei-me qual o numero de soldádos « 
Com quem estavam elles ? Quid faciebant virgines ? Quis fú%t 
Romulus ? Quis Numa Pompüius ? Como se chamavam o pri- 
meiro e o segundo rei de Roma ? Dizei-me que opiniao te.n- 
dessobre a facihdade do latim e do francez? Como achais 
esta terra ? que é que é muito util e muito fertil ? Q qué 
é. Antomo a respeito de Pedro ? E Pedro a respeito de Joaó^ 
E Jqao a respeito de Francisco ? E Francisco a respeito de 
Mana?Absolutameute fallando, como 'eram Antonio Pe- 
dro, Joao e Francisco? '•' 

ANALYSE. . . ;. 

135. Qui amat homines, is amat Deum. Até ag-ora.temos vis- 
to o relativo qui, quat, quod, com o seu antecedente collocado 
antes de si ; mas neste exemplo encontramo-lo depois Is que 
se deve traduzir aquelle (125), está depois do relativó qui 
A ordem grammatical deve ser a seguinte : Is amat Deum 
qui amat hommes. Nao analysaremos cada 'uma das partes 
destas duas oracoes, porque todas as suas palavras iá nos 
sao conhecidas, assim como a sua regencia. 

136. Tunc leges paratce sunt, quibus legibus exilium permissum 
est. Neste exemplo o antecedente está nao só antes do relativo 
como depois delle e no mesmo caso e numero ; donde se de- 
duz esta regra geral : Quando o antecedente está antes e depois 
deve sempre o que está depois do relativn concordar com elle emqe- 
nero , numero e caso. Leges é o antecedente de quibus, e o mesmo 
substantivo está depois de quibus concordando em aenero 
numeroecaso (legibus) . Analysando a primeira oracao encon- 
tramos íimc,_adverbio; leges, substantivo femiumo imparisyl- 
labo daterceiradechnacáo, que está em nominativo do pl.u- 
rai, sujeito do verbo passivo paratce sunt (31) (87) (Quadro 
n. o) : este verbo está na terceira pessoa do plural do prete- 
nto perferto do mdicativo: é da primeira conjug-acao e na 
voz activa_conjug-a-se paro, as, avi, atum, are, preparar : 
nesta oracao está occnlto o complemento indirecto do verbo 



LINGUA. LA.TINA.. 



! 



passivo, que P—v—P^ -¿ablajvo %&£%■ 
L (86),P«fc* ^»!.^ a 0S S f ^ativo g L-5u S em ablativo (86) 

e fegtt»* que com elle ^ nc °¿J a de S¿kcao (58) ; e o verbo 
•substantivo ^utr° da segunüa jec i pessoa d o sin- 

pcrmissum esí que P^ ^ fficativo (87) (Quadro n. 11); 
^ ulard °P? v TcouiuÍasep.rmf íí o, .s, permüi, penmssum, 
na voz activa conjugd- & c^ ' con ; u p- ac ao. 

permittiíre, permittir, e é N d ¿ * er . c |^o n¿ encontramos o 
/ 137. Quod dicis nego. ^^nemdepoisdelle: en- 
antecedente do relativo quodj l"' ¿ em latim : em taes 
tretanto esta locucao é muito f^nte « w re/a _ 

p7mzs*ssu..n íe ^.^ iwaí; ¿ ordem 

íivo eetá no "^Vnpan 6 a se^uinte : -4° M < 101 ) ne ~ 
grammatical desta oracao 6 a se um y i»' e 

f oí « g^, (* d t e ; ( l g °ve rbo activo transitivo da pri- 
(a qual cousa) tu dxzes iYj/o ^ neg , ar a 

meira conjugajao (71), nega «s ^ q , ( . Q „ 




cativo do verbo activc ,u -- - - é . Düme to ; 

(Bco, «, toi, tcíttm, e«, dizei , o seu s ] ^ 

QOl) o seu complemento aiircto e o ibi<m. h _ e xemplo 

( 138. Ego,J «f^SoCTo verto de que o 
o a»^ do relat^ do singu lar ; - 

relativo é sujeito esta ™¡¡) m Q Z n / relativo tem por an- 
daqui se tira esta ie S l ^f d \\ de Que re i a tivo é sujeito, 
■iecllente um pronome pe*°* l >°™™ %$¿ sui eito de fügi, 
concorda em pessoa com esse pronon «• ^ ¿ it(J do lnd ._ 

q ue está na P«™| i ;%PS a ^° a ffi fl m que esta na pn- 
cativo (101); gu* é o suj ^ d indicati vo pela reg-ra 

meirapessoadoprH.enio imperio al s8r 

acima citada ¡9*^*^™$**^ é o genitivo do 
^^^ da Prlin6ira deClma5a ° 

temos tambera como n a ^^ t f v V é^eU^sk por isso na 
soal (£«j, o verbi.de q«e ° rcl aüvo e^ s^ 'J ¿ direcf0 de 

segunda pessoa (hubeb<x) 138;, ~^ C ¿ soa do singular 
«as (73); W in«rat»Mí* e & ia na seffunaa i ^ cq 

do preterxto perfeico do ^^™^^*,, V«*o de ,« - 



t_ 



licao sexta. 89 



Vitricus tuus, et noverca mea manducaverunt unum panem. 

Yüricus e noverca sao o sujeito de manducaverunt (108) : 
vitricus, substamivo masculino da segunda declinacáo (51) ; 
e noverca, snbstantivo feminino da prímeira (49) ; unum 
panem é o complemento directo de manducaverunt (73). Unum 
está em accusativo (Quadro n. 9); concorcla com panem, sub- 
stantivo masculino parisijllabo cía terceira cleclinacao : deste 
nome náo se encontra o g-enitivo do plural nos auctores la- 
tinos, mas os Grammaticos antigos preferem o genitivo 
panum a panium. adjectivo numeral unas, a, um, pos.to que 
significa vm, uma, etc, tem plural ; pois tarnbem se tracíuz 
por só, unico. 

139. Quando unus se emprega no plural junta-se aos 
substantivos que só se cleclinam no plural, como o neutro 
Castra, castrorum (Templa, orum) ; e diz-se una castra, um 
acampamento (por oposicáo a mais de um). Socrus vero tua 
duos pices : neste exemplo está por Ellipse occulto o verbo 
comeo (manducarit) ; o sujeito é socrus, substantivo feminino 
da quarta declinacao (Quadro n. 12) ; duos pisces é o comple- 
mento directo de manducavit (73) : cluos, adjectivo numeral, 
que nao tem numero singular proprio {*) declina-se só 
no plural duo, duce, duo (Quadro n. 17) ; pisces, accusativo do 

[ plural (73) do substantivo parisyllabo da terceira declinacáo 

I piscis, is íQuadro n. 6). 

140. Gener Antonii et privíguns Joannis erant doliarii et ambo 
I habf-bant tres fratres : na primeira oracao gener, prixñgnxis e 
| doli'irii sao substantivos masculinos cla seguncla declinacáo 

(51) : os dous primeiros representam o sujeito, e o ul'timo o 
attributo ; na segunda oracáo o sujeito é ambo, acljectivo 
que se declina como duo (Quadro n. 17) ; o complemento directo 
do verbo habebant é tres fratres : tres, adjectivo numeral, de- 
clinado só no plural (Quadro n. 17), concorda com fratres. 

141. Erant tria specula, quatuor mensce, et quinque ' millia 
annulorum. Ha tres oracoes neste exemplo ; mas só na pri- 
meira está claro o verbo, estando nas outras duas occulto 
por Ellipse (63). Por estes exemplos vé-se que o verbo esse é 
tambem alg-umas vezes empreg-ado como se fosse verbo 
activo intransitivo; e que estas locucoes portuguezas — ha 
umaarvore, havia dous soldados, houve tempo, etc, se traduzem 
em latim pelo verbo Esse, que toma para sujeito o substantivo que 
representa a pessoa ou cousa, que ha, havia, houve, etc 

Nesta primeira oracao portanto o sujeito é tria specula ; 
tria, nominativo do plural do adjectivo numeral tres, iria, 
(Quadron. 17) na terminacáo neutra concordando com. spe- 



(*) singular cle duo, ce, o, é unus, a, um. 



é 



!-í¡f¡ 



' I ,■ 



11 
ÍÍ'. 



90 LINGUA IATINA. 

cula- substantivo neutro da segunda declinacao (58) que está 
em 'nominativo do plural (50), sujeito do verbo erant , que 
nesta, bem como em oracOes semelhantes, nao tem attributo 
claro, por isso que representa um verbo intrausitivo (82). 

141 a. Na segunda oracao o sujeito é quatuor mensm ; qua- 
tuor, adjectivo indeclinavel (os adjectivos numeraes carde- 
aes sao indeclinaveis desde qaatuor até centum, cem, mclu- 
sivamente) : mensce, nominativo do plural de mensa^aao 
yerbo erant está occulto por'EUipse (63). 

Na terceira oracáo — quinque millia annulorum — temos 
que notar o adjectivo numeral cardeal quinque, mdeclinavel, 
mas que se considera em nominativo do plural sujeitodo 
verbo erant, que por Ellipse está occulto (63) ; o adjectivo 
quinque concorda com millia, substantivo do genero neutro, 
que significa ummilhar, ou um milheiro, que no smgujar e 
indeclinavel {Mille), mas no plural se declma mt/ha, miMwm 
{Cubilia, cubüium), anmdorum, é o gemtivo do plural (57) ae 
aunülus, i, substantivo masculino da segimda deelmacao 

(51). , ¿ 

142. Sunt müle mülites cum Ccesare. Neste exemplo temos 
o verbo sunt traduzindo a locucao portugueza — ha mil sol- 
dados — (141) : o sujeito de sunté mille milites (141). Ha pouco 
dissemos que mille é um substantivo neutro mdeclmavel no 
singular (significando ummüheiro, ou ummilhar) mas é tam- 
bem usado como adjectivo numeral cardeal ; entao nao tem 
singular e é indeclinavel : neste exemplo é müle empregado 
como adjectivo, e coacorda.com milites: está por isso em no- 
minativo do plural. Cum Coesarc é um ablativo de companhia 

143. Virgines saltabant ternce, sed singülce canebant ; virgines, 
substantivo imparisyliabo feminino da terceira declmacao 
virqo, inis, está em nominativo do plural sujeito do verbo 
activo intransitivo (30) (82) saltábant ; ternas, é o adjectivo nu- 
mer'al distributivo temi, ce, a, (Quadron. 17 A.) esta em no- 
minativo do plural na terminaeao femmina, concordanOo 
com virgines : na segunda oracao — sed singulce canebant — o 
sujeito virgines é subentendido, o verbo écanebant, que esta 
na terceira pessoa do plural do preterito ímperfeilrado m- 

' dicativo ; conjuga-se cano, is, cecini, cantum, canere; eactivo 
intransitivo (30) da terceira conjugacáo (115) (117) : smgulce, 
é o adjectivo numeral distributivo, singuh, singulce,singula, 
concorda com virgines. Os adjectivos numeraes distnbutivos 
pertencem á primeira classe, e declinam-se no plural. 

143 a. Romülus fuií primus rex Roma¡, Numa Pompilius se- 
cundus. Neste exemplo nada ba que notar senao os aclje- 
ctivos numeraes ordiuaes primus, que já encontramos na se- 



Q1 

LIQAO SEXTA. ¥X 



gunda Hcao, e secundus : a analyse deatas. duas ¡ oragOes é 
simDles e todas as suas palavras já conhecidas excepto Jlo- 
mX que é um nomeproprio de homem da segunda decli- 
nacao (51 ? e Numa Pompilius : Numa, da primeira e Pompihus 
dafeffunda declinacáo, ambos nomes propnos de homens. 
Os adjectivos numeraes ordinaes pertencem á primeira 
classe (Quadro n. 7 A) e declinam-se tanto no smgular como 

^ut&r'rnolatínus est facilis, Gatlicusautemfacillimus-Sermo, 
suostantivo imparisyllabo da terceira declinacao, em nomi- 
nativo (50) sujeifco de «í; latinus, adjectivo da pnmeira classe 
na terminacao masculina, concordando com sermo (50) . fa- 
bilis, adjectivo parisyllabo da terceira declmacso , esta em 
nominativonatermmacao masculina, ^^f^J^ 
mo, do qual é attributo. Na segunda oracSo - Ga "*™ a ^$ 
facillimus- Gallicus, é um adjectivo de pnmeira classe está 
na terminacáo masculina, -concordando com s ™' ^ e /^ 
Ellipse está* occulto ; autem, conjuncSo pospobiüva bü) o 
verbo desta oracao, que deveser est, está tambem . po Mli- 
pse occuito (63) ; facillimus é o attributo (50) : facühmus é o 
superlativo de facilis. Regra geral : OsadjecUvos c^onomi' 
nativo acaba emius, formam os seus superlaUvos juntando-se as 
syllabas limus. lima, limum ao radical, exceptuando jxtmois, 
utilis, e nobilis, que fazem o superlativo em ssimus, ssima, 

S31 HaV tellus' est utilissima, ac fertilissima (114)', ^f> ^' 
substantivo feminino imparisyllabo da terceira declmacao, 
sujeito de est ; utilissima, ac fertihssima, adjectivos supeilati- 
vos de utilis, e ; e fertilis, e 144) . 

Ub Antonius eL melior quam Petrus ; Petrus pejor quam 
. Joannes; Joannes major quam Franciscus ; ?™^, m ™ 
auam Maria. Sem analysar as demais partes de cacla uma 
destas oracoes, porque jáas temos muitas vezes ana . ysado 
examinemos as palavras melior, pejor, major, ™™^ G J^ 
sentido das oracües portuguezas vemos que sao compaiati- 
vos Com effeito, os adjectivos bonus, a, um (bom) , matus, a, 
um (máo) ; magnus, a, um (grande), -eporww, a, ™}W™™$> 
afastam-se daregra geral na formacao dos seus compwata- 
vos ; e os formam deste modo: Bonus faz o seu comparativo 
' melior, us (melbor) ; malus, faz o comparativo pejor us 
fpeior) ; maqnus faz o comparaüvo major, majus maior) , 
parvus faz o comparativo minor, mínus (menor) e todos e^tes 
se declinam por candidior, ius (Quadro n. 13). 

146. Antonius erat optímus ; Petrus pessimus ; Joannes maxi- 
mus ; Franciscus minimus. Optimus, pessimus, maximus, e nw- 
nimus sao os superlativos de bonus, malus, magnus, e parms, 



1 



92 LINGUA IATINA. 

que tambem na formacao clos seus superlativos afastam-se 

da re°'ra g'eral. , . ,. -. 

Optimus, pessimus, maximus, e mimmus sao adjectivos cia 

primeira classe (134). 

RECAPITULA.GAO. 
Como se acha g-eralmente collocado o antecedente do rela- 

tiVO (135)'? ,,,-,■ A a 

Póde alg-umas vezes o antecsdente do relativo deixar cle es- 
tar antes deste (135) ? 

Ouando o antecedente do relativo está antes e depois cleste, 
qual é a regra a observar-se a respeito daquelle que esta 
depois do relativo (136) ? 

Póde algumas vezes estar o relativo sem ter claro o ante- 
cedente nem antes, nem depois de si (137) ? -,•-,• 

Quando o relativo náo tem nera antes, nem depois de si 
o antecedente claro, o que se pratica para completar esta 

falta(137)? 

Quando o relativo tem por antecedente um pronome pes- 
soal, qual é a regra a seguir-se (138j % t 

Por que razao unus, que significa um, pode usar-se no 

plural (139) ? x , . 

Qual é o verbo que se emprega em latim para traauzir a& 
seguintes locucoes portuguezas : — ha homens, havia um re%, 
houve um philosopho : haveria tempos, etc . (141) ? . 

Como é considerado o verbo que se, empreg-a para traduzir 

taes expressOes (141) ? .-,.-, • >„ 

Qual é em latim. nestas plirases acima mdicadas o sujeito 

do verbo (141)? . . 

Quaes sáo os adjectivos numeraes cardiaes declmaveis 

desde um a cem (141 a) ? . _ n/íoio 

Como póde ser considerada em latim a expressao mü (14¿) í 
Quando mil é ad.ject.ivo em latim tem numero smgmlar 

(142) ? 
Quando é que mil é indeclinavel (142) 1 
k que declinacao pertencem os adjectivos numeraes ciis- 

tributivos (143) $ , v ,. 

Qual é o numero em que quasi sempre se declmam os ais- 

tributivos (143) % . ,. 

A que declinacao pertencem os adjectivosnumeraes orai- 

dinaes (143 a) % . 9 

Em que numero se declinam estes adjectivos [L¿kóa)j 
Como formam os seus superlativos os adjectivos, cujo no- 

minativo acaba em ilis (144) ? . . „ r 

Quaes sáo os adjectivos, que tendo o nominativo em ii« 



1 



\—¡ 



LICAO SEXTA. 93 



nao formam o superlativo com as syllabas limus, Kma, li- 
mum (144) ? 

Quaes sáo'os adjectivos que tem o seu comparativo espe- 
cial, e náo o formatn do caso acabado em i do positivo (145) ? 

Quaes sao os comparativos pertencentes a estes acíjecti- 
vos (145) ? 

Quaes sao os adjectivos que tem o seu superlativo espe- 
cial, e náo o formarn do caso acabado em i do positivo (146) ? 

Quaes sao os superlativos pertencentes a es^es adjecti- 



yos (146) "' 



9 



COMPOSICAO 



Quem fez o céo, a terra, e o sol, (esfce) chama-se (é cha- 
mado) Deos — que ama a virtude, (este) soffre todos os tor- 
mentos com semblante sereno. — que Francisco contava, 
éra ouvido por todos os escravos de Pedro. — As cousas (náo 
traduzindo as eousas) que comecaste, devem ser terminadas. 
— Esta arvore produz fructos, os quaes fructos a sog-ra de 
Antonio come. — Nós, que estavamos abalados, tememos o 
tumulto dopovo ; mas vós que tinbeis g-randes espadas, ater- 
rastes os sokiados, e quebrastes os arcos dos habitantes da 
ilha. — Minha neta tem duas carrocas e uma liteira.— Tres 
veaclos feriram com os chifres tres tanoeiros. — Tua madrasta 
tinha tres camisas, e cinco bocetas; teu padrasto dous cha- 
péos. — Tres mil (milhares de soldados) soldados defendiam 
a cidadella. — Mil e quatro virgens fugiram, e (ellas) cada 
uma de per si cavalgavam com admiravel velocidade. — Adáo 
foi.o primeiro habitante do mundo. — Maria é a seg-unda 
mulher de Joáo. — Houve grande tumulto, mas náo havia 
temor.— Ha guerra, mas náoha soldados. — A lingua latina 
é muitofertil, mas n5o muito facil ; afranceza muito facil e 
muito util. — Estes fructos sáo maiores e melhores do que 
aquelles. — meu espelho é peior, do que o teu. — Teu cu- 
nhado é menor, que o meu enteado. — Este vinho é optimo ; 
mas aquelle (vinho) pessimo : esta choupana éra muito pe- 
quena ; e o seu habitante (o habitante desta) muito grande. 
Cesar e Abxandre fizeram grandes guerras ; ambos foram 
'üxceilentes generaes. 



QUADRO N. IV» 

Bedliu**» do. «Ueetlv «»« OTJ© 5 A*B© e MUSS. 



Plural. 

Nom , e Voc Duo (para a masculina), duse (para a feminina), 

duo (para a neutra) , dous. 

Qen.... Duórum, duarum, duórum. 

Dat. e Abl... . . ' . . Duóbus, duabus, duóbus. 

' Duos ou duo (para a masculina) , duas, duo . 

ACO «.ooi«q»*» oog * b » ° ° 

Plural. 

Nom «7oc Ambo (para a masculina). amb^e (para a femi- 

nina), ambo (para aneutra), ambos. 

Gen Ambórum, ambárum, ambórum. 

DateAbÍ" . . . Amb5bus, ambabus, ambobus. 

Acc' .......'*.'..'.....•• Ambos, ou ambo (para masculina) , ambas, ambo. 

Plural. 

Nom. Voc.eAcc...... Tres (para a masculinae feminina), tria( P ara a 

neutra), tres. 
Gen. .................. Trium (para os tres generos) . 

Dal ' "e Abl. Tribus (para os tres generos). 



QUADRO N. I 7 A. 

Adjectivos nMmea'aes. 



CARDEAES. 



Unus, um. 
Duo, dous. 
Tres, tres. 
Quatuor, quatro. 
Quinque, cinco. 
Sex, seis. 
Septem, sete. 
Octo, oito. 
Novem, nove. 
Decem, dez. 
Undecim, onze. 
Duodecim, doze. 
Tredecim, treze. 
Quatuordecim, qua- 

torze. 
Quindecim, quinze. 
Sexdecim, dezaseis. 



Septendecim, dezasete. 
Octodecim, dezoito. 
Novemdecim, dezanove. 
Yíginti, vinte. 
Vlginti unus ou\vintee 

Unus et Viginti j um 
Viginti duo ou ) vinte e 

Duo et viginti ) dous. 
Trlginta, trinta. 
Quadraginta, quarenta. 
Quinquaginta , cinco- 

enta. 
Sexaginta, sessenta. 
Sepíuaginta, setenta. 
Octoginta, oitenta. 
Nonaginta, noventa. 
Centum, cem. 



Ducenti, 33, a, duzentos a 
Trecenti, aj, a, trezentos. 
Quadringenti , quatro- 

centos. 
Quingenti, quinhentos. 
Sexcenti, seiscentos. 
Septingenti, setecentos. 
Octingenti, oitocentos. 
Nongenti, novecentos. 
Mille, mil. 
Duo millia ou i dous 

Bis mille. ) mil. 
Decem millia ou ) dez 

Decies mille. ( mil. 
Víginti rnillia ou > vinte 

Vlcies mille. ( vn.il . 



ORDINAES. 



Primus, aum primeíro 

Secundus, segundo. 

Tertius, terceiro, etc. 

Quartus. 

Quintus. 

Sextus. 

Septímus. 

Octavus. 

Nonus. 

Decimus. 

Undecimus. 

Duodecimus. 

Decimus tcrtius. 



Decimus quartus. 
Decimus quintus. 
Decimus sextus. 
Decirnus septimus. 
Decimus octavus. 
Decimus nonus. 
Vlgesimus, vicesí'm.us. 
Vígesimus primus. 
Trigesimus, tricesimus. 
Quadragesimus . 
Quinquagesimus. 
Sexagesimus. 
Septuagesimus. 



Oclogesimus. 

Nonagesimus. 

Oentesimus. 

Ducentesimus. 

Trecentesimus . 

Quadrigentesimus. 

Quingentesimus. 

Sexcentesimus. 

Septingentesimus . 

Octingentesimus . 

Nongentesimus. 

Millesimus. 

Bis millesimus. 



&— 



!'Ü 



(CONTINLUQAO DO QUADRO N. 17 A.) 



DISTRIBUTIVOS. 



Singuli, 83, a, cacla um 

de per si. 
Bíni, dedousemdous. 
Terni, de tres em tres . 
Quaterni. 
Quini. 
Séni. 
Septeni. 
Ocióni. 
Noveni . 
Deni. 
Undéni. 
Duodéni. 
Tredéni, terni deni. 



Quaterni deni. 
Quindeni . 
Seni deni. 
Septeni deni. 
Octoni deni. 
Noveni deni. 
Viceni. 

Viceni singuli. 
Triceni. 
Quadrageni . 
Quinquageni. 
Sexageni. 
Septuageni. 
Octogeni. 



Nonageni. 
Centeni. 
Diícéni. 
Trecenteni. 
Quater centeni. 
Quinquies centeni. 
Sexies centeni. 
Septies centeni. 
Octies centeni. 
Novies centeni. 
Milléni. 
Bis milleni. 



■\ 



Os adiectivos uumeraes cardeaes desoito, vvnte e oito, trinta e oito, 
miarenta e oito, e assim por diante até oitenta e mto , podem tambem 
traduzir-se em latim duodeviginti (isto é, dous tirados de vmte), duode- 
triginta (dous tirados de trinta), cluodequadragmta (dous de qua- 

b'adjectivo distributivo millém í'oi só empregado por Plauto, mas 
geralmente se usa dízer singula milha, bina mülia, etc. 



Ik. 



I , 



SETIMA LICAO. 



Cicero, eloquentissimus oratorum, dixit 

Cicero, o mais eloquente dos oradores, disse 

plura quam Antonius ; . sed dicturus erat 

mais(cousas) tinha de dizer 

pluríma. Hostes pugnábant fortíter ; 

muitissimas (cousas). pelejavam fortemente ; 

milites nostri fortius, et audacius; dux 

mais fortemente, mais audazmente ; 

autem fortissimé, audacissiméque. Domus 

fortissimamente, e audacissimamente. A casa 

erat pulcherrime decorata. Latina lingua 

mui lindamente ornacla. lingua 

facilius discítur, quam .Grseca; Gallica 

mais facilmente se aprende, 

.vero facillimé. Prudentia est magis neces= 

facillimamente. A prudencia mais neces- 



98 LINGUA LATINA. 

saria quam pecunia. Biogénes 

saria o dinheiro. Diogenes muito 



is, sed. maxime sapiens. iviagi 

pobre, muito sabio. mul- 



tidao de ladroes de todas as partes tinha corrido ; 



pars vulnerati sunt. uonsuies 

parte (alguns) foram feridos. Os consules, 



Triumviros defenderam a Republica; 

adstricti erant jurejurandp. Parisii sunt 

estavam obrigados por um juramento. Paris (cidade) é 

pulcforióres Athenis ; iiic reliquiae , illic 

mais lindo do que Athenas ; aqui restos, alli' 



., ^v^ciEeque sunt. Jrueri 

riquezas, e delicias existem. amam 



crepundia; miiites arma, ^^*.*.^ UUi # V xu.», 

os enfeites ; as armas, o casamento 

infantes cunas, Frater tuus excessit noctu 

as criancas o berco. sahio de noite 



permissu meo, et dedit eieemoÉ 

com permissao deu esmola aos 



pei 

pobres por sua propria vontade. 

CONVERSA.QA.O. 

. Quis erat Cicero? Quid dixit Cicero? Quid dictürus erat Cicero? 
Quid' faciebant hostes ? Et milites nostri ? Como pelejava o Ge~ 
neral ? Como estava a casa ? Qual das tres linguas, latina, 
grega e frauceza, .se aprende com mais facilidade ? Qu.al é 
mais necessario, a prudencia ou o dinheiro ? Que qualidade 
de homem foi Diogenes ? Qual era a porcáo de ladroes que 



& 



LiglO SETIMA. , 



99 



de todas as partes tinba concorrido ? Foram todos mortos V 
Quis defendit Rempublicam? E porque foram os Consules * 
Dizei-me a yossa opiniao sobre Pans e Athenas? que ha 
que notar em Athenas actualmente ? E em Pans? Qu%& 
amantpueri? PuellcB? infantes? milites ? Em que occasiao 
sahio teu irmáo ? Corao sahio elle 1 Quid fectt pauperibus 
frater tuus ? Teria elle dado esmola constrangido 1 ? 

ANALYSE. 

(Desta li 5 ao em diante só analysaremos aquellas Pf3™^™° 
foram nas ligoes precedentes ; mas isto nao . ? bst * *X -n _uito ^f. 
questionem a tal respeito os alumnos, sendo ao contraiio mui to conve 
niente que o facam, quando julgarem necessario. obngando-os a regen 
cia grammatical) . 

146 a Cicero, onis, substantivo proprio imparisyllabo 
da terceira declinacao (70) (50) ; eloquentissimus su P e . r Jf ^ 
do adiectivo tambem imparisyllabo doqiiens eloqumtis (54) 
034) Oratorum é o ^enitivo do plural (57) do substantivo 
masculino imparisyllabo da terceira dechnacao orator, oris. 
Os grammaticos regem este e outros g-emtivos que vemde- 
pois dos superlativos com o substantivo numero acompa- 
• Eo da preposicáo ex ; deste modo : Cicero, eloquenUsn- 
mus (orator) ex nümero oratorum : Cicero, orador o mais eio- 
quented'entreonumerodosoradores. 

147. Plura, é o accusativo clo plural (73) (110) cle ptus 
plüris, comparativo irreplar de multu s a i ™^»f™ £ 
adiectivo imparisyllabo da terceira declmacSo , decima se 
poÍ aurta, acis (Qitadro n. 6) ; mas usa-se nosmg^so^ 
nominativo e accusativo neutro, e no genit vo : no ^plu ai 
tambem se emprega os mesmos ■■casos ;« ° ^HJ% 
rtum (G) Um poeta latino (Lucrecio) usou Aepluiia. u 
composto compíum,eomplura, faz tambem compluna. 

T& DicturZ eraí(93) ; pltmma ó o accusativc , neuto do 
plural (73) (119) de plurimus, o, «m, superlativo inegulai 

d uf To'rtfte? aáverbio de modo ; foríit* é o seu compara- 

tivo Regra geral : Os adverbios formam gerahnente o seu com~ 
' TanlZoem ius, e o superlativo em issímb : faxem porem o su- 

se de»'ÍDfini rt c«6am c»i iíR ou ilis : fortiter, f° r ?}™> J™™*!™?' 
pidchre (adverbio), pulchrius, pukh,rrime : facúe (adverho), far- 

C "S&Verbio compnrativo: o seu posMvo £ o ad- 
verbio aucfcícfór (149): a-udacissime e o snperlativo de audacte, 
(149). 



:. SÍU 



J 



100 LINGUA LATINA. 



Domus erat ; domus, substantivo feminino da quarta e que 
tambem póde ser da segunda declinacáo (50) Véde a parte 
segunda, (Quarta declinacao) . Pulcherrime, adverbio super- 
lativo de pulchre (149) ; decorata (50) é um adjectivoda pri- 
meira classe e participio passivo do verbo da primeira con- 
jugacao decoro, as, avi, alum, are. 

Latina lingua ; latina, adjectivo da primeira classe (52) 
concorda com lingua, substautivo feminiuo da primeira de- 
elinacao (49) (50) ; facüius, comparativo do adverbio facile 
(149) ; discitur é a terceira pessoa do singular do presente 
do indicativo da voz passiva do verbo d.a terceira conjuga- 
cao (115) (Quadro n. 10) disco, is,~ didici, discere. Este_ verbo 
náo tem supino : quam groica (discitur) (132) : graca, adjectivo 
da primeira classe, refere-se a hngua. 

Gallica vero facillime ; a primeira palavra é um adjectivo 
da primeira classe, refere-se a lingua (50), sujeito do verbo 
discitur, que se deve repetir pondo claras todas as partes da 
oracáo ; facillime, é superlativo de facile (149). 

150. Prudentia est magis necessaria. O sujeito desta oracao ¿ 
o substantivo feminino da primeira decíinacao (49) pruden- 
tia (50) : esta oracáo, que é comparativa, nao apresenta a 
modificacáo propria dos comparativos,queé substituida pelo 
adverbio'magis. Regra geral: Os adjectivos em eus, ius, uus (ex- 
ceptuando alguns de que trataremos na Parte >Segunda), náo 
tem comparativo nem suprrlativo proprios, os quaes sáosubstituidos 
para o comparativo pelos adverbios magis, plus, minus, e para o 
superlativo pelos adverbios maxime, multum, valde, t outros que 
signifbquem muito. 
Peeunia, substantivo feminino da primeira deciinacáo (49). 
Diogenes, substantivo proprio parisyllabo da terceira decli- 
nacáo (97) (50). 

falde rgenus ; egenus, adjectivo da primeira classe (50) re- 
presentando o superlativo por ter antes de si o adverbio valde 
(160) ; maxime sapiens; maxime adverbio que dá o gráo super- 
lativo ao adjectivo imparisyllabo sapiens, entis (Quadro n. 6). 
Usamf)S de maxime sapien^, mas podiamos dizer sapientis- 
simus, porque o adjectivo sapiens, entis, tem comparativo e 
superlativo proprios, sapientior, sapientissimus. 

151 . Magna multitado laironum convenerant. Multitudo, dinis, 
substantivo femmino imparisyllabo da terceira declinacao, ó 
tambem um nome collectivo, porque estando no singular si~ 
gnifica mais de um; latronum,geaiúvo do plural (57) de latro, 
onis; widique é um adverbio de lugar; o verbo desta oracáo 
está no plural (convenerant) e o sujeit.o no singular (multi- 
tüdo). Neste exemplo náo se observa a regra geral da concor- 
dancia em numero do sujeito com o verbo (101); mas nas ora- 



.ééL. : : ■ 



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100 LTNGUA. LATINAo 

Domus erat ; domus, substantivo feminino da quarta e que 
tambem póde ser da segunda declmacao (50) Vede a parte 
seannda, (Quakta. declinacIo) . Pukhernme, adverbio super- 
lativo áepulchre (149) ; decorata (50) é um adjectivoda pri- 
meira classe e participio passivo do verbo da pnmeira con- 
iugacao decoro, as, avi, alum, are. . . 

Íaíina fmgua ; latim, adjectivo da pnmeira classe (52) 
concorda com lingua, substautivo femmmo da pnmeira de- 
clinacao (49) (50); facüius, eomparativo do adverbio facilt 
(149) ; discitur é a terceira pessoa do smgular _do presente 
do mdicativo da voz.passiva do verbo da terceira conjuga- 
cao (115) (Quadro n. 10) disco, is; didici dmere. Este verbo 
náo tem supino : quam gvam (discitur) (132} : grcBca, adjectivo 
da primeira classe, refere-se a hngua. 

GallicaverofacÜlime; a primeira palavra é _um adjectivo 
daprimeiraclasse, refere-se a Zíngua (50), sujeito do verbo 
discitur, que se deve repetir pondo claras todas as partes da 
oracao ; facillime, é superlativo de facile (149). 

150 Prudentia est magis necessaria. O sujeito desta oracao *, 
o substantivo feminino. da primeira declinacao (49) pruden- 
tia.'hO): esta oracao, que é comparativa, ■ nao apresenta a 
modificacao propria dos comparativos,queé substituidapelo 
adverbio rnagis. Regra geral: Os adjectivosemeus ms, uus (ex- 
ceptuando aíguns de que trataremos na Parte Segunda , nao 
tem comparativo nem sup.-rlativo proprios, os quaes sao substituidos 
vara o comparativo pelos adverbios magis, plus, minus, e para o 
mperlativo pelos adverbios ma.xime, multum, valde, * outros que 

siqnifiquem müito. . . . . , ,.„„.„ , Acn 

Peeunia, substautivo femmmo da pnmeira decimacao (49). 
Diogenes, substantivo proprio pansyllabo da terceira ciecn- 

^falk^nu's'; egénus, adjectivo da primeira classe , (50) re- 
presentando o superlativo por ter antes de si o adverbio valde 
(160) ; maxime sapiens; maxime adverbio que da o gráo super- 
lativó ao adiectivo imparisyllabo sapiens, entis (Quadro n b). 

Usamos de maxime sapien,, mas podiamos drzer sapwntis- 
simus porque o adjectivo sapiens, entis, tem comparativo e 
supsrlativo propnos, sapientior, sapieníwstwus 

151 Maana multüSdo laironum convenerant. MulMuío, cli ms 
substantivo femmino imparisyllabo da terceira declmacao ó 
tambemum nome collectivo, porque estando no smffulai *i- 
gnifica mais de um; Utronum, gemtivo do plural 5 1) de latro 
ünis; uadique é um adverbio de lugar; o verbo desta o ^ acao 
está no plural (convenerant) e o sujeito no smguU {muUi- 
tüdo). Neste exemplo náo se observa a regra geral da concor- 
dancia em numero do sujeito com o Yerbo (101), mas nas ora 



LICA0 SETIMA. 101 

t, 

coes em q.ue o sujeito é um nome collectivo póde deixar de 
atteuder-se a esta regra (quanto á fórma), porque na reali- 
dade, o sujeitosendo nome cnlLectivo, representa mais de um, 
e por issopóde o verbo esfcar no plural tendo um sujeito do 
numero sing-ular ; grande multiddo cle ladróes vale o mesmo que 
dizer— niuüos íadróes. 

Convenerant é o preterito mais que perfeito do indicativo 
do verbo activo intransitivo da quarfca conjugacáo convenio, 
convenis, conveui, conventum, convenlre, concorrer (Quadro 
n. 15¡. verbo tambem podia estar no singular convcnerat. 

152. Pars vulnerati sunt; nesta oracao ha tambem o collectivo 
¡mrs,partis, substantivo feminino 'imparisyllabo, e o verbo 
passivo vulnerati sunt no plural (151) : neste exemplo, além 
de estar o verbo no plnral tendo por sujeito um nome que 
estáno sing-ular, lia demais a desconcordancia em genero do 
s uj e i to pars (feminino), e do participio vulnerati (terminacáo 
masculina do plural); mas estas e outras locucoes sáo fre- 
quentes em latim, náo se attendendo ao genero proprio do 
sujeito, para que o adjectivo querepresenta o attributo con- 
corde naterminacao com aquelle ; mas tendo só em vista a 
idéa contida no sujeito. Com effeito na proposicao — grande 
muhidáo de ladróes tinha de todas as parles concorridh; parte foram 

v fsridos-.ii idéa ccntida no sujeito parte (pars) é ladróes [latrones). 
^ _ Consüles, nominativo do plural (50) do substantivo mascu- 
lino imparisyllabo, cnnsul, üiis. 

, 152 a. Triumviri, nome composto do g-enitivo Trium (tres, 
tria) (Quadro n. 17) e do substantivo vir,viri. (Véde Parte Se- 
gunda—Nomes compostos, etc) . 

Rempublicam, accusativo do substantivo feminino da pri- 
meira declinacao (73) (49) Rcspublica, Reipubltcce. É tambem 
um nome composto de res, rei (Quadro n. 13), e do adjectivo 
da primeira classe publicus, a, um, na terminacáo feminiua. 
(Véde Parte Segunda — Nomes compostos, etc). 

Adstricti sunt jurejurando: adstricti sunt é a terceira pessoa 
do plural do preterito perfeito do indicativo da voz passiva 
deverbo da terceira conjugacáo adstringo, adstringis, ad- 
strinxi, adstrictum, adstringere, (Quadro n. 10); jurejurando é o 
qomplemento indirecto de adstricti sunt (86). É um nome com- 
posto do substantivo imparisyllaba neutro da terceira decli- 
nacáo jus, jiiris (Quadro n. 3) e do adjectivo da primeira 
classe na terminacao neutra jurandus, a, um. Jusjurandum 
náo^é declinavei no plural. 

153. Parisii, substantivo masculino da segunda declinacáo 
(51) do numero plural (Quadro n. 1, Digiti, orum), náo tem 
sing-ular. Os nomes que se declinam só eai um dos numeros 
chamam-se defectivos no numero; os quesedeclinam em ambos 

9 



102 LINGUA. IATINA. 

osnumeros, mas nao em todos os casos, cbamam-se defectivos 

""ISeZT^ abblativo (132) do substantivo defectivono nu- 
mero e feminino da primeira declinacao Aihence arum (Quadro 

n„ 1, cce, arum). , . . 7 . ., 7 ,- • 

Hieeillic s&o adverbios de lugar; rehquce divitce, deham, 
sao tres substantivos femininos do primeira declmacao cte- 
fecíiuos no numero (Quadr'o n. 1: casce, arum). 

Crepundia e arroa sáo dous substantivos neutros (fe/ecfwos 
«o wuroem (Quadro n. 1, Templa, orum); nuphas e cums dous 
accusativos (73) dos substtmtivos femmmos da pnmeira de- 
clinacáo defccfiüos tio íwmero (Quadro n. 1, casce arum) . _ 

Tnfantes. é o nominativo do plural do aubstanüvo «n- 
parisyllabo infans, antis (70),sujeito de amaní que se deve le- 

^tosu é a terceira pessoa do sing-ular do preterito ^per- 
feito 1 do indicativo do verbo activo mtransitivo (30) üa 
terce-ira conjungacáo (115) Quadro n. 10) Excedo, «, excem, 
excessnm,excedere.sahir,retirar-se. . ™ mPQ 

JVocíw e permíssu sáo dous ablativos do smgmlar de nomes 
da quarta declinacao (Quadro n. 12) que sao defectivos na 
declinacao (153) e só se empregam em ablativo. _ 
■ Eleémosrpiam, accusativo do singular (73) de ^eleemosyna, ce 
pauperibus é o dativo do plural (59) do adjectivo ^p^yl- 
labo da terceira declinacao pauper, paupens : sponte sua , 
sponte é o ablativo (80) de um nome defecHvo na dechnacao: 
(153) este nome só sem eprega em g-emtivo spontis, e em 
ablativo sponte. 

RECAPITUIACAO. 

■ Qual é a ordem grammatical da primeira oracáo desta 

licao 146 a) % . . nAR , <> 

'Por quem é regido o gemtivo oratorum 145 o) í 
Oual é o comparativo de multus, a, um (14/) i 
Quaes sao os lasos do singular e do plural em que se usa o 

comparativo de multus a, um (147) ? 
Onal é o superlativo de mullus, a, um (148) í 
Corno formam.os adverbios os seus comparativos (14J) i 
E como formam os superlativos (149) ? . 

Quando é que os adverbios formam o superlativo com a. 

terminacáo errime e illime (149) ? mmnara- 

Qiwes'sao em g'eral os adjectivos que nao tem compaia 

tivo.nem superlativo proprios (150) i . faz 

Para formar o comparativo de taes adjecüvos o que se ia¿ 

(150) ? 



^ ■- 



LICÍO SETIMA. 103 

E para formar o superlativo (150) ? 

Quando é que o sujeito de ■um verbo póde apparenlemeníe 
n5o concordar em numero com o verbo (151) ? 

Quando póde o adjectivo que representa o attributo do su- 
jeito deixar de concordar com este em genero (152) ? 

Como se declinam Triumvir. Respublica, e iusiurandum 
(152 a)<? 

Como sao compostos estes nomes (152 a) ? 

Como se denominam aquelles nomes que se declinam só- 
mente em um numero (153) ? 

E os que só se declinam em alguns casos (153) ? 

Dizei-me alguns defectivos no numero ? 

Dizei-me alguns dcfectivos na declinacáo ? 

COMPQSICAO. 

cunhado de minlia madrasta, que foi soldado, e mari- 
nheiro, defendia a casa de Antonio mais fortemente do que 
os escravos de Jo5o. Lucrecia, a mais illustre das mulheres 
casadas, nao amava os enfeites, e dava todo o seu dinheiro 
aos pobres. A prudencia de Diogenes era mais necessaria do 
que as riquezas do mundo todo. Tua neta tinha um (ndo se 
tradu% um) berco de páo ; os travesseiros eram de seda ; e 
os lencóes mais alvos que a face da propria crianca (infans). 
Nao haaqui terra mais fertil do que aquella, que'os irmáos 
Pedro occupam; e tu, Francisco, o mais audaz dos tres, 
temes as espadas, com que elles aterram todos os habitan- 
tes destailha. dinheiro é muito necessario aos pobres, 
porém a virtude a todos. Grande multidao de soldados vinha 
comtigo ; rnas os inimigos sahiram de noite muito facil- 
mente ; porque os irmíios de PedrO, que se obrigaram por 
um (náo se traduz um) juramento, n5o atacaram. casa- 
mento destamoca ha de ser funesto, porque ella amaas ri- 
quezas e as delicias. 

Nao dou esmola aos pobres, porque sou muito pobre. 0' 

Athenas, ó illustres restos ! Ha casas lindamente ornadas, 

cujos donos (das quaes os senhores) tem muitissimas rique- 

. zas. Eu aprendi o latim por minha vontade, e mais facil- 

mente do que o francez. 



OITAVA LIClO . 



m et mu 

A grammatica antigamente. a musica 

3e fuere. Milites eornmqne uxores 

juntas e destes as mulheres, 



;i smit ; rex ve 

foram aprisionados ; 

regiaque olassis uná profeeti. Secinidae 

e a real armada juntamente partirao. As favoraveis 

res, lionores, imperia, victorise, 

cousas (prosperidades), as honras, os governos, as victorias, 

fortuita sxmt. Amici pavones et columhse. 

devidas ao acaso. Amigos os pavoes as pombas. 



Ijuomodo enarrant coeii gioria: 

De que modo publicam os céos a gloria 



plena insiüiari 

os lugares cheios de ciladas. 









lif 



i! 



II" I 



11' 



106 LINGUA. LATINA. 

Cur foestias rationis et orationis 

Porque os irracionaes de razao da oragao (da palavn 



sumx experttís / beneea, 



carecedores ? Seneca, varao de excellente 



íl1 ingenii atque doctrinse, , 

engenho doutrina, os nomens de grande 



s erga i 

¡ s 5 respeito para com muitissimo amava. 

Te pluris putabam quam Petrum. 

A ti de maior (preco) eu julgava 

Aviinouius Petri parvi sestiniátur, 

O tio em pouco é estimado, 

te pendit nihíli. Mea milii conscientia 

te avalia em nada. para- mim consciencia 

pluris est quam omnium 'sejnio. 

de maior preco o discurso (as palavras). 

Emi hsBC tibialia non pluris .quam 

Eu comprei meias por maior preco 

tm ; fortasse etiam minoris. Quanti ergo'? 

; talvez até por menor. Porquanto pois ? 

sexaginta assibus. Won parvo 

por sessenta asses. por pequeno (preco) (barato) 

vendíta fuére, sed nimio Mortis 

vendidas foram, por excessivo (preco) Da morte 



sCitnr, se« 

se esqueee, da gloria lembra-se 

CONVERSA.QA.O. 

Quomodo fuerimí grammatica et musica? em que tempo'* 
Quaes foráo os aprisionaclos ? quaes os que partiráo ? que 
devemos ao acaso *? Quaes siio os passaros que mais se dao? 



Lb\__ 



LICA.0 OITAYÁo 

Quaes sáo os principaes apregoadores da gloria divina *? 
Quid faciunú cceli ? que é que está cheio de ciladas ? Por- 
que se distinguem principalmente os irracionaes dos ho- 
mens? Quis erat Seneca ? E a quem amava elle ? Corno te 
julgavaeu 1 ? que succedeu a respeito do tio de Pedro ? 
Qual a minha opmiao sobre a minha consciencia? que 
comprei eu '? e como "? e por quanto '? que fiz eu para ter 
estas rneias ? Como í'orao ellas vendidas % que succede ao 
soldado quando vai para a guierra ? 

ANALYSE. 

Grammatica, musica (49) (50) fuercjunctce (49) (50). 

Milztes, eorumque uxores, et mancipia capti sunt : mancipia é 
um subsfcantivo ueutro da 2. a declinacáo (58), está em no- 
minativo do plural (60) ■ temos a notar nesta oracao os su- 
jeitos milites, masculino, uxores, feminmo, e mancipia neu- 
tro ; o verbo capti sunt está na 3. a pessoa do plural do prete- 
rito perfeito do indicativo da voz passiva de capio, is cepi, 
captum, capére (Quadro n. 10 A) : o participio passivo capt% 
que forma este tempo composto está na terminacáo mascu- 
lina apezar de haver um sujeito do genero feminino (uxores) 
e outro do genero neutro (mancipia). Regra gerai: 

154. Quando os sujeitos sao de genero differente e todos ou algum 
delles designam pessoas,póe-se o aitríbuio na terminacao masculina 

do plural. _ . 

Rex vero, regiaque classis.una profecli . regia, adjectivo da 
1" classe, concorda com classis, substantlvo femrnmo pari- 
syllabo da 3 a declinacáo (97) : una é i;m adverbio ; profecti é a 
3 a pessoa doplurafdo preterito perfeito clo rnclrcatrvo do 
verbo depoente (154) da 3 a conjugacao : está por Ellipse 
occulto sunt (63J : o parfcicipio profecti está na terminacáo 
masculina, apezar de haver uin sujeito feminino (classis), 
porque o sujeito rex, masculino, designa pcssoa ^(154) : o 
verbo conjuga-se deste modo : proficíscor, proficisceris, pro- 
fectus sum, profwisci (Quadro n. 11). 

155. Secundcs ¡es, honores, imperia, victorice, fortuita sunt : 
secundce, adjectivo da l a classe, significa segundo ; mas junto 
ao substaníivo res, sigmifica favoravel : honores é um sub- 

1 stantivo mascnlino imparisyllabo da 3 a deciinacao ^ o seu 
nominatívo é honor ou honos; imperia é o nominativo do 
plural do substantivo neutro (58) da 2 a declinacáo impe- 
rium, ii ; victorice é tambem o nominativo do plural clo sub- 
stantivo feminino cla l a dsclinácao (49) ; o attributo perten- 
cente a taes sujeitos de generos differentes nao está nesta 
oracao na terminacao masculina ; mas na neutra (fortuüa) 



íií'V 






1,1 






mw 

ifitó 

■Éíí 



108 LINGUA LATINA. 

fortuitus, o, um, doncle se cleduz esta regra : Quanclo os snjei- 
tos S'lo de genero díffcrente e nenhum clelles significa peesoa, mas 
todns cousas inanimadas , póc-se o attributo na terminacdo neutra 
do plural. 

158. Amici pavones et columbce : ha neste exemplo a Ellipse 
de sunt (63) : pavones é ura substantivo imparissyllabo da 
3 a declinacáo, pavo, onis, masculino ; columbce, substantivo 
feminino cía l a declinacao (49) : o atU'ibuto amici (amicus,a, 
um) está na terminacao masculina do plural : daqui se tira 
esta reg-ra : Quando'os sujeitos sdo de differente genero, mas 
todos ou algum delles representam nomes de animaes, póe-se o 
attributo na terminaccio masculina do plural. 

157. Quomodo ennarrant cceli gloriam üei? A. primeira pala- 
vra é um adverbio, forma.io do ablativo quo (do interroga- 
tivo quis ou qui, quce, quid, quod) e de modus, i: estas duas 
palavras representa.m essencialmente urn ablativo de moclo 
(80): enarrant é um verbo activo transitivo da l s conjug-acao 
(71), cujo complemento clirecto é o substantivo ^feminino da 
l a decli'nacáo gloria, ce : o sujeito de enarrant é cceli, os céos. 
Já na l a licáo encontrámos esta palavra no singnlar ccelum, i, 
substantivo nentro da 2 a declinacrio (58) : segundo a regra 
geral, este nome neutro clevia í'azer o nominativo, vocativo 
e accusativo do plural acabados em á (20) : porém este, 
assim como muitos outros nomes sáo de um genero no sin- 
gular, e cle outro no plural: a taes nomes chamam os gram- 
maticos heterogeneos (Yéde Parte 2 a Noines Heterogeneos). 
plural cccli, óvum, que é masculino, é só usaclo pelos escri- 
ptores ecc.'esiasticos. Em Lucrecio se encontra uma vez o 
accusativo ecelos. 

Omnia loca sunt plena insidiárum : o substantivo loca está 
no nom¡nativo do plural : este nome é heterogeneo (157), por- 
que no singular é masculino (locus, i) ; e no plural é neutro 
(loca, orum) : o plural masculino loei, orum, é empregaclo 
para designar os lugares ou passagens de um auctor (locilibro- 
rum); mas encontra-se tambem significando lugares em ge- 
ral : píentu adjectivo da l. a classe, na terminacáo neutra do 
plui'al (50) tein clepois de sí o genitivo (57) clo substantivo 
feminino clefectivo no numero (153) insiclice, drum. Dissemos 
(57) que envolvendo o genitivo a icléa de prossessao deve ne- 
cessa,riamente haver um substantivo claro ou occulto, que 
represente o possuidor, e que tal substantivo é o que rege o 
genitivo. 

158. Neste exemplo riáo temos substantivo claro que reja 
o g-enitivo insidiarum ; mas como todo o adjectivo qualifir.ativo 
é composto de dous elementos, — -radical — , que exprime a qu'di- 
clade, e — a terminacdo — , que mostra que o sujeito possue. aquella 



,0 





licao oitava. 109 

qualidacle, segue-se que os gmUivos que vem depois dos adjectivos 
qualificativos scio regidos pelo substantivo representado no racUcal. 
Exemplifiquemos: omnia loca sunt plena insidiarum: o adjeeti- 
vo ptemis, a, um, vale o mesmo que habens plenündiuem (pleni- 
tnclu, dinis): portanto o genitivo insidiarum está regido pelo 
substantivo plenüudtnem (enchimenlo) , o qual existe implici- 
tamente no radical plen do adjectivo plenus, a, um. Supppo- 
nhamos porém que dá-se um'exemplo de adjectivo qualifi- 
cativo, e que nao ha na lingua latina um substantivo para 
exphcar o seu radical ; ainda assim a idéa, e valor desse su- 
bstantivo nao é menos real pois o mesmo radical que existe. 
formando o ac'jectivo poderiaterservido paraformacao desse 
substantivo. 

Cur bslicc rationis, et oratidnis sunt expertes? Curé um adver- 

bio interrogativo ; bestice, substantivo feminino (49 •, em 

nommativo doplural (50) ; rationis, orationis, doussubstan- 

tivos iemmmos imparisyUabos da 3, a cleclinacao que i'azem 

o_s respectivos nominativos, ratio, e oratio : estáo em geni- 

tivo (57) depoisdo adjectivo imparisyllaboexpers. experlis (Qua- 

dro n. 6). Vejamos si ainda neste exemplo se verifica a 

existencia de um substantivo no adjectivo qualificaíivo ex- 

pers (158). Com effeitno adjectivo expers, expertis, significanclo 

carecedor, privado, é formado do substantivo pars, partis (pers, 

pertis), e da particula ex que exprime privaccio, falta ; de'modo 

que expers vale o mesmo que semparte, ndo tenclo parte, : sáo 

portanto os genitivos rationis e oratiónis regidos pelos sub- 

stantivo pars que existe transformado no adjectivo expers. 

Seneca, vir excellentis ingenii, atque doclrince, viros summce 
piekais erga Deum maxime colebat. Senéca, substantivo proprio 
(49) (50), vir, substantivo appllativo masculino da 2 a decli- 
nacao (61) (64) ; excellentis, genitivr. do adjectivo impansyl- 
labo excellens, entis (Quadro n. 6) que concorda com ingenii 
(57), substantivo neutro (58) ; doctrince (57) genitivo do sub- 
stantivo feminino (49) doctrina coiebaién 3." pessoa do singu- 
lar dopreterito imperfeito do indicativo clo verbo activo 
tr.ansitivo da 3. a conjugacao, cólo, is, colui, cultum, colere 
(Qtiadro n. 10), tem por sujeito Seneca, e, por complemento 
directo viros : summm, genitivo (57) do adjectivo da l. a classe 
summus, a, um, concordando com o substantivo feminino 
'impurisyllabo da 3." declinacáo pietas, atis ; crga, preposicao 
que rege o accusativo Deum. Neste exemplo vemos vir ex- 
cellenris ingenii atque docirince ; víros summio pietatis ; donde se 
deve in erir que o genitivo exprime tambem qualiclacle de 
pessoas. 

159. Te pluris putabam quam Petrum. . Te, accusativo clo 
pronome pessoal tu (73), complemento direcio putabam, que é a 



]Q0 ■ LINGTOA LATINA- 

1 • nessoa do singular do preterito imperfeito do indicativo 
do verbo activo transitivo" da 1.- conjugacáo puto, as, ow, 
MumZ^ tem por sujeito «go (101) : ptorw é 9 geurtnro do 
coroparativo p¿us, pKZris : Os gewiíiuos se<jumtes tomados aa 
vcrblalmentc, exprimem cle uma maneira geral o valor, e prcgoqm 
damosáspessoasou as cousas: magni, permagni, maximi, pluris, 

PLURIMI, PARVI, MINORIS, MINÍMI, QUANTI, TANTI : ^teSjenü^ 

vos cosiilmam ajuntar-se á vo* acUva ou pamva f^.^.^ 

M&HS, PENDCRE, FAC^RE, DUCCRE, PUT«RE, HAB^RE (estimar 

avalikr, aprecmr, reputar, julgar, ter por) e sao regidospdo 
tubstantíJiiES, que se subentende,si se trata decousas epo r homo 
si se irata de pessoas. substantiyo com ^ concoidam tees 
o-enitivos (quando sáo adjectivos é pretium, n. Posta poitanto 
em ordem fframmatical esta oracáo, diremos : ego putabam 
?*(í S^pluris pretn) QUAM ego P u to 5.m Petrum^— 
mtitti prftti) Eu ulgava a ti (homem de mais valor) em 
compar™ de PedÍo que eu julgava tambem homemdenn^to 
3 (132). AmmcülusPetri parvi cnstvmatur ;avunculut ,, sub- 
ítoritivo masculino da 2. a declinacao 50) (51): cestimatur, 3. 
pSoa do sfnguSr do presente do mdicativo da voz passiva 
do verl da f.' conjugacao cesiimo, as, avi, atum, are ; parw. 
Ze tii 159 . Ordem gmmmatical : Avuncülus Petn mtmatur 
fomo varvi pretii) : tio de Pedro é estimado como homem dc 

P °Zia V 1e r pendü nilúli ; o sujeito desta oracao esta porEL-. 
lvpse occulto, mas bem facil ó de ver que e o subsoantiyo 
avuncülus que se deve repetir ; o verbo pendit, que esia na 
3 "petoa d'o singular do f reseate do indicativo coiijuga-se 
vendo, ispependi, pensum, pendere (Quadron. lO^. 3 ^» 
Itnento diLto é o accusativo u : o gemtivo mhz ^ regido_ 
de homineem : nao concorda com preín, porque nao é adje 
ctivo, mas substantivo, e se declina nihium, i, nacla. 

Ordein grammatical. . . quia (avunculus) pendU ^Ownn- 
nem)nUúld)... porque teu tio avalia-te coroo homm de : nada 
(de nenhmu prestimo). Além do gemtivo n»fci , e c um , 
untar-se alguns dos segmntes ams ^^f^^lf* 
floco de tóa), nauci (de uma casca de noz), pilh (de um p.Jo, 
M deum cabello). Mea mihi conscientia plürü estquam ommnm 
* se™ : consciLa (49) (50) mihi (59) vlurvs 1d9) : sírjjw, ^u - 
bstantivo masculino imparissyUabo ^%¿^^} á ¿^ 
genitivo do singular sermrTms. Ordem grammaucal _. . Mea 
wnscientia est mihi (res) pluris (pretii) quam sermo onvnnm est 
(res) multi {pretii) (132). _ . , 

169 Emi hasctibialia non plur is quam tu ; emi esta , na piL 
meira pessoa do smgular do preterito perfeito do indwa>vo, 
e tem por sujeito ega (101): conjuga-se, emo, ?; s, emi, cmptum, 



1 



-44/4 
LICAO OITAVA 111 



ere ; é da' 3. a conjugacáo (Quadro n. 10); o seu complemento 
directo é hcec tibialia ; ha¡c, accusativo neutro do plural de hic 
hcec, hoc (Quadro n. 9); tibialia, accusativo do plural (73) do 
substantivo parisylabo neutro da 3, a deelinacao tibiale alis 
(Quadro n. 6) non plüris ; plurís está em genitivo do singu- 
lar exprimindo o preco. Convem expor aqui a segminte re- 
g'ra : nome que exprime o prego, porque se compra ou vende al- 
guma cousa, póe-se em ablativo ; usa-se porém de genitivo e nunca 
de ablativo com as expressóes ma.x¿mi, plz7ris, minoris, tanti, 
tantzdem, e quanti ; as quaes ndo se devem confundir com 

MAGNO, PERMAGNO, PLUR"¿MO, PARVO, MINIMO, NIMIO, que SC 

empregam em ablaiivo. ablativo deve ser regido pela preposieao 
pro (por). Fortasse é um adverbio ; etiam uma conjunccao, 
minoris (pretii) (160) : nesta oracao estao por Elipse ocultas 
as tres partes essenciaes (siojeito, verbo e complemento directo), 
que sáo : ego emi tibialia minoris (talvez até eu comprei as 
meias por menor preco). 

Quantiergo? Esta é uma oracáo interrogativa, onde por 
Ellipse estáo tambem occultos o sujeito, o verbo s e o comple- 
mento directo, que sáo tu emisti tibialia quanti ? ergo é uma 
conjunccáo. Sexaginta assibus é a oracao da resposta (129) ; 
sexaginta adjectivo numeral. cardinal indeclinavel concorda 
com assibus que é o ablativo (160j do substantivo imparisyl- 
iabo da3. a declinacáo as, assis. Ás palavras que faltam na 
resposta sáo ego emi hcec tibialia sexaginta assibus. 

Ñon parvo vendtta fuere, sed nimio : o sujeito desta oracáo 
é tibialia (59) ; o verbo vendita fuere está na 3. a pessoa do 
plural do preterito perfeito do indicativo da voz passiva ;. 
conjug-a-se vendo, is, vendidi, venditum, vendére (Quadro n.lO); 
parvo (pretiu) (160), sed nimio ; isto é, sed tibialia vcndita fuere ■ 
nimio (pretio) (160) : nimio é o ablativo de nimius, a, um. 

160 a< Mortis obliviscitur, sed glorice meminit miles ; duas 
oracoes ; de cada uma dellas é sujeito miles : o verbo da l. a 
ó obliviscitur, que se conjuga obliviscor, ceris, oblltus sum, 
oblivisci ; é depoente intransitivo da 3. a conjugacao, signi-- 
fica ter esquecimento (Quadro n. 11) : o verbo da 2. a oracáo é 
só conjugado em latim nos tempos da 2. a serie (Quadro n. 
18) ; e tem denotavel que o seu modo imperativo é formado 
_dos tempos da 2„ a serie, contra o qne dissemos no numero 
' (77) : chamam-se defectivos os verbos que tem í'alta de alguns 
dos seus tempos : conjuga-se memini, mcministi, meminisse ; 
é intransicivo : signiñca ier lembranca. Mortis e glorke siío os 
genitivos (57) de mors, substantivo feminino imparisyllabo, 
da 3. a declinacao (70), e de gloria (49), substantivo feminino 
da l. a . Estes genitivos sao regidos pelo substantivo repre- 
sentado pelo radical dos verbos obliviscitur, e meminit^ que 



ii I 



4 



ííi 



! 



112 LINGUA LATINA. 

sao oblívio, onis (esquecimento), ememoria, m (lembranca) . 
Com effeito, a idéa ao menos destes substantivos existe re- 
presentada no radical de obliviscor e de meminit, verbos m- 
transitivos, como a idéa do substantivo cavallo existe no 
verbo cavalgar em portuguez, e a de equus no do verbo equi- 
,\ tdre em latim (82). 

1 

JC RECAHTULA.QAO 

' j | 

>■ • ' Em que terminacáo se poe o attributo quando os sujeitos 

,' ; :| sá.o de genero differente e todos ou algum delles designam 

{., pessoas (154) ? . . 

Á' Em que terminacáo se poe o attnbuto quandoos sujeitos 

1 ' i 1 sao de genero differente e significam cousas manimadas 

l i! (155) ? . . .. 

I¡; Em que terminacáo se poe o attributo quando os sujeitos 

'.¡" sao de genero differente, e todos ou algum delles designam 

nomes de animaes (156) ? 
'"] Como se chamam os nomes que no singular pertencem a 

i! um genero, e no plural pertencem a outro (157) ? 

■ | Como se deve explicar a regencia dos gemtivos que vem 

¡ depois de adjectivos qualificativos (158) % 

, Dai-me alguns exemplos de nomes heterogeneos 1 

: | Quaes sáo os genitivos que para expnmir opreco ou 

velor de alguma cousa ou pessoa se cost_umam juntar ao 
verbo cestimare, pendere, ficere, clucére, putare, habere (lo9) í 
! Quanclo estes genitivos exprimem o preco ou valor de 

1 i uma cousa, qualé o substantivo que os rege (159) ? 

T Quando estes genitivos exprimem o preco ou yalor de 

uma pessoa, qual é o substantivo que os rege (159) '? 
' . Em que caso se poe o nome que expnme o preco por qne 

■! se compra óu vende alguma cousa (160) ? 

Quaes sáo nomes que clesignandc o preco por que se com- 

í': pra ou vencle alguma cousa náo poe-se em ablativo (160) i 

Quaes sáo os nomes que significando o preco por que se 

eompra ou vende alguma cousa poe-se em ablativo (segun- 

do a regra geral), e nao se devem confundir com os que por 

excepcáo da mesma regra se usam em gemtivo (160) ? 

Cotno se denominam os verbos que nao se coujungam em 

¡' todas os tempos (160 a) ? u u . 

■0 que ha de notavel no verbo mémim, memiwstt (IbU a) í 
!'■'" De que substantivos sao regiclos os gemtivos mortis e 

i,í" ; glorice, que vem depois clos verbos obhinscüur, e meminit 

.! i (160. a)? '' 

ílffc... ucc 

■c;Ic : 



m 






LICA0 OITAVA. 113 



COMPOSICAO. 

meu alfaiate, que era escravo do meu enteado, com- 
prou umas (náo se traduz a pal&vva. umas) rneias por menor 
preco do que o teu cozinheiro. Os teus livros, minha neta, a 
rnulher do nosso cunhado, e os meus filhos foram aprisio- 
nados pelo tio de tua madrasta, que é padrasto do genro de 
Lucrecia. A.s guerras, as victorias, e a gioria mesma (apro- 
pria gioria) sao funestas. Estes caminhos estavam cheios de 
ciladas, e talvez sejam peioresdo que outrasruas. Minha so- 
g*ra temia os irracionaes, porque ^elles) sao carecedores da 
razáo, e da palavra. Todos julg'am a Seneca homem (náo se 
traduz homem) de g'rande mento (náo se traduz mcrüo). Os 
irmaos de Pedro sao por mim estimados em pouco, porque o 
pai mesmo os (estes) avalia em nada (nao os tém em conta 
alguma), Por quanto vendes estas pombas ? Barato. Por 
quanto pois ? Por tres asses. Cornprarei tambem dous pa- 
voes, porque náo vendes caro. Todos nós publicamos a glo- 
ria de Deos. Diog-enes náo se esquecia da virtude ; mas 
(vero) Alexandre lembrava-se cla g-loria. 



QUADRO 



N 



fcS p 



MEMINI, ISTI, MEMINISSE, lembrar-se; e ODI, ODISTI, 

ODISSE, ODIAR. 



INDIOATIVO. CONJUNCTIVO. 



Meminerim ete. 
eu me lembre. 



PRET. PERFEITO. 

Mem'íni etc. 
eu me lembro. 

PRET. M. Q. PEEF. 

Memíneram etc. Meminissem etc 
eu me lembrava. eu me lembrasse. 

FUTURO PERF. j 

Meminero etc. i 
eu me lembrarei. 



IMPERATIVO. 

S. Memento P. Mementote. 
lembra-te tu lembrai-vos 

vós. 



INFINITO . 

Meminisse, 
lembrar-se . 



INDICATIVO. 



Odi, ete. 
eu odeio. 



Qderam etc. 
eu odiava. 



Odero etc. 
eu odíarei. 



CONJUNCTIVO. 



Oderim etc. 
eu odiei. 



Odissem etc. 
eu odiasse. 



Nao tem imperativo. 



INFINITO. 

Odisse, 
odiar . 



FUTURO. 

Osurum, am, um, 
esse ou fuisse. 



Gonjugam-se do mesmo modo os segumtes verbos, tambem clefecti- 
yos : - cWpi-ccepisti-ccepisse- (comegar), -novi-novisti-novi.se- 
(conhecer, com estas differencas : 1.» nenhum dos dous tem impera 



tivo 



•>. 



• ccepi 



tem no infmito o futuro — ccepturum esse, etc— , 
o supino cceptum - (para comegar) ; e cceptu - (de .?*™™Cf^° 
participio cceptus, a, um, - (que foi comegado) e o participio do futmo 
— ecepturus, a, um, (o que ha de comegar). 



\ 



MA LICAO 



Joannes proditionis est aecusatusv 

de traigao foi accusado. 

Faunius Verrem insimiílat avaritisB et 

Faunio a Yerres accusa de avareza 



audacise. Miltiades, capitis absoiucus,- 

de auclacia. Milciades, da pena de morte absolvidO', 



com dinheiro 



juS ; 



foi multado. 



bebe mais 



ss 



'■^-^iat 



d'e agua ; menos de vinho 

multum eruditionis. Quantum auri 

muito deerudicao(muitaerudicao). Quanto de ouro (quantoouro) 

inyenisti ? Quíd inali-times ? Caesar, solus . 

, achaste ? Que de máo (que mal) ? ■ ' foiounico 

émniiim ' heüatorum, : .. res gestas scripsit. 

de todos os guerreiros que, os seus feilos escreveu. 



\ 



116 



LINGUA. LA.TINA. 



Justitia nihil expétit praemii. Medici habent 

A justica nada pede de paga. Os medicos 

aliquid divini. Ubíiiam gentium sumus? 

alguma cousa de divino Em que paiz estamos ? 

Catilina liabebat satis eloquentise, parum 

assaz de eloquencia, pouco 



sapiencise, 

de sabedoria. Nada triste 



cogit 



pensao 



Eu 



me arrependo de todos os crimes. 

pudet juvénum. Patrem tuum tssdebat 

temvergonha dos mocos. tinha aborrecimento 

fíliorum Francisci, quod eos pigebat 

porque elles tinham preguica 

studii Quem non míserebit tantae 

do estudo. Quem se compadecerá de tao grande 

calamitátis ? Sacerdos miseratus est casum 

desgraca ? sacerdote deplorou a sorte 



CONVERSACM). 



da victima. 



que succedeu a Joao 1 (yuid facit Faunius ? que acon- 
teceu a Milciades ? Qual foi o conselho dado ao rapnz ? Que 
dotes tinha Antonio ? Como se dirá em latira querendo saber 
qual a porcao de ouro encontrada? que ha de particular 
em Cesar em comparacáo dos outros guerreiros "? Como se 
diráo em latim estas phrases — Que mal receias ? Em que pai% 
estamos? que tem de notavel a justica ? E os raedicos? Quid 
faciunt puéri ? Que dotes intellectuaes tinha Catilina'? Oque 
deve dizer um homem contrito lembrando-se dos crimes que 
commetteu ? que -succede g-eralmente ás mocas ? que 
succedida a teu pai ? Ao ver uma grande desgraca, digna de 
ser por todos lamentada, qual é a mais natural exclamacáo 
que se pód.e fazer % Quid fecit sacerdps ? 



¡JÜfe 



LICAO NONA. H7 



ANALYSE. 



161. Joannes proditionis est accusatus, Faunius insimülat 
Verrem avaritice et audacice ; Miltiádes, capitis absolutus, pecu- 
nia mulctatus est : proditionis é o g-enitivo do substantrvo im- 
parisyllabo feminino proditio ; cwaritics, audacice e capitis süo 
tamb'em genitivos ; os dous primeiros de nomes da l. a decli- 
nacáo (49), e o ultimo do substantivo imparisyllabo neutro da 
3. a declinacáo (Quadro n. 3) caput (cabeca) ; pecunia é o abla- 
tivo de pecunia ce (80). Regra geral : Com os verbos que signifi- 
cdo ACCüSAR,ABS0LVER,C0NDEMNAR,e outros cle significacdo seme- 
Ihante, o nome que exprime o delicto poe-se em genitivo, e algumas 
vezes em ablativo regido da preposicao de, náo sendo crimen, CRi- 
minis, que sepoe em ablativo sem preposicdo. 

A primeira e a terceira oracáo sao de verbos passivos da 
l. a conjugacao ; Joannes aceusatus est ; Miltiádes, capitis abso- 
lütus, 'pecunla mulctatus est : o sujeito de cacla uma dellas é um 
substantivo proprio par'mjllabo da 3/ declinacáo ; o adjectivo 
absolütus, está em nominativo (64) ; em anibas estas oracoes 
está occulto o complemento indirecto, que póde subentencler se 
ab homimbus (86) . sujeito da 2. a oracáo Faunius é um sub- 
stantivo proprioda2. a declinacao (51)fo verbo é activo tran- 
sitivo cla 1." conjugacáo; Verrem (73) declina-se Verrcs, is, e é 
um substantivo'proprio parisijüabo da 3. a declinacao. 
Para reger o genitivo que vem depois dos verbos accusar, 
condemnar, absolver (57),costumam os Grammaticos subénten- 
der os substantivos crimen, minis (crime, fata, defeito, vicio. 
ou pcena, cs (castigo) postos em ablativo (161), e com um 
destes regem o genitivo ; por exemplo : Joannes accusatusjst 
(ab homintbus) crimine (161) proditionis; Faunius insimulat 
Verrem crimine avaritice et crimine (161) audacice ; Milíiádes, 
absolütusde pjena (161) capiíis mulctatus est [ab hominibus) pecu- 
nia ("80) . 

162. Regra : Emprega-se genitivo, mesmo quando em portu- 
guez ndo ha alguma das particulas dos, das, de, do, da, depois de 
palavras que exprimam parte de algum toclo ou quantidacle, quer 
estas palavras sejamsubstantwos, acljectivos, ouadverbios: depois 
clcstes adjectivos na terminacdo neutra, plus, minus, multum, 
qÜantum, tantum, quid, aliquid, aliud, hoc, illud, quod, 
quidquam ; dos substantivos dimidium, nihil ; dos adverbios de 
lugar, e de quantidade ubi, ubinam, satis, parum, é nüo só fre- 
quente, mas alé elegante o uso do genitivo. 

Puer, vocatívo do singuíar (61) •, bibe, é a 2. a pessoa do 
presente do imperativo do verbo activo transitivo cla 3. a con- 
jugacáo bibo, is, bibi, bibitum, bibere; o sujeito étu (101); plus 
(73) (147) (119), vini (58) (162): minus (73) (119) aquce (49) 162); 

10 



ti 



■Qg LINGUA LA.TINA.* 

multum (73) (162) eruditionis é o genitivo do substantivo imp- 

^S^dÍectivo c,— , a,um (73) ; «tjri (58)^62) ; 

«■o/í ¿ n 9 » npssoa do sinffular do pretento períeito cio 

St do verL da 4 ■ conjugaeño (Quadro n. 15) | i»rf- 

S6U ' SV3)''(llT(Q.»dro n. 14) ; mali (34) (162) ; ífmea ,2.- 
pesscTdo SnVular* cfe presente do in< matrvo do ™Wttvo 
transitivo da 2.' conjugaican (Quadio n. /). seu „eira e 

'"ffl' »¡« S om»i«™ Wfaíoru™ «)» ^ipsit ; W^5», 

clalse' Sic Pio passivo do verbo gero, u gess^, 9*twn,St 
K ^FfpScusativo do plural concordando comres (50): 

como já vimos, é um substantivo da 5.* declinacao (yuacuo 

^J^tltia (49) (50) ; expetit é a ^vPf^^^ tSu~ 
qente do indicativo do verbo activo transitrv oto d. con ju 
íacao (Oiiadro n. 10) expHto, «, «cpcffw, «xpíiíum, «npeícre 
^t&Ctivo neutro indeclinavel em accusativo (73) , 

^HoSüvo do plural do subsi^ntivo -—^ 

^«JÍÍS surLs ; o sujeito desta oraoEn é o pronome 
«nc nrm • n verbo é sumus : w&ifoam é um adverbio de lugai, 
W , ( ' \ifi97fnD-pnit?^do pluraldo substantivo ferami- 
qentium 162 e o genuivo uu f^' o-pnitivn p rpo-ido 

sáo verdaceiramenteadjectivos; mas qnesetem consicle a 
do como a verbios; ambos estes nomes representam o compte- 
«níoXl de /wo'ooí [13) : do^ ■ e W«^rt W ?¿ 

(162). 



j fe\v-n. , 



LICAO NONA. 119 

triste (73) ; o adjectivo triste, estána terminacáo neutra (Qua- 
dro n. 3) em accusativo concordando com 6 substantivo ni- 
Ml, e náoestá em ge'nitivo ; daqui se infere a seguinte regra: 

163. Sio noma que tivermos depór em genüivo (segundo a regra 
162) fór expressopor adjectivo da 3." declinagao, nao usaremos de 
genitivo, mas collocaremos o dito nome no mesmo caso em que esli- 
verem os substantivos, ou adjetivos apontados naquella vegra (162). 
fim desta excepcao é evitar equivocos. 

164. Regra : Com os verbos impessoaes miseret, miseritum ou 
misertum est, misereri. coinpadecer-se ; pcenitei, pcenituit,. 
pcenitere, arrepender-se ; piget, pig-uit (e algumas vezes pigi- 
tum est) pigere, ter preguica ; pudet puduit e algumas vezes 
puditum estJ pudere, envergonhar-se, Tbbdet, Pert33Sum est, 
Ta3DERE ter aborrecimento, póe-se em accusativo o nome que em 
portugueí representa o sujeito ; em genitivo o nome da pessoa ow 
cousa de que se tem compaixao, arrependimento, preguica, vergo- 
nha, aborrecimento . 

165. Exposta assim esta regra, convem analysar a natu- 
reza de taes verbos ; sabemos que nos verbos ha uma parte 
ínvanavel que é o radical (45) (46) ; e que nos verbos mtran- 
sitivos o radical representa o seu complemento directo (82) : 
nestes verbos miseret, pamitet, pudet, etc, cbamados impesso- 
aes ou wiipessoaes por terem sóruente a 3. a pessoa do singular, 
o radical nao conté^n o complemento directo, porém o sujeito : e é 
por isso que o nome que em portuguez é sujeito passa em 
latim a ser complemcnto directo ; por exemplo na oracEo : me 
poi7iüet omnium criminum, eu me arrependo de todos os cri- 
mes ; eu passa para accusativo (rne) : a regencia destas ora- 
coes é a seguinte : o arrependimento (idéa expressa pelo ra- 
dical pcenit) tem (habet) a mim (me) . 

genitivo omnium criminimi é regido pelo sujeito contido 
no radical, deste modo : o arrepe^idimcnto detodos'os crimes tem 
a mim (occupa-me). Em uma palavra nos verbos miséret, pce- 
nitet, piget, pudet, tcedet claramente se reconbecem no radical 
nao só os eleme.ntos ou o radical dos substantivos miseratio 
(compaixao), pcenitentia (arrependimento), p^n'íia (preguica), 
pudor (vergonha), tcedium (aborrecimento), como tambeni os 
restos de um verbo da 2." conjugacao (habeo, es) ; de sorte que 
miséret corresponde a miseratio habet; pcenitet a pcenite^itia habet; 
e por esta singular natureza de taes verbos é que as plira- 
ses portuguezas soffrem uma inversáo para serem por elies 
traduzidas em latim ^ eu me arrependo de todos os crimes 
equivale a esta inversao : o arrependíminta de todos os meus 
crvmes tem a mim (occupa-me). Convem notar que alguns des- 
tes verbos sáo semidepoentes (29) (31) (113) ; por exemplo, mi- 
seret, que faz no preterito 7niserttum est, oumiseritum est; piget^ 



-J9Q LINGrtJA LATINA. 

oUm rlo nreterito piquit tem tambem pigUum est ; pudet, 

qU6 ?f?m do e er o puLií tem tambem pudttum est : e í«- 
qiiealémdomeuuou passiva nos 

deí, cujo preiei o 6f '^ -»¿ ter de sm¿(ie . 

tempos da2.' bei « ^* a g¿ e^ er ^ g 

?rf- V'toX^rS caTXs verboíi considera um substan- 
16o) ; e todo o iaaicj.it u* termiiiacáo neu~ 

tivo neutromdeclmavel (82 , daíuA em essa w. íayra na 

tra mherüumest,pudmimest, etc. ^l^^f^mrni- 
seo-umte oracáo, Pedro compadeceu-se de Antomo ( let> uro m^ 
^nurn est AntonU), a regencia ^ammatical ,e faz con,ide_ 
randooradical^r como su -to (165). e como ui 



ranao o rauiuai v ™/ — — --., é sa ,bemos, 

maícouserva .n. sigmflcac^ oí = P ' /„ ™,¡L c ío 
dioalum verbo s m,,te¡«, tó, P "» e o », ) fi _ 

tsr sr ^™ . ^ ;-■ ^ » 

niuliaoVi"^,^ ^^r^Ta^J^* 

166. Patremtmim {IQé) kodebatpLioiuin [i^¡\ 

1 ' cbise; cakmítaiís, substaativo femimao Mapamcyltaim «i 
^Scs ,50, sabstaaüvo mascaüao ^rfrjH * ^ 

RECA.PITDLA.gAO. 
Em aue oasos.se V^ou^^e^^o, 

ónolTo uome aue vindo depois dos verbos que sigmheam 

mas em ablativo sem a preposmao de (loi) . 



LICAO NONA.. 121 

Quando podemos por em genitivo um nome náo tendo elle 
antes de si aiguma clas particulas dos, das, de, do, da (162) "? 
Quaes sao os adjectivos que admittem depois de si esse ge- 

nitivo (162) '? ,..,.,. 

Quaes sao os substantivos que admittem clepois de si esse 

genitivo (162) ? 
B quaes os adverbios que admittem tambem esse mesmo 

caso (162) "? . . . 

Quando deixaremos cle usar de gemtivo depois desses sub- 
stantivos e adjectivos (163) ? 

Com os verbos miseret, pcemtet, piget, pudet, tcedet,_em que 
caso se deve pór o nome cla pessoa que tem compaixao, ar- 
rependimento. preguica, vergonha, aborrecimento (165) Y 

Por que razáo com estes verbos, o nome que em portuguez 
representa o sujcito, náo é tambem sujeito destes verbos em 

latim (165) 1 .,. , 

Qual é a parte destes verbos que encerra a ídéa do su- 

Íeito (165) ? ..xi nrrw 

De que é regidoo genitivo que se junta a estes verbos (ibb) ( 
Qual é o sujeito dos verbos ímpesoaes miserct, pcenitet, piget, 

pudet, tcedet (165) ? ... 

Quaessaoas palavras de que parecem existir restos nos 
verbos miseret, pcenitet, pudet, piget, tcsdet (165) ? 

Qual é a verdadeira natureza da conjunccáo quod (166) 



9 



' COMPOSIGAO . 

NSo vos accusarei, ó Juizes, de uma traicao (qSo se 
traduz para latim uma), mas [vero) de um cnme maior. 
(náo se traduz para latim um) para com üeus, e mesmo 
para com os bomens ! (náo é necesaarío traduzir _se- 
.gunda vezpara latim para eom). Porque Milciades, absolvido 
da pena de morte, ha deser mulctado com.dinheiro *? Casti- 
gai a Yerres, porqne a sua audacia (audacia deste) produz 
mais mal, do quo os feitos claquelle general ! Tendes muita 
erudicao, muita eloquencia, e sabedoria ; porém [autem) náo 
acharéis um só varáo queinio julgue a vossa oracáo fnnesta 
á Republica, e aos Consules ! Um juiz (nao se traduz para 
latim um) tem alguma cousa de divino, e nEo pede paga al- 
'guma para a justica (e nada pede de paga). Eu amo os me- 
ninos que náo teni preguica do estuclo. Quanto ouro tem 
esta terra ! Catilina nao sé arrependia de seus cnmes, mas 
ouvia com semblante sereno a Cicero, o mais eloquente de 
todos os oradores. Joáo nada escreven sublime. Estes mocos 
pensam alguma cousa triste. Quem náo terá aborrecimento 
de um menino travesso ? Meu pai deplorou a sorte daquelle 



122 LINGUA LA.TINA. 

infeliz soldado. Um bom sacerdote lembra-se de Deus, mas 
n5o se esquece dos bomens. Bu náome compadeco dos guer- 
reiros, porque (elles) náo temem a guerra, e amam a gloria. 
Em que paiz estamos "? Que Republica temos ? ! (este — que 
■ — deve ser traduzido pelo interrog'ativo qicis ou qui) . 



QUADRO N. 19- 

Verbos inrapsssoaes^ osa umspessoaeg 
Poenitet, Poenituit, Poenüere, arrependeu-se. 



INDICATIVO. 



PRESENTE. 

Poenitet, eu me arrependo. 

IMPERFEITO. 

Pcenitébat, eu me arrependia. 

FUTUR0 IMPERFEITO. 

Pcenitebit, eu me arrependerei. 

PRETERITO PERFEITO. 

Pcemtuit eu me arrependi. 

PRETERITO MAIS QUE PERFEITO. 

~Pcnmtuei&t,eumetinhaarrependido 

FUTURO PERFEITO. 

P cenituerit, eu me terei arrependido 

INFINITO. 

Pcenitere, arrepender-se. 
Pcenituisse, ter-se arrependido. 

GERUNDIOS. 

Pcenitendi, pcenitendo, pcenitendum. 



CONJUNOTIVO. 



Pceniteat, eu me arrependa. 



Pceníteret, eu me arrependesse. 



Poenituerit,etí me tenhd arrependido 



Pcemtuisset, eume arrependera ou 
tivesse arrependido. 



PARTICiPIOS. 

PRESENTE. 

Pcenitens, tentis, que se arrepende. 

ACTIVO DO FUTURO. 

Pcenitürus, a, um, que se ha de ar- 
repender. 



Conjugam-se do mesmo modo os seguintes : 

1." Pudet, puduit [e algumas uases-puditum est— ) pudére (ter pejo). 

2." Piget, piguit (e algumas vezes — pigítum est — ) pigere (terpre- 
guiga.) Este verbo nao tem participio do presente, e o participio pas- 
sivo do futuro (pigendus, a, um) é pouco usado. 

3.o Tcedet, pertcesum est, toedére, (ier tedio). Nao tem gerundios 
nem participios, excepto— -pertcesus, a, um, [aborrecido de). 

4.o Miseret, misentum est ou (mísertum est) miserére (ter compaixao): 
•usam-se todos os mais tempos— miserebat, miserébit, misereat, ete. 

Todos estes verbos se usam só na terceirapessoa do singular porque 
o sujeito de cada um delles é o substantivo contido no radical (164) (165). 



DECIMA LICÁO. 



5us iavet pauper 

Uma alma generosa favorece 

5 5 sed non blanditur 

poupa os vencidos, lisongeia 

tibus. Mihi silvestris placet solitudo, quia 

a silvestre agrada solidao, 



as queixas prejudicao coracao. 

Miles se Gaesari purgavit, qui illi non 

para com Cesar desculpon para com elle 

_iratus est. Alácris juventa studet 

irritou-se. A alegre mocidade 

littéris, dum valetudinaria seneeta se 

as bellas letras em quanto a doentia velhice 

quiéti dat. Alexandro fuit equus, cuí 

ao descanco entrega. Alexandre teve um cavallo que 



126 LINGUA LATINA. 



tinha o nome de Bucefalo. conñanga 



dUIJl 
alcumas vezes causa. vio 



a imagem (retrato) em o (no) espelho das aguas, 



a preza perdeu: assim cubica illude 

ssepe avidum ! In prato quondam rana 

muitas vozes o ambicioso ! Em o (no) prado mna raa 



conspexit Jbovem, et ejus ma¿ 

aviston um boi, pela grandeza 



tocada (incitada) incliou pelle. 

inquiebat historicus, intestina bella facie- 

dizia o Mstoriador, interiores 

bant, quia alii alios odérant. Divitias alii 

uns aos outros odiavam. As riquezas uns 

prseponunt, álii potentiam, alii honóres. 

preferem, outros o poder, outros as honras. 



partes 

Umas de um lugar-tenente as obrigacoes 



(alise) outros as de um general A claridade muito differente 

est solis ac lunse. 

da lua. 

CQNVERSAQlO 

Quid facit animus generosus ? que tem a solidao_ para 
comig-o ? Cur placet mihi solüudo ? Quid fecit miles ? Qmd fecit 
Ccesar ? Quii facit juventa ? Como é a ínocidade? Emquanto a 



LICAO BEMCIA. 



127 



mocidade se applica ás lettras, o que faz a velliice *? Como 
é avelhice'? Dizei-me si Alexandre teve algum cavallo, e 
qual é o nome deste ? Quid facit nimia fiducia ? Quid fecit ca- 
nís ? Onde vio o cao a sua imagem ■? que aconteceu ao cEío 
por ter visto a sua imagem ? que faz muitas vezes a am- 
bicSo ao ambicioso ? QwitZ /ea'£ rana ? Onde vio a rá um boi ^ 
Quando vio ? que fez a ríi depois de ter visto o boi ? Cwr 
inflavit rana peilem suaml Quid faciebant cives? Como sabemos 
que os cidadaos faziao guerras interiores % Cur cives faciebant 
bella intestina ? Diante das riquezas, do poder, e das lionras 
como procedem os homens ? Serao as mesmas, ou differen- 
tes as^obrigacoes de um lugar-tenente e de um general "% 
Qual a differeaca entre a luz do sol e a da lua % 

ANALYSE 

(Antes de entrar na analyse desla ligíio é conveniente lembrar. o 
que dissemos nas Nocoes Preliminares (48), ácerca da disposigao 
que affectam as palavras na lingua latina ; até aqui encontramos 
oracóes na ordem natural, ou com algumas poucas inversóes : d'ora 
em 'diante apresental-as-hemos sem desfazcr o hyperbaton) . 

Animus generosus favet pauperibus ; parcit victis, sed non blan- 
ditur potentibus : quanto ás duas primeiras palavras véde os 
numeros (53) (52): favet (98) (Quadro n. 7), verbo mtransitivo 
da 2. a conjugacáo faveo, es, favi, fautum, favere, favorecer : 
pauperibus, datlvo do plural (59): parcit é a terceira pessoa 
do singular do presente do indicativo do verbo intransitivo 
da 3/ conjugacao (115) (Quadro n. 10) parco,- is, peperei, par- 
citum, parcüre (tambem póde fazer o preterito parsi, e o su- 
pino parsum) : victis, adjectivo da 1." classe (52) (59); blandi- 
tur, terceira pessoa do singular do presente do mdicativo 
do verbo depoenteintransitivo da 4. a conjugacáo (Quadro n. 
16) blandior, blandíris, ou blaiuhre, blanditus sum, blandvn, 
acariciar, lisonjear ; polenttbus, adjectivo imparisyllabo (Qua- 
dro n. 6) (59) . 

167. Muitas vezes segundo a natureza dos verbos, poe-se 
em latim em dativo nomes que em portuguez representam 
um complemento directo : por isso, náo basta que um nome 
seja em portuguez paciente de um verbo para que em latim 
'seja posto em accusutivo ; porque póde esse verbo ser transi- 
tivo em portuguez e intransitivo em latim ; como por exem- 
plo os verbos poupar (parco, is), estudar (studeo, es). 

Mihi süvestris plaeet solitudo, quia hominum quereila¡ meono- 
cent cordi. sujeito da primeira oracao é süvestns sohtudo ; 
süvestris, adjectivo da 3." declinacao ou da segunda classe, 
que por excepcáo da regra dos adjectivos da 3. a declmacao 



128 LINGUA IATINA. 

(72) tera tres terminacOes ; a l. s (masculina) acaba em br 
(silvester), a 2.« (feminina) (süvestris) e a 3.« (neutra) (f™ st ™)- 
(Vecle Parte Segunda Dos nomes adjectivos, Lapitulo b. ) boii- 
tiído, snbstantivo feminino imparisyUabo (70) faz o gemtivo 
do sing-ular solitudinis : placet (98) verbo mtranutivo rta_2.« 
conjugacao (Quadro n. 7) placeo, es, placui, V^citum plncere 
affpadar': mihi (59) (Quadro n. 6 A) (167): quereUm (49) (50) 
homínum, genitivo do plural do substantivo masculino ira- 
parisyllabo homo, hominnis (57); nocentj98) (Quacíro n. /) con- 
juga-se noceo, es, nocui, nocitum, nocere, prejudicar ; o seu 
suieito é quereUai : cordi, dativo clo smgnlar (167) do substan- 
tivo neutro imparisyllabo cor, cordis (79) (75) (Quaclro n. 3). 
Miles se Ccesari purgavit : Ccesári está em dativo tendo an- 
tes de si em portug'uez a expressáo para com, o qae parece 
ser contra a regra (59) ; mas o dativo marca nao so o termo 
em que termina uma accao, mas tambem a mtencao e o 
fim a que algmem se propoe : purgavit é a terceira pessoa cio 
preterito perfeito do verbo activo transitivo da l. a conjuga- 
cao (71) (Quadro n. 4). 

* Qui üli non iratus est : illi esta em dativo pela mesma ía- 
zao ha pouco dacla : iratus est é a 3. a pessoa do smgular do 
preterito perfeito do indicativo dn verbo depoente da 3. s con- 
jugacáo (Quaclro n. 11). irascor, irascens ou %rascere, vratus 
sum, irasci, irritar-se, irar-se. 

Alácris juventa studet iitteris ; alacris, adjectivo da seguucla 
classe qu'e se declina como silvestris lalácer, alacns, alacre) ; 
juventa, substantivo feminino da 1.» declmacao (40) (50) : este 
nome tarabera póde pertencerá 3. s declmacao,declmando ; se 
juventus juventütis, taes nomes chamao-se redundantes (vede 
Parte Segunda, Dos nomes redundantes) ; studet (93), conjuga-se 
studeo, es, studui, studerc, estudar, applicar-se : nao tem su- 
pino (100) : litteris, substantivo femmmo da l. s declmacao 
defectivo, eMh em dativo do plnral (167). 

Dum valetudinaria senecta sequieti dat: dum é uma conjunc- 
cao ; valetuninaria, adjectivo da 1.* classe, em nommativo do 
sing-ular concordando com o substantivo femmmo da 1." cle- 
clinacáo senrcta,que é redundante, porqne póde tambem declp- 
nar-se senetus, smectütis (70): quieti, (59) dativo do substantivo 
feminino imparissyllabo da 3. a declmacáo quies, qwetis, que 
é redundante porque tambem póde declinar-se pela qumta 
quies, quiei (Quaclro n. 13). 

168. Alexandro fuit equus: litteralmente tradnzidaesta ora- 
cao, quer dizer,um cavallo foi para Alexandre. Quando o verbo 
esse sígnifica ter, apessoa que tem póe-se emdativo ; e acousa tida 
em nominativo, si o verbo eslá no modo fmito (Indicativo, Impe- 
rativo, Conjunctivo). • 



LICAO DECIMA. I 29 

169 Cuit erat nomen Bueephálus: nesta oracao incidente 
também o verbo esse significa tcr: por isso o relutivo cui esta 
em dativo (168); e nome emnominativo por ser acowatiáa. 
Nomvi é um substantivo neutro da 3. a declmacao (/0) (7o) 
(79)- faz o g-enitivo nomtnis. Bucephálusé um substantivo 
proprio masculinoda2. a declinacáo (5J),está einnommativo: 
tambem póde-se nestas e em outras oracoes sernelhantes em 
vez de nominativo usar de dativo (Alexandro futt equus,cu% 
erat nomen bucaphalo) ou (o que é mais raro) de geiutivo, 
Alexandro f 'uit equus, cuierat nomea büCEPHALI). _ _ 

170 Nimia fiducia alÍQuando calamüali est : nimia (o^) (ouj 
concorda cora filucia (49), sujeito de est : ahquandoenm ad- 
verbio; calamitati, substantivo femmmo vnparissyUabo <la , d: 
declinacáo (70) (75) (79), esta em dativo ; donde se miere 

verbo esse pode ser empregado algumas ve%es com a signifbca- 
cao de causar ; e entdo a cousa causala poóe-se em dativo. 
* Canis vuiit simuldcrum suum : canis, que ja aualysamos 
ISexta licdo) é o sujeito de vidit, que é a terceira pessoa clo 
sino-ulardo pretento perfeito do indicativo do yerbo_act_iyo 
transitivo da2.* conjugacao (98) (Quadro) n._7) video, esvidi^ 
vísum, videre, ver : simultücrum, substantivo neutro da ¿. 
declinacáo (58) (73) ; suum, adjectivo pronommal em accusa- 
tivo referindo-se e concordando co.m simulacrum. 

171, adjectivo pronominal possessivo seu, sua (deile, ou 
delles ; dellaou dellas) ; seus, suas (delle ou delles ; della ou 
dellas) traduz-se por suus, a, um, quando o objecío possuulor esta 
na mesma oracdo, em que se acha o objecto possuido: quandaporem 
o obiecto possuidor ndo se acha na mesma oracdo em que esta o ob~ 
jecto possuido, entdo seu, seus, sua, suas (delle ou della) tra- 
duz-se por ejus ; seu, seus, suas (delles por eorum ; seu,seus, 
sua, suas (dellas) por earum. . 

172. In svecülo lymphcirum : specülum é um snbstantiyo ap- 
pellativo neutro da 2. a declinacao (53) hmphárum 49 (57) : 
in é uma preposicáo. Speculo está em ablativo regidoda pre- 

posicáo in. Regra g'eral : ?„-„<.„ 

'luqar em que alquem estd, ou onde algumi cousa se pi% poe-so 

, em abíativo regido de preposigdo in, scndo expresso em lattm por 

' substantivo appellativo . , n -,.,^ n r i Q 

Pro3dam perdidit: prcedam (49) (73) pevdidú ea 3. a pessoayie 

singular do preterito perfeito do inclicativo do verbo activo 

transitivo da 3.» conjugacao (115) (Quadro n. 10) perdo, ts, 

didí, dritum, dere ^ev&ev . . , ,. , 

Sic sua aviditas delüdit scepe avulum : sic e um adveibio de 
modo; avidttas, snbstantivo femmmo tmpanssyUabo üa d. 
declinacáo (70) (75) (79), faz o genitivo aviditatis ; é sujeito 



130 LINGUA LATINA. 

de delüdit, que é a terceira pessoa clo singular do presente 
do indicativo do verbo activo transitivo da 3. a conjugacao 
(115) (Quadro n. 10) .; delüdo, is, lüsi, lüsum, dere, illudir ; 
avidum (52) (91) (73) : está sua amditas porque na mesma ora~ 
cao se aclia o objecto possuido (avidum) ao qual sua se re- 
f'ere (171). 
>c In prato quondam rana conspexit bovem : prato está em abla- 
tivo reg'ido da preposicSo in (172) ; é um substantivo appel- 
lativo neutro da 2. a declinacao (53) ; rana (49) é o sujeito de 
conspexit, que é a terceira "pessoa do singular do preterito 
perfeito do indicativo do verbo activo transitivo da 3.° con- 
jugacáo (115) (Quadro n. 10) cónspicio, conspicis, conspexi, con- 
'spectiím, conspicere, ver ; o seu complemento directo(*13) é bovem, 
substantivo masculino imparisylabo do 3. a declinacáo (70) 
(75) (79). 

Et ejus maqnitudine tacta sunm inflavit pellem : o sujeito 
desta oracáo é rána, que de novo se repete, com o qual con- 
corda o adjectivo tacta, da l. a classe (52), e que é tambem o 
participio do preterito da voz passiva do verbo da 3. a conju- 
g-acáo tango, tangis, tetigi,_ tactum, tangüre, tocar : magnitu- 
diiie % ablativo do substantivo íeminino imparisyllabo cla 3 ,a 
declinacáo magnitudo, magnitudinis, exprime a causa (80) : 
in flavit, ' cujo sujeifco é rana tacta, está na terceira pessoa clo 
singular do preterito perfeito do indicativo da voz activa^do 
verbo cla l. a conjugacáo (71) (Quadro n. 4) infto, as, avi, 
atnm, are, incíiar soprando : pellem suam é o complemento di- 
recto (73) cle inftavit : pellem deciina-se pellis, is ; é parisijllabo 
da 3. a declinacao (97). Nesta oracáo está et ejus magnüudine 
tacta inftavit, eic, e nao sua magnitudine, pela razao expressa 
(171) ; e é por essa mesma regra que está pellem suam (171). 
A rá (objecto possuidor) está na mesma oracao, em que se 
acba o objecto possuido (pellem mam) ; mas o" termo boi nao 
se acba na mesma oracao, e por isso dizendo-se que a rd 
foi excitada pela.sua g-randeza (isto é, grandeza do boi) deve 
sua ser traduzido por ejus (171). 

Cives, inquiebat historicus, intesñna bella faciebant : Cives, 
que já sabemos como se declina (104), está em nominativo 
do plural, sujeito de faciebant, verbo da 3. a conjugacao que 
já analysamos (118) ; bella é o seu complemento directo, in~ 
te&lina (52) concorcla com bella. Esta oracao está divididapela 
intercalacao de outra (inquiebat historicus), que passamos a 
analysar. 

173. Historicus, substantivo masculino (50) (51), sujeito 
de inquiebat ; que é o vei'bo defectivo (Quadro n. 20) inquam, 
is, it, significa digo eu, dües tu, diz elle. Este verbo nunca oc- 



LICÁO DECIMA. 131 

cupa o primeiro lugar da pbrase ; mas sempre se emprega 
intpiralando-se 110 meio de uma oracao. 

QuiaaUialios oderant : nesta oracáo vemos o fdjectivo 
alius com duas significacOes ; donde se infere esta regra 
Semvre que na mesma oragáo achar-se repetido o adjectivo ALiüb, 
dar-se-ha ao primeiro a significacáo de um ou uns ; e ao segundo 
a de outro ou outros. ,. , . „^ 

verbo odéfrant é defectivo, e além disso só se conjuga nos 
tempos da 2.' serie (Quadro n. 18), odt, odísti, o fe, odiar. 
Bste e outros verbos defectivos que só tem em latnn tempos 
da 2.' serie conjugáo-se juntando em portuguez o pr nte 
ao preterito perfeito ; o imperfeito ao mats que per feito ; ofut uro 
. imperfeito ao futuro perfeito ; isto em todos os tres modos [vnr- 
dicativo, conjunctivo,infinito). _^ iTlp , tn , 

Divitias alii prcsponunt, alii potentiam, aln honoi cs oestas 
oracóes o verbo é prceponunt,_ que é ^ , terc ^J^ t ¿° 
plural do presente clo indicativo do verbo activo transitivo 
Sa 3.' eonjugacáo (115) (Quadro n. 10) prapono, «, V^om^ 
pmposítum, pmponere, preferir : o complemento dvrecto ^ d a ^L. 
oracao é o accusativo divüias do substantivo defecti ,o no nu- 
meío divitice, arum (Setima licáo) ; o compl&mnto dAUcto^, 
segunda é o substantivo feminmo potentiam (49) (ló) , o oa 
terceira é o substantivo imparisyllabo honores, que tambem 
iá encontramos (Oitava lictto). 

175. Nestas tres oracOes ba o adjectivo ahus, a, « cí > ^pe . 
tido ; e deste exemplo deduz-se a segumte regra : Quanao 
em oracóes separadas seacha repetido o adjectivo alius a ud 
dquelleque está na primeira oracao dá-se a "9*;*^*°™^ 
uns ; e a todos os que estdo nasoragóes segumíes da-se a significacao 

de OUTRO 0U OUTROS. . „ t^íliifcJin 

176. Alias sunt legati partes atque vmperatous a tiaduccao 
livre deste texto é a seguinte : as obugacoes de ™ ¡"&™£- 
nente sdo differentes das de umgeneral. ^«^/Vu^ 
encontrar-s'e depois de alius a eonjunccao atquee <£, q™ se 
traduzem algumas vezes por - do que ; - po^nikm ana 
lysada esta e outras oracoes aemelhantes, vei-se-ha que 
áisce uma Ellipse do adjectivo ahus, e que sendo est e su 
bentendido, pócle-se traduzir a oraotto observando a legra 

. (175). Yerifiquemos traduzindo littera lmente : par ^ obri 
- gacoes) legMi (de um lugar-tenente) sunt a hae (sao u nas) 
(175) ; atque (e) (subentenda-se o sujeito partes) as obngacOes 
• í^atoUs de um general) sunt (sáo) (^bentenda-s o a t- 
tributo) alm (outras) (175) : legah (57) d?clm^se ^ , * ( ^, 
é masculino «npwaíffrú (57) é o gemtivo do s mgula do su 
bstantivo masculino impansyllabo ^pemtor « ) W 
Süiendor íonge oMmí est solis ac luncs: splendor, ons, subsian 



\ 



132 LINGUA LATINA. 



tivo masculino iinparisyllabo da 3. a declinacao (70) (75) 
(79) sujeito de est ; o attributo é alius (splendor)) o adverbio 
longe dá forca de superlativo a alius : solis está em genitivo 
(57) (Segunda licao) ; lunce é o genitivo (57) de luna, a¡ (49). 
Nesta oracao tambem ha a Ellipse de alius (176) ; o que po- 
demos verificar traduzindo litteralmente : splendor solis (a 
claridade do sol) est longe alius (é muito uma) ; ac (e) (suben- 
tenda-se splendor) (a claridade) lunca (da lua) (subentenda-se 
est longe alius) (é muito outra) . Livremente traduzido : a cla- 
ridade do sol é muito differente da lua. - 



RECAPITULAgAO 



Sempre que urn nome for complemento directo em portuguez 
cleverá tambem sé-lo em latim fl67) ? 

Em que caso se poe em latim muitas vezes um nome que 
em portugmez é complemento dirccto (167) ? 

Qual é a razao desta differenca (167) ? 

Quando o verbo esse sigmifica ter, em que caso se poe a 
pessoa que tem (168) *? 

Quando o mesmo veimo esse significa ter, em que caso se 
pOe a cousa. tida (168) ? 

Quando o verbo esse significa causar, em que caso se poe 
a cousa causada (170) ? 

Quando é que se traduz por suus, a, um o adjectivo prono- 
minal possessivo sm, seus, sua, suas (171)? 

Qaando é que o adjectivo pronominal possessivo seu, seus, 
sua, suas, náo é traduzido por suus, a, um (171) ? 

Quando é que se empreg-a o genitivo ejus para traduzir 
este adjectivo pronominal possessivo (171) ? 

Quando é que se emprega o genitivo eorum para traduzir 
o dito adjectivo (171) ? 

Quando é que se empreg-a o g-enitivo earum para traduzir 
o dito adjectivo (171) ? 

Em que caso se poe o nome que exprime o lugar onde al- 
guem está ou onde alguma cousa se faz, sendo esse nome 
um substantivo appellativo em latim (172) ? 

Como deve ser empregado o verbodefectivowf/ua?n (173) ? 

Como se traduz o adjectivo a¿¿¡ts,quando se acha repetido 
em uma mesma oracao (174) ? 

Quando o adjectivo a/¿'us acha-se repetido em oracOes se- 
paradas, como devemos traduzi-lo (175) ? 

Quando depois do adjectivo alius vem as conjunccoes at 
que, ac, qual é a verdadeira analyse de taes oracoes (176) ? 



■<■ 



_ 



LIOAO DBMCIA. 133 

COMPOSIQA.O. 

Meu irmao estudava eloquencia com Alexandre, que era 
o mais sabio dos oradores. Esta moca me agrada, porque nao 
ama os espelhos, e os enfeites. Eu tive (com o verbo esse) um 
livro (náo se traduz um) que estava cheio de imagens. Os 
ladroes perdéram a sua presa ; e os soldados puniram o seu 
furto (delles ladroes) com as espadas. temor causa (com o 
verbo esse) algnmas vezes velocidade. Dous bois avistáram 
uma rá (náo se traduz umá) em um (náo se traduz um) rio : 
ella (uáo se traduz ella) tocada de temor (por temor) fugio, 
mas elles (os bois) feriram com os chifres a sua pelle (a pelle 
■desta), Os pobres amam uns aos outros. Diz (com o verbo 
inquam). Cicero: a amizade é um presente do céo aosboniens. 
üns compráram meias, outros lencóes, outros travesseiros, 
outros camas. semblante de Maria é differente (com alius) 
do de Lucrecia : este mostra urna alma generosa, aquelle 
(uma alma) ambíciosa. Havia uma ilha (nao setraduz uma) 
na qual (em a qual ilha) as arvores produziam fructos espon- 
taneamente (por sua propria vontade) . Este vinho tinha 
mais agua do que esse. Todos os ladrOes foram accusados do 
«rime de furto ; mas o proprio juiz defendeu-os com admi- 
ravel eloquencia. 



QUADRO N. 20. 

"Vei'lífts defeetivos. 

INQUAM, INQUIT, digo eu, dizes tu. 



INDICATIVO. 



Inquam, 



PRESENTE . 

inquis, inquit, inquimus, (inquítis), inquiunt. 



Inquii, 



IMPERFEITO . 

— inquiebat, — 

FüTUEO IMPERFEirO. 

inquies, inquiet. 

PRETERITO PERFEITO. 

inquisti, inquít. 



inquiebant. 



IMPERATIVO. 



— (inque, inquíto). 

As. formulas que estao entre parentheses sao pouco usadas. 



AIO, EU DIGO. 



INDIOATIVO. 



PRESENTE. 

S. Aio, ais, ait. 

P. — ■ — aiunt. 

IMPERFEITO. 

S. Ai-ebam, -ébas, -ebat. 
P„ Ái-ébamus, -ébatis, -ebant. 

INPERATIVO. 
Ai (muito raro). 



CONJUNCTIVO. 



aias. 



aiat. 
aiant. 



PARTIOIPIOS. 

PRESENTE . 

Áiens,— entiSo 



4 



(CONTINUACAO DO QÜADRO N. 20). 

PARI, FATUS SUM (depoente), dizeb, fallak. 



. 



INDICATIVO. 



PRESENTE. 

~ — fatur. 

FUTDRO IMPERFEITO. 

Fábor, - fabítur 



PBETERITO PERFEITO. 

Fátus sum, etc. 

PRETERITO MAIS QUE PERFEIOO. 

Fátus eram, etc. 



imper. Fare.-iNFiN. Fari.- gerdnd. Gen. Fandi ; Abl. Fando. 
part. pres. (Fans), antis, etc.-PART. pret. Fátus. fáta.-supiN. Fatu 



ECIMA PRIMEIRA LICAO. 



.Fulffüpat, -tonat, et urceat: 



Kelampeja, troveja 



pedras 



J s 



cantaros chove. 



quero como velho, 



como rapaz qmz. 



Em outro tempo a grammatica ensmei. 

Exploratdres Daríum de hostium adventu 

Os exploradores a Dario da cliegada 

docent. Ifunquani divítias Deim, sed sa= 

avisao. Nunca 



pede 



rogo, qne a paz 



tí« 



"sssare petas, qpoci is quoc' 



m* 



de (a) 



pecas, , porque 



todos os dias os Eduos 



138 



LINGUA LATINA. 



trigo 



pede. 



Annibal foi o primeiro que os Alpes 



percorreu. 



cocheiro cuidou (teve cuidado), as redeas 



laxarentur. Te 5 dileetissíme comes, hortor 

fossem afrouxadas. prezadissimo collega, aconselho 

nt liforos Cieeronis 

sobre philosophia 

studiosé legas. Tanta fuit militis, virtus, 

cuidadosamente leias. Tao grande o valor, 

ut solus omnes hostes ofotruncavérit 

matou. 

Sic Jesus amavit liomines, ut pro 

De tal sorte por (em favor de) 



elles , morreu. Os avarentos temem que (sem negativa) 

suos eripiant thesauros. Actores verentur 

roubem thesouros. Os actores receiao 



spectatores plaudant. 

1 ue (juttto ao^verbo) os espectadores nao applaudam. 



CONVERSACAO 

Qual é o estado da atmospliera ? Como se diz em latiiü 
chovido de toía a parte peiras ? que é que eu como velho n&o 
quero? Qaid feci olim ? Quid faciunt exploratorcs ? Que conseiho 
te dou eu sjbre as cousas que possas podir a Deos "? Como 
me exprimi eu rogando-te que pedisses apa'z a Cesar .? Por- 
que devias pedir a piz a Cesar? Porque foi Annibal mais ce- 
lebre que outros gmerreiros? Qual füi o cuidado que teve o' 
cocheiro? Quis curavit-ut habence laxireniur? O que disse eu 
ao meu prezadissimo companheiro? Como foi o valor do sol- 
dado? De que modo amou Jesus aos honiens'? Quid timent 
avári ? Quid verentur actores ? 



..Efifo 



iüK 



K TTf.ln n-RniMA. PRIMEIRA. 139 



s 



m 






ANA.LYSE. 



176 a Fulqürat, tónat, et urceatim pluit. Estes tres. verbos 
formam' cacla um de per sí, uma oracfto : sao impessoaes ; o 
seu suieito, e o seu compkmento directo acham-se contidosno 
respectivo radical (165) (82) : algnns grammaticos, que en- 
tendem que todas a's palavras e locucoes devem ser submet- 
tidas ás regras da syntaxe; que nfto admittem idiotismos, 
isto é, modos de fallar contrarios aos preceitos grammati- 
caes, mas sanccionados pelo uso, dtto como sujeito destea 
yerbos o substantivo impanssyllabo mascuhno da 3." decli- 
nacaoSer, áeris, ar ; de sorte qnerelampeja troveja, chover&Le 
o mesmo que dizer o ar produ% relampagos trovoes,_chuva. Ur- 
latim é um adverbio que se deriva dojmbstantivo mascu-. 
lino da 2.* déclinacao (51J urceus,urce% (cantaro). (Vede o 

Q "mlvlcÍ^undique lapiMus pluebat, o verbo pluébat está 
empregado em sentido figurado, e por isso a materia (80). que 
representa metaphoricamente a chuva poe-se em ablativo 

(lapidtbus). _ . ., , nnn . 

Eqo non eádem volo senex : nesta oracao o sujeito é ego o 
verbo é volo, que está na primeira pessoa do smgular (1U1) 
do presente do indicativo. : este verbo, que e.irregular nos 
tempos da primeira serie, é perfeitamente regular nos da se- 
o-unda • coniuga-se vólo, vis, volui, velle, querer ; nao tem 
supino (véde a sua conjugacáo e a dos seus compostos no o 
e Llo no Quadro 22) : eádem é o acusativo do plural (73) neu- 
tro (119) de Idem, eálem, idem: senex, genitivo sems, substan- 
tivo masculino parissyílabo da 3.' declinacáo, faz por exce- 
pcao daregra (67) o ablativo do smgular sene, e o gemtivo do 
plural senum: (*) está em nominativo (64) caso de apposicao, 

ou continuado a egn. i,f, mm n m ,« 

Oucb puer volui : quce accusativo neutro do relat.vo qm, quce 
guod (73) (119) (122) (124) ; pmr, substantivo da 2^ declmacao 
já analysado,está em nominativo corao caso conlmuado ao su- 
eito de volui que é o pronome ego (101) : volm e sw» ,na ,pii- 
meiropessoa do singular do pretento perfeito do mdicativo 

177 Y °0?i'm~' piieros qrammaticam docui; olim é um adverbio : 

' o sui'eito desta oracfto náo póde nem deve ser outro senfto 

mo (10P porque o verbo está napnmeira pessoa do smgu- 

far dc ; preterlto perfeito do indicativo ; conj uga-se doceo^ 

dóces, docui, cloctum, docere, ensmar, avisar,míormar: e üa ¿. 

I*) Senex naa é rigorosamente parissyllabo senao^naapparencia, porque 
o geniüvo senis é em vez do genitivo senms, que nao se usa. 



\ 



140 LINGUA LATINA. 

conjug-acao (98J (Quaclro n. 7) ; é activo transitivo. Regra 
o-e ra 1 ° Ós cerbns doceo (en ensino) e o seu composto edoceo ; 
moneo' (eu admoesto) e o seu composto admoneo ; celo (eu oc- 
cuíto) ; rogo (eu rogo) ; oro (eu peco ; posco (eu exijoj ; fla- 
gtto (ea peco com instancia), podem ser acompanaádo:-.; cle 
duus accusativos ; e como pela significacdo cle taes verbos scnpre 
se s ippóe alg-uem a quem se ensina, on avisa, a quem se admoesta, 
a quem se occulta, a quem se roga ou pede alg-uma cousa ; a um. 
clos taes accusntivos se chama em linguagem grammatical. — accusa- 
tivo da pessoa. — e ao outro — accusativo da cousa. 

accusaüvo da pessoa representa sempre o complemento di- 
recto; e o accusativo d% cousa c regido por uma preposicdo ade- 
quada ao sentido, e ordinariamente é a pn'posicdo circa (acerca) 
(**) . Pueros é portanto o accusativo da pessoa e consequente- 
mente o complemento directo de docui (177) ; grammcüicam é o 
accusativo da cousa, e por.issod.eve ser regiclo cla preposicao 
circa ; eu instrui os meninos acerca da grammatica. 

178. Exptoratores Daríum de hostium adventu dócent : ex- 
ploratores substantivo masculino imparisyllabo da 3. a decli- 
nacáo (75) (explorator, toris); está em nominativo do plural 
sujeito cle docent (50) : Darium substantivo proprio rnuscu- 
lino da 2. a declinacáo (51) é o accusativo da pessoa (177) com- 
plemento directo cie docent (73) (177) : nao encontramos o accu- 
sativo da cousa, mas um ablativo regido da preposicao de: 
daqui se decluz esta regra : Podem algumas vezes os verbos 
acima mencionados (177) admittir em lugar do accusativo da 
COUSA um ablativo regido da preposicdo de, principalmente quando 
em portuguez recahir no dito accusativo alguma das preposicóes — 
sobre, acerca d", a respeito de. Adventu, substantivo masculino 
da 4. a declinacáo (116) (Quadro n. 12), está em ablativo re- 
g-ido da preposicao de : o g'enitivo do piural hostium está re- 
gido do substantivo adventu (57). . 

179. Nunquam divitias Deum, sed sapientiam rogato : nunquam 
é utn adverbio: na primeira oracáo está occulto o verbo (63), 
que é rogato, seguncla pessoa do imperativo do verbo da l. a 
conjogacao (71) rógo, as, avi, atum, are, rogar, pedir ; o su- 
jeito esta occulto, mas deve necessariamente ser o pronome 
tu (101), porque o verbo está na segunda pessoa do smgular ; 
Deum é o complemento dírecto cie rogato (73) e representa o 
accusativo da pessoa (177) ; divitias, snbstantivo que já ana- 
lysamos, é o accusativo da cousa {111). Na 2. a oracao sed 

(**) Edáceo, edoces, edocui, edoctum, edocere ;J2 a eonjugacao) ; ?noveo, 
es, monui, monitum, monere, údm'óneo, admones, admonui, adrno- 
nítum, admonére (2. a conjugacao); celo, oro, rogo,flag>to. todoa regulures 
daprimeira conjugacao : posco, poscis, po'posci, poscere (3. a conjugacao), 
nao tem supino. 



LTCAO DECIMA PRIMEIRA. 141 



sapientiam rogáto ha que notar o mesmo sujeito tu: o verbo 
■roaato tendo o seu complemento chrecto (Deum) occulto : e 
oTccusaoivo da «n*sa s-/p¡e»íM.ro (177). Neste exemplo 
acha-se empregada a 2. a formula da 2. a pessoa clo ím- 
nerativo (roqáto, e náo roqa) : cumpre observar que nao 
é indifferente o emprego de uma ou de outra: Geralmente 
se usa d* primeira formula da 2.* pesssoa clo imperativo (quer no 
sinqular quer no plural) na linqu'igem orchnana e famihar ; 
empreqa-se poróm a segunda formula quando se quer ordenar 
qualquer cousa que tenha de ser feita para o futuio, e quanclo os 
effeitos clas cousas que se ordenam derem ser duradouros. 

Hoc te oro, ut pacem a Ccesare petas : na pnmeira oracáo o 
sujeito eqo (101) está occulto, o verbo é oro, que esta na pri- 
' méira pessoa do singular do presente do mdicativo ; oro, «s, 
ávi, oráium, orare (71), o seu complemento dwcto (73) ou ac- 
cusativo da pessoa (177) é o pronome pessoal te; o accusativo 
da cousa (177) é o pronome hoc na termmacao neutra (iiJ). 
Na segunda oracao ut pacem a Ccesáre petas ha a notar a 
conjunccáo. portugueza que traduzida pela conjunccáo latina 
ut ;'doncíe se infere a seguinte regra : 

180 Ouanclo depois clos verbos que sigmficam pedir, rogar, 
cuidar,"exhortar, admoestar, acontecer; ou dcpois dns expres- 
sóes tanto, táo, de tal sorte, de tal moclo, vem a conjunccao 
portugueza — que — e em latim a ciita conjunccao traduuda por 
üt, e o verbo seguinte é collocado no conjunctivo ainda que em 
portuquez esteja no indicativo. • ' . , 

verbo é petas, que está na segunda pessoa do smgular 
do preseute do conjunctivo (180), tendo consequentemente 
por sujeito o pronome tu (101): conjuga-se peio, is, petim, 
peñtum.petere, é da 3.* conjugacáo (1 15) (117) (Quadro n. 10J ; 
é activo transitivo : pacem é o complemento directo (73) de 
petas : a pessoa a quem se pede náo está neste exemplo em 
accusativo (177), mas em ablativo regido da preposicáo a 
(a Ccesare), clonde se deduz esta regra : u 

181. Os verbos que significam pedir, exigir (posco, fligita, pos- 
tülo, as, cxigo, is, exeqi, exactum, exige re) , podem emvez cle accu- 
sativo da. pessoa (177) ter ablativo com a preposicao a. ou ab : 
com o rerbo peto é sómente admütido ablativo regido deuna destas 
■ preposicóes, e o accusanvo da cousa torna-se eniáo complemento 
directo. , 

Quod is quotidie /Ecluos frumentnm fhgttat : quod é uma 
coniunccáo que já analysamos (166)'; is é um pronome cle- 
'moñstrativo (is, ea, id) (Quadro n. 9), está em nommativo 
do singular na terminacáo masculma (91), sujeito do verbo 
da 1/ conjugacao ftagito, as, «oi, tatum, tare, pedir ; o accu- 
sativo da pessoa (177) é o substantivo masculmo /Edui, 



i 

I ' 



142 LINGUA LA.TINA.. 

Mduorum (Quadro n. 1, figtti, torum) que está em accus». 
tivo (73) • o accusativo da cousa (111) é frumentum, substan- 
tivo neutro da 2.» declinacáo (53) (Quadro n. 1, templum, %) ; 
quotidie é um adverbio. Em vez do accusativo da pessoa 
/Eduos podia estar o ablativo ab JEduts (181). 

182. Anibal primus Alpes pererrávü : o sujeito desta oracao 
é o substantivo proprio ímparisyllabo da 3. a dechnacao An- 
ntbal, Annibális ; o adjectivo numeral ordmal pnmiis, que 
nestas e em outras oracOes semelhantes traduz-se e o pri- 
meiro que, foi o primeiro que, era o primeiro que, etc. , conforrne 
o tempo em que estiver o verbo, refere-se &Anm.bal (64) ; o 
verbo pererravü está na terceira pessoa do smgmlar do pre- 
terito perfeitodo indicativo, e conjug'a-se pererro, pererras, 
pererrávi, pererratum, pererrare, percorrer : e da 1." conjnga- 
cáo (71) (Quadro n. 4): este verbo é composto da preposicao 
per (47) e do verbo activo intransitivo erro, erras, am, atum, 
are, andar errante. Alpes, é um substant;vo femmino defe- 
ctivo nonumeroAlpes, Alpium, está em accusativo nao comple- 
mento directo, mas regido da preposicáo per de que se compoe 
o verbo : daqui se tira esta regra : Sempre que em uma oragao 
ha um verbo composto de preposicdo, convém observar si ha 
tambem nome posto em algum dos casos que essa preposicao reja.- 

Auñga curavit ut liabSna laxarentur: o sujeito da primeira 
oracao é auriga (49) substantivo masculmo (50), o verboé 
cumvit que é da 1.' conjugacao (71) e está na 3/ pessoa_do 
singular do pretento perfeito do indicativo, curo, as,avv, 
atum, are, cuidar : na segunda oracao ha a conjunccao ut 
traduzindo a portugueza— que - (180) e o vevholaxarentw 
na 3.« pessoa do plural do preterito ímperfeito do conjun- 
ctivo (180) da voz passiva de laxo, as, avi, atum, are, aurouxar 
(véde Quadro n. 5): o sujeito de laxarmtur é o substantivo 
íeminmo (49) hubence que está em nominativo do plural. u 
complemento indirecto (86) do verbo passivo laxarentur esta 
occulto ; mas póde subentender-se ab ipso auriga (peio pro- 
prio cocheiro). . . , 

182 a. Te, dilectissime comes, hortor, ut libros Ciceroms de pln- 
losophia studiosé legas : o sujeito desta oracáo é ego (101)_ por- 
que o verbo está' na l. a pessoa donresente do indicativo, e 
coniuga-se hortor, taris, ou tare, tatus sum, tari, exhortar ; é 
depoente (31) (90) (Quadro n. 5); te é o accusativo da pessoa 
(177) (73): dileciissime comes é um vocativo ; dilectissime super- 
lativo de dikctus, a, um (52) (134) ; comes substantivo impa- 
• risyllabo da 3. a declinacao (70) faz o gemtivo comitis Qua- 
dro n. 3). Raras vezes o vocativo occupa o pnmeiro lugar 
em uma oracao. .^ 

Na segunda oracáo temos a notar ut (180) e o verbo tegas 



1 



LICAO DECIMA. PRIMEIRA. 143 

no com'unctivo (180): o seu sujeito é o pronome tu (101); o 
verbo é da 3.' conjugacao (115) (117) act iv? transiüvo lego 
«, legi, lecíum. legere, ler (Quadro n. 10); Ubros (73) (61) (rer- 
c¿ira Licao) Ciceronis, (57): de, preposicao que rege o abla- 
tivo do substantivo feminino (49) phüosophia, ce: studiose e 

um adverbio. „ ., 

Ta?iía fwií miizíís «irííis, uf soíias owncs Tiosfes obtruncavent . 
todas as palavras da l.« oracao já conhecemos e analysamos, 
excepto o adiectivo da l. a classe tantus, a, um, (52;: na se- 
a-unda oracao temos ní (180) e o verbo obtruncáverU no pre- 
terito perfeito do conjunctivo (180): comjuga-se obtrunco, as, 
ávi, atum are, matar (Quadro n. 4): omnes hostes (73) (97). 

Sic Jesus amavit homines, ut V ro iis mortuus fuerit ; tudas as 
palavras da primeira oracaq nos sáo conhecidas : na se- 
gunda oracao observamos amda a_ conjunccao ní ( 80) a 
preposicao pro regendo o ablativo ns (91) de {ts ea ij Qua- 
dro n 9)- o verbo mortuus fuerit está no preterito perfeuo do 
coniunctivo (180); conjuga-se mórior, moreris ou morere, 
ZrZssum, Ui morrer ; depoentemtransitivo da terceira 
conjugacao (Quadro n. 10 k) ; o mfinito moriri da 4.« conju- 
gacao é* desusado : este verbo apezar de depoenie tem o 
oarticipio moriturus (33) (38). . 

183 Avari timent ne siws eripiant thesauros : -na primena 
oracao o sujeito é adjectivo a.ár¿ (avarus, a, um) emnom,- 
natívo dopiural na terminacáo masculma (91 , o veibo é 
/¿m«wf (100) • o complemento directo deste verbo esto representado 
t>e la . o acao' seguinte ne «.¿pianí suos ífce*a«ros : daqui se de- 
duz esta obse?vacao: Uma oracao póde representar o com- 
vlemento , directo de' um verbo, ou o seu sujeito, ou o allnbuto; 
fmalmente qualquer caso, conforme a natureza da oracao pre- 

184 'iVe suos eripiant thesauros: analysemos o verbo eripiant, 
que .está na 3.' pessoa do plural do p resente do ^unctivo : 
é da 3.' conjugacao, activo transitivo (115) (117). ■^ d[0 . 
n JOAl erípio, eripis, eripui, ereptum, enpere, roubai, tnar . 
o sujeito está occulto ; regra geral: Sempre quc um verbo esá 
na 3.» pessoa do plural, sem que na oracao em que s« aeha ou 
nas immedíatas haja um sujeito, que Ihe possa caber, toma-se como 

, sujeito o nominativo homines. _.„_„,„ 

Suos thesauros (73) ; thesaurus, t (51) : ne e uma conjuncQao 
sio-nifica — nao, que ndo, para que, nao : entretantoa oracdO 
le^aít suos ihesauros foi traduzida sem a , negativa deste 
modo : Os avarentos Umem que roubemos seus thesouros : claqui 

se tira esta regra geral :. ^venv ípt¡ 

185. Depois dos tjeríos metuo, timeo (eutemo), vereor (eu 



Sr 
I 

llü 



144 LINGUA LATINA. 

receio), paveo (*) (eu tenho medo), a conjunccdo portuguem— 
que— étraduzida pela latina — nk - qu indo se deseja que o facto 
nao se realise ; é porem traduzida por ut quando ha desejo de que 
o facto se realise. 

Desta regra se infere que sempre que encontrarmos a con- 
junccao ne 'depois dos ditos verbos traduzi-la-hemos — que 
— sem negacao ; e qaando encontrarmos ut depois dos refe- 
ridos verbus'o devemos traduzir — que náo. 

Aclóres verentur ut spectatores plaudant : o sujeito da pri- 
meira oracao é o substantivo masculino impary.sillabo (70) 
actnr, actóris ; o verbo verentur depoente transitivo da 2. a 
conjug'acao (Quadro n. 8), vereor, vereris ou verere, ventus 
sum, rrreri, raceiar, esá na S. a pessoa do plural do presente do 
indicativo; o seu complementn direclo está representado pela 
oracao seguinte (183) ut speclatores plaudant, na qual es.á ut 
traduzido — que náo — (185) : o sujeito é spectalores, sub- 
stantivo masculino que se declina spectator, spectatons r70) ;o 
verbo plaudant estáma 3. a pessoa do plural do presente do 
conjuncLÍvo ; é da 3. a conjugacao (115) (117) (Quadro n. 10); 
e ccmjuga-se plaudo, plaudis, plausi, plausum, plaudere ; nao 
tem ciaro o seu complemento dirccto por ser intransitivo .(82). 

RECAPITULAOAO. 

Qual deve ser o snjeito cl.os verbos impessoaes que exprimeni 
phenomenos atmosphericos (107 a) ? 

Qunes sao os verbos que podem ser acompanhados de dous 
accusativns (177) ? 

Qtie nome tem sraromaticalmente fallando esses accusa- 

tivos(177)? " 

Ambus esses accusativos sáo complemenlos directos (177) ? 

Qual delles é o complemento directo (177) ? 

accusntivo que náo é complemento directo destes verbos 
porque palavra é regido (177) ? 

Püdem algumas vezes esses verbos ter em vez de um 
desses accusativos algum outro caso (178)? 

Quando é que principalmente o accnsativo cla cousa se 
substitue üor ablativo regido da preposicao de (178) ? 

Quando'é que se usa da primeira furmula da segunda 
pessoa do imperativo (179) "? 

Quando é que se usa da segunda formula da segunda 
pessoa do imperativo (179) ? 

{*) Metuo, is, metui, metuere (3. a conjugacao) ; timeo, es, timui, ti-_ 
mzre (-2. a conjugacño) ; véreor, veréris ou verere, ycr\t.us sum, vereri 
(depoenlfi da 2.' a conjugacáo Quadro n. 8) p\veo, es, pa.vi, pavtxe (2. a 
coujugatao). 



fl 
— j 



LICA.0 BECIMÁ PEIMEIRA.. 145 

Depois de que verbos traduz-se a conjunccao portugueza 

— qne — por ut (180) ? • ■ „-„ « inA 

Depois de que expressües é a mesma conjunccao — que — 

traduzida por ut (180) 1 

Em qoe modo se pOe o verbo precedido da conjunccao - 
__ que 1_ quando ella vem depois dos taes verbos e expres- 

<jfspq ílRO) ^ 

Ouaes sao os verbos que significando pedir podem em vez 
do accusativo da pessoa ter ablativo regido da preposicao 

/ /1 Q1 \ 9 

a Qual é o verbo que significando pedir tem por compkmenlo 
directo sempre o accusativo da coma (181) ? ., • 

Qual é o verbo que significando pedir nao admitte , ámais 
em accusativo o nome da pessoa a quem se pede (181) . 
; Coui este verbo em que caso se poe sempre o nome da 

pessoa a quem se pede (181) ? 

Qual'é a regra a observar nos verbos compostos cle pre- 

posicao (182)? . , 10 n n \o 

Que lugar occupa o vocativo em uma phrase (182 a) í 
Póde uma oracác representar sujeito, attribuío ou comple- 

mento directo de algum verbo (183)'? 

Que mais casos póde representar (183) i ^ , 

Quando um verbo está na 3/ pessoa do plural, e nao , tem 

claro o sujeito, nem na oracáo em que se acba, üemnsun- 

mediatas, qual é o nome que se entende para sujeito (184, . 
Dizei-rae os verbos depois dos quaes a conjunccao— que 

— é traduzida em latim por ne (185)? 

Quando é que_depois desses verbos a conjunccao-que— 

%1iaídorquTdepois"desses mesmos verbos a conjunccao 
portugueza— que— traduz-se por ut (185) ? 

COMPOSIGAO. 

Belampejava, mas nao cbovia. Estes velbos querem as 
mesmas co'usas que aquelles menmos (querem) . pai de 
Joaoensinava a lingua latina aos enteados de *ranci*co 
Aquelle, que ensina grammatica a seus fillios, nunca se na 
de arrepender. tio de minba madrasta ensmou V]^°- 
pbia e grammatica aos seus escravos Todos pedem rogo a 
Deus dnmeiro: eu (peco) sabedoria. Meu filho, V eáe(rogo) a 
Deus virtude, e sabedória. Peco~(rogo) te, ami¿o,_isto ; que 
avises a meu pai da victoria, e do estrago dos mimigos ¿s 
raparigaspediam (flagito) enfeites aos pais ; os rapazej, (pe- 
diam) livros. Maria pedia (peto) todos os dias a sua mai coi- 
lares de diamantes. Antonio tinba pedido (peto) um cnapéo 



„ -'j 



146 LINGUA LATINA. 

a seu irmao, mas este nao ]he (a este) deu. coclieiro per- 
correu todos os caminhos. Tem (tu) cuidado que teusfiíhos 
aprendam. Aconselho-te que náo pecas {pelo) trigo ao cozi- 
nheiro. Meu pai me aconselhava que lesse os livros de Ci- 
cero cuidadosamente. Alexandre tinha {sum) tanto valor, 
que elle só matou todos os inimig-os. Amo de tal sorte a 
meu pai, que temo que elle morra (desejo que náo morra). 
Joao era táo grande actor que náo receiava o tumulto do 
povo. Eu receio que nao sejas feliz. Temo que chova. 



■^ 



. t¿. 



QUADRO N_ 2 1 

"Verbos [ssnpessoaes. 



PRESENTE. 

Fulgíirat, Tonat, Grandinat, Pluit, Ningit. 

IMPERFEITO. 

Fulgurabat, Tonábat, Grand'ínábat, Pluebat, Ningebat. 

FUTURO IMPERFEITO. 

Fulgurabit, Tonabit, Grandinabit. Pluet, Ninget 

PRETERITO PERFEITO. 

Fulguravit &c. Tonuit &c. Grandinavit &c. Pluit &c. Ninxit &c. 

INFINITO. 

Fulgurare, Tonare, Grandinare, Pluere, Ningere. 

PRETERITO. 

Fulguravisse, Tonuisse, Grandinavisse, Pluisse. Ninxisse. 



Fulgurare (relampejar), tonare (irovejar), grandinare (cahir saraiva), 
pertuncem á_ primeira conjugagao ; pluere (chover), ningere (cahir neve) 
pertencem á terceira. Os tempos da segunda serie destes verbos sao 
regulares, derivando-se sempre do preterito perfeito de cada um 
delies, a saber : — Fulguraverat — Fulguraverit — Fulguravisset — 
Tonuerat, etc, etc. 



& 



a fillia 



Como 



DECIMi SEGUNDA LIQAO. 



Dum pater meus ambulabat in Iiorto, 

passeava emo(no) jarclim, 



rat in «* 

theatro uma criada. 



Güm Caesar esset 'iii G-allia, et reliquae 

estivesse Gallia, as restantes 

ise hiemárent in Italia, atque 

tropas estivessem em quarteis deinverno Italia, 

iii Asia, bellum ortum est . RomaB. .Non 

^ s ia ; originou-se em Eoma. 

fiorent litterse Athenis. 

fiorecem em 

Olisipo.ne, sed manébo Londini. Güm 

em Lisboa, ficarei em Londres. Quando 

frater fuit in Britannia, eram in Siellia, 

Graa-Bretanha, Sicilia, 

et jam fueram Parisiis. JEgyptíI servant 

tinha estado em Paris. Os Egypcios guardao 

12 



me demorarei 



150 



LINGUA. LATINA. 



cidade commoda. Eu vi em casa de 

sexcléeim annos. Saturni stella 

dozeseis annos. De Saturno a estrella 

triginta 'fere annis cursum suum confícit, 

emtrmta quasi o gyro complcta. 

Maria mortua est abhinc quatuor annos. 

ha quatro 

CONVERSAGAO. 

Quid faciebat pater meus ? et nata Joannis ? Com quem 

estava no theatro a fllha de Joáo <? Onde rebentou a guerra ? 

Em que occasiáo originou-se a guerra em Roma 1 Onde nao 

Cescem as letras ?1) que é que succede em L henas ¡ Ern 

que cidade nao me hei de eu demorar "? e onde hei de ficai 1 

Quando estava eu naSicilia % Onde tinha eu estado ja.qjando 

meu irmáo esteve na Gra-Bretanha ? Quid facimit /Egyptii ? 

Onde habitam os pastores ? Os soldados ganham sempre- 

soldo* o que aconteceu ao cavallo ? e ao cavalleiro ! Quid 

fecerunt íegiones ? Onde vivi eu ? e quanto tempo ? Em que 

espaco de tempo faz a sua rotacao o planeta de Satumo / 

Ha que tempo morreu Maria ? 



A.NAXYSE. 
sao desconhecidas duas palavras ; ambulabat, queéad 



Dum pafer mras ambulabatin horto ; nesta oracjw só^nos 



os mortss em casa. Os pastores habitam no campo. 

¡s merent stipendia domi militis 

ganham soldos na paz na guerra (e) 

jacébat humi ; et eques 

Ocavallo jazia em terra ; o cavalleiro £ 

domí rnes. Legiones constitérunt Alfose, 

. -, naváram em Alba, 

em minlia casa. paiaiaiu 



» 



<m 



LICAO DECIMA SEGUNDA. 151 

pessoa do singular do preterito perfeito do indicativo do 
verbo activo mtransitivo (82) da 1.« conjug-acao, ambulo, as, 
am, atum are, passear : náo tem claro o seu complemento 
directo pelo que já dissemos (82 : a seg-unda palavra ainda 
nao anaiysada é hortus, i, substantivo masculino da 2 a 
declmacao (51), que está em ablativo regido da preposicáo 
m (172). Esta palavra e quasi sempre usada no plural 
Nata Joanms erat in theatro cum acilla : nata, substantivó 
j r femmmo {49), em nomihativo do singailar (50), sujeito de 

erat ? theatrum, i, substantivo neutro da 2. a declinacao (58) 
em ablatiyo regido da preposicao in (172) ; ancilla, súbstim- 
tivo íemmmo (49) esta em ablativo regido da preposicao 
cum (112). * "° 

186. Cúm Ccesar esset ín Gallia, et reliquce copice hiema- 
rcnt_ in Italia, et in Ásia, bellum ortum est Romce. Este 
period'o consta de quatro oracoes ; a primeira termina na 
palavra Gallia, a seg-unda na palavra Italia, a terceira na 
palavra Asia, e a quarta no g-enitivo Romce; as'tres pri- 
meiras nao só por estarem no modo conjunctivo, como 
tambem por náo formarem um sentido 'completo, cha- 
mam-se grammaticalmente- subordinadas, ou. dependentes 
porque estao, por assim dizer. subordinadas, e dependentes 
de outra que complete o sentido do periodo : aquella, d'e 
que as outras depende cbama- se principal: e neste ex'em- 
plo a oracao principal é a quarta,' bellum ortumest Romce. 
_ As oracoes principaes só podem exprimir-se ou no indica- 
tivo, ou no imperativo : as subordinadas ou dependentes sao 
g-eralmente expressas no conjunctivo, e tambem no indica- 
tivo,_precedendo alguma conjunccao : o modo imperativo 
exprime só oracOes principaes. 

Temos que notar ainda na primeira oracáo deste periodo 
a conjunccáo cúm (que náo se deve confundir com a prepo- 
sicao cum, a qual sempre vem acompanhada de ablativo) e o 
verbo esset, cujo sujeito é Ccesar : traduzimos — como Cesar 
estivesse — etc. : esta é com effeito a traduccao litteral ; mas 
a conjunccáo cum com o verbo no conjunctivo costuma ser 
traduzida pelo participio do presente em portuguez ; por 
exemplo : cúm Ccesar esset, estando Cesar ; cúm Franciscus 
, ambularet, passeando Francisco. Ua segunda oracao nao 
está expressa a conjunccao cüm, mas deve ser subentendida, 
nEo só porque o verbo hiemarent está no conjunctivo, como 
J porque a coujunccáo et ligando a segunda á primeira ora- 

[| cao.indica que aquella é da mesma classe que esta. Analy- 

I semos as palavras de todas estas oracoes : Gallia, Italia, 

1 ^ sm 5 e Romce sao substantivos femininós da L a declinacao 

I (49) ■: reliquce éum adjectivo da primeira classe em nomiña- 

ñ 



L52 



LINGUA LATINA. 



tivo do plural na termmacáo femininae concorda com copice, 
substanuvo feminino da 1.* cleclinacao que se.declma no 
pf¿vaí?opt«, arum) ; é o sujeito do verbo activo intransitivo 
da 1 * conjugacao (82) hiemo, as, ávi, átum, are ; o qual está 
no meteritolmperfeito do conjunctivo : na terceira oracao 
formada pelas tres palavras atque in Asia faltam as segum- 
tes quedevem subentender-se em virtude da conjunccao 
ataw deste modo : atque- cum reliquce copicelnemarcnt m Asia : 
ot eito ?¿ quarta orícáo é bellum ; o verbo éortumest que 
é depoente mtransitivo da 4.° conjugacao (Qoadro n 16) 
órior orlris ou órlrc, ortus sum, oríri, nascer : faz o paiti- 
CDÍodo futuro oriiürus. presente do mdicativo deste 
verto! e Íos seus compostos^comjug,>se pelaji - ^ug^ao 
tcápior. caperis, ou capere ; orior, órens, orere) ; a fo ima* 
Teretur^orereniur do imperfeito do conjunctiyo ao anti- 
nuadas • devem ser orlretur, orirmtur, pela 4/ conjugacao 
^ 186a Emtodas estas oracoes vemos uma cnxumstanc a 
áelugar onde (onde estava Cesar, onde estavam « ¿ ^ 
tropas, oncíe appareceu aguerra) ;.convem portanto expoi a 
pste resoeito as cinco reg'ras segumtes : 

1¿ S«r onde (úb% alqwm está, ou onde alguma cousa 
se faiou aíontece sendo expresso por nm substantivc > appd- 
lativo vóe-se em ablativo regido cla preposieao ra olara (U~). 
188 Oluqar onde (ubi) alguemestá ou onde alguma cousa se 
tazou acontce tambem é expresso por ablativo com a preposicao 
in clar\ se se trata de nomes de grandes ilhas, de prov^as, de 
■rpivo? cle imverios, ou dc qrandesregio.es. 

189' OiZr onde (úbi) alguem está ou ondz alguma cousa se 
fat ou succáetambemé exp^esso por abiativo portm ^P^P ' 
sicdo, si se trat% de nomss de cidades da 3= dechnacao, ou de 
nomcsque se declinam só no plural. 

190. luqar onde (ubi) alguem está oa onde alqum,a eousa sc 
faz ousaccede é exqresso em latim por genUwo, si ftiataOe 
nomes cle cidades, viitas, aldeias, ou pequenas ilhas da 1 ou aa 
2. a dsclinacdo dnsinguíar. ,,„.„.„., 

191 luqar onde {ubi) alquem eslá ou onde alguma cousa se 
fa% o'u acontece é tambem expresso por genitivo do ^lurcom 
os substantivos appellativos humus (terra), bellum (guena), 
domus (patria, ou casa), militia (guerra) 

In Gallia, in Italia, in Asia estao em ablativo regido da 
ureposicao in clara por exprimirem o lugar onde, e seieni 
íionies de grandes regioes (188). Romce esta em geni ivo poi 
exprimiro lugar onde a guerra appareceu e ser cr nome de 
cidadedePdeclinacao(190). Os grammaticos regern e.te 
genitivo (57) deste modo : bellum ortum estm urbe Romcs (na 
cidade de Roma) . 



LICAO DECIiMA SEGUNDA. 153 

Non florent litteroi Athenis : o sujeito desta oracáo é litterce; 
o verbo é florent, qne está na 3. a pessoa do phíral do pre- 
sente do indicativo ; conjuga-se floreo, es, florui, florere, 
florescer: é activo intransitivo da 2. a conjugacfio (98) (100) 
(Quadro n. 7) : Athenis está em ablativo expriníindo o luaar 
■ onde (189). 

Non morabor Olisipone, secl manebo Londlni ; morabor é a 
l. a pessoa do singular do futuro irnperfeito doindicativo do 
vei'bo depoente intransitivo da.l. a conjug-acao móror, aris, 
moratus sum,morari (90) (Quadro n. 5) ; tem por sujeito ego 
(101) ; Olisiponc está em ablativo sem preposicao por ex- 
primir o lugar onde, e ser um nome de cidade da°3. a declina- 
cáo (189), Okjslpo, OlysTponis : manebo é a l. a pessoa do sin- 
gular dofuturo imperfeito do indicativo do verbo activo 
intransitivo da 2. a conjugacáo máneo, manes, mansi, ma?isum, 
mánere (Quadro n. 7). 

Londini está em genitivo por exprimir o lugar onde, e ser 
um nome de cidacle da 2. a declinacño do singular (190) : de 
clina-se Londlnum, i. Este genitivo"é regido como o genitivo 
Romce na oracáo bellum ortum est : (ego manebo in urbe Lon- 
dim, eu ficaréi na cidade de Londres). 

Cum frater fuit in Britannia, eram in Sicilia, et jam fuera.m 
Parisiis. Este periodo contém tres oracoes das quaes sómen- 
te a primeira é subardinada ou dependente apezar de estar no 
indicativo (186) ; in Britannia está em abiativo regido da 
preposicao in clara por exprimir o lugar onde, e ser nome 
de uma grande ilha (188) ; declina-sé Brüannia, ce. E' de 
notar que traduzimos aqui a conjunccao cúm por quando : e 
a este respeito convém observar'a seguinte regra : 

192. Todas as vezes que a conjunccao cúm vier acompanhada 
do verbo no conjunctivo, cleve se>- tradusidapor como, visto 
Qüe, como queb, que, ou observar se o que dissemos (186) substi- 
tuindo a conjunccdo e o xerbo pelo participio do presente em por- 
tuguez : todas as vezes porém que a mesma conjunccdo cüm vier 
acompanhada cle verbo no indicativo, deve ser iraduzida por 

QUANDO, LOGO QUE, DEPOIS QUE, TANTO QUE e algumas VeZ6S 
COMO. 

Eram in Sicilia, é a oracao principal, cu¡o sujeito é ego 
(101); Sicilia, substantivo proprio da l. a decíinacáo (á9) está 
em ablativo regido da preposicao in clara por "exprimir o 
lugar onde, e ser o nome de uuia grande ilha (188) : é tam- 
bem o pronome ego (101) sujeito da terceira oracáo fneram : 
Parisits, está em ablativo sem preposicáo por exprimir o lugar 
onde, e ser um nome que 'se declina só no plural (189). 
jEgyptii servant mortuos clomi: o sujeito desta oracao é /Egyptii, 
substantivo masculino da2. a declinacáo do plural (JEgyptü, 




154 LINGUA LATINA. 

orum) ■ o verbo é servant, activo tvansitivo_da l. a coujuga- 
cao (71) (Quadro n. 4), servo, as, avi, atum, are ; mortuos ad- 
fectivo da l. a classe em accusativo do plural na termmacao 
masculina (73) (91) ; domi está em genitivo por expnmir o 
lugar onde (191) : este genitivo é regido pelos grammaticos 
deste modo in loco domi (no lugar da casa) . r 

193. Pastores habitant ruri : o sujeito desta oracáo é o 
substantivo imparisyllabo masculino da 3. a decliuacao, pastor, 
toris: o verbo é habitant, activo intransitivo da l a conjuga- p 

cáo (82). (Quadro n. 4) habito, ás, avi, atum,_ are : rum e o j 

substantivo imparisyllabo neutro da 3. a declmacao (7o) (78) . 

(79) rüs, rüris. Este nome faz segundo a regra geral (7o) o j 

ablativo em e (Quadro n. 3) ; mas encontra-se nos Auctores j 

tambem o ablativo rüri principalmente expnmmdo o lugar 
onde : com este nome appellativo o lugar onde se exprime por 
ablativo sem prepasicáo (ruri) . . 

Müites merent stipendia domi müiticsque : o sujeito ciesta 
oracáo é milites, o verbo é merent, activo transitivo da 2. a 
conjugacao (98) (Quadro n. 7); stipendia, substantivo neutro 
da2. a declinacáo está em accusativo do plural, e é o comple- 
mento directo 'de merent : domi, e militce ostáo em gemtivo 
(191) e sao regidos deste modo : in tempore (*) domi, %n tem- 
pore militice, notempo de paz, no ternpo de guerra. _ _ + 

194. Equus jacebat humi; et eques erat domi mece :_ o sujeito 
da prímeira oracáo é equus, substantivo masculmo da 2. a 
declinacao (51) ; b verbo éjacebat, que está na 3: a pessoa do 
singular do preterito insperfeito do indicativo ; é activo m- 
íransitivo, e conjuga-se jaceo, es, jacui, jacitum, jacere (98) 
(Quadro n. 7) ; húmi está em genitivo por expnmir o lugar 
onde, (191) ; declina-se humits, i, é femmmo : os gramniati- 
cos regem este genitivo deste modo in loco humi (no lugar 
da terra) : eques sujeito do verbo erat da segunda oracao e 
um substantivo masculino imparisyllabo da 3. a deelmacao, 
eques, equitis (75): domi está em genitivo por exprmnr o lugar 
onde (191 ), e ha ainda a notar o adjectivo pronommal pos- 
sessivo meus, a, um, tambem em gemtivo concordando com 
clomi : daqui se tira esta regra : Quando o gemtivo domi expri- 
me lu&ar onde (em casa) 'póde admitir no mesmo caso os geniti- 
vos meíe, tují. suíe, nostraí, vestr/E, alien/e : nenhum outro 
adjeclivo se deve usar em genitivo reunido ao gemtivo domi signi- 
ficando este lug-ar onde. 

194. a. Si quizermos dizer nesta casa, na casa patema, cle- 
vemosusarde ablativo com in (187) ; por exemplo %n hac 
domo, ia domo patema, ejámais ejus dom%, nem domv palernce. 

(*]_ Tempus, temporis, substantivo neutro imparisyllabo da 3.a decli- 
nacao (75) (Quadro n. 3). 



,.jl¿- 



r 



ifl'iS'---; 

lllll 



*. 



LICÍO DECIMA SEGUNDA. 15& 

legicmes constiterunt Albce : o verbo desta oracao é consti- 
téruít, que está na 3.» pessoado plural dopretento perfeito 
do indicativo, e tem por sujeito o nommativo do ■ pluial le- 
aiones: é activo intransitivo da 3. a coujugacao _ (115) (li/j 
(Quadro n 10) co?isis£o, ís, cosftízti constitum, consistere. Alba¡ 
está em genitivo por exprimir o faffar ondis, e ser um nome 
de cidade da 1.» declinacao do smgular (190). . 

195 In urbe opportüná: urbe declina-se urbs, urbis, é lemi- 
nino e imparisyllabo da 3. a declinacao (75) (Quadro n. 3); 
opportünaé um adjectivo da 1/ classe, concordando coni 
urbe. Deste exemplo vé-se que apezar de serem as palavras 
-cidade commoda-relativas a Alba, náo estao no niesmo 
caso em que está este ultimo nome, como devia succeder 
observando-se o que dissemos (64) a respeito ^s casoscni 
nuados ou easos éS opposicao ; e mfere-se da 5 ul TT tf/ n u ^ 
reara : Quando depois de um gemtivo, que exprima lugar onde, 
segue-se uma apposicdo, os nomes quea formam poem-se em ablati- 
vo com a preposicao m ou sem ella. , 

196. Vixi apud Franciscum sexdScim annos ; o sujeito üesta 
oracáo é o pronome ego (101) ; o verbo évixi que está , na 1. 
pessoado singular do pretento perfeito do indwaUyO' ^ e 
coniuga-se vivo, vivis, vixi, victum, vivere (115) (11/) (yua- 
dro n 10) ; é activo intransitivo : Franciscum esta em accu- 
sativo regido da proposicáo apud, que sigmficando 3^to,m> 
pé, frequentes vezes exprime esta ídéa— em casa cte— , P"aci- 
palmente com os nomes proprios de homem, e comospro- 
nomes pessoaes : sexdtcim é um adjectivo uumeral caid nal 
indeclmavel (O.uadro n. 17 A); annos substantivo ma^cuimo 
da 2.* declinacao (51) em accusativo do plural.Regra gerai 
espaco de tempo que algucm vive ou passa, ou que alguma cousa 
dura 'é expresso em latim por accusativo, sem preposicao clara, 



o 





ou porablativo. „ v ■„„ 

Os g-rammaticos regem o accusatiyo, que expnme 
tempo, da preposicSo (per sexdécim annos) . _ 

Saturni stella triqinta fere annis cursum suum con^t. 
sujeito desta oracáo é o substantivo femmmo da 1( decli- 
nacao stella, ce; Saturni é o genitivo (57) do substantiyo pro- 
prio masculino Satumus; está regido de s /f ¿ a ;> Vwn° e 
conficit, activo transitivo da 3.* conjugacao (115) (118) (UJia- 
dro n. 10 A) conjicio, conftcis, confeci, confectum, c™/^3 
acabar, completar; o seu complemento directo e o subatantiyo 
masculino da 4.- declinacao (116) (Quadro n. 12) curus us, 
que está em accusativo (73): triginta adjectivo ™meia± cai- 
dinal indeclinavel (Quadro n. 17 A) esta em ablativo con- 
cordando com annis (196): fere é um adverbio. 

Maria mortua est abhinc quatuor ancos : connecemos toaas 



156 LINGUA LATINA. 

as palavras desta oracáo, excepto abhinc, que é um adver- 
bio; o espaco de tempo está aqui expresso em accusativo 
(196) e póde tambem sé-lo por ablativo : abhinc significa 
daqui. 

RECAPITÜIAgiO. 

Que nome tem em grammatica as oracoes que para in- 
telligencia do periodo necessitam de outras (186) ? 

Como se denomina grammaticalmente a oracao que firma 
e completa o sentido do perioclo(186) ? 

Qual é o modo verbal das oracües subordinadas (186) ? 

E o das oracoes principaes (186) ? 

Podem as oracoes suborclinadas ser expressas pelo rnodo 
indicativo (186) ? 

Qual é o modo que admitte só oracoes principaes (186) ? 

Como se traduz a conjunccáo cúm com o verbo no con- 
junctivo (186) ? 

Quantas sáo as reg-ras principaes relativas ao lugar onde 
(186 a)? 

Dizei-as (187) (188) (189) (190) (191). 

Como se tracluz a conjunccáo cúm quando vem acompa- 
nbada de verbo no indicativo (192) ? 

Em que caso.se emprega o substantivo rus para exprimir 
o lugar onde (193) ? 

Quando o g-enitivo domi significa cm casa como é regido 
(194) ? 

Quando o mesmo genitivo significa em paz como é regido 
(194)? 

Como é regido o genitivo militice, significando na guerra 
(194) "? 

Como é regido o g'enitivo humi significando em terra 
(194)? _ 

Quaes sáo os unicos genitivos que se admittem concor- 
dando com domi quando este exprime o lugar onde (194) ? 

Quando quizermos juntar qualquer adjectivo, que náo 
seja meus, tmis, suus, noster, vesf,er, alienus, ao substantivo 
clomus, como exprimiremos o lugar onde (194 a)? 

Quando depois de um genitivo, que exprime lugar onde, 
segue-se uma apposicao, em que caso poremos as palavras 
que a formam (195) ? 

Com que palavra póde-se tambem traduzir em latim a 
expressao em casa de (196) ? 

Por que casos se póde exprimir o espaco de tempo que 
alguem vive ou passa, ou que alguma cousa dura (196) ? 

Quando o espaco de tempo é expresso por accusativo, de 



■ 



ri 



m 



LICA.0 DECIMA SEGUNDA. 157 



que preposicao costumam os g-rammaticos reger íal accu- 
sativo (196) *? 

COMPOSICAQ. 

Os pastores habitam em clioupanas. Minha filha estava no 
templo. Quando as tropas dos inimigos pararam em Roma, 
houve tao grande tumulto, que o povo abalado fugio. Pe- 
lejando os soldados fortemente, e acommettendo (fazendo 
impeto) mais fortemente, o General dos inimigos dá o signal 
para a retirada. Naquella ilha que Cesar defendia, as arvo- 
res nao produziam fructos doces. Tua avó está na Grá-Bre- 
tanha; os teus cunhados estáo na Italia; os enteados de Joao 
na Gallia; a irma de Pedro em Lisboa; o padrasto de Antonio 
em Londres ; o tio de Lucrecia em Paris ; os irmaos de 
Francisco em Athenas ; a madrasta de Maria na Sicilia e a 
sogra de Alexandre na Asia. Os Generaes vivem com os 
soldados na paz e na guerra. Meu pai náo estava em casa. 
Aquelles que vivem na casa alheia, tem necessidades e 
esfcáosem forcas por fome. Os cavallos passeiam no campo. 
Os inimigos foram feridos, e jaziam em terra. Eu níio ficarei 
em tua casa, porque meus irmáos estao em Roma, cidade 
illustre. Joao viveu em casa de Antonio cinco annos. Anto- 
nio comeu mil (sendo mil adjectivo em latim) paes e ses- 
senta peixes em dezaseis dias. A irma do pai de Pedro 
morreu ha tres annos. 



y 



* 



DECIMA TERCEIRA LICAO. 



Regredior Roma ; non Athenis, 

Eu volto de ; de 

Margaritae veniefeant ex Britannia. Re- 

As perolas ¿ a 



fatigado 



as ñóres. 



o lavrador do 

s profugér' 

fugiram 



et ex 



Surgem da 



da casa de meu pai. A cidade situada 

•a marí ; sed. JESsculapií 

do mar ; do Esculapio 



do 



da Babilonia duzentos 



da patria, 

is? 



Donde 



a mil passos 



distava. Os muros 



pés altos (tinhao de aitura) 



L 



160 LINGÜA LA.TINA. 

quinquagenos lati e-ranl 

cincoenta largos (tinham de largura). Curio 

iliaii 

elephantes conduzio. 

citiir Á 

Meu primo parte para 

lomum ibo ; et 

para a patria irei ; d ani P ara ° 



(tu) á minha casa, a casa de Antomo. 



A um mesmo rio um loho um cordeiro 

Proba vita est 'via in coeliim. I cito, 

Uma honrada vida caminho para o céo. Yai depressa, 



dirige-te (busca Eoma). 



CONVERSigAO. 



que faco eu ? Donde vinham as perolas ? Quaes eramas 
cousas que vinham da Graa-Bretanha ? Donde volta o la- 
vrador? Como volta do campo o lavrador? que íaz o la- 
vrador cansado ? que succede ás flores ? que fizeram os 
cidadaos * que teperguntei eu, quando chegavas ? Qual toi 
a tua resp.osta? Quai era a situacao da cidade "? Quanto dista 
da cidade o templo de Esculapio % Como eram os muros rta 
Babylonia quanto á sua altura? E quanto á sua largura í 
Quid fecit Curius ? Quem parte para Athenas ? que íaz meu 
primo ? E o que hei de eu fazer ? Depois de ír para a patria 
qual é a minha tencáo <? Que convite te fiz eu ? Quid fecerunt 
lupus et aqnus ? Qual é o caminho para entrar no Céo i Como 
se deve considerar uma vida lionrada ? que te disse eu que 
fizesses apressadamente ? que mais te disse depois de te 
recommendar que fosses depressa ? 






LICAO DECIMA TERCEIRA. 161 



A.NALYSE. 



Rqredior Roma, non Athenis : o verbo da pnmeira oracao é 
depoente intransitivo da 3.* conjugacáo (Quadro n. 11) re- 
aredior, reqrederis, ou regredere, regressus sum, regredi, voltar, 
o suieito é eqo (101) ; nao tern claro o seu complemento dvrecto 
pela razao iá dada (82) ; na segmnda oracao esta por elhpse 
occulto o mesmo verbo. Ha a notar em ambas a circum- 
stancia de lugar donde (unde). A este respeito convem expor as 
searuintes regras : 

197 lugar donde (unde) alguem ou alguma cousa vem 
sendo nome de cidade (qualquer que seja a declinacáo) ou sendo 
algum dos seguintes domus, humus, Rus, é expresso por ablativo 

^sT^GAR donde (unde) alguem ou alguma cousa vem 
sendo 'nome de qrandes ilhas, regióes, provincias, ou nome appet- 
lalivo (exceptuando domus, humus, rus), e expresso por ablativo 
com alquma destas preposigóes clara A, ab, e, ex, de. 

199 lug^R donde (unde) alguem ou alguma cousa vem 
éalgiimas ve%es expresso por ablativo sem preposicao com os nomes 

1 Tar 9 :.«™»eS™°'" írftmm. (49) (50) (Quadro a. 15) 

/"IQQA 

Revertitur fatigatus agricola rure (Quadro n. llj ; fatigatus, 
adiectivo cla l. a cl.asse ; ayricóla (49) (197). 

Suraunt humo fiores : o sujeito é flores, substanüvo mascu- 
lino iinparisyllabo da 3.« declinacáo ; o verbo é surgunt 3.* 
ne^soa clo piural do presente clo indicativo do verbo activo 
intransitivo da 3.= coujugacáo ™rgo,is,8urrexi,mr^um, 
qere ; humo, substantivo íemmmo da 2.* declinacao (51) está 
em ablativo por exprimir o lugar donde (197). _ 

Cives profaqerunt domo, et ex urbe excesserunt : profugerunt, 
verbo activo intransitivo cla 3.« conjugacáo composto de pro 
e do verbo fugio (47) ; conjuga-se profugio, is profiigi vrtjfu- 
gitum, profugire (Quadro n. 10 A); domo esta em ablatxvo 
íl Q1) ' ex tirbe (198). 

<>00° Unde venis? a patre : nnde é um adverbiode lugar ; 
venis e'stá na 2.° pessoa do singular do presente do mclicatiyo 
Zm por sujeitoo pronome tu (101) : na orac.ao da respos^ 
estao por ellipse occultas as palavras egovenio (130). K pie- 
vosicaoK ou ab exprimindo a circumstancia de lugar donde 
tradui-se muüas vkes por de casa, principalmente quando rege 
nomes proprios de homem, ou pronomes pessoaes. 

201 Givitas sita erat passus mille a mari : Cimtas sudstantivo 
feminino imparisyllabo da 3/ cleclinacáo (79) (Quadro n óh 
faz o o^enitivo civitatis ; é sujeito do verbo erat ; e seu attri- 



162 LINGUA. LA.TINA.. 

buto (50) é o adjectivo da l. a classe situs, a, um : passus é um 
substantivo masculino da4. a declinacáo (116) (Quadro n. 12); 
mille é aqui adjectivo indeclinavel (142), e concorda com 
vassus : mille passus está em accusativo do plural exprimindo 
a distancia. Regra geral : A distancia de um lugar a outro é 
expressa por accusativo ou ablativo, qualquer clelles sem preposicdo. 
Os Grammaticos regem este accusativo da preposicáo ad 

ou per. 

A mari : mari é o ablativo do substantivo parisyllabo 
neutro da 3. a declinacáo (110) (Quadro n. 6) mare, is ; está 
em ablativo reg-ido da preposicáo a por exprimir o luqar 
donde (198). 

Secl Esculapii templum quinque miihbus passuum aburbed%sta- 
bat : Esculapii (57) substantivo masculino da 2. a dechnacao 
Esculapius (Esculapio, Deus da Medicina) : este genitavo está 
regido de templum, que é o sugeito do verbo activo mtransi- 
tivo (82) da l. a conjugacáo, clisto, as, distfti, distttum, distare, 
distar. Este verbo nao faz o preterito em avi, nem o supmo 
em ttum, apezar de pertencer á l. a conjugacao ; é por isso 
irregular (28) ; mas náo ha difflculclade alguma em conju- 
gal-o observando-se o que fica dito (117) : quinque adjectivo 
numeral cardeal indeclinavel que se considera em ablativo 
concordando com o substantivo millzbus ; passuum está qvsx 
genitivo (57) regido do sxibst&nti-v o millibus; quinque milltbus 
está em ablativo exprimíndo a distancia (291) : urbe está em 
ablativo regido de ab por ser o LuaAB donde (198) . 

202. Muri Babxjlónis ducews pedes alti, quinquagenos lati 
erant: muri substantivo da 2. a declinacáo (51), em nomma- 
tivo do plural sujeito de erant : o seu attrubuto (50) na pn- 
meira oracao é o adjectivo da l. a classe alti [altus, a, um) ; 
Babylonis (57) genitivó do substantivo proprio de imparissyl- 
labo da 3. a declinacao Babylon, está regido de muri ; ducenos, 
adjectivo numerardttcení, ce, a, (Quadro n. 17 A), está em ac- 
cusativo do plural concordando com o substantivo mascu- 
lino imparissyllabo pes, pedis (Quadro n._ 3) : oaccusativo du- 
cenos pedes representa uma circumstancia de extensao. Regra 
geral: nome que designa a extensao, quer em comprimento ou 
largura, quer em altura ou profunciidade, é expresso por accusa- 
tivo sem preposicdo, e rarissímas vezes por ablativo. r 

Na segundá oracáo repete-se o sujeito muri ; o verbo e 
erant ; e o attributo é o adjectivo da l. a classe lato (latus^ a, 
um), émnominativo doplural referindo-se a muri (50) : quim- 
quagenos [pedes), adjectivo numeral (Quadro n. 17 A) é o accu- 
sativo que exprime a extensdoem largura (202). Os grammati- 
cos regem o occusativo de extensclo com a preposicáo acl ou 
per. 



LICA.0 DECIMA TERCEIRA. 



163 



Curius primus Romam elephanlos duxit: Curius sujeito da 
oracao é um substantivo proprio masculino da 2. a declina- 
cáo* (51) ; o verbo é duxit que está na 3. a pessoa do smguiar 
do preter'ito perfeito do indicativo ; é activo transitivo cla 3. a 
conjugacáo (115) (117) (Quadro n. 10), duco, is, duxi, ductum, 
duc'ere : éste verbo faz a segunda pessoa do smgular do ím- 
perativo duc em vez áeduce [tege, Quadro n. 10) ; o verbo dico, 
is, dixi, dictum, dicére, que ja temos encontrado nas hgoes 6 a 
e 7. a faz tambem a2. s pessoa do singular do ímperativo dic 
em vez de dice: o complemento directo do verbo duxit e o accu- 
sativo (73) elephantos, que se declina elephantus, i (51) (Quadro 
n. 1) : Romam está em accusativo expnmmdo a circumstan- 
cia de lugar para onde Curio conduzio os elepliantes. Oon- 
vem expor a este respeito as segumtes regras. 

203. lugar para onde (quó) alguem ou alguma cousa vai 
ou é condusida, sendo nome de cidade (qualquer queseja a de- 
clinacáo), ousendo alum dos seguintes domus, humtjs, eus, e ex- 
vressopor accusativo sem preposicao. 

204 lugar para onde (quó) alguem ou alguma eousa vai ou 
é conduzida, ndo sendo nome de cidade, ou algum dos tres apon- 
tados [d-omus, humus, rus), é expresso por accusaUvo com a pre- 
posicao in clara \si se entra no lugar) ; e por accusat%vo com a pre- 
posicáo ad clara [si só nos approximamos)^ 

Sobrinus meus profiscitur Atlunas: sobrmus, substantivo mas- 
culino da 2. a declinacao (51), em nominativo, sujeito de pro- 
fíciscítur, que já analysamos na ligao 8. a : Athenas está em ac- 
cusativo exprimindo lugar para onde (203) . ^ 

Eqo autem domum ibo : ego autem (60) ; *&o é a 1." pessoa ao 
singular do futuro imperfeito do indicativo do verbo irngu- 
lar (28) da 4. a conjugacao eo, is, ivi, ttum, tre, %r, (Quaclro n. 
22) : é activo intransitivo : domum em accusativo por expn- 

mir O LUGAR PAEA ONDE (203) . 

Et inde rus : nesta oracao está por ellipse occulto o verbo 
[ego ibo) ; inde é um adverbio ; rus está em accusativo expn- 
mindo o lugar para onde (203) . . 

204 a. Veni ad me, non ad Antbnium : na pnmeira oracao o 
verbo está na 2. a pessoa do singular do imperativo; por con- 
sequencia o sujeito é o pronome tu (101) ; me esta em accu- 
gativo regido da preposicáo ad; a qualregendo os pronomes 
pessoaes, ou nomes proprios de liomem e sigmficando lugar 
para onde traduz-se muitas vezes deste modo: adme (para 
a minha casa) ; ad te (para a tua casa) ; ad Franmscum (para 
a casa de Francisco) . 

Na segunda oracáo subentende-se o mesmo verbo no 
mesmo modo e pessoá ; Aníonium estáem accusativo regido 



164 LINGUA LATINA.. 

de ad, e por sernome proprio de homem, e significar lugar 
paea onde, traduz-se á casa ou para a casa. 

Ad rivum eundem lupus et agnus venerant: os substantivos 
masculinos da2. a declinacSo (51) lupus, i, e agnus, i, forrnam 
o sujeito do verbo venerant ; eundem ó o accusativo do singu- 
lar ña terminacao masculina do pronome ídem, eádem, zdem 
(Quadro n. 9), que concorda com o substantivo masculino 
da 2, a declinacao (51) rivus, i : o accusativo eundem rivum 
está regido claramente da preposicáo ad pela razao dada na 
regra (204) . 

Proba vitaest via in coslum : proba adjectivo cla l. a classe 
está em nominativo na terminacao feminina do singular 
concordando com o substantivo cla 1." declinacao (49) vita, 
a¡ ; que é o sujeito de est ; via (49) que se declina via, m, é o 
attributo (50) : ccelum está em accusativo regido claramente 
da preposicáo in pela razáo já clada na reg'ra (204). 

204 b. l'cito, et Romam pete : o verbo da l. a oracao está na 
2." pessoa do singular do imperativo ; conjuga-se eo, is, iyi, 
Uum, vre (Quadro n. 22) ; tem por consequencia como sujeito 
o pronome tu (101 : cito é um adverbio ; na segunda oracao 
o verbo está tambem na 2. a pessoa.do singular, _e tem por- 
tanto o mesmo sujeito : o verbo peto, como já vimos, é ac- 
tivo transitivo ; o seu complemento directo nesta oracao é o 
accusativo Romam. O verbo peto, is, empregado na accepcao 
de demandar algum lugar, tem por complemento dirccto o nome do 
lugar quese busca. 

RECA.PITUIAQAO 

O lugar donde senclo nome de cidade, ou algum^dos tres 
seguintes domus, humus, rus, em que caso se pOe (197) "? 

O lugar donde senclo nome de grandes ilhas, regioes, pro-' 
vincias, ou nome appellativo (exceptuando domus, humus, 
rus), sm que caso se poe (198) ? 

Quaes sao os nomes appellativos que exprimindo o lugar 
donde pódem algumas vezes usar-se em ablativo sem pre- 
posicao (199) ? 

Quando a preposicáo a ou ab exprime o lugar clonde, e rege 
um nome proprio de homem, ou urn pronome pessoal, como 
deve ser traduzida (200) ? 

Porque casos se póde exprimir em latim a distancia de um 
lugar a outro (201) ? . 

Quando a distancia é expressa por accusativo, de que pre- 
posicao regem os grammaticos este caso (201) *? 

Eni que caso se poe o nome que desígna a extensdo, quer 



m 



LIQAO DECIMA. TEÍtCEIKA,. 165 

em comprimento ou largura, quer em altura^ou profundi- 
dade (202) ? 

De quñ preposicoes regem os grammaticos o accusativo 
de extensao (202) *? 

lugar para onde sendo nome de cidade e algum dos tres 
seguintes domus, humus, rus, em que caso se poe (203) ? 

luga.r para onde náo sendo nome de cidade, ou algnm 
dos tres mencionaclos (domus, humus, rus) em que caso se 
pOe em latim (204) *? 

Quanclo empregaremós de preferencia a preposicao in ex- 
priinindo o lugar para onde (204) ? 

Quando empregaremos de preferencia a preposicao ad ex- 
primindo o lugar para onde (204) ? 

Quando a preposicáo ad exprime o lugar para onde, e rege 
um nome proprio de homem, ou um pronome pessoal, como 
deve ser traduzida (204 a)? 

Quando exprimimos o lugar para onde com o verbo peto, de 
que maneira empregamos o nome do lugar que buscarnos 
(204 b) 1 

COMPOSICAO 

As perolas, que eu comprei, vieram de Londres, e nao de 
Paris. Qnando meu irmáo voltava da Graa-Bretanha, eu ia 
para Roma, e dahi para Athenas. Todos os meus escravos 
fugiram de casa, e foram (o verbo ir) para o campo. Meu 
primo reg-ressa de casa de seu pae, e vai ao templo (entra 
no templo). A minha habitacáo dista do theatro dous passos. 
Francisco tem cinco pés de altura (é alto cinco pés); e a sua 
cama(a cama delle) tem tres pés de largura (é largatres pés). 
O ouro surge do chao (da terra), e as perolas (surgem) do 
mar. juiz foi (verbo ir) á casa de Joao, e pedio-lhe (rogo) 
dous iivros. Eu e meu pai viviamos em Londres ; e minha 
irmá na Italia. J.azem em terra sem vida (carecedores_ de 
vida) aquelles, que outr'ora (antigamente) a patria defen- 
deram ! Meu tio sahio de noite, e percorreu as ruas da ci- 
dade (urbs) com uma multidáo de soidados, que estavam em 
Roma, e tinham vindo de Lisboa. Vai depressa ao templo 
■ de Esculapio (sem entrar), mas nao traze (nao conduze) me- 
dico algum comtigo (mas nenhum. medico comtigo con- 
duze). 



13 



m 



QUADRO N- 22. 



Eo, is, tvi, i-tum, tre, nt. 



INDICATIVO. 



PRESENTE 

Eo, is, it, ímus, Itis, eunt. 

IMPERFEITO. 

íbam, Ibas, íbat, &c. 

PUTURO. 

rbo, Ibis, Ibit, Ibimus, &c. 

PERFEITO. 

ívi Ivisti, Ivit, Ivímus, &c. 

MAIS QUE PERPEITO. 

íveram, íveras, íverat, &c. 

FUTÜRO PERFEITO. 

Ivero, Iveris, íverit, &c. 



CONJUNCTIVO. 



Eam, eas, éat, eamus, eatis, eant. 



írem, íres, Iret, íremus, &c. 



IMPERATIVO. 

S. í ou íto, 

Ito. 
P. ítecraltote, eunto. 



INFINITO. 

PRESENTE. 

íre. 

PERFEITO . 

ívisse. 

FUTÜRO . 

íturum esse, 
&c. 



Iverim, Iveris, Iverit, &c. 



Ivissem, Ivisses, ívisset, &c. 



GERUNDiOS. 

Gen. . . Eundi. 
D. Abl. Eunclo. 
Acc. . . (acl) eundum 



PARTIOIPIOS. 

PRESENTE. 

lens, eunüs. 

FUTURO. . • 

'íturus, a, um. 

SUPINO. 

'ítum . 



DECIMA QUARTA LICAO. 



Precipitam-se os ventos pela porta da caverna, varrem 

omnia ' terra maríque. Quá deambula: 

todos (os lugares) por terra e por mar. Por onde passeiam 

sutóres ? Milites, confeeto beüo, per 

os sapateiros ? : acabada a guerra, pela 

Galliam iter fe.cerunt. Mus evasit fenestra, 

Gallia . caminhavam. rato escapou : pela janella, 

cüm felis irrüpit' " per rimam pariétis. 

quando o gate entrou vioientamente pela raclia da parede. 

Aifoáni, regnante Tullo, a Homanis 

Os Albanos, reinando Tullo, pelos Eomanos 

vieti sunt.' Nihil, Csesare duce, .milites 

foram vencidos. ' Nada, senclo Oesar general, 

timebant.- Heec '..arbor 'ne fert quidem 

nem produz mesmo 

fruetiis a.utumno. Illa vitis racémos 'hab&t 

no outomno. Aquella parreira caclios 



L 



168 



LINGUA LATINA. 



uvas 



no principio da primavera, no fim 



o mofcivo 



do invemo, no meio do estio. 

videndi Romam ? Nunc est 'tempus 

? Agora tempo 



de ver 



do escrever 



de ler 



Mstoriam. Vnlnera qusedam fiunt majora- 

Feridas algumas fazem-se maiores 



historia. 



tratando. P ara castigar 

est iniquus., Muliéres speetatum 

improprio. As mnlheres para ver 

venérunt. Hoc est facile dictu, sed 

de dizer-se, 



ludos 

os jogos 



de fazer-se. 



desejosos de ser vista a 

puniendas injurias. 

Eainha, preparados para serem castigadas as injurias. 

Gamifex gladium Infixit capulo tenus, 

O algoz 



enterrou o punho ate, 



cr 



esceu os olhos 



Viste por ventura 



os sapatos 



Queres um pedaco 



Ouviste o 



relogio ? 



Que horas sáo ? 



I" — ^ 



lliliií 



LIClO DECIMA QEA.RTA. 



CONVBRSACAlO. 



169 



Qud ruunt venti ? Quid faciunt venti ? Quaes sao os homens 
niie pbsseiam ? <?í«<¿ faciunt sutores ? Quid fecerunt -mlites ¿ 
Guando caminharam os soldados para a Galha ? que lez o 
rato « Quem escapou-se pela janella, quando o gato entrou 
pela racha da parede? Quem entrou violentamente? Por 
onde entrouo gato ? Quem entrou? Quaes foram os povos 
vencidos pelos Romanos ? Em que tempo foram elles ven- 
cidos % Por quem foram vencidos os Albanos ? que te- 
miam os soldados 1 Quando é que os soldados nada temiam? 
<W focií hcec arbor ? Et illa vitis ? Corao diremos em latnn— 
que motivos tiveste de ver Roma? De que é proprio agorao 
tempo^ que succede a algumas feridas 1 Para o que nao 
éproprio este lugar 1 Que pessoas vieram ver os jogos ? 
que vieram fazer as mulheres ? Como se dirao era latim 
estas phrases : isío e ftcil de dizer-se, mas diffxcú de fazer-se ? 
Oueresum pedaco de püo? Ouviste o relogio? Que horas sao? que 
te oero-untei eu si viste '? Como te perguntei eu si tmhas 
visto os meus sapatos? De que esiavam todos desejosos ( 
Paraque estavam toclos preparados? que fez o algoz¿ 
Quera enterrou a espada até o punlio'? que foi que cres- 
ceu 1 que fez a agua ? Áté onde cresceu a agua i 

ANAXYSE. 

905 Ruunt venti porta antri, et verrunt omnia terra, mari- 
que: cle cada uma destas duas oracoes o sujeito e o nomma- 
tivodopluraldosubstantivo mascnhno da 2. a declmacao 
venti (51) : o verbo da priineira oracáo é ruunt que esta na 
3 * pessoadoplural dopresente do inchcativo; e conjuga-se 
(Quad.ro n. 10) ruo, ris, rui, ruttum, ruere: e activo intransi- 
tivo por isso náu tera claro o seu complemenlo directo (b¿) , 
porta (49) está em ablauvo expriminclo o lugar por onde: da- 
quideduz-se esta regra : lugar V or onde (qua) alguem ou 
alquma cousa passa póde pór-se em ubtativo sem preposicao,_ ou em 
accusntivo reqido dapn>pns,cáo per sendo expresso em lattm por 
nome appeliativo ; sendo pnrém nome de ilhas, provmaas, regwes, 
imperios, usa-se sómente de accusati.w regklo da dtta preposicao 
per. ánínéogemtivo (57) de antrum, i: verrunt está no 
mesmo modo. tempo e pessoa em que estíi ruunt: e iam- 
bem da3. a coujngacáo (! 15), activo transitívo : conjuga-se 
verro, is, verri, versum, vcrrere ; omnia (loca) e o seu comple- 
mento dtrecto (73- terra (49) está ablativo (205) expnmmdo o 
luqar por onde ; miríqae é o ablativo do smgular do substan- 
tivo neutro pansyllabo da 3. a declmacáo (110) mare, mow, 



170 LINGUA LÁ.TINA. 

com a conjunccao enclitica (65) que ; mari tambem está em 
ablativo exprimindo o lugar por onde (205). 

205 a. Qua, deabülant sutores ? o sujeito desta oracao é o 
substantivo masculino imparisyllabo. da 3. a declinacao 
sutor, oris ; o verbo é activo intransitivo da primeira con- 
jugacSo (71) (Quadro n. 4), e conjug , a-se deambülo, as, avi, 
atum, are ; nao tem claro o seu complemento directo (82) ; qua 
é um adverbio de lugar, que rigorosamente analysando 
outra cousa nao é senáo o interrog'ativo quis ou qui em 
ablativo do singmlar na terminacEo feminina concordando 
o substantivo via, ce. ■ 

206. Milites, confecto bello, per Galliam iter fecerunt : o su- 
jeito da oracao é milites, o verbo é fecerunt, o complemento 
directo é o substantivo neutro imparisyllabo da 3. a decli- 
nacao iter, itineris ; Galliam está em accusativo regido de 
per exprimindo o lugar por onde (205) com um nome de re- 
giSo. Ha intercalado nesta oracao o ablativo confecto bello, 
a que 'alguns grammaticos chamam absoluto, outros inciso, 
outros oracional. Este ablativo ou é formado com o partici- 
pio do preterito em tus, a, um, ou com o participio do pre- 
sente em ns : algumas vezes porém náo é formado com par- 
ticipio algum, mas com dous substantivos ou com um sub- 
stantivo e um adjectivo. 

Nunca semelhante ablatívo se encontra regido de prepo- 
sicao, pelo que foi chamado absoluto ; o sen lugar é quasi 
sempre o melo de uma oracáo, a qual, por assim dizer, 
elle corta ; donde Ihe vem o nome de ablativo inciso ; a de- 
nominacáo de oracional mais g-eralmente adoptada é-lhe 
applicavel porque tal ablativo exprime por si só o mesmo 
que uma oracáo. 

Analysemos o ablativo oracional confecto bello : elle é for- 
mado do participio passivo do preterito confectus, a, um, e 
do substantivo neutro da 2. a declinacáo bellum. i : nao está 
regiclo de proposicáo, acha-se intercalado, e corta a oracáo ; 
milites per Galliam iter fecerunt ; ñnalmente exprimem estas 
duas palavras o mesmo sentido que a oracao subordinada . i 

(186) cúm bellum confectum esset ; ou postquam bellum confectum \ 

est : e daqui procede o dizer-se que o ablativo oracional 
póde converter-se em oracao, senclo sujeito o substantivo, 
e verbo aquelle clonde o participio nasce. 

O ablativo .oracional é chamado passivo ou activo segun- . 
do a natureza do participio que o forma : o que acabamos 
de analysar é um abiativo oracional passivo. 

Mus exasit fenestra, cúm felis irrüpit per rimam parietis : o 
sujeito cla primeira oracao é o substantivo masculino impa- 
risyllabo mus, muris (75) ; o verbo é evasü activo Intransiti- 



LICAO DECIMA QKA.RTÁ. l'l 

vo da 3.' conjug'acáo (115) (Quadro n. 10) evado is evasi, 
evcísum, evadere, nao tem claro o complemento dvrecto (S2) ; 
fenestra (49) está em ablativo (205) : esta oracáo é f ^enpal 
(186)- aquevamos agora analysar é subordmada (ISb) . 
cúm coniunccao ; felis substantivo masculmo pansyllabo da 
3 a declinacaó (97) ; o verbo irrupit activo mtransitivo cla 
3*« coniugacao (115) (Quadro n. 10) irrumpo, is, %rrup%, vr- 
ruptum, irrumpere, náo neces s ita ter claro o seu comple- 
mento directo (82) ; rimam (49) está em accusativo regido de 
V er (205) ; pariétis é o genitivo clo smgular (57J do substam 
tivo masculino imparisyllabo da 3.* declmacao (75) partes. 
Albdni, reqnante Tullo, a Romanis victi sunt : esta oracao 
acha-se cortada pelo ablativo oracional activo regnanu 
Tullo, que vamos analysar. E' este ablatrvo oracional aca- 
vo pofqüe o participií que o forma é actavo (r«/n«fw, anhs); 
- SpSmS o mesmo que esta oracáo cüm Tulus regnarel ou 
dum reqnabat Tullus. Albani, nominativo do plural (91) do . 
adiectívo Albanus, a, um, é o sujeito do verbo passivo vich 
sunt ; que navoz activa conjuga-se vinco, %s, vm, mctum, 
vincÉre (115) (Quadro n. 10) ; a Romanis e o complemento %ndi- 
recto (86) de victi sunt. _ 

NihiL Ccesareduce, milites timebant: ha nestaoracao tam- 
bem um ablativo inciso, ou oracional que, é Caesare duce, 
nao formado com participio, mas com dous substantivos. 
este ablativo equivale á oracao cum Ccesar csset dux. iNao 
analysamos a oracao nihil milites timebant por nos serem ja 
conbecidas todas as palavras della. , 

207 Hcec arbor ne fert quidem fructus : osujeito debta oia- 
cáo éhcec arbor ; o verbo é fert ; verbo irregular (Quadro 
¿. 23) conjuga-se fero, fers, tuh, latum, ferrej e act yo 
transitivo ; o seu complemento directo é o accusativo do plu- 
ral do substantivo masculino da 4." declmacao fructus, us; 
temos ainda a conjunccáo ne, e a particula pospositiva (t.0) 
quidem, que significa mesmo, até. Em loda a oracao an que 
loncorrerem as conjunccóes ne e qüidem _dew ser mterealada 
uma palavra que as separe -uma cla outra. tov ísso esca ne jen 
quidem em lugar de ne quidem fert, como era mais nauuiai 

. 208 ' Autumno, este nome é substantivo masculino da 2/ 
declinacao (51), está em ablativo porque exprime _o tempo 
em que ; donde se tira esta regra : nome que exprimiro ,cm~ 
po em que alguma cousa se fe%, fa¿, ou ha de fater-se, poe-se em 
ablativoseinpreposicdo.. , , 

Illavitis racemos habet clulcium uvarum : o sujeuo ae naoei 
é illa vitis; illa (Quadro n. 9) ; vüis, substantivo eminmopa- 
risyllabo da 3/ declinacáo; o complememo directo do veroo e 



172 LINGUA LATINA. 



racemos, substantivo masculino da 2. a declinacáo (51) (73) ; 
dulcium, adjectivo parisyllabo (72) dulcis, dulce, está em ge- 
nitivo do píural (57) coneordando cora o genitivo uvarum do 
substantivo feminino cla l. a declinacao uva, ce. 

209. vere primo, extrema hieme, media cestaie : todos estes 
nomes estíio em ablativo em virtude da regra (208) ; vere. é 
o ablativo do substantivo neutro imparisyllabo ver, veris 
(75) ; hiéme é o ablativo do substantivo feminino imparisyl- 
labo hiems, hiemis, (75) ; osstate é o ablativo do substantivo 
feminino imparisyllabo cestas, cestatis : temos ainda que no- 
tar os adjectivos da primeira classe pmno, extrema, e media 
em ablativo (208) concorclando com os respectivos substan- 
tivos (50). Regra : Os acljertivos primus, extremus, medius, 
ultimus, 'summus, imus, intimus, reliquus, nao podem muitas 
vezes ser tradazidos litteralmente para portuguet: e procede-se en- 
táo (como no exemplo citado) , ckmdo aos mesmos adjectivos a si- 
gnificacdo do substantivo que elies contém no radical, e j)recedendo 
os substantivos, com queeíles concordam, de algumadas pariiculas 

DOS, DAS, DE, DO, DA. 

210. Quce fnit tibi causi viclendi Romam? desta oracáo inter- 
rogativa o sujeito é causa, o verbo é fuit, e o attnbuto é o 
adjectivo interrog'ativo quis ou qui (Quadro n. 14) na termi- 
nacrio feminina (50) ; td)i está em dativo (59) ou (168); vi- 
dendi é o gerundio em cli do verbo video, es (39) (40) _; Romam 
é o complemenlo directo do gerundio videndi (40) ; pois, como 
dissemos nas Nocoes preliminares, os gerundios regem os mes- 
mos casos que os verbos donde pmcedem . 

Nunc est tempus scribendi grammatícam, non legendi histo- 
riam : nitnc é um adverbio ; o sujeito cle est é o substan- 
tivo neutro imparisyllabo (75) tempus, oris; o attributo é 
este mesmo n.ome repetido ; scribendi é o gerunclio em di 
do verbo scribo, is, cujo complemento directo é grammati- 
cam (49) (210) : naseg'unda oracáo, estáo por ellipse o 'cul- 
tos o sujeito, o verbo e o attributo (lempus non est tempus) ; 
legendi é o gerundio em di do verbo activo transitivo da 
3. a conjngacáo lego, is, legt,, lectum, legere; o complemento 
directo clo gerunctio legendi é o substantivo feminino histo- 
riam (49) (210). 

210 a. Vulnera qucedum fivnt majora curanio : esta oracao 
é passiva, porque fiunt é a3. a pessoa do plural do pi-esente 
do indicativo clo verbo flo, is, factus sum. fiéri, ser feito 
(Quadro n. 24) ; que é a voz passiva do verbo facio, is. O 
verlj:) fio nos ¡empos da l. a serie conjuga-se sob a fórma de 
verbo aci.ivo apezar de ter sigmficacao passiva ; mas nos 
tempos da 2. a serie é conjugado como todos os verbos pas- 
sivos, isto é, com o participio passivo clo preterito> e o 



LIClO DECIMA QUA.RTA. 



173 



verbo esse (87) : o sujeito de fíunt é vulnera qnmdam; vulnéra 
nominativo do plural do substantivo neutro impansyllabo 
(75) vulnns, vulneris; qucedam norainativo do plural de 
qwdam (Quadro n. 14) na terminacao neutra concocdando 
com vulnera (50): o attnbuto de vulnera é o adjectivo com- 
parativo majora em nominativo do plural na termmacao 
neutra (50) ; curando é o geruudio em do do verbo activo cla 
l. s conjugacao curo, as. _ ■ ■ -¡ 

líic 'lacvx'ad puniendum pueros est imquus: o sujeito des- 
ta oracáo é Inc tocus ; o verbo é est ; o attribnto é o adje- 
ctivo (ía l. a classe inlquus em nominativo do singular na 
terminacao masculina concordando com locus (50) ; puiuen- 
dum é o gerundio em dum do verbo punio. is (41 J regido da 
preposicao ad ; pueros é o complemento directo do gerundio 
puniendum (210). . . 

^IQ b Mulieres spectatum ludos venerunt : o sujeito üesta 
oracao é o substantivo feminino imparisyllabo ("75) mulur, 
muliéris, em nominativo do plural ; o verbo é venemnt que 
iá temos analysado ; nao tem claro o seu complemento di- 
recto por ser verbo intransitivo (82) ; speclatum e o_ suprao 
em um (42) do verbo activo transitivo da l. a conjugacao 
specto.as: ludos accusativo do plural do substantivo mas- 
culiri') da 2." declinacao ludos, i, é o complemento directo 
do snpino spectatum (43j ; pois, como dissemos nas Nocoes 
preliminares, os supinos tém, como os gerumhos, a propriemm 
de reqer os mesmos casos que os verbos donde procedem. 

Hnc est faciledictu,seddiffíciie factu : o sujeito de est na 
pnmeira oracáo é o pronome hoc (Quadro n. 9) na termina- 
cáo ne.utra do nominativo do singular (50) (119) ; jaciie 
adiectivo parisyilabo (72) em nominativo do smgular na 
terminacáo neutra (50 (119) : diciu é o supino em u (44) da 
voz passiva do verbo dico, is, xi, ctum, cere : na segunaa 
oracaoo sujeito e o verbo sao os mesmos da pnmeira, o 
attributo é o adjectivo parisyllabo difflcile (50) (119): \actu 
é o supino em u (44) do verbo passivo fio, is (Quadro 

n 24* . 

* 211. Omnes erant cupidi videndce reginm, et paráti ad pu- 
niendas injurias : o sujeito cla primeira oracao é omnes (7^ 
(50) (91) ; o verbo é erant. o attributo é o adjectivo da l. a 
'classe cupidi em nominativo do plural (50) : regtna e oge- 
nitivo áeregina (49). Nesta oracao temos wlendce regince, 
e nao videndi, reginam f2\Q) . Bem que os gerundws regem os 
casos dosverbos donde procedem (40 j (210J, mais degante e vui- 
gar é fazer concordar o nome querepresenta o complemento chrecto 
do gerundío com oparticipio em ous, A, um, postos ambos em ge~ 
nitivo, dativo, accusativo, ou ablalivo, conforme fórem os gerun- 



'si I 
i.i.'i 



i , <! 



174 LINGUA LATINA. 

dios em di, do, dum. Neste exemplo em vez do prandjo em 
di (videndi) foi empregado o participio em dus a^um^em 
ffenitivb concordando com o nome que representana o 
complemento directo de videndi (reginm) : podia sem erro 
dizer-se videndi reginam. 

Na segunda oracao o sujeito e o verbo süo os mesmos que 
os da prlmeira ; o attributo é o adjectivo da 1.' classe paraU 
em nominativo do plural (50) (91). : ad pumendas m 3 wnasé 
expressao equivalente ao gerundio em dum (ad pumendum 
injurias) segundo o que acabámos de dizer (211) -vnjurias 
(49); a preposicáo ad que regeria o gerundio pumendum con- 
serva-se regendo o accusativo injurias pumendas (para as 
injurias seremcastigadas). ^«Hn ri^ta 

212. Carmfex gladium infixit capulo tenus: o sujeito üesta 
oracáo é o substántivo masculino imparisyllabo (75) wmfa 
carntfícis; o verbo é infixit, que está na 3.» pessoa do singular 
do preterito perfeito do indicativo, é activo xransitivo da ,ó. 
conjugacao (115) (Quadraclo n. 10) inflgo i, /ta», f^im figere, 
o cdmplemeáto directo é gladium (73) (51) : eapulo substanüvo 
masculino da 2.* declinacao (51) esta em ablativo leg ido da 
. preposicao tenus. Regra geral : A preposieao tenus coUoca~se 
sempre depois do caso que rege, que é ablativo ; mas si os nomesque 
se Ihe antepóe ndo tém singular ou sao de cousas pares (como owtos, 
ouvidos, pés, beicos, etc.) entao usa-se do genilivo ao piurat, que c 
vor ellivse reqido do ablativo loco. . 

Aquacrevit oculórum tenus : aqua (49) (50) : crevd 3." pesboa 
do preterito perfeito do indicativo do verbo activo mtransi- 

tivo da 3.- conjugacao (115) (Quadro n. 1°). CÍ ""^' "fli7¿?o 

cretum, crescere ; náo tem claro o seu compiemento directo 
(82) ; oculorum é o genitivo do plural de oculus, i (51) • esw 
em genitivo (212); e a oracSo rege-se deste moáo: ac^acnvit 
tenus loco oculorum (a agua cresceu ate o lugar clo& omosj. 

213. Yidisñne calceos meos ? a primeira palavra ciesta oiaodo 
é vidisti, 2.»pessoa clo singular do preterito perfeico do íncti- 
cativo do verbo video, es; o seu sujeito ea ^a.occulto mas 
deve ser o pronome tu (101): ne é um adverbio inuaiogatiyo, 
nue sempre se pospóe e faz corpo com a palavra antesdaqyuí vem 
em portugue% (65) : o complemento directo áewhsto e o sub- 
stantivo masculino da 2. a declmacáo calceos % f l >: 

Yin' frustum panis ? Audivistin horologium ? A. primcn a p«.- 
lavra da primeira oracáo é a 2. a pessoa do presente dc , mai- 
cativo vis do verbo volo, vis, volui, velle (Quadro n. ^U°» 
adverbio interrogativo ne, que por abreviacao se es yi tí ^ 
tambem n' ou simplesmeute n : vin esta em vez de >,visne ( ^ló). 
frustum, substantivo neutro da 2. a declmacao, éo ^ompie- 
mento directo de vis (73) : panis (57) faz o nommativo pams. 



^ 



LICAO DECIMA QUARTA. ^ 5 



Audivistin horologium ? o sujeito de audimsh é o pronome 
tu (101); o complemento directo de audivisU e o substantivo 
neutro da 3." declinacao horologium, ii : o n que esta depois 
de audivisti e que com elle faz corpo é o adverbio mterroga- 
tivo ne (65) (213). . m . 

Owoía hora est ? o sujeito de est é o substantivo hora (40) , o 
attributo é o adjectivo da 1.« classe quota em nommativo do 
singular na termmacao feminina (50). 

RECAPITUIACAO. 

Em que casos se podem por os nomes que exprimem o 

luqar por onde (205) *? . ? - 

Quando os nomes, que expnmem o lugar POJ onde^ s3o 
proprios de ilhas, provincias, regiSes, e impenos, em que 
caso se devem somente usar (205) ? . ? 

O que é, rigorosamente fallando, o adverbio J%ffi*$ | 
Porque se cliama ablativo absoluto, inciso, e or aeiowa 206 
De que partes da oracáo pode ser formado um ablativo 

oracional (206) *? «,-kio-h™ n ™ 

As oracoes a que póde correspqnder um ablaüvo oia 

cional, sao principaes, ou subordmadas (20o) ? 
Quandoéque um ablativo oracional é activo, e quando 

é passivo (206) ? _ „„ nin „ 

Sempre que concorrerem em uma oracao asconjun- 

coes ne e quidem o que se deve praticar (20/) . 

5 Bm que caso se deve p6r o nome que exprime o tempo 

em que alguma cousa se fez, faz, pu ha de fazer-se (20e) ? 
De que modo se traduzem muitas vezes os adjectivos 

primus, cxtremus, medius, ultrmus, summus, imus, mtimus, 

reltquus (209) ? 
Os gerundios regem casos (210) *? 

A que voz pertence o verbo fio (210 a) i • •_ 

Como se conjuga este verbo nos tempos da pnmeira 

serie (210 a) ? . 
Podem os supmos reger casos (210 b) i 
O que sao os gerundios {Nocóes prehmmares) (39) (4U) 

O que sao os supinos (Nocoes preliminares) (42) (43) ]44) ? 
'Como podem ser substituidos mais elegantemenue os 

gsrundios (211)? - . ,^,„0 

Corno se colloca sempre a preposicao lenus \¿i¿) . 
Que caso rege esta preposicao (212) ? . „ 

Quando é que se antepoe genitivo a esta preposmao ^i¿; . 
De que palavra é regido este gemtivo anteposto a piepo 

sicao (212) ? 



176 LINGUA LA.TINA. 

Nas phrases interrogativas como se colloca o adverbio ne 
(213) ? 

COMP08ICAO. 

Nunca fui vencido por terra, mais fui ferido por mar. 
leao, dilacerados os veados, escapou pela porta da caverna, 
e quando os soldados entráram (violéntamente) pela ractia 
da parede, já (elle) tinha ferido um g'ato e dous ratos, que 
iaziam em terra. Os soldados, vencidos os ínimígos, nem 
mesmo a presa qnizeram. Esta te'rra produz flóres no fmi da 
primavera, no meio do outono, e no pnncipio do estio. Joao 
foi feito general por seu tio. Eu vim a Roma por causa (pelo 
motivo) de defender o senado. (Esia mesma oracao substitmn- 
do oqerundio.) Este medico nada fez tratando as fendas, por- 
que (ellas) fazem-se maiores. (A me>ma oracao subsMmndo o 
gerundio.) teu coracáo foi feito para amar as riquezas. (A 
mesma oracáo substituindo o gerundio.) Mulheres, homens, ra- 
pazes, e velhos partiram para ver uma ra, que mcitada (to- 
cada) pela grandeza de um boi tinlia mchado a sua pelle. A- 
guerra foi acabada, send.o Fabio consul. Os rapfizes canta- 
vam, dansando as raparigas. Queres páo % A.lexandre enter 
roua espada até o punho. Queres este cacho de uvas i (ellas) 
sáo doces. Pedro estava cheio de dinheiro até os olnos. 



QUADRO N. 23. 

Fer-o, Fer-s, Tül-i, La-tum, Fer-re (levar). 

VOZ ACTIVA. 



INDICATIVO. 



(Tempo da l a serie). 

PRESENTE. 

Fer-o, fer-s, fer-t. 
Fer-ímus,fert-is,fer-unt. 

IMPERFEITO. 

Fer-ebam, fer-ebas, &c 

FOTURO IMPERFEITO. 

Fer-am, fer-és, &c. 



OONJUNCTIVO 



INDICATIVO. 



IMPERATrVO . 

Fer ou fer-to. 

Fer-to, 

Fer-te ou fer-tote. 

Fer-uuto. 



Fer-am, fer-as, 
&c. 



Fer-rem, fer-res, 
&c. 



(Temp. da 2 a s.) 

PERFEITO. 

Tul-i, isti, 

&C. 
MAIS Q. PERF. 

Tul-eram, &c. 

FDT. PERFEITO. 

Tul-ero, &c. 



CONJUNCTIV. . 



Tul-erim, &c. 



Tul-issem, &e, 



INFINITO, 

PRESENTE. 

Fer-re . 

PERFEITO. 

Tülisse. 

FUTÜRO. 

Laturum, &c. 
i esse ou fuisse. 



GERUNDIOS. 

Ferendi, o, 
um, o, 



PARTICIPIOS, 

PRESENTE. 

Ferens, — 
_ entis. 



FUTDRO. 

Laturus, a, um. 

SUPINO. 
Latum . 



(CONTINOAgAO DO QUADRO N. 
VOZ PASSIVA. 



INDIOATIVO. lcONJUNCTIVO 


INDICATIVO. 


OONJUNOTIV. 


(Tempo dal a serie). 




(Temp. da2 a s.) 




PEESENTE. 




PRET. PERF. 




Fer-br,fer-ris ou fer-re, 
fer-tur. 


Fer-ar, fer-aris 
ou -are, &c. 


Latus sum, 
&c. 


Látus sim, &c. 


Fer-imur, fer-imini, 








-untur . 








IMPERFEITO. 




MAIS Q. PERF. 




Fer-ébar, ebaris ou 
bare, &c. 


Fer-rer, fer-reris 
ou rere, &c. 


Latus eram, 
&c. . 


Látus essem, 
&c. 


FÜTURO. 




3PUTURC PERF. 




Fer-ar, fer-eris ou 
-ére, &c 


' 


Latus ero, 
&c. 




IMPERATIVO. 


IÑFINITO. 


FÜTURO. ' 


FUTORO. 


Fer-re ou fer-tor. 

Fer-tor. 

Fer-imini, ou fer-immor 


PRESENTE. 

Fer-ri. 


Latum iri ou 
ferendum, &c. 


Ferendus, a, 
um. 








Fer-untor. 


PERFEITO. 


PARTICIPIOS. 


SUPINO. 




Látum esse, &c. 


PERFEITO . 

Latus, a, um. 


Lat ü . 



QUADRO N. 24. 



Fto, is, Factus Sum, Fieri, ser feito. 



INDICATIVO. 


CONJUNCTlVO 


INDICATIVO. 


CONJUNCTIV. 


(Tempo dala seríe). 




(Temp. da2as.) 




PRESENTE. 




PERFEITO . 




Fio. fís, fít. 
Flmus, fitis, fiunt. 


Fíam,"flas, flat. 
Flamus, &c. 


Factus sum, 
&c. 

MAIS Q. PERF. 


Factus sim, 
&c. 


IlüPERFEITO. 




Factus, eram 


Factus essem, 


Fiebam, fiebas, &c. 


Fierem, ííerés, 


&c. 


&c. 


PUTURO . 


&c. 


FÜTDRO. 




Fíam, fíés, fiet. 




Factus ero, 
&C. 




IMPERATIVO. 


INFINITO. 


FÜTURO. 


PARTICIPÍOS. 


Fí ou fito. 


PRESENTE. 


Factum iri, 


PERFEITO . 


Fito. 

Fite ou f ítote . 


Fieri. 


bu faciendum 
esse, &c. 


Factus, a, um. 




PERFEITO. 




FUTURO . 




Factum esse. 


SUPINO. 


Faciendus, &, 






Factu. 


um. 



I'S 



QUADRO N, 25. 
VOL-0. VIS, VOL-UI, VEL-LE, querer. 



INDICATIVO. 



PRESENTE. 

Yol-o, VÍS, vult. 

VoL-ümus, vul-tis vol-unt. 

IMPERFEITO. 

Vol-ébam, -ébas, ebat. 

Vol-ébamus, &c. 

FUTURO. 

Vol-am, vol-es, vol-et, &c. 



CONJUNCTIVO. 



Nao tem impe- 
rativo. 



INF. PRESENTE. 

Vel-le. 



Vel-im, vel-is, vel-it. 

Vel-ímus, vel-ítis, vel-int. 



Vel-lem, vel-les, vel-let. 

Vel-lémus, vel-létis, vellent. 



PRET. PRES, 

Vol-uidse. 



PART. PRES. 

Vol-ens, entis. 



Os tempos da segunda serie— volui— volueram— voluero— voluerim 
-voluissem— , sao completamente regulares. 



Nol-o, Non-vis, Nol-ui, Nolle, nío querer, Mal-o, Mavis, 
Mal-ai, Mal-le, qubrer antes. 



INDICATIVO. 


OONJUNCTIVO. 


INDICATIVO. 


CONJUNCTIVO. 


PRESENTE. 








Nol-o. 


Nól-im. 


Mal-o. 


Mal-im. 


Non-vís. 


Nol-ís. 


Mavís. 


Mal-is. 


Non-vul-t 


Nol-it. 


Ma-vult. 


Mal-it. 


Nol-ürmis. 


Nol-ímus. 


Mal-umus. 


Mal-ímus. 


Non-vul-tis. 


Nól-ítis. 


Mávul-tis. 


Mal-íts. 


Nól-unt. 


Noi-int. 


Mal-unt. 


Mal-int. 


IMPERFEITO . 








Nól-ebam, &c. 


N51-lem, &c. 


Mal-ébam, &c 


Mal-lem. 


TUTURO. 








(N51-am) , -es, &c. 




(Mal-am) -es, &c. 





(CONTINUAglo DO QUADRO N. 25). 



IMPERATIVO. 

N51-I ou nol-íto. 

Nol-íto. 

Nol-íte ou nolí-tote. 

Nol-unto. 



Nol-le. 



Noluisse. 



INFINITO. 

PRESENTE. 
PBRFEITO. 



PARTICIPIO. 

PEESENTE. 

Nol-ens, -entis. 



Nao tem imperativo. 



Mal-le. 



Maluisse, 



INFINITO. 

PRESENTE . 
PERFEITO. 



Nao tem participio. 



Nólui — malui— e os tempos que 
de ambos se derivam, sáo regulares. 



Nolo-é composto de-Non-e— Volo ;— Malo-de-Magis-e -Volo . - 



14 



DECIMA QUINTA LICÁO 



W athematiei ■ affirmant solem esse má- 

Os mathematicos affirmam que o sol é 



Ul 
Dizem 



purmam prse- 

que Calpurnia p re . 



s/isse m 



sagiara 



Sei que os filhos 

etri emisse feminalia, sudaria, nianieas 



compraram calcas. 



lencos, luvas," 



flabellum, calamistrum, pcreas ex alutá 

um leque, um ferro de encrespar cabello. botas cordovao, 

et cathédram supinam. Dicitur Josephum 

uma cadeira de encosto (poltrona). . Biz-se j os é 

sed non hábére- 

que nao tem 

dolabram, neque runcínam, neque circínum, 

enxó ' nem Plaina, ~ compasso, 

neque terébram, neque. -clavos necr 



esse i'abrum lignar 

ó carpinteiro, 



I u.©- 



verruma, 



pregos, 



3£||lf!fí 



LINGÜA LATINA. 



184 



scalprum, neque niauemu, 

^_ martello, ñnalmente 

formao, 



serram. Antonius pollieetur se 

que elle na 

serra. 

esse niilii quatuor mantilia, duodecim 

, , toalhas de mesa, doze 

de dar 



lagénas, viginti calíces, sex cochlearia, 

garrafas, vinte calices, seis colheres, 

tres cultros, deeem mappas, triginta 

facas, clez guardanapos, trmta 

catinos, unam sartagmem, et duas gabatas. 

rgio, et fr 



Eu desejo ser bordador, 

•limbolarius. Franciscus non potest ess 

póde ser 

sirgueiro. 



as, quia crura 

"oleiro, P ernas 

chartam, .atramentum librarium, calámos, 

papel, ™*> P6miaS ' 

" . scribere. Turpe 



canivete, porque escrever. Torpe 

.est mentiri ; decórum autem pro patria 

mentir ; lionroso 

mori. Scire tuum niMl est. 

morrer. teu saber 

CONVERSACÁO; 

que affirmara os mathematicos? Quem ^ma que o sol 
é maior que a terra? que fazem os mathemancos < que 



LICAO DECIMA QUINTA.' 185 



dizem sobre a morte de Cesar ? que sei eu a respeito dos 
filhos de Pedro ? Com que palavra affirmei eu que os filhos 
de Peclro compráram calcas, lencos,luvas, um leque, um ferro 
de encrespar cabello, botas de cordovíio, e uma poltrona? 
Contai-me tudo o que se diz a respeito de José ? Q que é que 
Antonio promette ? que é que eu desejo ? e meu irmáo ? 
Qual éa palavra com que exprimi o meu desejo ? que é que 
Francisco náo póde ? Porque náo póde Francisco se.r oleiro ? 
que te pedi eu ? Porque te disse eu — dá-me papel, tinta, 
pennas, canivete, etc. ? que é que é torpe ? o que é porém hon- 
roso? Como se deve considerar o mentir?e o morrer pela 
patria? Como disse eu-— o teu saber nada e? — 

ANALYSE. 

(A.té aqui temos apresentado todos os exemplos em ora- 
coes do modo finito, isto é, estando o verbo no indicativo, 
imperativo, e conjunctivo ; nestas duas ultimas licoes tra- 
ctaremos das oracoes do modo infinito) . 

Mathematici affirmant solem essemajorem terrá : temos aqui 
duas oracoes: a primeira mathematici afjirmant ; a segunda 
solem esse majorem terra : a primeira e uma oracáo do modo 
finito ; e a seg-unda uma oracao do modo infinito. sujeito 
da primeira é o adjectivo da l. a classe mathamañci em nomi- 
nativo do plural na terminacáo masculina (91) ; o verbo é 
activo transitivo da l. a conjugacáo (71) Quadro n. 4) afjirmo, 
as, avi, atum, are:o seu compíemenlo directo é representado 
pela oracáo do infinito (solem esse majorem terra) (183). Ana- 
lysemos a oracáo do infinito. 

Soleva esse majorrm terra : solem (sol, olis) estáem acustitivo, 
por ser sujeito do verbo no moclo infinito esse, e majorem (145) 
(Quadro n. 13) está em accusativo por ser attributo daquellG 
sujeito ; daqui se infere esta regra : 

214. sujeito e o seu attributo, póe-se em accnsativo quando o 
verbo está no modo inclifmito. 

Terra (49) (132). Ainda temos de notar que a c&njunccao 
portug-ueza — que — nao foi traduzida em latim, rnas que o 
norae sobre que recahio collocou-se em accusativo (os ma- 
thematicos affirmam que o sol é maior que a terra) e desía ob- 
servacao deduz-se a seg-uinte regra : 

215. Depois clos seguintes,verbos que segnificam affirmar, an- 
nunciar, dízer, contar, julgar, referir, saber, peasar, ver, 
crer, prometter, sentir negar, e outros cle sigmficacao seme- 
Ihante, o nome que fór prececiido da conjuncca^ — que — póe-se cm 
accusativo^ e o verbn seguinte no modo infinüo. 

Em virtude clessa mesma regra é que traduzimos o accu- 




186 LINGUA. LA.TINA.. 

sativo que vem depois dos ditos verbos pondo-lhe antes a 
coniunceáo — Que. — „ . 

liicunt Culpunüam prmnuntiavisse mortem Ccesans : cucunt 
(184) ; Calpurniam, noine proprio de mulher (16) (49) (215) : 
pramuntiavisse está no preterito mais que perfeito do modo 
inflnito (215) (pramunlio, as, avi, atum, are); mnriem (73) Ccs 
áris (57). A. oracao du infiuito Calpurniam prcenumi ivisse etc. 
representa o co'mplemento directo de dicunt (183) ; puis na 
realidade o facto seguinte {ter Calpurnia presagiado a morte de 
Cesar) é a cousa clita. 

Scio líberos Petri emisse feminalia, sudaria, manicas, etc. etc, 
Scio, éa l. a possoa do sigular do presente do mdicativo do 
verbo activo transitivo da 4. a conjugacao (Quadro n.^15) sao, 
scís, scivi, scitum, tciré, tem por sujeitc ego (101) : hberos, que 
se declina hberi, orum (Digiti, orum, Quadro n. 1), e sigm- 
ñchfilhos quer de um, quer de outro sexo, está era accusativo 
(214) (215) por ser sujeito do verbo emis.se (215) e o pretento 
perfeito do infitiito verbo activo transitivo da 3. a conjugjcao 
mxo, is, emi, emptum, emere ; feminalia é o accusativo (73)_do 
substantivo neufcro parisyllabo (110) (Quadro n. 6) detectivo 
no numero feminalia, ium. que é o complemento directo de 
emisse. Cumpre notar que analysando rigorosamente, de- 
vem-se estas oracoes repetir tantas vezes quantos sao os 
accusativos que fepresentam o complemento directo de 
emisse : porfcanto a primeira oracáo é scio (egn) hberos Petri 
emisse feminalia : a segunda scio {ego) liberos Petri emisse su- 
daria, etc. ; sularia é o accusaiivo do plural de sudarrum, n, 
complemento directo (73) de emisse: mamcas (49) (73) comple- 
mento directo de emisse: flabellum (53) (73) ; calimist-um (i¿) 
declina-se calamister. tri (51) (61) ; ocreas (49) (73) ; aluta (4J) 
(111) ; cathedram (49) (73 ; suplnam (52) (50) ; cada uma des- 
tas oracoes do infinito representa o complemento directo de 
scio (183) ; pois a cousa sabida é o segumte facto (que os fi- 
Ihos de Pedro compráram calcis, etc). u r 

Dicitur Josephum esse fabrum hgnarium: dicitur e a ó. 
pessoa do singular da voz passiva do verbo da 3. a conju- 
gacao dico, is\ dixi, dictum, dicere : Josephum (214) ^21í>) ; 
esse' estáno tempo presente do modo ínfimto (215) ; fabruin 
lignarium é o attributo de Josephum, por isso está em accu 
sativo (214); f ibrum decliua-se faber, fabri (51) (61) ; si- 
o-ninca propriamente o artifiee. que trabalha em maierta 
dura cnmo páu, ferro, Hc. , iignarium adjectivo da l.^clas. 
se sis-aifica de madeira, está ern accusativo concordanao 
com fabrum (50). . ,. ., 

No exemplo antecedente viuios que a oracao do ínnnito 
liberos Petri emisse feminaha representava o complemento cli- 



LICAO DECIMA. QUINTA. 187 



recto clo verbo scin (183) ; ao-ora porém esta oracaodo infi- 
BÍto Josephum esse fabrum lignarium representa o sujeito cle 
dicitur. Com effeito, este facto (ser José carpinteiro) é dito 
(pelos homens). Daqui sededuz a segminte observacáo : 

216. Toia a oracdn do injinito representa sempre um caso 
(183) ; e ordinariamaue ou representa sujeitn^ ou complemento 
directo do verbo da oracdo do modo fmüo que a precede. 

Sed non habere. dolábram, neque runcinam, neque civci- 
num: nestas oracoes deve ser repetido o verbo clo inodo ñ- 
nito dicitur deste' rnodo : sed (dicitur) (Josephum) non habere 
dolábram ; sed (dicitur) (Josephum) neque habere runñnam ; 
sed (dicitur) (Josephum) neque habere cireinum, etc. , eíc. Ana- 
lysando cada uma destas oracoes do ñnito, C{ue já sabemos 
representar o sujeito de dicitur (216), vemos que de cada 
uma dellas é sujeito Josephum (214) (215), que o verbo é ha- 
bere (98) (Quadr'o n. 7), e tem por complemento directo do~ 
lábram (49) (73) ; sendo tambem complemento djrecto cle 
habere, que se repete em novas oracoes, os accusativos run- 
cinam (49) (73) ; circinum (51) (73) ; * terébram (49) (73) ; clavos 
(51) (73) ; scalprum (53J (73) ; maileum (51) (73) ; serram (49) 
(73) : neque é uma conjunccáo ; edemum um adverbio. Cacl^a 
uma destas oracoes cl'o ínánito (Josephum non habere dnla- 
bram) (Josephum non habere runclmm) (Josephum non habere 
circinum), etc. ■ , representa o sujeito do verbo da oracáo do 
modo finito dicitur. 

Antonius polliceiur se datürum esse mihi quatour mantilia, 
etc: da oracao do modo finito Antonius pollicetur conhece- 
mos o sujeito, e o verbo (109) ; o seu complemento directo 
é representado por cada uma clas oracoes do infinito (216) 
(se datürum esse mihi quatour mantüia) °(se datiirum esse mihí 
duodecim lagenas, ete.) Se (Quadro n. 6 k.) está em accusativo 
sujeito (214) (215) do verbo do modo infinito datürum esse, 
que estáno futuro (do, a*, dedi, dátnm, dáre ; o.complemen- 
to directo de datürum, esse é qualour münlilia; quatour adje- 
ctivo indeclinavel (Quadro n. 17 A.) manñlia (\ 10) (Quaclro 
n. 6)substantivo neutro parisyllabo manñle. ttlis; mihi (59). 
Analysandc as demais oracoes do infinito, que representam 
o complemento directo de° pnllicetur, vemos que de cada 
uma dellas é sujeito o pronome se. (214) (215) ; que o verbo é 
daturum essn ; e que sao complementos directos deste os ac- 
cusativos duodecim (Quadro n. 17 &.) lagenas (49) (73) ; viginti 
(Quadro n. 17 A) calices (73) (75), substantivo raasculino 
{calix, calicis) ; sex (Quadro n. 17 A) cochlearia que se declina 
cochleare, aris, neutro parisyllabo (110) (Quadro n. 6); tres 
(Quadro n. 17) cultros, que se cleclina culter, cultri (51) (61) ; 
decem (Quadro n. 17 A) mappas (49) (73) : triginta (Quadro 




188 LTNGUA LATINA. 

n. 17 A) cañnos (51) 73) ; unam (Quadro n. 17 A) sartagtnem, 
que se declina sartago, sartaginis (73) (75) ; duas (Quadro 
n. 17) gabátas (49) (73). 

Cupio esse phrygio : a oracao do modo finito está expressa 
só por uma palavra, que é o verbo cupio ; o qual está na pri- 
meira pessoa do sing-ular do tempo presente do indicatiyo, 
tendo por consequencia como sujeito ego (101): cupio é activo 
transitivo da 3. a conjugacao, e conjuga-se (Quadro n. 10 A) 
cupio, cüpis, cüpíDÍ, cüpitum, cüpére; o complemento directo 
de cupio é representado pela oracáo do infinito esse phrygio 
(183) (216) ; pois na realidade a cousa que eu desejo é esta 
(esse phrygio, ser bordador). Analysemos agora a oracáo do 
infinito esse phrygio: temos a notar que o sujeito esta occulto 
eque o attributo phrygio (phrygio, onis substantivo, mascu- 
lino imparisyllabo da 3. a declinacáo) está em nominativo 
contra o que dissemos na regra (2Í4) . Cumpre porém expor 
aqui a seguinte observacáo : 

217. Quando o sujeito do verbo do modo fmito é o mesmo do 
verbo do modo infinito, occulta-se o sujeito deste, e o attributo 
póe-se em nominativo, principalmente sendo os verbos do injinito 
esse, fieri, haberi videri (*) ; e os do nmdo finito possum, soleo^ 
debeo, audeo, incipio, cupio, volo, nolo, malo. Esta construccáo 
éimitada do grego, e por isso em linguiagem grammatical 
chama-se grecismo ou hellenismo. 

Et frater meus limbolarius : nesta oracáo ba uma Ellipse,_ a 
qual sendo preenchida, deve ler-se et frater meus_ (cupit) 
(esse) limbolarius: aqui ainda vemos que a oracao do infinito 
esse iimbolorius representa o complemento directo de cupit 
(183) (216) : vemos tambem que o substantivo masculino da 
2. a declinacáo limbolarius,ii, está em nominativo como aítri- 
buto do sujeito do verbo do modo infinito es.se emvirtude da 
observacáo ha poúco expendida (217). Com effeito pverbo 
do modo finito ; é cupit; o do inflnito é esse; e osujeito de 
cupit, que é fraler meus, é o mesmo de esse ; por isso nao foi 
repetido o sujeito do infinito esse (217), e o attributo foi 
posto em nominativo apezar de estar o verbo no infinito 
(217). 

Franciscus non potest esse fbgülus: expliquemos em primeiro 
lugar as duas palavras desconhecidas desta phrase ;_ potest 
que é a 3. a pessoa do singula rdo presente do indicativo do 
verbo possum, potes, potüi, posse, poder, (Quadro n. 26) ; e 

■(*) Vidlri voz passiva de vicleo, és, vlcli, visum, dére ; possum, potes, 
etc. (Quaclro n. 26) ; soleo,es, solitus sum, ére, semidepoente, (113) costu, 
mar; clebeo. és, clebui, debítum, era (Quadro n. 7)^; audeo, es, ausus 
sum, audtre, (113), semidepoento, ousar; incipio, incípis, incipis, incepi, 
inceptum, incvyire (Quadro n. 10 Á) comecar. 



1 



LICAO DECIMA QUINTA. 189 

figülus, i, substantivo masculino da 2. a declinacáo (51) : a 
oracáo do infinito esse figülus fser oleiro), representa o com- 
pleraento directo de potest (183) (216) : o sujeito do verbo do 
infinito esse está occulto por ser o mesmo do verbo do modo 
finito potest, que é Franciscus (217) ; o attributo figülus está 
•em nominativo apezar de estar o verbo no modo in'finito, em 
virtude do que dissemos (217) . 

Quia crura non habet : nesta oracao está occulto o sujeito 
(Franciscus) , o verbo é habet (98J ; ó complemento directo é o 
substantivo neutro imparisyllabo da 3. a declinacao crus, 
cruns (75) (Quadro n. 3) . 

Da mihi chartam, atramentumlibrarium, calámoset cultellum: 
temos neste exemplo quatro oracoes, pois tantos sao os com- 
plementos directos: o verbo de cada uma delias é da, que está 
na 2. a pessoa do singulardo imperativo (do,das,dedi, dátum, 
dare); o sujeito deveser o pronome tu (191); o complemento 
directo da primeira é o substantivo feminino chartam (49) 
(73); o da segunda é atramentum, substantivo neutro (53 
(73) da 2. a declinacao, com o qual concorda o adjectivo da 
l. a classe librarium (librarius, a, um) ; o da 3. a é calámos, 
substantivo masculino da 2. a declinacao (51) (73) : é o da 
4. a é cultellum, snbstantivo masculino da 2. a declinacáo (51) 
(73) : m¿/ii(59). 

218. Nam volo scribere : nam é uma conjunccáo : volo está 
na l. a pessoa do sing-ular do presente do indicativo (Quadro 
n. 25), _e tem por sujeito ego (101); o verbo volo, vis, é activo 
transitivo ; o seu complemento directo está representado 
pelo mfinito scribere (183) (216). modo infmito de qualquer 
vcrbo póde ser considerado como< um substantivo neutro indeclinavel 
tendo a mesma signifLcacáo do verbo. 

Com effeito, algams grammaticos chamam, e combom fun~ 
dameuto o infinito nomn do verbo : pois em verdade tanto faz ; 
dizer, por exemplo, amar a Deus é uma obrigacao, como o amor 
de Deus éuma obrigacáo; saber nao occupa lugar, como a sciencia 
ndo occupa lugar, etc., etc. 

Turpe est mmtiri; nesta oracáo ainda se verifica o que lia 
pouco dissemos ; pois o infinito mentiri (mentior, tiris, men- 
titus sum, tiri) depoente da 4." conjugacao (Quadro n. 16) se 
póde considerar como um substantivo neutro indeclinavcl tendo 
a mesma sigmficacao do verbo (218): pois mentir vale o mesmo 
que mentira, e menllri o mesmo que mendacium (mentira); é 
portanto o sujeito cle est o infinito menñri (183) (216) consi- 
derando-se como um substantivo neutro indeclinavei (218) 
posto em nominativo ; o attributo é o adjectivo parisyllabo 
da 3 a declinacao (72). (Quadro n. 3) turpe, que está em no- 
minaíivo do singular na terminacáo neutra (50). 



190. LINGUA IATINA. 



Decorwn autem pro patria mori: o infmito mori que.esta 
aau'i considerado como ura substantivo neutro ludeclmavel 
(218) representa o sujeito (216) do verbo est que esta por 
Ellipse occulto (63); o attributo é_o adjectivo da P classe, 
nue iá mostrámos na V licáo, decorum, que esta em nomi- 
nati'vo do singular na terminacáo neutra (50,: autem (bu); 
«aína está em ablativo regido da preposicao pro. _ 

S C) >e íuuro «t/iií est; o.sujeito des,.a oracao e o ínhnito 
scire (do verbo da 4 a conjugacáo scio, scis, sciri seitum scire 
considerado como um substamivo neutro indechnavel (218 
posro'em nominativo ; o adjectivo pronommal tuum ^ esta 
tambem em nominativo na terminacao neutra concordando 
com scire; o verbo é est , o attributo é o substautivo neutro 
indeclinavel nihil (50) . 

RECAPITÜIACAO 

Era que caso se pOe o sujeito e o seu attributo quando o 
verbo está no modo infinito (214)? 

Que verbos sao aquelles, depois dos quaes o nome prece- 
dido em portuguez da coujunccFio — que — se poe em accu- 
sativo e o verbo seguinte no infinito (2L5) ? 

Toda a oracáo do infinito representa sempre um caso 

(216) ? 
que é que ordinariamente as oracCes do infinito repre- 

■ sentao. (216) ? . . „ ., 

Quando é que se costuma occultar o sujeito do mtinno, e 
pór-se em nominativo o attributo do sujeito, mesmp estando 
o verbo no infinito (217) ? . 

Esta consu-uccáo ou syntaxe que nome tem, grammati- 
calmente fallandb (217)? ' 

Corno se póde considerar o modo mfimto de umveibo 

(218)? _ 

v COMPOSICMX 

Disse ocozinheiro de minba madrasta que os filhos de 
Joáo quebraram os prato*, facas, colberes, fngideiras, _n- 
gellas, e calices de José. Qnem affirmara que u.m.carpm- 
teiro comp-e leques ; que uma moca (compre) uma encnó, 
que um moco náo compre calcas, nevn lencos, e qne una 
sapateiro (eompre) uma poltrona? Dizem que tua avo yen- 
deu a men tio duas toalhas de mesa, e uma duzia de (doze) 
guanlanapos. Minha rali na-> sabe que eu quebrei aqueüa 
garrafa. Como Francisco nao piKbsse ser oleiro desejava 
ser bordador. Antonio queria escrevei\porque uiz-se que 
elle couiprára papel, pennas e tinta. E bom (cousa boa) 
temer a Deus; mas vergonhoso mentir. Quero ser bom sa- 
pateiro e náo (quero ser) máo orador. 



I' 



QUADRO N- 26» 
POSSUM, POTES, POTUI, POSSE, poder. 



PKESENTE . 

Pos-sum, pot-es, pot-est. 
Pos-siunus, pot-estis, pos-sunt. 

IMFERFEITO. 

Pot-eram, -eras, -erat, &c. 

FUTURO . 

Pot-ero, -eris, -érít, &c. 

PRETERITO PERFEITO. 

Potu-i, -istí, -lt, &C. 

PRETERITO MAIS QUE PERFEITO. 

Potu-eram, -eras, -erat, &c. 

FUTURO PERFEITO. 

Potu-ero, -eris, -erít, &c. 



Potü-erim, -eris, 
Potu-issem, -isses, 



Pos-sim, -sis, -sít. 

Pos-símus, -ítis, -sint. 

Pos-sem, -ses, sét, &c. 



-erít, &c. 
-isset, &c. 



infinito pres. Pos-se, poder, perf. Potu-isse, ter podído. 



Nao tem imperativo, nem futuro do inñnito, nem gerundios, nem 
supinos, nem participios. 



DECIMA SEXTA LICAO. 



As mulheres 



se se casti- 

que ellas haviam 



julgavam 

sse regi. r 

de ser castigaclas pelo rei. que Joao foi 

catum fuisse ab Antonio. MiM non licet 



morto 



preguicoso . 

tére crimíniiim. 



comeca 

eros caepit 

comecaram 



ó licito 



esse negligenti. Franciscum incípit pseni- 



da ignorancia 



^ere. 



suss. Interest magistri disci- 

E' do interesse do mestre os dis- 

Heíert praeroriim elígére 



pulos 



E' do interesse 



escollier 



prudencer amicos 

prudentemente 



i"éb 



me 



erest 

interessa 



o^-á-M^ 



Bona servare .rec.n 

os bens conservar 



Por ventura nac vos 



•> : ; 



194 



LINGUA LATINA. 



interessa 



« Yí 



os despojos 



trazendo 



l » 



clamavara 



« ai dos vencidos. ! » 



animando a cada passo fallava (dizia) 



— eis aqui estou ou o vosso general ! eis 

giones ! sed victor resi 

gioes ! o vencedor respondia •. 

miserande dux ! o fallácem- 

desgracado ! oh enganadora 



novas 



le- 



ah 



esperanca ! subornava, 

allicére, plebem. ciére. Mene incepto 

acariciava, a plebe excitava. Por ventura hei de ea do intento 

desistére l Pner sodales grammaticae 

desistir ! os companheiros 

studio supérans aliquando magister erit. 

no estudo que vence (vencendo) dia 



CONVERSACAO 



que é que as mullieres julg-avam '? Quaes as pessoas que 
julg-aram ter de ser eastig'adas pelo rei ? que faziam as 
mulheres ? que é que eu sei '? que é que nao me é licito? 
Quem comeca a arrepender-se cle seus crimes ? que faz 
Francisco ? "Quaes foram os que comecaram a enverg-o- 
nhar-se cla sua ignorancia ? que fizeram os meninos ? Di- 
zei em latim estas phrases : É do interesse clo mestre ensinar^os 
discipulos. Muito importa escolker prudentemerite os amigos. Ndo 
me interessa conservar os bens de Pedro. Que vos importa isto ? o 
que diziam os soldados ? Quem dizia ai dos vencidos ! Os sol- 
dados diziam isto náo trazendo cousa alguma ? 0_ que dizia 



LICAO DECIMA SEXTA. 191 



o general dos immigos ? geueral dos inimigos dizia essas 
cousas sera se dingir ao exercito ? que respondia o ven- 
cedor ? que comncou Catiiina a fazer? Como se dirá em 
latim : Pois eu heide desistir clo intento ? Quem será mestre al- 
gum clia? menino que vence seus companheiros no es- 
tudo da grammatica o que terá de ser ? 

ANALYSE 

219. Fcemince existimabant se se castgandas esse regi : o sujeito 
do verbo do modo finito é o substantivo feminino (49) fcemince 
em nominativo do plural : o verbo é existimabant, que se con- 
juga existimo, as, avi, atum, are (71) (Quadro n. 4); é activo 
transitivo : o seu complemento directo é representado pela 
oracao do infinito se se castigandas esse regi (183) (216): analy- 
sanclo a oracao do infinito vemos que o sujeito é o pronome 
se repetido (se se) (Quadro n. 6 Aj: Ordinariamente o pronome 
SE é repetido quando se refere a um nome que está noplural, e mrs- 
mo algumas vezes esiando no singular. 

Castigandas esse regi : o verbo do modo infinito está na voz 
passiva e no futuro : o participio castigundas, que form¿i este 
futuro, está na tenninacao feminina (87) porque o snjeito a 
que elle se refere é se (fceminas) (ellas mulheres) : regi é o da- 
tivo compkmento indirecto de castigandas esse (86). 

220. Scio Joannem obtrnncatum fuisse ab Antonio : scio já te- 
mos analysado ; a oracao do infinito é Joannem obtruncdtum 
fuisse ab Antonio : ella representa o complemento directo 
(183) (216) cle scio : Joannem é o accusativo sujeito do verbo 
obtruncatum fuisse (214) ; este verbo que já encontramos na 
voz activa está nesie exemplo no preteiito perfeito do infi- 
nito da voz passiva (Quaclro n. 5) (215) ; o participio obtrun- 
catum está na terminacáo masculina porque o snjeito Joan- 
nem é do g'enero masculino (87) : ab Antonio é o complemento 
inclirecto cle obtruncatum fuisse. 

A oracáo do infinito está na voz passiva, e náo cleve neste 
exernplo por-se na activa, porque disso resultaria pquivoco, 
e ambiguidade ; pois estando scio Joannem obtruncavisse Anto- 
nium,, tanto póde traduzir-se eu se ; que Antonio matou a Jodo 
corno eu sei qtie Joáo matou a Antonio : em uma palavra, nao 
se pócle conhecer qual dos accusativos é o sujeito de obtrun- 
cavisse, e qual o sen complemento directo : desta observacao 
pois se deduz esta regra. 

Todas as vezes que em uma oragáo do infbnito puder haver equi- 
voco ou ambiguiclade entre o sujsiio e o complemento do verbo do in- 
finito, pór-se-ha o dito verbo na voz- passiva, mudindo-se para com- 
píemento indirecto o nome que na voz activa seria o sujeito. 



196 LINGUA LÁTINA. 

221. Mihi non licet esse negligenti: o verbo do modo finito é 
impessoal ou unipessoal por ter só a 3. a pessoa do singular em 
cada um de seus tempos ; conjuga-se licet (*) licebat, licuit 
ou licitum est, licere, ser licito (Quadro n. 19) • o seu sujeito 
está representado pela oracao do ínfinito esse (183) (216J. 
Esta syntaxe nao é propriafnente latina ; mas imitada da 
lingua grega : a genuina construecEio latina seria mihi non 
licet esse negligentem, ou com todo o rigor da grammatica mihi 
non licet me esse negligentem (a mim náo é licito que eu seja 
preguicoso): mas no'exemplo que dainos nao ha.erro, antes 
é elegante este modo de construir o infinito ; pelo que con- 
vém fazer a seguinte observacáo : Póde-se elegantemente pór 
em dativo depois dos verbos do infinito esse, pieri, o nome que 
segundo a regra (214) devia ser posto em accusativo principalmente 
quando os v'erbos do modo finito sao licet, vacat, necesse est 
(**) Esta construccao é um grecismo ou hellenismo. 

Franciscum incipit pmnitere criminum ; pueros ccepit pudere 
ignnranticB suce : na primeira oracáo o verbo do modo fi- 
nito é incipit, que se conjuga incipio, incipis, incepi, in- 
ceptum, incipere (115) (Quadro n. 10 A). Como_ já mostrá- 
mos qual a natureza dos verbos pamitere, pudere, etc. (165) 
segue-se que o sujeito de incipit é o substantivo pamitentia 
contido no radical de pcenitere (165) ^ ficando a oracao 
grammaticalmente analysacla : pcenitentia criminum incipit 
habere Franciscum (o arrependimento clos crimes comeca a 
possuir Francisco). Na segunJa oracáo o verbo é ccepü que 
é defectivo, e seconjuga ccepi, ccepisti, ccepisse (Quadro n. 18) : 
aanalyse desta é :' pudor ignorantice suce ccepit habere pueros 
(165) 

Concorrendo os verbos cupio, soleo, volo, nolo, com os 
verbos pcenitet, miseret, pudet, tceclet, pinet, a construccáo é 
deste modo: por exemplo, Antonio desej t arrepeler-se.dos seus 
crimes, deve dizer-se Aníonius cupit pcenitere criminum^ cuja 
regencia é : Antonio cleseja que o arrependimento dos crimes o 
occupe (165) . 

222. Iiuerest mngistri discipülos ciocere : refert eligere pru- 
denter amicos: interest é um verbo impessoal: refertj*) é tam- 
bem nm verbo impessoal composto do ablativo re (clo subs- 
tantivo res, rei) (Quadro n. 13) e das terceiras pessoas do 
singular do ver bo fero, fers (Quadro n. 23] : interesi, intererat, 

(*1 Licet tem a mesma natureza que miséret, yiulet, etc, e equivale a 
(licentiamhnbef (licen tiamhabebat) , pois cortando-se as syllabas entiam 
e ho.b, íica licet, licebat, etc. 

(**) Vacat, abat, vaclwit, vacare (ter tempo, ter lugar) verbo impessoal 
' da primeira conjugacíío : necesse substantivo neutro indeclinavel que com 
o verbo est formaa íocucao é necessario. 






LigiO DECIMA SEXTA. 197 

interfuit, interesse, e refert, referebat, retülit, refere sao com i& 
üissemos, impessoaes, e signmcam ser do iníeresse ds, importar 
convir Q sujeito de interest na primeira oracao é a oracao do 
münito docer e discipulos (218) : o sujeito de referí na segmn- 

fn rf^J ? ^^ iilfiait ,R di 9¿re amicos (216) : díscíptí- 
los (&l) (73) e o complemento directo de docere, assim eornn 
amtcos (51) (73) é o de eligere, verbo activo transitivo da 3 « 
conjug-acao (e%o, eligis, elegi, electum, eligére) : prudenter é 
um adverbio : magistri que se declina magister, tri (51) está 
em genitivo, assim como puerorum. Daqui se infere a <?p- 
gmmte regra : 

Com os 'üeroos befert e intebest o nome dapessoa ou cousa a 
que interessa, ou convem, póe-se em genitivo. 
^ Os grammaticos que reg-em o g-enitivo, que vem com es- 
ces verbos, do substantivo negotium posto em accusativo 
regido de inter (si o verbo é interesú) e de ad (si o verbo é 
refert) sao os que confundem refert (composto do ablativo 
re) com reféro composío da particula ré breve, que signifi- 
ca refenr-se. Segundo íaes grammaticos a analyse destas 
cluas oracOes é a seg-uinte : (Magistrum) docere discipülos est 
[vnter negoha) magistri; (o mestre ensinar os discipulos é ou 
esta entre as obrigacaes do mestre) : pueros eligere prudenter 
amicos refert adnegotia puerorum (os meninos escolherem pru- 
dentemente amigos refere-se ás obrigacOes dos meninos) . 
Tal modo_ de analysar deve ser rejeitadó. 

ablativo re que 'entra na composicSo de refert é' o sub- 
stantivo que rege-o genitivo puerorum (57) ; e na oracao in- 
terest magistn,. etc. , o mesmo ablativo re rege o genitivo 
porquanto interest écomposto de in, do ablativo re, inverti- 
das as lettras, [er), sendo o t uma lettra que por eüpbonia 
se mtercala entre o in ere; de sorte qne interest vale o 
mesmo qne inreest (é ou está no interesse) ;intererat o mes- 
mo que wre e-rat (era on estava no interesse, etc.) (*). 

223. Non mea interest bona servare Petn: o sujeito de inter- 
est é a oracáo servare bona Petri, representando o infinito 
servare substantivo neutro indeclinavel com a mesma si- 
gmficacao do verbo (218) ; bowa accusativo do plural do 
substantivo neutro bonwn, i, é o complemento directo de 

(*) Refert nao é, coma imútos grammaticos julgam, o verbo r-eféro 
i&ers, retuh, relatum, referre (referir-se, composto da particula iterátivá 
rei; mas sim o ablativo re, e as terceiras pessoas de singular de fero fers • 
primeira S breve e ^^ (Íúl] ? e ssoal) tem a primeira longa, e reféro tein á 

™.! ^- Sei que , ^teiraniente original esta minha teoria da regencia do' 
^ím ! mP f eSSOal wíere ^etc.,masnao duvido expól-a, por me parecer 
mmto conforme com a rassao, e o genio da lingaa latina. 

15 



198 



LINGrtJA IATINA. 



serváre ■ Petri (57) está regido de bona ; de modo que esta 
oracao equivale a esta expressáo a conservagao dosbens de 
Pedro temos mais a notar o ablativo femmino mea do ad- 
ieotivo pronominal meus, o, «ro. Regra geral : 
2 Todas as ve%es que com os verbos interest e refert o «ome 
da pessoa a quem interessa, ou convem alguma cousa, e expresso 
em íortuque¿ P or algum pronome pessoal, usam os latmos dos abla- 
tivos dos adjectivos pronominaes na terminagdo feminina do smgu- 
lar (mea, tua, sua, nostra, vestra,) concordando estes com o 
aUativo re que entra na composigáo do verbo, si este e refert, e 
coTomefmolblativo re (segundo expliquei) ,» o verbo e IN ter- 

^Nonnt vestra refert hoc ? nonne é o adjectivo non e o inter- 
roSvo ne (65) hoc (Quadro n. 9) (119) é o sujeito de reert; 
ve¿¡ é o ablatiVo do singular na terrainacao fe— W 
de vester, vestra, um, que concorda com o ablauvo <>e de íc- 

Milites spolia gerentes clamábant : o sujeito de clamabant 



fert 



mf íbuadro n. 4) é miíto : ba a notar o participio gerentes 
(qerensrentü) do verbo activo transitivo gero, is, gmi gestnm, 
qerere, que concorda com miWfós ; e amda o accusacivo spo- 
L do'substantivo neutro da 2/ declmncao ^'«'™ ; " • ^ 
accusativo é regído do participio gerentes, e e o seu comple- 
menlo clirccto. Regra geral : 

Os partkipios regem os mesmos casos que os verbos dondeoioce- 

d£ % Vce vietis: vce é uma interjeicao (Parte 2.* Da Interjei- 
cáo)- victis é o adiectivo victus, a, um, participio de wi-co, %s 
ÍZt^vincle (Quadro n. .10),im voz passiva VjcU* esta 
em dativo do'plural : As inUr)eigoes nao regem ea, o nem ao 
reaidis vor parte alguma da oragao ; mas P odem-se4ae.snjj.uai 
diíferenles casos, comomominativc < vocativo, dativo, e accusMvo. 

Os grammaticos regem os difierentes casos qu. co,mmam 
juntar-se ás interjeicoes com palavras adequadas ao &„n- 
tido e á svntaxe latina. _ . ., 

Dux hostíum exercilum ammans passim loquebatur : o sujeuo 
da oracao é dux ; hostium (57) está regido de dux ;, amman, e 
o participio do presente do verbo activo transnivo ia í 
coíijugacao ammo, ás, avi, álum, are : o P^ cici ^ ?t ;^..^f 
concord¿ com dux e rege o accusativo exercitum (224 • /'vf; ^ 
é um adverbio ; loquebaiür é o preterrco impeneioo o.o uidi- 

T) : Naoha duvida de que meu, tua, sua, ^í^jfo^fJ^iP^Í^ 
verso sempre que vem com refert ou interest o a.e longo ; ^te fa^o ^nic 
plicavel para os que julgam que taes pronomes e^Uo em acca&cUj^o ao 
plural na terminacao neutra. 



LICAO DECIMA SEXTA. 199 

cativo do yerbo depoente da 3. a conjugacao (Quadro n. 11) 
loquor, loqueris, ou loquere, locutus sum, loqui. 

En ego vester dux : ecce novas legiones : en e ecce sao dous ad- 
verbios ; e a ambos costuma-se juntar nominativo ou accu- 
sativo: na primeira oracao en ego, etc, o sujeito é ego, o verbo 
é sum ou adsum ^estou presente) ; vester dux é o attributo : 
nasegunda oracao subentenclem os grammaticos urn verbo 
activo, sendo o accusativo complemento directo deste : or- 
dinariamente é o verbo video, es, vidi, visum, videre, no'im- 
perativo ou no indicativo (ecee vide ou vides novas legiones) . 

Sed victor respondebat — heu miserande dux ! o fallaccm homi- 
num spem! o sujeito da oracáo é o substantivo masculino 
imparisyllaho victor, ctoris (75): o verbo é activo transitivo 
da 2. a conjugacao (98) respondeo, és, pondi, responsum, dere ; 
heu ó uma interjeicao que exprime compaixao ; costuma 
ser acompanhada de vocativo (225) que aqui é miserande 
(miserandus, a, um) e concorda com dux, tambem em voca- 
tivo : o é outra interjeicao que se escreve tambem deste 
modo oh : vem muitas vezes acompanhada de vocativo e 
quando, como neste exemplo, vem com accusativo, suben- 
tendem os g*rammaticos os verbos dico is (*), ou sentio tis. 
conforme requer o seutido : fallacem é o acijeetivo impansyl- 
labo da 3. a declinacáo fallax, acis (96) (Quáclro n. 6), esfcá em 
accusativo (225), e concorda com o substantivo feminino da 
5. a ^leclmacao (121) (Quadro n. 13) spes, s P ei, que'tmnbem 
está emaccusativo. (ego sentio) spem homfnum (esse) fallacem 
(oh eu sinto_que a esperanca dos homens é eng-anadora í) 

226. Catillna cives soliciére, juvenes allicere, plebem ciere: 
nestas tres oracoes vemos tres verbos no moclo infmito • mas 
como tocla a oracáo do infinito representa ordinariame'nte o 
sujeito ou complemento directo de um verbo do modo fim'to, 
que a nrecede (216), seg-ue-se que ha aqui Ellipse cle verbo 
do modo finito, tanto mais que Catilina estando em nomina- 
tivo (50) requer esse verbo do moclo finito. Com effeüo costumam 
algumas vezes os latinós occultar o verbo do modo fvnito em phrases 
onde existem oracóes doinfmito : mas esta Ellipse é facil de supprir, 
pois quasi sempre os verbos que se devem subentendrr sao soleo, es ? ' 
Cgepi, pisti {*) (Quadro n.^18), ou outros que facilmente occorrem 
Catilina(soleb'ií) (se) solicüare cives : as oracoes cloinfinito neste 
exemplo representam o complemento difecto cle solebat (216) : 
sohatare é um verbo activo transitivo da 1.« conjugacáo, e 

H Dico, is, díxi, dictum, dicere, da terceira conjugacao, e sentio 
$entis,sensi, sensum, sentire sentir, da 4.= conjugacao. ' 

(*) Soleo, soles, solitussum, solére (costumarL verbo semiclenoP-''Pte 
«a á.a conjugacao (113). ,-..--• 




200 LINGHJÁ IATINA. 

-,._, ^ v „ OTrr iPTnF¡nto directo cmjcs. Catiilna (solebat) (sé) alli- 
fAiuv^ne'ít'áÍÜoSre é um verbo activo transitivo da 3." 
coni Sacao aWrio, aWícis, ailez h aikctum alhcere, (Quadro 
;. ] 10l); juvenes é o complemento direcío deaífocere. Coftíwa 
?¿4V&) ^reWg^n; ciere é um verbo activo transitivo 
d-"Í a eoniugacao (98) 'cieo, es, cwi, citum, ciére : pleoemé o 
seu complemento directo, e se áeclim piebs,plehs, subscantivo 

feminino da 3. a declinacao. _ „„,.,„^™ 

99/7 Mene inccepto desisiere ; mene é a .¡unccao do accubanvo 
me e áo adverbio interrogativo ne (65) : desistere e omodo 
' infinuo clo verbo activo intransitivo da 3 • conjugacap desuto. 
£Lxti % deattum, desisíere : este verbo do modo mfinixo eatá 
sem ter um do modo finito que o preceda 226) e do qual elle 
qpia miieito ou complemento directo 2it>). 

'bs - "mnmticos cllamam infinitos de espanto ou de ^nd^gnacao 
WiW 'nnp .p « R =emslliam a este exemplo ; e o verbo que 
Sstumam7u'b;ntender é o verbo impessoal da 2.' conjugacao 
fponetoportebal, oportuü, oportere, ser conveniente ser ne- 
cessarío (Quadro lí. 19) . Por ventura que eu dmsta do mtento e 
" necessario ? (Mene clesiste^e incwpto oporlct ? ) 

íSm a oracao do itifinito me desistere inccepio representa 
o sujeifo de oporiei (216 ; inecepto é oablativo do substantivo 
neutro da 2. a cleclinacao incmptum, %. ■ 

998 Puer sodales qrammatim stuclio superans ahquando ma- 
aisWr erit : puer é o sujeito do verbo erit ; superans partacipio 
do preseni do verbo activo transitivo da 1.« conjugacao 
suplro, fis, 3*¿ «íim, ffre, concorda com jmar, e rege o accusa- 
üíosodaíes (224) do substantivo pansyllabo soclal «, « ^J ) 
(Ou»dro n. 6) : magisíer é o atnbuto (50) de ?mer : síudio sub-. 
stantivo neutro da 2.« declinacao está em ablativo chamado 
grammatiealmente ablativo de excesso Regra gerai : 

tiome g«e ea;pr¿me a cousa em que alguem excede a outro poe-se 
em ablaíivo sem preposigáo. _ 

Aliquando é um adverbio. 

RECAPITUIAQAO. 

Ouando o accusativo se refere-se a um nome do plural, 
oue se costuma fazer frequentemente em latim (219) 'i _ 
1 Ouaudo é que se deve necessariamente por na voz passiva 
o verbo clo iufioito, muclando tambem para complemento 
indirecto o nome que na voz activa devena ser sujeito desse 

¡''! verbo (220) ? , • «,,•+„„ 

Vindo com os verbos licet, vacat, necesse esí, os mnintos 
esse e fieri, como se podem construir as oracOes do inünito 
(221) ? 



s^, 



LiglO DECIMA SEXTÁ. 201 

Com os verbos interest e refert, em que caso se pOe o nome 
que representa a cousa ou pessoa a quem inter&ssa, ou con- 

vem (222) 1 

Quando o nome da pessoa a quem mteressa ou conveni 
qualquer cousa é expressa em portuguez por algum dos 
pronomes pessoaes, o os verbos que signiñcam o interesse ou 
conveniencia sao interesl ou refert, o que se pratica (223) % 

Os partícipios reg-em casos (224) % 

E as interjeicOes (225) ? 

Podem-se juntar casos ás interjeicOes (225) ? 

Quaes sao os casos que se costumam juntar ás mterjei- 

cGes (225) ? 

* Quaes sáo os verbos que se costumam subentender quan- 
do em algumas pbrases ha oracOes do infinito sem verbo 
do modo finito que as preceda (226) *? 

Nos infinitos cbamados grammaticalmente de espanto ou 
de indignacáo qual é o verbo que se costuma subentender 

(227) ? 
nome da cousa em que alguem excede a outro em que 

caso se poe (228) 1 

COMPOSICAO. 

As mocas julgam que ellas hao de ser feridas pelo sol- 
dado. Todos dizem que Joao temia os escravos de Pedro. 
Meu mestre affirmava que todos amavam (colo, %$) os seus 
discipuios. Convem ao general (é do interesse do general) 
(interest) escolber soldados fortes. Importava a Francisco 
(erado interesse de Francisco) (referebat) castigar seus nlhos 
NSo me importava (nSo estava no meu ínteresse) (mtererat) 
ter uma esperanca enganadora. Nao me interessa (nao está 
no meu interesse) (refert) que Catilina acaricieos mocos, e 
suborne cidadaos porque eu bradarei — ai dos inimigosj — 
Convem-te (está no interesse) {interest) saber grammatica. 
Eisabi meu pai ! Ab ! desgracado menino,eis os despojos 
de teu irniao ! pai animando o filho, dizia : meu filho, 
excede a todos os homens no temor de "Deus, porque este é 
a causa de todos os bens. Os meus companbeiros nSo me 
excedem na velocidade da'Carreira. 



t 




¡§1 



Nesta segunda parte tractaremos minuciosamente do al- 
phabeto latino, das declinacüesdos substantivos, e dos adje- 
ctivos; das formulas das declinacües dos substantivos imita- 
das da lingua grega; das conjugacoes dos verhos; do adver- 
bio; da preposicSo, conjunccSo e interjeicSo, expondo todas 
as excepcoes, e particularidades relativas a cada uma das 
partes da oracSo latina, que para maior faciiidade dos prin- 
cipiantes náo foram apontadas nas licOes antecedentes. 



Impossivel é hoje saber qual a exacta pronunciacno das 
vogaes entre os Romanos: pelo que se nota em alguns es- 
criptos antigos, e pelo pouco que a este respeito escreveram 
os grammaticos, póde dizer-se que o a tinha além do som 
claro, que lhe damos em portuguez,, mais dous: um menos 
claro, que se confundia com c, tanto que a palavra balare 
(berrar) era escripta no principio com e deste moda: beelare. 

e além dos dous sons, breve e longo, que tem, tinha 
'tambem, como afflrma Quintiliano, o som de i; tanto que se 
escrevia Menerva, leber, magester, me, quase, em lugar de Mi- 
nerva, liber, magister, mi, qaasi. 

e tinha tambem alguma relacao com o o, ao menos assim 
o prova a frequente troca desta'por aquella lettra nas pala- 
vras vorsus, vostra, amplocti, pervorsus em lugar de versus, 
vestra, amplecti, perversus. 

i era longo ou breve, e quando era breve naoera pro- 



206 LIN&UA. LA.TIHA. 

nunciado sempre com o mesmo som ; pois estando no meio 
das palavras, diz Quintiliano, tem um som entre «e»,e 
apresenta para exemplo a palavra optímum. 

o tinha os dous sons : breve e longo ; e tal era a sua af- 
finidade com o u, que quasi sempre por o se escreviam aquel- 
las palavras que o deviam ser com u, por exemplo Hecoba, 
notrix, quatenos, consol, em lugar de Hecüba, mutrix, quatenus, 

consul. 
u era breve, ou long-o, e tinha, como ja mostrámos, 

muita relacao com o i. 

y, vogal grega, era pelos latinos pronunciada como o u, 
masouando este tem o som de i. Nas palavras, que os Gregos 
escrevem com y, os Latinos empregamw, por exemplo cymi- 
num, que os latinos escrevem cuminum. 

b era pronunciado pelos Romanos de modo que quasi 
nada diíFeria do p, como provam as inscnpcoes, onde s'e not_am 
as palavras apsens (por absens, ausente), optmere (por obiinere, 
obter); e mais que tudo a expressa opiniao de Quintihano. ( ) 
c, como já dissemos, tem a mesma forca que o k; e deve 
pronunciar-se sempre como k antes de qualquer vogal; isto 
é, deve dizer-se, carus, caro (com o som de fc), Ccesar (kcesar), 
Cicero {kikero), Cicero (nome de homem), coram, em presenca, 
cura, cuidado. 

'No principio de algumas palavras pronuncia-se como g, 
por exemplo Cajus, Caio, Cneus, Cneo; que se devem pronun» 
eiar Gajus, e Gneus.. 

d tem grande relacao com o t; e tanto assim que em 
muitos templos e obras da antiga Roma se acham escnptas 
com t palavras que tambem se escreviam cora d, como Alc- 
xanter, Alexandre ; Cassantra, Cassandra, que se escreviam 
tambem Alexander, Cassandra. Eratambem antigamente em- 
pregada a letra d no fim das palavras termmadas por vogal 
para evitar o hiato, como nos verbos re-d-eo, eu volto, re-d- 
ambulo. eu torno (de alguma viagem), re-d-arguo, eu replico. 
Por está analogia entre o d e o t é que talvez costumam (os 
Portuguezes), pronunciar como d o í das terceiras pessoas 
dos verbos latinos. . . 

g era pelos Romanos muitas vezes substituido pelo c, e 
assim escreviam quincenti, quinhentos, em lugar de quin- 
genti. Antes das vogaes e, i deve pronunciar-se com a mesma 
forca, com que é proferido antes de a, o, u ; e por isso deve 
dizér-se legere, ler, e legio, legiao, dando ás syllabas ge e §% 
o mesmo som que á primeira das palavras portuguezas 
guerra, guia. 

(*) Lib. l.o Cap. 7.°. 



CAPITTJLO I. 20*7 

. f (que consideramos como tauda porque se pronuncia 
fé, e náo semivogal como os que entendem que' se pronuncia 
éfe) era pronunciada sem grande esforco dos beicos, no que 
se disting'ue do {Pfi) greg-o. 

l tinha tres sons : um, quando era dobrado, como em 
ille, elle ; mas que hoje é talvez impossivel defini-lo, pare- 
cendo-nos c'omtudo que alguma semelhanca deve ter com o 
nosso lh ; outro cheio, quando termina uma syllaba ou está 
antes de alguma consoante, como sol, sol, silva, bosque ; 
outro mediano, corao nas palavras lectum, leito ; littera, 
lettra. 

m estando no fim de uma palavra, e comecando a pala- 
vraseguinte por vogal, pronuncia-se tao subtílmente, que 
muitas vezes nao é percebido, ouvindo-se apenas o som da 
vogal por que principia o vocabulo seguinte, como malum 
ego, quantum erat, que pela rapidez da linguagem se pro- 
nunciam mal'ego, quant'erat. Mesmo quando a palavra se- 
, | guinte náo principia por vogal, a letra' m é pronunciada 

fracamente no fim das palavras, mas com forca no meio e 
antesde lettra cousoante, como lemplum, templo ; onde o m 
da primeira syllaba se pronuncia com muito mais forca do 
que o m da segunda. Antes de b, p, ou m escreve-se m'. 

n no principio e no fim das palavras tem som forte, 
como nomen, nome, stamen, fio ; no meio tem som brando, 
como amnis, rio, dumnum, damno. 

r pronuncia-se como em portuguez. 

s tem um som sibilante, e entre duas vogaes náo deve 
pronunciar-se como z, mas sempr^ corn o som proprio de s. 

t, cuja analogia com o d já mostrámos, conserva sem- 
pre o seu som natural, e segundo alguns auctores jámais 
deve ser pronunciado como ci : justitia, justica, deve na opi- 
niáo destes pronunciar-se do mesmo modo por que está es- 
crito. 

z, que já dissemos ser duplice, é lettra do alphabeto 

grego admi'itida para o latim : nos escriptos romanos anti- 

quissimos nao era empregado o % (*). 

Apontamosapeuas as opinioes das auctoridades citadas na 

-;( nota ? m as aconselhamos que seja segmido sóménte o uso da 

■ pronunciacao conforme o que expuzemos nas Nocóes Preli- 

minares (5). 

rí . (*) As auctoridades, em que nos louvamos para a exposicao da pronua- 

\i cia « as lettras, sao em grande parte individuos que viveram no tempo em 

que era o latim lingua viva ; taes sao Quintüiano, Vaww, Cicero, etc. 
Alem destes firmamo-nos na opiniao dos celebres Prisciano, Festo, 
Velio Longo, Terenciano, Anneo Cornuto, Charisio, Maximo Victo- 
?qo°' n s ? aur0 > Diomsdes: Vede Gasp. Sioppii Gramm, Phil.. pag. 
182 a 243. 



208 LINGUA. LATINÁ. 



I>a priiMLelra declinacao clos siaTbstaiiti^os. 

Sabemos que os nomes da 1/ declinacao fazem o g-enitivo 
do singular em ce diphthongo (49) : convem agora notar que 
este diphthongo ce resulta da contraccao de ai, íórma an- 
tig-a empregada ainda por Virgilio nestas palavras terrm, 

áauái. aulal, , . ., - T „ 

¿enitivo da l. a declinacáo tinha tambem primitiva- 
mente uma fórma acabada em ás, a qual desappareceu h- 
cando só conservada no nome familia (quando entra em 
composicao com os substantivos pater, matere fih™) V°* 
exemplo* paterfamilias, materfamilias, filwsfam%has, _<meiitte- 
ralmente traduzidos significani, pai de fam%lm r mmdetam- 
lia, filho de familia ; mas em portug-uez por imitacao do ia- 
tim se diz pai de familias, mai de famihas, filho familias. 

genitivo do plural da mesma declmacao sohre quasi 
sempre no verso uma modificacao pela subtraccao das íet- 
tras ar, principalmente nos nomes patronimicos, _e na- 
quelles em cuja composicao entra o verbo colere, e ¡ m gnere; 
exemplo : Dardanidúm, em vez de Dardamdarum (dos aes- 
cendentes deDardano) ,Cce¿zcdíúm, emvez de Ccehcolarum 
(doshabitantes do céo) Terrigenum, em vez de Temgenarum 
(dus filhos daterra). Ha em prosa tambem alguns exem- 
plos de drachmüm em vez cle drachmarum . (das oitavas), am- 
phorüm, em vez de amphorarum (das talhas) . 

dativo e ablativo do plural des'ta declmacao_ nos sud- 
stímtivos Dea (deosa) e filia (filha) nao aeabani em w, niasem 
abus ; e diz-se Deabus, e filicibus para distmguir dos substan- 
tivos masculinos Deis, e filiis (Deoses e filhos) . 

Mffuns grammaticos entendem que os subsxantivos íemi- 

■ ninos antma (alma), domina (senhora),. famula (aia), serva 

(cviada) e socia (companheira), por existir substantiyo mas- 

cuíino correspondente a cada um delles, e porcamo para 

evitar o equivoco, devem fazer o dativo e ablativo do plurai 

em abus. , , -, , 

üs nomes femininos asina (burra) egua (egua), mula (muia , 
conserva (companheira no servico do mesmo senhor), liberta 
íliberta), nata (filha), e alguns outros que se encontramnab 
ÍnsoripcOes, foram usados com a fórma abm nesces dous 
oasos d'o plural : entretanto na opimáo de proíunclos íati- 
nistas, estes ultimoe seis nomes nao devem_ser termmaaos 
no dativo e ablativo ds plural com a fórma abus. 



,s 



CAPITULO III. 209 



NOMES DA PEIMBIRA DECLINAgÍO DERIVADOS DA 
LINOUA GREGA 

Os hottirs cla l. a cleelinacao, derivados do grego para o 
l^-i™ nr. fífi^-ñinv^-ü inteiraniente fórraa da declinacáo la- 
; L , , ,, ^ (poeta) ; cm conservararm a fórma oa 

■d°cí' í n c »e íí o pts"*^ r,nmo epitdme, es (resumo) ou seguem umas 
ve-zes n'decmiacao iatina, como musica, cejmusica), e outvas 
a fá-'rap rla aeclirmeao grega, como muszce, es. 

Os'substnntívos'da l. a declinacao, derivados clo grego, 
sao fe^i -raos'si o nominativo dó singular acaba em e; s 
mascminns si acaba em es ou ás. plural, quando exme, 
dos nomes da 1." declinacao derivados do grego, aeclma-se 
como casee, arum (Quadro n. 1). 

dativo singular tem sempre a forma latma ce : o gem- 
tivo do sing-ular tem esta mesma fórma nos substantivos 

masculinos. _ _ , m ■. 

accnsativo do singular em am dos nomes em as, é mais 

usado em prosa : o accusativo em án mais empregado em 

verso. „ . i ,i^ ,-,r, 

vocativo dos masculinos forma-se cortando o s do no- 
minativo do smgular ; entretanto alguns nomes gregos 
masculinos acabados em es fazem algumas vezes^o vocanyo 
em á breve, por exemplo : Oresjes, que faz o vocativo Oresta: 
Atrldes, que faz Atricle, e Atriclá. 



MODELO DA PRIMEIRA DECLINAClO 
(FÓRMA grega). 

N S. N. S. N. S. 

N. Epi¥m e, (resumo) Cdmet-gs, (cometa) ^íwe-as, iBneas) 

Y. EpMm-e, Cómet-e, /Ene-a, 

G. Epitom-es, Cómet-es, /Ene-ce, 

D. Epttom-ce, ' Cómet-ce, /Ene-ce, 

Ac. Epitom-en, CdmeJ-en, e_am. /Ene-an e am. 

Kb. Epitom e. Cómet-e e a. £ ne ~ a - , n 

(0 plural é como casce, (0 plural_ é como Náo tem plurai 
arum). cas ®-> arum). - 



:A 



^ITULO 



r>a sesiixicia cleeiinagáo clos STibstantivos 

Yimos na Primeira Licao (67) que os nomes acabados em 
itts da 2. a declinacáo apartaimse da regra geral desta nao 



210 LINGÜA LATINA. 

fazendo o vocativo do singular em e breve, mas fazendo-o 
em l longo. Cumpre explicar agora que este % é o resultado 
da contraccao das vogaes ie; e que os nomes propncwVw-g*- 
lius Pompeius, Caius, assim como os appellativos genius e 
Mius, fazem o vocativo do singular Virgih, Pompei, Cai, 
geni, fdi por contraccáo das duas vogaes ie, sendo por este 
mntivo o % longo. Esta excepcáo no vocativo do singular dos 
nomes da 2." decliuacao só deve ser entendida a respeito dos 
nomes proprios acabaclos em ius e náo dos appellativos (ex- 
ceptuando genius e filius) nem táo pouco dos adjectivos; pois 
que os anpellativos assim corao gladius (espacla), nuntius 
(mensageiro), da 2. a deelinacáo, e todos os adjectivos da 
niesma acabaclos em ius, fazem o vocativo clo smgular se- 
gondo a regra geral ; e assim diremos : gladié, nuntie, pie, 
egregie (adjectivo pius, a, um, egregms, a, um) . 

l)s poetas fazem algumas vezes nos nomes da 2. a decli- 
nacao o vocativo em us semelhante ao nominativo, conio : 

jíuvtus, o Latlnus (Virg.), em vez de o fluvie, o Latine. Em 
prosa encontra-se alguns clestes exemplos, porém mais 
raros, como este de Tito Livio (Liv. l.°, 1. 24) Audi tu popu- 
lus, ern lugar de popüle. , •• 

U gcnitivo do singular ii dos substantivps da 2. a decima- 
cao acabados em ixis e em ium era primitivamente contra- 
íiclo em i ; por exemplo : Virgilius fazia o genitivo Virgili, 
ingniium, inqeni, negotium, negoli, imperium imperi ; e esta 
contraccao era maís frequente no verso. Quanto aós adje- 
ctivos cía 2. 3 declrnacao acabados em ius, como : egregms, 
viv-s. etc, sempre o genitivo conservou sua fórma regular n. ■ 

1 ü genitivo do plural dos nomes desta declinacao princi- 
palmente em poesia soffre uma modificacao pela subtraccáo 
das' letras o?^(pela figura syncope, em virtucle da qual se 
póriem subtrabir syllabas ou lettras clo meio de uma pa- 
lavra), e assim encontra-se o genijivo do .plural dos nomes 
patroniinioos ern um em lugar de orum, por exemplo Dana- 
um, Argtvum, em vez cle Danaorum e Argivorum. AJgumas 
vez j s porém o genitivo do plural dos adjeetivos desta dech- 
nacHo é contraíiido, por exemplo no adject-ivo m'ujiiánimus, 
due fus o genitivo magnántmúm em vez de magnámmornm. 

Ein prnsa cambem é frequente encontrarern-se os n.anes 
de m ¡edns, medidas e numero com o genitivo do plural emr- 
trrdndu : assim em vez de nummorum (das moed-sb sesier- 
iiorum ('dos sestercios), denariornm (clos denarios), rnódioruin 
(dos alqueires), sládwrüm (rlos estadios), duorum (doj'dmjs;, 
acb:un-se rnuitas vezes os genitivos nummúm, sesteríiúmna- 
oboriúm, módiúm, stuiiúm, duúm. Os genitivos Deum (uos' 
Deoses), ern vez cle Deorum, liberum .(dos filhos) em vez d.e 



911 
CAPITULO III. * LÍ 

liberorum. socium (dos companheiros) em vez de sociorum, 
loT seÍ^nda declinLao, fazem tannbem o geouivo 



S plural quS semprTenV^m vez de o fazer em ar™ 
exemplo : fabrúm (dos artifiees), em vez de /aferonim, tem 
ÍX dós Duumviros)em vez cle Duumvirorum; Trmmvirum 
Jdos TÍiumviros) em vez de Triamvirorum; Decemvzrum (dos 
TSeremviros) ern vez de Pecemvirorum. • . „ 

D 03 poe as mudam algumas vezes os ^^^^^^¿^^ 
da 2.¿ declinacao para &, e em.yez de Jffwndíi (Evandro) 
dzem Et>a«dru«; sendo o vocativo Em*ou Bjand/é . 

vem encontrar-se o vocativo puere em ^ez de pua . 

MOMBS DAlSEGUNDA DEQLINACIO DERIVADOS DA LINGÜA GBBGA. 

Ouando o nominativo do singiüar de um nome ¿ dív2 * de- 
clinacao termmar em os, on ou eos, esse nome e demado 

d °Muit g o°s' nomes da 2.- declinacáo derivados do ff^para 
olatim adoptarnm inteiramente a forraa da 2. decl mawo 
latina corno ifomems (Homero), Alexander (Adexandie: mea 
fru m 'the* tro) ■ mIo-qos seguem urnas vezes a declmacao la- 
lü a o S s a grega, como barbítns (alaúde), que ora adopta 
í fónna (U íieclinícao laúna em todos os casos : N barbum, 

ora apresenta no nominativo e accasativo do singulai a de 
sinencia grega, N. barbiios, kccbaroiton 



s se- 



níosVi ha Delos), /ton (a cidade .le Troia), e outro 
xndhanÜ^clinaii-se n, nouiinativo eaccusati^do^in- 
o-ular ootn a desitienciagrega: exemplo: N .D o>, Acc . /J ; on 
N. i/y «, Acc. ítfo», podendo tambem ^chnai^em oodos 
os casoscom a termmacáo latma : exemplo : N. m/us Voc. 
Defe, G. />/i, D. e A bl. Deio, Acc. 7)eí-i¿»7i- ; N. V. e Acc. lUium, 

G. Ilii, D. e Ab. J7,;o. declinam-se 

a lo-nvis nomes oronrios (L! J ilva>.LOb ao ó^o u "^ 

flro nSin .¿m:.vlo a f ..mv. da dKdiaacáo atuca ; por exem- 

pío : iucí-^os (Androgeo) e Atkos ;o nome Athos). 

n. v. w^ ■ ■ i- v ^ 

S' vs, "níS D.'eAbl. ¿,W> 

Scc AÍ», ,4,b^o ^cc: Athon, Mu>: 



geo 



docb. 
víi'a ju/í'O 



:íi .1: 



'W 



212 LINGUA LATINA. 

Diz-se tambem Anclrdgel em geninitivo com a fóraa pro- 
pria da 2. a declinacao latina, Athos é tambem cíeclmaao peía 
3. a declinacao latiiia sómente no A.cc. Atkonem, e no Ábl. 
Aihoné.- . ^ ,, . 

Amtigameate os nomes em os deiuyaaos ao gregn laxíam 
genitivo do singaüai' em ü. seguiiidi > < ' <-'i¿n 

Menandros e Apollocloros, faziam o genitivo úo smgaiar Me~ 
nandrü, Apolldoru, em lugar de Síenandri e Apo/¿otíori.. 

Adguns nomes neutros da 2. a declinacao tamoem denva- 
dos do grego fazem o genitivo de phiral em on em vez de 
orum ; assim o nome Georgíca (*) (A.s G-eorgieas) faz o geni- 
tivo-do plural Georgicon em vez áejíeorgieorum. ^ 

Os nomesproprios acabados em eus (sendo eüs uma só syi- 
laba) como Orpheüs, Prometheüs, Iclomeneus, Perseus, que 
em grego sao da 3. a declinacáo, passam a ser da 2. a em 
latim ; nao ebstante, estes ñomes fazem o vocativo com a 
fórma grega da 3. a declinacao, e podem prmcipalmente no 
verso conserval-a em todds os mais casos ; exemplos : ÍN. 
Orpheüs, V. Oppheü, G. Orphel, D. e A.bl. Orpheo, A.cc ¿ Orphe- 
nm ; ou N. Orpheüs, V. Orpheu, G. Orhheos, D. Orpheí, Acc. 

Perseüs. significando Perseo, rei da Macedonia, é decli- 
nado por Cicero como Cometes, deste moclo : N. Perses, V. 
Perse, G. e D. Persce, Acc. Persen, ou Persan, Abl. Perse ou 
Persa. 

CAPITULO IV. 

E>a tear-oelr'a, decliaacaó, 

SURSTANTIVOS IMPARISYLLABOS 

Dividimos os nomes da 3. a declinacao em imparisyllabos 
e parisyllabos (70), e sabemos que para declinar os imparisyl- 
labos masculinos ou feminhaos basta juntar no singular as 
terminacOes is ao radical do genitivo, i ao dativo ; em ao ac~ 
cusativo" : e ao ablativo (vo.cativo é sempre semelliante ao 
nominativo desta declinacáo) ; e no plural as terminacoes es 
ao nominativo, vocativo emccusativo : úm\{e algumas vezes 
ium) ao -genitivo;' í&us ao clativo e ablativo. Sabemos igual- 

(*) Este nome declina-se só no plural ; e tem por moclelo tsnvgla, 
orum (Quadro n. 1). - ; .' . 



CAPITULO IV. 



213 



mente que os neutros tmparisyllabos fazem o vocativo e ac- 
cusutivo clo singular semelhantes ao nominativo do mesmo 
numero, e qne no pluraí toclos estes tres easos acabam em a, 
senclo as terminacoes de todos os outros, tanto no singular, 
como no plural, as mesmas dos imparisyllabos masculmos e 
femininos, isto é, is, i, e (no singuiar), um (e aigumas vezes 
ium), ' ibus (no plural). . 

Mguns P-rammaticos attendenclo á grande vanedade que 

anresenta o nominativo do singuiar dos nomes da 3. a decli- 

nacáo, os tem classiflcado conforme as letras vogaes e con- 

soántes,emque termina o dito nominativo. Segundo talclas- 

sificacño os nominativos dosnomes da 3. a declmacáo pociem 

acabar em a, e, i, y, o, c d, l, n, r, s, í, -x, assim como poema 

átis, cublle, is, hydvomeli, itis (agua-mel), misy, is, (vitnolo), 

leo. onis, lac, ctis (leite). David, idis (David), sol, is, hen, enis 

(baco). soror, oris, lepus, óris, caput, itis. (cabeca), rex, regis. 

Os imparisyllabos cla 3 a declinacáo que acabam nas vo- 

gaes á, e, i, y sáo sempre neutros, e fazem o gemtivo_do 

singular em átis, tlis, itis, e is, exemp.lo poema, átis, cubile, 

is, hydromeli, ilis, misy,is. Os substantivos ímparisyllabos 

da 3> declinacáo que fazem o nominativo_em o saoniascu- 

linos ou femininos, e tem o genitivo em onis, ou inis (*) ; 

assim como leo, onis, homo, inis : por estes dous nomesde- 

clinam-se toclos osda3. a declmacáo que fizerem o nomma- 

tivo em o, e o genitivo em onis ou inis. E' de notar que o 

substantivo fiminino caro (carne) faz no genitivo do smgular 

carnis (em vez de carinis) e no genitivo do plurai carmum, 

e por isso é imparisyliabo. Nemo, inis (nmgaem) náo tmi 
plural, e seu genitbo do singular é ranssimo ; quasi 

sempre, ou para melhor dizer, sempre é substituido pelo 

genitivo nulllus (de nenbum homem). 
Os substantivos imparisyllabosá'd 3. a declmacáo que íazem 

o nominativo em c, sáo lac, lactis (que náo tem plural), e 

alec, alecis (salmoura), ambos neutros. 
A terminacao d no nominafcivo dos substantivos impari- 

syllabosáaS. 1 deciinacSo é sómente privativa dos nomes 

proprios, como David, idis. e 

Os substantivos vmparisyllobos da 3. a declmacáo que xa- 

feem o nominativo em l podem ser masculinos ou neutros ; 

eo genitivo do singular é sempre formado juntando a ter- 

minacáo propria deste caso (is) ao l do radicai : por exmn- 

plo sol, quefaz o genitivo sol-is, sal, que faz o gemtivo sal- 



(*) Excepíuam-sc Anio (o rio Anio) que faz o genitivo Aniüms ; fi 
Nerio (esposa do Deos Marte) que faz o genitivo Nencnis. 

16 



214 '"lingua. latina.. 

is (sal), consul, que faz o genitivo cons#«s, fe/, que $ fa z o ge- 
nitivo feM-is (fel),mel, que faz o genitivo roe/í-ts ( J. 

Os substantivos imparisyllabos desta declmacao, que ía- 
zem o nominativo em n, dividem-se em duas turmas; uma 
dos queformam o genitivo juntando-se ao radical a termi- 
nacao propria deste caso (is) ; como sejam paan, que raz^ o 
a-enitiVo pceanis (liymno) ; ren, que faz ?;én¿s (nm), Jj/me», 
quefaz /w/roéVm (o Deos do casamento), delphm^que íaz del- 
phlnis (golfinho), agon, que faz agoms (lucta), zcon, qim laz 
íconis (imagem) ; e outra dos que fazem o genitivo em tnis 
assimcomo flumen, flüm-inis (rio), fulmen, fulm-tnis (raio) 
(***), pec/en, pecí~-¿m"s (pente) ; aquelles dous neutros, este 

Os imvarisyllabos, cujo nominativo acabar em r, dividem- 
se tambem como osacabados em n em duasturmas: a 1." e_a 
dos quefazem o genitivo juntando-se a termmacáo propna 
deste caso [is) ao mdical, como sejam Arar, que faz Arar-is 
(orm Saona), ca/car, que faz ca/car-^s, aer, que faz aer-w 
íar) ver, que faz wr-is (primavera), soror, que íaz soror- 
k su/p/mr que faz sulphur-is (enxofre), far, que faz /wr-*s 
Aadrao) • a 2." turma é dos que tendo o norainacivo acaba- 
ko em r' precedido cle u, fazem o gemtivo emw« assim 
como femur, óris, Sbur, oris (marfim), robur, ons, (robus- 

Os substantivos imparisyllabos, cujo nommativo acaba em 
s orecedido de a, ou mudam no genitivo do smgmlar o s em 
t como panperías, atis (pobreza), ou em r, comomas, mar-is 
ímacho) Exceptuam-se desta regra vas, adis (fiador), que 
muda o s-em d ; ms, r-as-is (vaso) do genero neutro que con- 
Srva o s ; as, a¡s-is (moeda de quatro reis) que dobra o s ; e 
adámas, adamant-is (diamante), elephas, elephant^ (elephan- 

te) qne mudam o as em ant. -,-,•, , Tvn rt 

%s impamy//a6osacabados em s precedido de os mudam o 
s em r, íomo ces, cbtú (cobre), e precedido cle e mudani o s em 
í ou d assim como parzes, parié'í-ís (parede), pes, ped-*s (pé). 
' Os imparisyllabos acabados em s precedido de %, ou mu- 
dam o s em r como glis, glir-is (arganaz) ; ou em o\ como 
S5¡£, /apzd-is ; a maior parte porém dos que acabam em s 

(•*) Estes clous uUimos sao neutros c dobram o l no gcnitivo do sin- 
gular, e cm todos os mais casos. 

í**M Nao dosso passar cm silencio a scguinte reflcxao quo ao escrever 
cs as ^días JafavrS foccorreo-me: Flüniln (rio) a sseme i m-se ^ 
(raio), e a unica cliffcron C a está na troca das duas etras { « e « ^{ ^ . dí \ ™s 
mamancira em portugucz rio eraío se assemelham, e sc confundinam 
sem a differenca da lcttra a. 



CAPITULO IV. 215 

precedido de i sendo imparisyllabos mudam oieosem er ■ 
assim como cmis, c^éWs (cinza), pulvis, pulver-is (poeira)! 

Os impansyllabos acabados em s precedido de o podem 
mudaros_emr, í, d; assim como mos, mor-is (costúme) 
n^os, mpot-is (neto) custos. CW s¿od-¿, (guarda). W¥ «n s ¿ 
,oo neutro os, _or- ÍS (bocca), muda o s em r / mas oí (tam- 
bem neutro) sigmificando osso dobra no g-enitivo o s do nn 
■ mmativo, deste modo, os, oss-is. 

Os imparisyllabos acabados em s precedido de u nodem 
mudarosemr, í, ou d, assim como í«s. tur-is (incenso) 
saius, safwí-rs (saude), /Wms, /raiid-is (traicao). aWuiis ha 
porém que mudam o « e o s do nominaWem er ou ÓV • e 
taes sao vulnus, vulner-is (ferida), sidus, siMr-is (astro) tóm- 
pus, tempor-is (tempo), corpus, corpdr-is (corpo) 

Os imparisyllabos acabados em s precedido de r ou l mu 
dam o s em í assim como ars, orí-ís (arte), puls, pult-is (cal- 
do) ; mas sendo o s precedido de n podem mudal-o em t ou d 
como mons moní-is, lens, lend-is (lendeaj. Quando o s do no- 
mmativo dos tmparisyllabos vem precedido de 6, m ou m é 
supprimido no g-enitivo, e se diz urbs, urb-is (cidade) ovs 
(nommativo desusadoj, o^-ís (soccorro), hitms, hiem-is (T- 
yerno). Quando o %mparisyllabo termina em ps precedido de 
e,estectransforma-seem i, como nas palavras pmncm s 
prmcipHs (pnncipe), forcSps, forcíp-is (tenaz) . ' 

Os vmpansyllabos acabados em í, que sáo : c^aí (cabeca) 

e -os seus compostos occvput (♦), e «>í (**), faíem o geni- 

tivo co^s, occTpirí-M, «nciptt-ig, e sao do g4nero neutro 

_ Os wipwnsyllabos acabados em x mudam no ff enitivodo 

smgular o x em c ou o, assim como dux, due-ü, rex rea- 

Zrl^T a \ V6Z r S P ° rém ° x d0 non ™tivo quando ¿ pre- 
cedido d « transforma-se em c ou o, e o e em 1, assim como 
judex judtc-%s, remex, remzg-is (remeiro). JVb* (noite), iZa- 

noíis á ° em X mUda ° * em cí ' e fa * no ¿enitfyo 

rfpSnl^-^V ^ a c °nsiderar os substantivos da 3.« 
deciinacao relativamente acrnumero de syllabas do nomina- 

ane LfnwlZ° d ° sin ^ lar .( TO ) notemos ís particularidades 
que nos offerecem os imparissyllabos desta declinacSo 

Uissemos que pater, patris, mater, matris, frater, fratris, caro 
carms eram vmparisyllabos (76), apezar de terem igual nu- 
meio de syllabas no nominativo e g-enitivo, pois aue esta 
ig-ualdade resulta da perda das lettras e e ^no ^genitivo 
que devia ser pateris, matéris, frateris, carínis ; mas qu¿ 

(*) Occ'iput, parte posterior da cabeca. 
(**) Sincíput, parte anterior da cabega. 



2]_g LINGUA LATINA. 



a estes se 



«nr^Tircao é «fliris, moíris, fraíris, carrois . 

l°^e , i S os n'omes' «c« ? «,r, amffri. (e« ™ de ac- 

• -S ;; Incorl «»!«% «raítus, ¡ventre , uter, «»« (oui-J, 

? ! f. ;l/,T(caoo. (»*). Crnipre notnr, que de todos os 

ÍCñ'Sfcto a "«Sd'os Jm ¿V , só tater, taterte (tijolo), nao 

Pe íS ^suúlTser oturaSSSeo dos substantivos *■*«- 

acaba em » P\f°f^;; f od s o. e nitivo clo plural em zum. 
1 n r os quaes íazem couob u b CU1 ^ /A am ^nr\»\ nne 

7i¿ 'iloL tpmnqíjo-c cme íaz noctium, hs demanaaj quo 

uS|a|#5SriEfl==£ 

&• e "os substantivos fraus, e palus que fazem algumas 
acrescemar sj od»bm . ou leU ^™ 1((ltej nao ha eiLce - 

lug-ar de sorée, lcqnde, parte. . 

SUBSTANTIVOS PARISYLLAB08. 

. Ossubstantivos parisyllabos ^l^^^^t 
sabemos (70), aquellea ^^^Z^ol^^S^ 
singular igual numer o d 5 A s ^ -^ fettra oü 

nao resulta de contraccao ou peida cic ai aiud, 

^caracter distinctivo. clos jubstantivos^ta^ da 
.3.. declinacao é ter o gemtivo do plural em %um. 

■ r .) Estes tres ultimos nomes (-g^t- ^ ^ * ^ 
parisyllabos fazem o gemtivo do pluial em ««*. 



CAPITULO IV. 2r 



Muitos destes nomes fazem o accusativo do singular em 
»ou im ; e alguns delles em im sómente. 

ablativo do singular conserva a v'bg-al do accusativo ; 
algumas vezes porém admitte e ou % em certos nomes que 
fazem o accusativo em em sómente. 

Eis os substantivos parísyWaoos que fszendo o accusativo 
em em fazem o ablativo someníe em e .- hostls, collis, axis 
(eixo), callis, (atalho), testis (testemunba), ensis, orbis (circu- 
lo, giobo), torquis (collarj, mensis (mez), piscis, messis (co- 
lheita) ,ovis (ovelha), vallis (vallo), ccecles (mortandade), clacles 
(clestruicao), farnes, rupes (rochedo), sedes (assento), vulpes (ra- 
posa). 

Si algumas vezes se encontram os ablativos colli, torqui, 
messi, ovi, sao archaismos. 

Os substantivos parisyllabos, que fazendo o accusativo em 
em podem ter o ablativo em e ou i sao os seguintes : amnis, 
anguis (cobra), fustis (vara), vectis (alavanca), civis, ignis 
(fogo), unguis (unha) postis (porta), jinis (fim), avis (ave), 
classis, neptis. Neste ultimo o ablativo ern i é mais usado ; 
em todos os outros o ablativo eme mais cornmumente ern- 
pregado, principalmente em prosa. Quando avis sig-niflca 
agouro usa-se cora mais acerto avi no ablativo, do que ave ; 
assim como quando fustis significa o castigo de bastonadas 
melhor é empreg-ar fústi no ablativo de que fuste. 

nome imber, imbris (chuveiro), posto que acabado em 
er, póde ajantar-se aos precedentes, pois fazendo o accusa- 
tivo imbrem, faz o abíativo imbre owimbri, e o g'enitivo do 
plural imbrium. 

Os substantivos parisyllabos, que fazem o accusativo em 
<m oo ioj, e o ablativo em e ou i, sáo clavis, febris (febre). 
navis (navio), pelvis, puppis (poppa), restis (corda), secüris ; 
sementis isementeira), strigilis (ahnofaca). Este ultimo faz 
o genitivo do plural tambem em um, slrigilum. 

Os substantivos parisyllabos, que fazem o accusativo em 
im e o ablativo em i, sao os seguintes : amussis (cordel, re- 
goa), buris (rabica do araclo), ravis, tussis, sitis, cannábis 
(iinho conhárno), sinapis (mostarda), cucümis (pepino). (*) 
Ñenhum clestes tem plural em latim. 
, Fazem tainbem o accusativo em im e o ablativo em i al- 
guns nomes cle riorf, como Tiberis (Tibre), Ligcr, Ligeris 
(Loira), Athésis (A-dig'e), Arar ou Áráris (Saona) Albis 
(Elbo), Scaldis (Sscalda), faz Scaldim ou Scaldem no accu- 



(*) É cucmnis, genitivo cucumis (parisyllabo) e nao o impari- 
syllabo ciccumis, cuaimeris, porque este faz o accusatrvo cucum'érem, 
e o ablaiivo cucumcre. 



218 • LINGUA LATINA.. 

sativo ; Liris (Lir) faz Lirim, Lirin ou Lirem. Diz-se támbem 
em abíativo Arare e Sca/de. „,.>-• 

Os nomes dos ■ mezes A¿»'¿/, Septembro, Outubro, ftovem- 
bro Demnbro fazem o ablativo em i ; Aprilis, is, faz Apnli, 
September, bris, faz Septembri, October, bris, íaz Octobri, 
November, bris, f&zNovembri, Demnber,bris, faz Decembri. 

Os nomes seguintes, que foram primitrvauiente adjecti- 
vos, como : annalis, is (livro de annaes), aqualis, is (pucaro 
de agua), familians, is (amigo), sodafós, is (companbeiro, ca- 
marada), bipennis, is (macbadinba de dous gumes), canalis, 
is (cario), triremis, is (gaiera de tres ordens de remos), iazem 
o abiativo em i. , t _,. 

yEdfte, ís (almotacel) faz o ablativo em e ; patruelis, is 
(primo) faz o ablativo do singular em « ou t. _ 

Osnomea proprios que foram primitivamente adjectivos, 
como : Juvenalis, is, Martialis, is, Felix, tcis, Clémens,mentis, 
Celer, eris, Simplex, icis, fazem exclusivamente o abiativo 
do singular em e. 

Dissemos que um dos caracteristicos dos substantivos pa- 
risyllabos da 3. a declinacáo era o gemtivo do piurai em %vm; 
ba porém alguns parisyllabos que por excepcáo de regra 
geral fazem o>enitivo do plural em um, como os imparisyl- 
labos. Taes sáo juvenis, is (moco), senex, sems (velho) { )_, 
canis, is, vates, is, (vate), strues, is (montáo), proles, %s 
(raca), que fazem todos o genitivo do plural em um e nao 
em'ium. Apis, is (abelba), faz o genitivo do plural apum ou 
apium: panis,is náo se encontra nos auctores ciassicos no 
genitivo do plurai ; mas os grammaticos antigos parecem 
p referir panum a,panium. . . 

Grüs, gruis (grou, avej_ e sus, suis, fazem o gemtivo ao 
plural gruum, e suum : sus fazmo dativo e ablativo do plu 
ral suibus ou subus. Grüs, gruis e sus, suis, amda que na tor- 
ma parecem imparisyllabos, náo o sáo, porque os nommati- 
\os~grüse süs sñ,o o resultado da contraccáo dos antigos 
■ nominativos gruis e suis. - 

nome ambages (plural, feminino, rodeios, desvios) que so 
tem no singalar o ablativo ambage, faz no gemtivo do piu- 
ral ambagum. 7 

De muitos dos substantivos parisijllabos, como ccedes, cla- 
des, mensis, se encontram os geuitivos no plural coidum, cla- 
dum, mensum, em vez. de ccedium, cladium, mensvum ; taes 
exemplos porém náo devem ser seguidos. 



(*) Senex nao é propriamente parisyllabo senao porquo faz o gemtivo 
contrahido senis, eni vez semcis, conao outr'ora. 



i 



CAPITUL0 IV. 219 



OBSERVAGOES. 



Sobre ns substantivos da 3. a declinacáo imparisyllabos 
e parisyllabos. 

Osnomes da 3. a declinacao, náo sendo neutros, fazem o 
nonainativo, ve>:;ativo e accusativo do pluraL em es. Em al- 
g-uns auctores porém encontra-se nos tres referidos casos a 
fórma eis, e por contraccao is, principalmente nos nomes 
que fa,zem o genitivo do pluraí em ium ; exemplo : omneis 
e omms, urbeis e urbis ; treis e trts ; genteis e gentis ; em vez de 
oynnes, urbes, tres, gentes. 

Alguns substantivos da 3. a declinacao apresentam nota- 
veis irregularidades ; entre outros os segmintes : Juptter 
(Jupiter,_chefe dos Deoses do Paganismo) que faz o g-enitivo 
Jovis dativo, Jovi, accusativo Jóvem, ablativo Jove. voca- 
tivo é semelhante ao nominativo. Tambem Diespiter, Dies- 
pitris siguinca Jupiter. Diespiter ("pai do diaj é composto de 
dies e páter. Jecur, jecoris (fig-ado) substantivo neutro, faz 
tambem o genitivo jecinoris e jocinóris ; porém jecur, jecóris 
é o mais usado. Supellex, supeílecttlis (alfaias) faz o dativo su- 
pellecttli, accusativo supellictilem, ablativo supellectile ou su- 
peüectili ; o plural supellectiles é empregado por Ammiano. 
Vis (forca) substantivo feminino, faz o accusativo vim e o 
ablativo vi : nao tem genitivo, nem dativo do singular : no 
plural : decliua-se Nom., Voc, e A.cc, Vires, Genit., Vi- 
rium, Dat. e A.bL, Virtbus. Bos (boi ou vacca)- faz o Genit. 
Bovis, Dat. bóvi^ Acc, bovem, Abl., bóve, no' plural Nom., 
Voc, e Acc, boves, G-enit., boum, Dat. e AbL, bobüs (e al- 
gumas vezes bübus). 

Os nomes neutros da 3. a declinacao acabadós em ma, 
como poema, átis, cenigma, átis (enig-ma), diadema, átis (dia- 
dema), epigramma, aíis (epigramma), emblema, átis (em- 
blema), toreuma, átis (obras de baixo relevoj, cliploma, átis 
(diploma), fazem o dativo e ablativo do plural mais com- 
mummente em is em vez de ibus, como segundo a regra 
geral dos nomes da 3, a declinacáo deviam fazer. 

' NOMES DA TBRCEIRA DECLINACAO DERIVADOS DA 
LINGUA GREGA. 

Muitos nomes derivados da lingua g'rega sao em latim da 
3. a declinacao, e imparisyllabos : taes síio entre outros os 
seguintes : Ajax, acis (Ajax), Atlas, ant is (Atlas), splen, enis 
(braco), hepar, átis (figado), tyrannis, idis (tyrannia), Xeno- 



&BB 



LA 



220 LINGUA LATINA.. 

vhon, Xenophontis (Xenophonte), os quaes todos se cleclinam 
com as terminacües proprias'da 3/- declmacTio latma. _ 

Alo-uns lia tambem derivados do grego, que sao parisyt- 
labos°e fazem o accusativo em im e o ablativo em %, decli- 
nando-se em todos os seus casos com as determmacoes pn- 
vativas da 3. a declinacao_latina ; taes sao : ba,sis, %s (basej, 
Neapólis, is (Napoles) ; poesis, is (poesia). 

Outros entretanto clerivados do grego admitcem, a _p¡*i 
das fórmas peculiares da 3. a cleclinacáo latma, as termina- 
coes proprias cla 3. a declinacáo grega, tendo os mpansyUaoos 
a terminacao ós para o genitivo, a termmacao a para o ac- 
cusativo do singular, e as para o accusativo do plural; e os 
parisyllabos a termmacao eós para o gemtivo do smgular e 
a terminacao in para o accusativo. do mesmo numero. 
Exemplo dos imparísyllabos : 

■ N. ^'néfc, (A Enei- G. /Eneidos. Ac. /Eneidá. • 

da de Yirg.). „ 

N Aér (ar) ' G. 4ms. Ac. Aera. ^ 

NÍ /Eí/ier (ether). G. /EfMris. Ac. ^ífcera. 

N. Fecfor (Heiíor). G. Hectóris. Ac. Hectora. 

N. P«?i (oí)eosPan). G. Panos. Ac P«n«. 

N. Herots (hero'e). Q. /feroís. Ac fferoa (Noplurai 

V . N. Heroes, Acc, 

Heroás . 

N. Arcas (natural da G. Arazííos. Ac. Arcató (No plu- 
k^a \ a \ ral N. Arcades, 



Arcadia) . . 



Acc. Arcadás). 



Exemplo dos parysyllabos. 



N 



Máthesis (scien- G. Matheseos, Ac. MatMsin. 
cia). (o gemtivo 

é raro). 
N. Poesis (poesia). G. Póeseos, kz. Poesin. 



■y 



(o gen. gn 
go tambem 
é raro.) 



Ji 



Alguns imparysallabos além do accusativo em a o fazem 
tambem em n, por exemplo : Thetis (filha cle Nereo), b-enit. 
Ihetulos, Ac. r/ieíWá e Thetin : Te£%s (mullier clo Oceano), 
Gen. Teíhyds, kc. Tethia e Tethyn. . 

Outros nomes ha que sao declinados ora como partsyllabos, 
ora como imparísyllábos, por exemplo: Atfcmts (Adoms), ts, %m, 
ou ¿n ; e Adonis, idis, idem, ou idá. _ ^ u . 

Osms /Osiris), is, im, ou ?.n ; e Osiris, idis, tdem. 



\ 



CAPITULO IV. 221 

Serapis (Serapis), is, im, ou tn ; e Serapis, ulis, tdem. 

Os nomes proprios de homens acabados em es como Socrá- 
tes, is (Socrates), Aristotelis, is (Aristoteles), declmam-se pela 
3 ; a .declinacao latina em todos os seus casos ; em Cicero po- 
rém encontram-se estes e outros nomes proprios cla 3. a de- 
clinacao que fazem o nominativo em es com o genitivo em 
*, como si fossem da 2. a declinacao latina. 

Alguns destes nomes acabados em es fazem tambem o ac- 
cusativo do singular em en, como si pertencessem á l. a de- 
clinacao grega. 

norae Achilli's, is (AcliillesJ e Ulysses, is (Ulysses) que se 
declinarn^ pela 3. a declinacao latina fazem tarnbem o g'eni- 
tivo do singular em eí ou éós, e o accusativo em eá, como 
si o nominativo acabasse em eus. 

Ha alguns nomes proprios em es da 3. a declinacáo, como 
Chremes, Thales, que ora se declinam conio parisyilabos, ora 
como imparisyllabos ; exemplo : 

ÍChremis., Chremi, Chremem oi\ Chremen. 
Chremetis, Chremeti, Chi emetem, ou 
Chremetá. 

Thales íThnles , ) ^ ^hales, Thali, Thalem, ou Thalen. 

^ ' l Thaletis, Thaleti, Thaletem ou Thaletá. 

Os nomes patronimicos mascúlinos acabados em tdes, ádes 
iádes, sao da l. a declinncáo, e fazem por isso o genitivo em 
ce diphtongo : Priamtdes, w (filho cle Priamo), Thesttádes, c& 
(filho cle Thestio). Os patronimicos femininos em '¿s, eis, tás, 
sSo cla 3. a declinacáo, e fazem o genitivo em tdis, eidis, %ádis : 
Nereis (filha cle Nereo), Nereidis ; Thespias (filha de Thespio) 
Thespiádis . 

Os nomes proprios femininos acabaclos em d long-o, como 
Dído, Calypso, Echo, Io, Tno, Manto, Sappho, fazem o genitivo 
em üs em vez de óós, e o accusativo em o em vez de Óá. 
Exemplo : N.DüZo, Gr. Didus fpor contraccao de Didóós), Dat. 
e Abl. Dlclo, Ac. Dldó (por contraccao de Dldóá). 

_0 nome Dido, tambem faz o genitivo Didonis, o clativo Di- 
doni, etc, e assim foi empregado por Tacito. 

Ha tambem incluidos na 3. a declinacao alguns nomes 
neutros clerivaclos do g'rego que acabam em ós breve no sin- 
g'ular, e em é long'o no plural por contracao de eá ; e que 
só se usara nos tres casos semelhantes (N., V. e Acc.) por 
exemplo cetós (qualquer cetaceo), épos (canto epico), melós 
(canto lyrico), que fazem nos tres casos semelhantes cío plu- 
ral cete, epe, mele. 

Cetós tem tambe^ esta fórma latina cetus, ceti, masculino; 
rasao pela qual se encontra o dativo do plural cetis. 



L1t : 
Wm 



222 LINGUA. LA.TINA.. 

A esta classe se podem aggregar os tres substantivos neu- 
tros seguintes : N. V. A.cc. Tempe (por contraccao de Tempea) 
os valles de Tempe ,(nao tem singular), Chaos (chaos), i)at. 
e kbl Chao (n5o tem plural): Pelágus (mar) G. Peíagi, D . e 
Abl. Pelágo. Em Lucrecio encontra-se o plural neutro Pe- 

ag6 'o vocativo do singular em todos os generos é geral- 
mente semelhante ao nominativo ; entretanto os nomes pro- 
prios em as, que fazem o genitivo em antis, fazem.o yocativo 
em a longo, por exemplo : Altas, antis,_que faz Alta, Pallas, 
antis (o gmerreiro Pallas), que faz Palla. _ 

Os que acabam ern es, ora fazem o vocativo semelhante ao 
nominativo, ora o fazem em e, como si fossem da 1." decli- 
nacao grega ; por exemplo : Socrates, Callicles, que fazem o 
vocativo Socrates, Callicles ; e tambem Socrate, Calkcle. 

Os nomes proprios acabados em is, ou ys breve perdem no 
vocativo o s do nominativo, por exemplo : Alexis (Aleixo), 
Amaryttis (A.maryllis), Daphnis (Daphne) e o appeüativo 
chelys, chélys; (alaude) fázem o vocativo Alexi, Amarylti, 
Daphni e chely; e este i náo é longo como o dos vocativos 
dos nomes da 2. a declinacao latina, porque nao resulta de 
contraccáo de duas vogaés, mas do córte de um s em uma 
syllaba'que iá era breve. Tibris (por contraccao de Tibérxs) 
faz o vocativo do singular Tibri, como si fosse um nome 

grego. 

Em Plauto e Terencio acham-se os vocativos dos nomes 
proprios gregos acabados em is semelhantes ao nommativo, 
e sem o córte da letra s, por exemplo : Zeuxis (Zeuxis), Misys 

(Misys) ■ n -, 

Os nomes da 3. a declinacao derivados do grego nao aa- 
mittern a fórma on senao quando significam titulos de li- 
vros, por exemplo : liber Epigrammáton (livro dos Epigram- 
mas)', liber Metamorphoseon (livro das Metamorphoses) e em 
alguns nomes de povos, como Chalybon, em lugar de Chaly- 
bum, Malieon em lugar de Maliensium. , 

dativo do plural grego da 3. a declmacao, cuja íórma é 
si e sin, foi empregado por Ovidio e Propercio nos s_egumtes 
nomes femininos Lemnias, ádis (a natural da ilha Lemnos), 
Troas; ádis (a natural de Troia), herois Uis (heroma), 
Dryádes, ádum (Dryades, nymphas dos bosques),deste modo 
Lemniási, Troásin, herotstn, Dryásin. 

Mais algumas particularidades offerece o emprego _ dos 
nomes gregos na lingua latina, tanto nesta comp nas duas 
precedentes declinacOes, mas que facilmente ensmara o uso 
de traduzir os classicos latinos. Convem/entretanto notar 
que Cicero preferia em geral as fórmas latmas, exceptuando 



CAPITTJLO V. . 223 

aerá e cetherá, accusativos gvegos de áer, aeris, e cether, 
cetheris . 

Era primitivamente a.poesia, em qne mais se emprega- 
vam as fÓrmas gregas na declinacáo dos nomes; mais tarde 
porém foi passando este uso tamb'em para a prosa. 



I>a cpxar-ta declinagao clos STulbstaixtivoiS 



Já sabemos que a 4. a declinacáo latiua nao é mais do que 
uma modificacao 'da 3, a , por admittir uma contraccao em 
alguns de seus" casos (Quadro n. 12) ; e que estes casos sáo, 
no singular o genitivo, e algumas vezes o dativo, o accu- 
sativo e o ablativo ; no plural o nominativo_ vocativo e 
accusativo, por exemplo : fructus, ús ; que antig-amente se 
declinava no singular Nomin e Voc. fructüs, Genit. fruc- 
tüts, Dat. fructui, Acc. fructuem, Abl. fructue ; no plural 
Nomin. Voc. e Acc. fructues, G-en. fruduum, Dat.. e Ab. 
fructuibus. Em alguns escriptores latinos ainda se encon- 
tram estas fórmas primitivas da 4. a decliaacao, por exemplo 
em Terencio ; Causá ejus anüis (por causa desta velha), em- 
lugar de causá ejus anus, anus, us, (velha) . Exaniinemos 
agora algumas particularidades relativas a esta declinacáo . 

De alguns nomes da 4. a declinacao, como Senatus, tumul- 
tus, se encontra o genitivo nao em üs, nem com a fórma pri- 
mitiva uts ; mas acaba em i, como si fosse da 2. a declina- 
cáo : os poetas comicos latinos, e entre ,os prosadores_Sal- 
íustio, trazem Senati e tumulti, em vez do genitivo Senatuse 
tumultüs ; porém s-ao archaismos que nao devem ser imi- 
tados. 

dativo do singular que é em ui, muitas vezes se con- 
trahe em ü ÍQuadro n. 12), e assim contrahido é usado nos 
melhores auctores, por exemplo em Cesar, onde a cada passo 
se encontra equitatü, usu, por equitattii e usui de usus, us, 
uso. 

genitivo do plural acha-se algumas vezes contrahido 
pela figura Syncope em Plauto e Terencio, e por isso lé-se 
passum em vez de passuum, de passus, us, passo. 

dativo e ablativo do plural de alg-uns nomes da 4. a d_e- 
clinacáo acabam e'm tibüs, em vez de zbüs ; assim, acus, us, 
agultía, arcus, üs, artüs, us plural, masculino, membros, 



I 

fe 



224 LINGUA LATINA. 

lacus,üs, lago, paríus, üs, parto, ?L^ h ^' f omIlM% ( |^ 

vore) s^cus üs, caverna, m&us, '¿¿s, tnbu, iamüia), ftcu 
íeut 'o «4 ío, íazem o dativo e ablativo^ do plural acuous 

Sus, artóous, tac^us, partóíms ^ ^; JtTev ití a 
otíous, pcaíftus. u de armous, aríiíbus e parmftas euia .J. 
confusáo com os dativos e ablativos arabus^ arlibus, e jkm- 
tfous, de ara, arcís, ars, aríis, arte, pavs, paríis. 

Poríus, m, porto, gcau neutro, joel ho,veru neuuo, es- 
peto, e Wíruí, ^ trováo, fazem o dativo e ablaoivo do 
plural em übus ou zbus. . rWH _ 

substantivo femimno domus segme em pane a 4. decli 
nacao, e em parte a segunda : 

N. S. „ N - R 

usados. 
D. Domui, ou domo (pouco D. Domibus. 

Acc. DoI« 0) ' Acc. Dom^7s ou domos (mais 

usado) . 
Abl. Domü (pouco usaclo) ou Ábl. Domibus. 

domo (mais usaclo). _ 

Muitos nomes cle arvores, como co>mas_ (cerejeira) cu- 
pressus (cypreste), fagus (faia), faus (figmeira) Im vru ( ou- 
reiro), m^ríus (myrto), p¿«ms (pmheiro), Sí ramts (abi üiincn o), 
quesao cla2/declinacao, encontram-se/Lambemnos oe.as 
com as fórmas da 4." declmacao, raas somente ^líao ^i e 
terminam emtéou üs, como lauru (abl.) e laurus (genu. clo 

Sm áts!V(roca), declina-se tambem pela 4" cleclinacáo nos 
casos em ü e us ; e náo tem gemtivo do plurah 

-Dissemos que eram indeclinaveis uo smgular .os nomes 
acabados em u; affirmam porém alguns latimaUs que 
muitos exemplos ha bem verificados de gemtivo em us ac 
taes nomes. 

CAPITULO VS. 

ü>a cjiAiinta deolinaoao dps sixtostaiitivos 



í> Ha entre a 5. a e a l. a declinacao certa analogia, que in- 




CAPITULO vi. 225 

clina alguns grammaticos a crer que a 5. a declinacáo nao é 
mais do que uma modificacao da l. a , assira como a 4. a é da 
3. a , resultando daqui vireuí a ser fundamentalinente sótres 
as declinacoeslatinas, como na lingua grega. Esta opiniáo 
nao se ao'ha assaz discutida ; e para o ensino do latim 
pouco ou nada adiantaria a nova doutrina, sendc em nosso 
humilde conceito muito melhor a actual divisao das decli- 
nacoes. porque representa cínco typos, ou modelos bem 
distinctos, a cada um dos quaes se reportam os respectivos 
substantivos, observada a desinencia do genitivo do singular, 
e o genero dos substantivos . 

Para dar uma idéada analogia da 5. a com a 1." declinacao, 
basta notar que tendo a l. a declinacao o geniüvo do sm- 
gular ems, i, e e {famüia-s, terra-t, terra-e), a 5. a declinacao 
tambem apresenta no genitivo as mesmas terminacoes s, 
i, e {die-s (*), die-i, di-e) ; e que além disto os demais casos 
de ambas estas declinacoes se correspondem exactamente, 
salvo a differenca da vógal ; porexemplo, na 1/ declinacSo 
Acc. casa-m, G-enit. do plural casa-rum, Dat. e Abl. filia-bus, 
Acc. casa-s; 5. a declinacáo kcc.die-m, Genit. do plural die- 
rum, Dat. e Abl. die-bus, Acc. die-s. 

Finalmente a existenciá de nom.es declinados ao mesmo 
tempo pela l. a e pela 5. a declinacáo prova a homogeneidade, 
e seinelhanca destas duas declinacoes, por exemplo : ma- 
teries, materiei, e materia,_a¡ (materia), maceries, éi, e ma- 
ceria, ce (parede), muries, éi, e müria, ce (salmoura), spur- 
áties, ei~ e spurcitia, ce (immunclicia). 

Expondo esta opiniáo, apenas para 'fazel-a mais conhe- 
cida, nao a clefendemos, nem reprovamos, deixando a sua 
apreciacao aos que se entregam ás especulacoes da alta phi- 
lologia, . 

Convem aindanotar que o genitivo do smgular dosnomes 
da 5. s declinacao se encontra, em alguns auctores, e dos _de 
melhor nota, terminado em e (por contraccáo de ei), e assim 
se acha em Yirgilio, Ovidio e Sallustio. die, acie, ftde em 
lugar de diei, aciei, ficlei, pernicie, progenie, contrahindo a 
syílaba ei em e, em lugar de perniciei, progeniei. 



(*) J)ie°°s é um genitivo do. qiial se acha exemplo no nome composto 
Diespíler (pai do dia), Dies epater. 



226 



LINGUA LATINA. 



VI 



Dos nonies compostos, i^ecliixs.d.aiates, clefe- 
, íixcleelíiTLa-veiíS e lieterogeaeos. 



Dos nomes compostos. 

Alguns nomes lia formados de substantivos e adjectivos : 
nestes nomes declinam-se ao mesmo tempo o substantivo e 
o adjectivo, por exemplo : respublica (republica), reipublicm, 
composto de res, rei, e de publicus, a, um na terminacao fe- 
mini na : jusjurandum (juramento), jurisjurandi (sem pluralj, 
composto do substantivo imparisyllabo neutro _da 3. a decli- 
nacao jus, juris, e do participio do futuro passivo jxirandus, 
a, um na terminacáo neutra. 

Quando o nome"composto é formado de um nominativo, e 
de um g-enitivo, declina-se sómente o nominativo, conser- 
vando sempre o g'enitivo, por exemplo :• paterfamiVas, patris- 
familias, patrífamilias, etc, triumvir, triumvíri, triummro, eíc, 
jurisconsullus (o jurisconsulto), jurisconsulti, jurisconsulto, etc. 

Dos nomes redundantes. 

Chamam-se redundantes os nomos que tendo a mesma si" 
gnificacáo, tem genero, ou declinacoes differentes. 

Uns sao redundantes em todos os casos, como estes : 

Actnus, i (bago de uva, de Crocus, i . (acafrao), e cro- 

roma, etc), e acznum, i, e cum, i. 

acina,a¡. Elephantus, i (elepbante), e 

Alvear, \s (cortico d'abelbas), elephas, antis. 

e alveáre, is, e'alvearium, ii. Esseda, ce (carro), e esse- 

Amarácus, i (mangerona), e dum,i. 



amáracum, %. 
Angzportus, ús (becco), e an- 

giportum, i. 
Attágen, enis (francolin) , e 

attagena, 02. 
Bácülum, i (bordao), e bacü- 

lus, i. 
Capus, i (capao), e capo, onis. 



Eventus, üs (acontecimento), 

e eventum, i. 
Fülix, fulicis (gaivota), e fu- 

lica, oi. 
Glus, gluttnis (grude), e glu- 

ttnum, i, e gluten, tinis. 
Juventus, tütis (mocidade), B 

juventa,, oz. 



L 



CAPITULO VII. 



227 



Mendum, i (erro na escripta). Senectus, tutis (velhice), e 



e menda, ce 



.senecta, ce. 



Nasics, i (nariz), e nasum i. Sibilum, i (assobio) e sibi- 



Obsidio, onis (cerco, assedio), 

e obsidium, ii. 
Palumbes, ts (pombo trocaz), 

e palumbus, i. 
Paupertas, tatis (pobreza), e 

pauperies, ei. 
Rapa, a¡ (rabanete), e ra~ 

pum, i. 



lus, i. 
Sinum, i (vaso para leite), e 

sinus, i, ou us. 
Suffímen. inis (perfume), e 

sufjimnitum, i. 
Vultur, vultüris (abutre), e 

vulturius, ii. 



Outros só sao redundantes em algmns casos, como estes : 
Plebs, plebis, f. (povo). 
Fámes, is, f. (fome) . 



5. a declinacao N. plebes, G. e 

Dat. plebei. 
5. a declinac.ao. Abl. fame (e 
longo). 
Requies, etis, f. (repouso). 5. a declinacSo Acc. requiem, 

A/bl. requie. 

Jugerum, i. n. (a geira de 3. a cleclinacao Kbl.jugere,ja- 

cerra). gémbus, Gen. pl. jugerum. 

Cancer, cancri, m. ( carau- 3. a declinacáo Gen. canceris 

gueijo). (raras vezes empregado). 

plural cancéres é tambem 
raro. 
Sequester, sequestri, m. (depo- 3. a declinacáo Acc. seques- 
sitario). trem, Abl. sequestre, Acc. do 

pl. sequestres. 
Penus, us, f. (viveres) e pe- neuiro só tem no plural 
nus, i, m., e penum, i, n., penóra. Penus,i, epenum, i, 
e penus, óris, n. sac pouco usados. 

Dos nomes defectivos. 

Chamam-se nomes defcctivos, ou aqnelles que tem sómente 
um dos dous numeros grammaticaes, ou os que nao tem 
todos os casos: e por isso podem dividir-se em defectivos no 
numero, e defectivos na declinacao. 

DEFECTIVOS NO NUMERO. 

Dos defectívos no numero uns tem só o numero singular, e 
sao ; os nomes proprios de homern ou de mulher, de paizes 
e rios, como : Cato, Catao, Lucretia, Lucrecia ; Roma, Roma, 
Londinum, Londres, Tagus, Tejo. 



228 LINGUA. LA.TINA. 

Á.lgumas vezes p.óde-se clar plural aos nomes proprios, e 
cliz-se por exemplo : os CaiOes, os Cesares,, Catnnes, Ccesares. 

Tambem se empregam só nosingular os nomes collectivos, 
como vulgus, n. e m. (o vulgo, povo baixo), G. vulgi, D. e 
Abl. vulgo, A.CC. n. vulcjum, m. : multitudo, multitüdinis, f. 
(multidáo). 

Os noines abstractos usam-se quasi sempre no singular; e 
assim se diz: juvcntus (mocidade), senectus (velhice), pietas 
(piedade), justitia (justica). vita (vida), mors (raorte). Nao 
obstante em estylo elevado, diz-se em latim, como em por- 
tugmez, os ciumes, as amizacles, os oclios; invidice, amicitice, 
odia, etc. 

Os nomes dos metaes sáo tambem clefectivos no numero, e 
só se usam no singular : aurum, ferrum,a-"gentum; ouro, ferro, 
prata. 

/Era, plural de ces, ceris, é, por excepcáo desta regra, de 
frequente uso na poesia. 

Além dos defectivos no numero que citamos acima, temos 
os seguintes que sempre se usam no singular: 

i 

Masculinos. 

Aer, aeris, ar. ■ Mundus, i (*), enfeite, orna- 

JEther, cetheris, céo. mento de muiher, 

Fimus, i, esterco. Nemo nennnis, ning'uem, 

Hesperus, i, estrella da ma- Poutus, i, nrar. 

nhá. Pulvix, pulceHs, pó, poeira. 

Lvmus, i, limo. Sanguis, s.mgutnis, sangrae. 

Mericlies, ei, meio dia. Sopor, soporis, somno. 

Muscus, i, musgo. Viscus, i, visco para apanhar 

passaros. 

Femininos. 

Argilla, ce, barro. Salus, salütis, saude. 

Fama, ce, fama. Süis, sitis, séde. 

Humus, i, terra, chSo. Tabe?, is, magreza, consum- 

Lues, luis, peste. pcao. 

Mors, mortis, morte. Tellus. telliiris, terra. 

Plebs, plebis, o povo baixo. Vespera, ce, a tarde. 

Pubes, pubis, mocidade. Vita, ce, vicla. 

Quies, quietis, repouso. 



*) Mundus, i, mundo, tem plural, 



CAPITULO VII „ 



229 



Nmtros. 



Album, ¿,-lista de nomes. 
Dllucüium, i, madrugada, o 

romper d'alva. 
Ebur, eboris, marfim. 
Hilum, i, o olho negro cla 

fava. 



Justitium, 
rias. 



n, 



o tempo cle fe- 



Letum, i, morte. 
Lüium, i, lodo, lama. 
NihYlum, i, nada. 
Pelágns, i (**), mar. 
Sal, sális (***), sal. 
Seuíum, n, a veihice. 
Ver, reris, primavera. 
Virus, i, peconha, veneno. 



Outros defectivos ha que só tem plural ; e sáo os nomes de 
festejos ejogas publicos, de titulos de livros, e de algumas cidades, 
montanhas e povos. 



JEdui, orum, Eduos (povos). 
Alpes, Alpium, m. Alpes (inon- 

tes). 
Apollináres, ium. m. jog'os em 

honra de Apoilo. 
Athence arum, f . Athenas (ci- 

dade) . 
Bacchanalia, ium, e iorum,n. 

festas de Baccho, 
Bucolica, corum, n. o titulo 

de um poema pastoril cle 

Virg-ilio. 

Além destes, temos os seg-uintes defecíivos, que sem-pre se 
usam no pluraj : 

Masculinos . 



Georgica, corum, n. o titulo 
de um po^ma de Yirgilio 
sobre a agricaltura. 

líierosnlyni'i, orum, n.Jeru- 
salétn (ciclade). 

Olympia, orum, n.jogos Olym- 
picos. 

SyracüscB, arum Syracusa. (ci- 
clade) . 



Cancelli, orum, cancella. 
Cani, (*) orirm, cabellos bran- 

cos, cans. 
Casst's, ium, recle de cacador. 
Celercs, um, esquadrao de ca- 

vallaria íigeira. 
Drmdes um, Druiclas, sacer- 

dor.es dos antig-os Bretoes 

e Gaulezes. 



Fasces, fascium, feixes rleva- 
ras insignias clos Magis- 
traclos Romanos. 

Fasti, Fastorun, os fastos, li~ 
vros em que se marcavam 
os clias de festa, os nomes 
clos Magisfcrados, ete. 

Fincs, finium, os limites de 
um paiz. 



(**) Lucreeio usou de Peluge no plural. 

(***) Quando sal, saiis, signiíica gracejo, clüo picaníe, tem pkirai. 

(*) Cani é propriamente o adjetivo da I. a classe cünus, a, um, branco. 
concordando com capiUi, cabeilos. 

17 



■ 



230 



LINGUA. LA.TINÁ. 



Fori, foronim, convez de na~ 
vio ; assentos no clrco ; cel- 
lulas de cortico de a"be- 
lhiirf. 

Furfüres, um, caspa. 

Inferi, orum, os Deusesinfe- 
riores. 

Lemüres, um, lemures, espiri- 
tos clas trevas. 

Liberi, orum, filhos. 

Majores, um, antepassados. 

Minóres, um, descendentes. 



Natales, ium, nascimento, fa- 

milia, geracao. 
Posterí, orum, vindouros. 
Proceres, um, os nobres. 
Pugillares, ium, livrinho de 

lembranca. 
Sentes, ñ¿m,*espinheiro. 
Superi, orum, os Deoses su- 

periores. 
Vepres, veprium, e um, espi- 

nhos, silvas, sarcas. 



Femininos. 



Angustlce, arum, difiiculdades, 

apuros. 
Arpince, arum, brinquedos de 

criancas. 
Alpes, iñm, os Alpes (montes). 
Argutice, árum, argucias, sub- 

tilezas. 
BigcB. arum, carro puxado a 

dous cavallos. ¡ 

Braccm, árum, calcoes, 
Branchice, arum, 

peixe. 
Charites, um, 



guelras de 



as tres Gracas 
Cünce, arum, o berco. 
Dirce, arum, as Furias; impre- 

cacoes. 
Divüice, arum, riquezas, bens. 

Dryád"s, ádum, as nymphas 

dos bosques. 
Excubice, arum, sentinellas. 
Exüvke, arum, despojos. 
Exequke, arum, funeraes. 
Fácetice, arum, ditos picantes. 
Ferice, drum, ferias. 
Gades, dium, Cadiz (cidadej . 
Gerrce, arum, parvoices. 
Hyádes, ádum, a constellacao 

das Hyades. 
Indücice, arum, treguas. 
Indüoice arum, vestimentas. 



Insidüe; árum, ciladas, trai- 

cües. 
Kcllendce, arum, Nonce, arum 
Idus, duum, calendas, no- 
nas, idos (nomes que os 
Eomanos davam a certos 
dias domez). 
Lactes, ium, tripas. 
Litterce, arum, uma carta. 
Manübice, arum, despojos to- 

mados na guerra. 
Mince, árum, ameacas. 
Minütice, arum, migalhas. 
Nugce, garum, bagatellas. 
'Nundince, arum, feira, mer- 

cado. 
. Nuptice, árum, bodas, casa- 

mento. 
Offucice, arum, embustes, lo- 

gros. 
Parieñnce, arum, pardieiros, 

ruinas de edificios. 
Partes, partium, partido, par- 

cialidade. 
Phalérce, arum, jaezes, ar~ 

reios de cavallo. 
Plagce, garum, rede de cacar 

feras. 
Pleiádes ádum, as sete estrel- 
las. 






CAPITULO VII. 



231 



Prcestigice, arum. illusoes, en- 

cantamentos. 
Przmitice, arum, primicias, 

pritneiros fructos. 
Quadrigce, arúm, carro puxa- 

do a quatro cavallos. 
Quisquilice, arum, cisco. 
Reltquice, arum, restos, reli- 

quias. 
Salébrce,arum, lugáres pedre- 

gosos. 
Salince arum,- marinhas, mi- 

nas de sal. 
Scalca, arum, eseada. 
Scátebrce, arum, fonte nas- 

cente. 
Scopce, arum, vassouras. 



Tenebrce, arum, trevas. 
Thermce, arum, banhos, eal~ 

das, estufas. 
Thermopylce. arum, o estreito 

do monte Bamina. 
Trigas,arum, carro puxado a 

tres cavallos. 
Tricce, carum, ninharias, cou- 

sa de nenhum valor. 
Yalvce-, arum, as duas meta- 

dos de uma paríe. 
Yergilice, arum, as Pleiades, 

assete estrellas. 
Yindicice, arum, sentenca de 

posse de alguma cousa, 

sohre que corre litigio. 



Neutros. 



Ácta, ornm, as leis, os re- 

gistros. 
/Estiva [castra) orum, os quar- 

teis do estio. 
Arma, orum, armas. 
Bellaria, iorum, doces, g-olo- 

dices. 
Bona, orum, bens. 
Brevia ium, baixios. 
Castra, orum, acampamento. 
Charistia, orum, banquetes, 

solemnes, em que só entra- 

vam os parentes,e se reno- 

vava a uniao entre todos, 

ajlezenove de Fevereiro. 
Cibaria, orum, viveres, man- 

jñmentos. 
Comttia, órum, comicíos, as- 

sembléas do povo. 
Crepundia, orum, enfeites das 

criancae. 
Cunabüla, orum, berco. 
Dictoria, orum , dicterios , 

gracejos, 
Exta, orum, entranhas. 



Februa, orum, sacrificios pu- 

rificadores. 
Flabra, orum, o sopro do 
. vento. . 

Fraga, orum, morangos. 
Hyberna [castra), orum, quar- 

teis de inverno. 
IHa, ilium, illiarg-as. 
Incunabüla, orum, berco. 
Insecta, orum, os insectos. 
Justa, orum, as ceremonias 

dos funeraes. 
Lamenta, orum, lamentacoes. 
Lautia , orum , presentes 

que os Romanos costuma- 

vamdaraos Embaixadores 

quando vinham a Roma. 
Lustra, orum, ocovil deferas, 
Magália, orum, ehoupanas, 

cabanas, palhocas. 
Mcmia, ium, muros'da cidade. 
Munia,ium, cargos, deveres. 
Orgia, orum, festa em honra 

de Baccho. 
Ovilia, ium, lugar no campo 



LINGUA. LATINA. 



Marcio em Roma, onde. 
concorria o povo para 

ParelTáÍa, ium, solemnidade 

dos funeraes dos pais. 
ákaria, ium, papada, pe.lle 

pendente do pescoco dos 

animaes. 
Páráphcrna, orum, as cousas 

que a noiva leva além üo 

dote. , T 

PhUtra, orum, phütro, oebe- 

ragem para fazer amar. 
Prcecordia, órum, entranhas. 
Principia , orum , a praca 

d'armas, lugar onae esta- 

vam o General, Prmcipes, 

e Tribunos. 
Pythia, órum, jogos em lionra 

de Apollo. 
Rostra, órum , pulpito,oa 

tnbuna em Roma, junto a 



Curia Hostilia, ornado de 
esporoes das galerastoma- 
das aos Á.nciates. onde se 
faziam as oracoos e fallas 
ao povo. 

Scrüia, órum, roupa velha, 
vestidos, sapatos, e outros 
objectos semelhanfces ja 
se'rvidos. 

Spnnmiia, ium, os esponsaes. 

Siáilva [castra), acampa- 

íritínto. .r, 

Suovetuurílla, ium sacriH- 

cio em que os Romanos 

irr.moLavam uma porca, 

uraa ovelha e um touro. 
Talar,a,ium, azas que Mercu- 

rio tinhanoscalcanhares. 
Tesqua, orum, lugares soli- 

tarios. , 

Transira, orum, banco dos 

remeiros. 



tT^' nTprSalTm Sutra; po, e.empK os se- 

guúntes : 



Ao/«a. 03, agua. 



Awajiíiwm, «, soccorro. 

Copia, ce, abundancia. _ 
Liuem, os, letra clo alphabeio, 
Opera, at, trabalho. 



P/7 



'ürs, artis, paroe, 
Sal, sális, m. e m sal, 



aqvat. árum, agmas thermaes. 
auxllia, órum, tropas auxi- 

liares 
co/hgs, árum, tropas. 
liuéras, arum, carta. 
o/>é>ce, án¿m, obreiros. 
pcrríes, parlium, partido, par- 

chüidade. 
sáles, m. D. e Abl. sahbus, 

g-racejos. 

Itora, e partas, pódem sigmificar mesmo ^»¿ a ^ 

^Steom^^ 

os productos chimicos chamados saes, 

DEFECTIVOS NA DECLINACAO. 

cliamam-se mcmopíoía, os que tem uoub ? 



CAPITULO VII. 23 



■<-j*3 



tem tres triptota, os que tem quatro tetraptota, e final- 
mente os qne tern cinco petuaptota Alguns Grammaticos 
chamam tambem casos isoludos aos ■ defeciivos que só tem um 
caso (monopióta). 

Mónapiota. 
(Nomes que se usam só em um casó). 

Inquies (inquietacao) usado só no nominativo do sin- 
gmlar. 

Nauci (rle casca de noz) usarlo só em genitivo do singular, 
deste modo : rr$ nauci (consa de neuhum valor), horrw nauci 
(h o m p m d e n e n h • i m v n 1 o r ) . 

Dícis, genitivo qne se usa sempre com o ahlativo causa,, 
deste rnodo, causadids (por formalidade). 

DespirülHi, d visui, e ostrmui; tres dativos que se usam, 
o primeiro com o verbo habere, e os dous ultimos com esse, 
desíe modo : despicatui hnbere (de^prezar), divisui esse, (estar 
dividido), osteraui es*e íserviv de espectaculo). 

Infuias, accusaíivo do pbiral que se usa sempre com o 
verbo ire, deste modo, infüias (*) ire (negar). 

Incitas, accusativo do plural que se emprega sempre com 
o adjectivo redaclus (reduzido) ou com o verbo redtgere 
(reduzir), deste modo ; ad incttas redactus, reduzido ás 
ultimas. 

Suppctias (**), aeousativo do plurai que só se emprega 
com os verbos ferre, venire, cleste modo : suppetias ferre 
(trazer soccorro) ; Kuppettias venire (vir em soccorro). 

Grates, accusativo do pkmil (gracas, agradecimentos). Ha 
um exeinplo do ablativo gratibus em Tacito, vénérari gra- 
ttbus (venerar agradecendo). 

Pesstun, accusativo neutro do singular, formadn de per~ 
versum ; empregado sómente com os verbos ire e dáre, deste 
modo : pessum tre (perecer), pessum dáre (fazer perecer, 
destruir). 

Venum, accusaiivo do singular, que só se emprega cora 
os verbos Ire e dáre deste modo : venum ire, expor á venda 
(doude se deriva o verbo verdre, ser vendido), venum-- 
dáre, dar a venda (donde se deriva o verbo vendere. } 
vender). 

Ergo, palavra antiga, considerada como substantivo em 

(*) Infitias ó composto cle in (que exprime negacao) e fatere, (con- 
íessar) 

(**) Suppetias póde tarnbem ser considerado com diptota, pois tesa 
o nominativo suppetke, p.isto qv.e raras vezes empregado. 



234 . LINGUA LATINA. 

ablativo, por exemplo, ergo virtüüs (por causa da vir- 
íude) : ergo usa-se geralmente como conjuncctio (ponanfco, 
porcónsaquencia)//)m, iníerdiu, noctu, antigos ablativos, 
significando de dia, durante o dia, de noite ; que se consi- 
deram como adverbios: concessu (por consentimento), ro- 
qatu (por pedido), permissu (por permissao), jussu (por ruan- 
'dado), injussu (sem mandado), sáo ablativos dos nomes cla 
4." declinacao, que só neste caso se usam : promptu tambem 
é um ablativo que se emprega sempre com o verbo esse, 
deste modo : esse in promptu (estar prompto) : natu (por 
nascimento), ablativo que se junta quasi sempre ao adje- 
ctivo magnus, e ao comparativo e superlativo deste [major, 
maximus), e tambem ao comparativo minor, e ao super- 
lativo minimus, deste raodo : magnus natu (vellio), major 
natu (mais velho), maximus natu (muito velho), minor nuXu 
(mais moco), minimus natu (muito moco). ingratiis ou vn 
gmtis, ablátivo do plural, considerado como adverbw (con&ra 
vontade). 

Diptota. 

(Nomes que se usam só em dous casos). 

GZos.(cunhada), usado só no nominativo e vocativo do 
singu'iar. 

Impete (violencia), ablativo; impetis, genitivo empregado 
por'Lucrecio. 

Necesse ou necessum (necessi-\ 

dade). _ ÍBstes só se empregam em no- 

Volupe ou volup (prazer). { m i na ti v0 e ' accusativo do 
Instar (maneira, modo, se-( singular. 

melhanca). ] 

Hir (palmatla mao). /' 

■ Siremps (*), (sernelhante em') -p iStes s 5 se usani em nomina- 
tudo) sirempse. >~ ^ Q e a - b i a ti vo do siuguiar. 

Fors (acaso), forte. ) 

Svontis (de fispontanea von-\ 

tade), sponte. Estes só se usam em gemoivo 

Tabis (sangue corrupto, cor- ( e ablativo do srngular. 

rupcao), iabe. J 

(*) Siremps é a palavra antiga, composta ás simüis reígsa. 



CAPITULO VII. 235 

Répetundarum ( dinheiros \ 
roubados pelos magistra-fEste só é usado no genitivo e 
dos, concussáo), répetun-i ablativo do plural. 
dis. ) 

Triptota. 
(Nomes que se usam só em tres casos). 

\Estes quatro nomes, que sao 
Fas (cousa licita). ] indeclinaveis, usamse só 

Nihil, ou níl (nada). I no nominativo, vocativo, e 

Secus (sexo). ( accusativo do singular : pa- 

Párum (pouco). \ rum é considerado tambem 

/ coino adverbio. 

Murmüra (murmurios). 

Colla (pescoco). 

Mella, fella, farra, osra, jura, pura, (de pus, puris, pus, mate- 

ria), rura, (de rus, ruris, campo), tura (de tus turis, incen- 

so) e munia (deveres) sao nomes neutros usados nos tres 

casos semelhantes do plural, nominativo, vocativo e ac- 

cusativo). 
Acies, ei (g-ume, córte), e todos os nomes da 5. a declinacao, 

exceptuando dies, e res, tem só no plural os tres casos em 

es„ nominativo, vocativo e accusativo. 
Situs, us (situacáo) tem só no plural os tres casos em us. 
Ástus, us (astucia), no singnlar é diptota, e tem só nominati- 

vo, e ablativo ; no plural tem os tres casos em us. 
Metus, us (medo), tem só os tres casos em üs do plnral. 
Preci (supplica), precem, prece (dativo, accusativo, ablativo 

do singular) ; no plural é completo. 
'Vicis, genitivo (vez, alternativa), vicem, vice ; no plural vices, 

vicibus. 
Dica (processo), dicam accusativo do singular ; dicas, accusa- 

tivo do plural. 
Tantundem (outro tanto), adjectivo da terminacao neuóra ; 

nominativo, e accusativo do singular; tantzdem, gemtrvo 

do mesmo numero. 
Lues, luem, lue (flagello, peste). 
Opis (socorro), genitivo, opem, ope ¡ no plural opes, opum, 

opibus. Quando signiflca a Deosa Opis, ou Cybeles, declina- 

se em todos os casos. 
'Vis (forca), vim, vi (ablativo) : no plural é completo, vires, 

virium, virtbus (dat„ e ablat.) 



236 



LINGUA LATINÁ. 



iToclos estes sao completos no 
singular ; rnas no plural só 
se declinam nos tres casos 
acabados eni es. 



Lahes, is (mancha). 

Ncx, iiecis (morce violenta). ¡ 

SoboU'S,is (raea). 

Yeívs, vehis (oarro, carreta 

Hiems is (ínverno). 

Pax, pa>;¿$ (paz). 

Pfrbes, is (plebe). 

Pix, jricis (péz). 

Tetraptota. 
(Noraes que só se usam em quatro casos): 

Ditionis, i, em, e (dominio). i^-^ucfn^ 

Frwvs, i, ern. e; e no plural fruges, frugum, frugibus (os iiucr.o& 

da terrn). 'ü dativo fr«3¿ emprega-se como um ad^echvo 

indeciinavel ; por exemplo : Cato frugi, (bacao 

tnoso). 
Jovis, genitivo (Jupiter, ou Jove), », em, e^ 
Pollinis, genitivo (ñor de farinha), i, e«, e. 

Pentaptota. 
(Nomes oue se usam só em cinco casos). 



o vir- 



Todos estes nomes sao com~ 
pletos no singular, mas no 
plural náo tem o geni- 
tivo. 



Adeps, álrpis (gordura). 

As, assis (asse). 

Bes, bessi-s (dous tercos de um 

asse) . 
Cos, co;is (padra de afiar). 
Dolus, i (dolo, astucia). 
Fcex, fozcis (borra, fezes) 
Fax, fácis (facho). 
Lux, lücis (luz). 
Prces, prvs.Lis (fiador). 
Yas, vális (fiador). 
Stips, siipis (pequena moeda). 
Sal, snlis (sal), e no plural sáles 

(gracejíis). 
Scobs. scdbis (innallia). 
Scrobs,scrobis (cova, fosso). 

Bos nomes incleciinaveis. 

Sao indeclinaveis todos os nomes, que debaixo cle uma só 
fórma podem ser usndos ern todos os casos, como virnos nas 
Nocóes preliminares. Taes sao os seguintes s 



CAPITULO VII. 



237 



Gelu (g'elo). 

Gummi (g'omma). 

Sinapi (mostarda). 

Cepe (oebola). 

Gausape (vestimenta coberta de pellos). 

Paschá (a festa cla Paschoa). 

Manna (manná). 

Bethieem (Belém, cidade). 

Isaac (Isao, n. pr.). 

Jacob (Jacob, n. pr.). 

Alem destes, rnuitos outros lia indeclinaveis ; mas cumpre 
notar que, dos que acitna apontámos alguns tambem se de- 
clináo, como Pascha, Paschce ; gausápa, ce ; gummis, is ; Ja- 
cobus, i. 

Sao tambcm considerados indeclinaveis (e portanto do g'e- 
neroneutro) os nomes clas lettras gregas, como : alpha, beta^ 
gamma, delta, etc; os infinitos dos verbos qnando tomnrlos 
substantivamente, por exemplo : velíe suum (o seu querer), 
em lugar de voluntas sua (a sua vontade). 

Dos nomes heterogeneos, 

Chamam-se nomes heterogeneos os que tendo no singular 
um genero, tem no plural genero differente. 

Masculinos no singular, e neutros no pluraL 

Singular. PluraL 

Avcrnus, i (o lago Averno na Averna, orum. 

Campania, o inferno). 
Dindymus, i :Dindymo, monte Dindgma, orum. 

da Phrygia). 
Ismarus, i (Isroaro, monte da Ismára, or-um. 

Thracia). 
Mcsnálus, i (Menalo, monte da Mamála, orum, 

Arcadia). 
Pangceus, i (Pangeo, monte Pangcea, orum. 

da Thracia). 
Icenárus, i (Tenaro, promon- Tmnára, drum. 

torio cla Laconia). 
Tartarus, i (o inferno). Tartára, orum. 

Taggetus, i (Taygeto, moníe Taggeta, orum, 

da Messenia). 



238 LINGrtJA LATINA. 

Masculinos no singular, e no plural masculinos e neutros. 

Sinqular. Phiral. 

Jócus, i (jogo).' Joci, ejoca, orum. 

Lócus, i (lugar). Loci, e lóca, onwi. 

Slbílus, i (assobio). Síbili, e sibíla, orum. 

Femininos no singular, e neutros no plural. 

Síngular. Plural. 

Carbásus, i ( véo de linho Carbása, órum. 

fino). 
Pergámus, i ( a cidadella de Pergáma mórum. 

Troia). 

Neutros no singular, e [masculinos no plural. 

Singular. Plural. 

Coslum, i ( céo ) . CcbIí, órum. 
Ehjsium, ii ( os campos Ely- Elysii, órum. 

sios ) , 

Argos, i (Argos, capital de Argi, gorum. 

Argolide ) . 

Porrum, i ( alho porro ) Porri, órum. 

Neutros no singular, e masculinos ou neutros no plural. 

Singular. Plural. 

Rastrum, i (grade dedentes). Rastri^ e rastra, órum. . 
Fromun, i (freio). Frceni, e frama, orum. 

Neutros no singular, e femininos no plural. 

Singular. Plural. 

Balneum, i ) b ^ Blanece, ürum j banhos pu- 

Balineum, i ) Balinem, arum ) blicos. 

Epülum , i ( banquete pu- Epülce , arum ( manjares . 
blico). ~ iguarias). 



jE>os XLOxn.es adjeotivos. 

Classificámos os adjectivos daprimeira e segunda_ decli- 
nacáo em adjectinos da primeira classe, e aos da fcerceira de- 
clinacao em adjectivos da segunda classe ; esíes foram, assim 



L 



CAPITULO VIII. 



239 



como^os substantivos cla declinacao a que períencem, sub- 
cuvididos em parisyllabos e imparissyllabos. 

Ob adjectivos da, primeira ctasse te,m em geral, como vimos, 
aterminacao us, a, um (ccmo bonus. a, um, bom) ; ou er, a, 
um (como tener, tenera, tenerum, tenro) ; existindo apenas 
mn com a terminacao ur, a, um [sátur, satüra, satürum, 
farto). 

Oa adjec,tivos da segunda ciasse, isto é, da terceira clecii- 
nacao, ou sao parisyilabos, como /¿V¿s. /eue, ligeiro ; ou im- 
parisyll'ibos, como auclax, audacis, audaz. Ha porém adje- 
ctivos da segunda classe que tem no nominativo do singu'lar 
as tres terminacOes correspondentes aos tres generos •" taes 
sao os seguintes : 

Ácer, acris, acre, azedo. 
Alácer , alácris , alácre 

alegre. 
Celer, celeris, celere, veloz 
Campester, campestris , cam- 

pestre, campestre 
Ceiéber , celebris , 

celebre. 
Equester, equestris, 

equestre. 
Paluster, palustris, 



Pedestey 



pedestris , 
salübris , 



de 



lagoa. 



célébre , 
equestre, 
palustre, 



i 

de pé. 
Salüber , 

salutar. 
Silvester, siivestris, 

silvestre. 
Terrester, terrestris, 

terrestre. 
Vóhícer, vólücris, 

que voa. 



pedestre, 

salübre, 

siivesíre, 

terrestre, 

voiücre, 



adjectivo celer, celeris, ceiere, é cle todos estes o unico 
que nao perde a vogal e antes da liquida r; toclos os outros 
porém a perdem, corno em pater, patris (1Q) : faz o genitivo 
do plural ceterum, posto que faz o nominativo do mesmo 
numero na terminacao neutra celeria. 

adjectivo voiücer, voiücris, volücre fazia antig-amente o 
genitivo volucrium; mas depois predominou a fórma voiü- 
crum . 



ADJECTIVOS IRREGULARES. 



Ha alguns acljectivos imparisyliabos, que por excep 
regra fazem o genitivo do plural em um apezar d 



rem os casos na íermmacao 
sao os seguintes : 

Cousors, ortis, que tem a 

mesma sorte. 
Anceps, anctpitis, duvidoso. 
Prcsceps, prmcipitis, que se 

precipita. 



■ao da 
faze- 

; taes 



neutra clo plural em ia 
Áblativo consorte e orti. 



Ablativo ancipiti, (sómente) . 
Áblativo prcecipiti (sómente) . 



LINGUA LATINA. 



Quadrüpes, quadrupe dis, qn&- Ablativo quadrupede (sómeu- 
drupede. te). 



'ia 



Estes quatro acljectivos fazem os caxos clo plural em 
natenninacao neutra ; porém vetus, veteris, velho, que faz 
tambem pór excepcfto cla regra o genitrvo do pinral vcte- 
rum, nao faz os casos do plural na terminacao neutra em 
ia, mas em o, vetera; o ablativo clo singular é sómente em 

4 U 

'1 T X PÍ.( J '('% 

' Hm ismheAii dA)ecÁivosimparisyllabns, que nao se declinam 
nos casos do plural na terminacao neutra, por exemplo, os 

seguiutes : 

Derólor, oris, descoraclo. 

Deses, -idis, preguicoso, 

Dires, ttis, rieo. 

Inops, ópis, pobre. 

Svpplfx, supplicis, supplicante, 

Prceprs, praipelis, que voa rapiclamente. 

Uber, eris, fecundo. 

Trux, trücis, carrancudo. 

Estes oito fazem o ablativo clo singular em e ou i. 

Deqsner, eris, degenerado, redux, ücis, que volta, fazem 
o ab'lativodo singular era eoui, e além de náo terem os 
casos rlo plural na terminacao neutra, carecem tambem do 
dativo e ablativo do mesmo numero. 

Bíernór, óris, lembrad», e immemor, o-is, deslembrado, 
fazem o ablativo do singular sómente em i, e nao se decü- 
nam nos casos do plural na terminacáo neutra, nem no da- 
tivo e abiativo do mesmo numero. 

Cicur, ñris, domesticado. 

Pnuper, éris, pobre. 

Puber, eris, moco. 

Sospes, itis, salvo do perigo. 

Supersíes, superstúis, sobrevivente. 

Parliceps, particzpis, participante, 

Estes seis adjectivos imparisyUabos íazem o ablativo áo 
singular em e somente ; nao se cleclinarn nos casos do plu- 
ral na íenninacao neutra, rnas tem ciativo e ablativo deste 
numero» 

Ccelébs, cmlibis, celibatario, solteiro, e compos, compotis, 
que goza de ... fozem tambem o ablativo do singnlar so- 
meníe em e,mas nño se declinam nos casos do plural na ter- 
minacao neutra, nemno dativo e ablativo deste numero. 

Outros adjectivos ba, que no nomiuativo do smgular na 



CÁPITULO IX. 241 

ierminacao mnscuiina se usam com a f'órma er, sendo anti- 
ga a fórma us ; por exemplo : 

[Cnerus)Ceter, ceiera, celerum, restante ; rauito usaclo no 
plural, ceteri, ceierce, cetéra, os outros. 

Alguns náo sao jámais empreg-aclos na terminacao mas- 
culina do nominativo do singular, como : 

[Ludicer) ludicra, ludicrum, que díz respeito a jogos. 

Outros adjectivos da seguuda classe nao se usara no no~ 
minativo do singular, como : 

jS'-minex) seminecis, semi-morto ; genitivo do plural semi- 
nlícum: nao tem terminacao neutra. 

(Sons) soníis, cuipado: este e o seu composto insons, ontis, 
innocence, nao tem no plural os casos da terminacao ceu- 
tra. 

adjectivo exspes, privado de esperanca, só tem o no- 
minativo do singular nn termmacao masculina : necesse e 
necessum, necessario, volüpe ou volüp, agradavel, só tem o 
nominativo e accusativo neutros. Necessum e volüpe sao ar- 
clmismos. 

Nequam, máo, e frügi, honesfco, frugal, sao adjectivos in- 
deciinaveis, eservem por consequencia para qualquer geuero, 
numero e caso. 



\¿ S i á I | y Lo %¡¡ 



A. 



<>r^<- 



>ix¡s.par , atl-v r ©s e superlativos ia 



Já vimos nas licoes Quinta, Sexta, e Sepiima, como seforma- 
vam os comparativüs e superlativos ; apontareraos agora 
alguns adjectivos positívos, que para íormacáo clos seus 
comparativos necessitam cla junccao do adverbio magis, e 
ecle valde ou maxime para o seu superlativo. Em geral póde 
dizer-se que os adjectivos terminados em sus, ius, uus, uao 
fortnam o seu comparativo em or e us ern consequencia de 
produzir um som desagrauavel a reuniao de tautas vogaes ; 
nao obstante o adjí'Ciivo aiHiquus, a, imm antígo, faz rega- 
^iarrnente o seu comparativo antiquior, aníiquius, e oseu su-~ 
perlativo anliquisszmus, a, um. 

Mencionámos mi Sexta Licao alguus comparativos e super- 
iativos irregulares, como melior, opíinvus, eíc. : compietare- 
mos agora a lista destes apontando os seguintes : 

Maledicus, a, um, maldizente. 
Bíunificus, a, um, generoso. 
Benévólus, a, um, "benevolo. 



LINGUA LATINA. 



Malevólus, a, um, malevolo. 

Magnificus, a, um, magnifico, quefazem o comparativo em 
entior, entius, e o superlativo em entissimus, como si os posi- 
tivos acabassem em ens, entis ; dizeudo-se portauto maledi- 
centior, maledicentissimus, beneoolentior, benevolentissimus, ma~ 
gnificentior, magnificentissimus : doade se deve concluir que 
todos os acíjectivos terminaclos em clicus, ficus,vólus (dos ver- 
dicere, facére, evellé) fazem o comparativo ern entior, entius, e 
o superlativo em entissimus. Exceptuam-se porém o acljectivo 
veridicus, a, um, verdacleiro. que ntio tem cotnparativo nem 
superlativo proprios, e mirificus, a, um, admiravel, que náo 
tendo comparativo proprio, faz o superlativo mirificissimus, 
a, um. 

Os seguintes adjectivos apresentam tambem algumas ir- 
regularidacles na formacáo dos seus comparativos e super- 
lativos : 

Vétus, vetéris, vellio, veterior, veterrimus (*). 
Matürus, a, um, maduro, maturior, muturissimus, ou matur- 
rimus. 
Frügi (indeclinavel) honesto, frugalior, frugalissimus. 
Díoes, dívitis, rico, divitior, divitissimus, e por contraccáo 
(dis)díte; comparativo, ditior, superlativo ditissimus. 

Potis (adjectivo empregado em linguagem poetica), capaz 
potior, potissimus . 
Nequam (indecíinavel), máo, nequior, nequissimus. 
Dexter, dextera, dextérum, collocado á direita, dexterior, dex~ 
timus. 

Sinister, sinistra, sinistrum, collocado á esquerda, sinisle- 
rior, sinistimus. 

Exier (ou Exterus), a, um, de fóra, exterior, extremus ou ex~ 
t'imus. 

Inferus, a, um, baixo, inferior, infimus,, ou imus. a, um. 
Posterus, a, um, que vem depois. postérior, postremus, pos- 
timus, a, um. 

Superus, a, um, da parte de cima, superior, supremus, ou 
summus, a, um. 

Citer, citera, citerum, d'aquem, citerior, citimus, 
Ha ern latim os segmintes comparativos e superlativos que 
náo tem positivo : 
Detérior, peior, deterrimus, pessimo. 
Ocior, mais veloz, ocissimus, velocissimo (*). 

(*) Os antigos diziam veter no nonainativo, como affirma Prisciano. 

(*) Quanto á mim o comparativo ocior, e o superlativo ocissimus for- 
mam-se do adjectivo velox, velocis, veloz, que pela figura Apheresis perde 
as tres primeiras lettras (vel) . 



CA.PITULO X. 



243 



Intérior 

Ulterior, alterior, ultimus. 



interior, intimus. 



o pnmeiro 



(entre dous), primus, o primeiro de todos, 

Propior, inais perto, proximus, muito perto. 

Alguns adjectivos ha que náo tendo comparativo proprio, 
tem comtudo superlativo ; taes sao os seguintes : 

Invítus, de má vontade, invitissimus. 

Nóvus. novo, novissimus. 

Nuperus, moderno, nuperrimus. 

Sacer, sagrado, sacerrimus. 

Me^itus, merecido, meritissimus. 

Outros lia que tendo comparativo nao tem superlativo 
proprio ; taes sao os seguintes : 

Adolescens, tuoco, adólescentior . 

Juvenis, joven, jünior, (raras vezes juvenior) . 

Senex, velho, scnior. 

Alácer, alácris, alácre, alegre, alacrior. 

Finalmeuíe muitos adjectivos existem que nao tem nem 
comparativo, nemsuperlativo proprios como idoneus, idoneo, 
magnanimus, rnagnanimo, cicur, domesticado, opimus, pingue 
unicus, unico, duplex, dohrado, triplex, triplo, memor. lem- 
brado, medíocris, mediocre, almus, criador, mirus, admiravel, 
degener, deg-enerado, dispár, desigual, e muitos outros que 
o uso ensinará. 

Os que acabam ern bundus, como moribundus, e todos os 
adjectivos participios do futuro dos verbos passivos, como 
lacerandus, habendus, tegendus, audiendus, etc, náo tem nem 
comparaüvo, nem superlativo proprios. 



;api 



Dos . aclj eetivos dLeioaoxa.stratiLv'os. 



Os adjectivos hic, hcec, hoc, ille, illa, illud, e iste, ista, istud^ 
soffrem modificacües que é conveniente expor, 

Umas vezes encontra-se hic declinado em todos os casos de 

combinacáo com a particula ce; deste modo: hicce, hcccce, hocce^ 

1 hujusce, ele.; outras vezes além desta particula se Ihe ajunta 

o adverbio interrogativo ne (65) ; e entao só se usa nos se- 

guintes casos : 

Sing . 

N. hicciné, hceccine, hocciné ? ( 

Acc. huncciné, hanccine, hocciné ? 

Abl. hoccinS, haccine hoccinS ? 



>No plural só se empre- 

> g'am o Nom. e o Acc« 

n e ut r o — ■ hceeciné ? 



244 LINGUA. LA.TINA.. 

Á particula demonstrativa ce era tambem accrescentada 
aos adjectivosi/ÍB, e ¿s£e,$offrendo as lettras finaes destes uma 
mudanca, e perdendo a dita particula a lettra e : esfces adje- 
ctivos assim declinados só se encontram nos poetas comicos 
enosescriptos latinos anfcigos. Os casosqne mais geralmente 
se encontram de taes adjectivos sáo os segnites : 

Sing. 
N. illíc, illcec, Ulüc, ou isttc, istmc, istüc, ou ( istoc ) 

(illoc) 
Ace. ülunc, illanc, illuc ou istuac, istanc, istüc ou (istoc) 

(illoc) 
AbL Uloc, iílac, illoc istoc, istac, istoc. 

Plur. . , , , 

N. Acc. neutro illcec istcec (femm.) istcec (neucra). 

acijectivo ille antigamente era oscnptodeste_rnodo: Ollus 
ou Olle, corno nos diz Varrao; e por is.so ainda Virgilm e Lu- 
crecio emuregaram olli em vez de illl; ollis, em vez de illis. 

Nos poe'tas comicos eiicontram-se os adjectivos üle, a, ucl, 
iste, a, 'uíl, e is, ea, il, reunidos aosadverbios en, ecce (eis-aqui, 
eis) cleste modo : eccilhi-m, eccillam. ecriltnd, em lugar de ecce 
illum, ecce illam, ecce illud. Eccum, eccam, eccos, eccis, ecci,, em 
vez de ecce eum, ecce eos, ecce eas, ecceeu. EUum, ellwm em lugar 
de en iltum, en illam. Eccistum em vez de ecce isium. 

Ipse, e iste sao formados de is e clas particnlas pse, e íe ; 
mas primitivamente a particula pe era invariavel sendo so 
cleclinavel o adjectivo is, e por isso se encontram nos au- 
ctores antigms eampse, eopse, eapse, em lugar de eam ipsum, eo 
ipso, eü ipsa. 

Nos auctores comicos enóontra-se ijisus em lugar de ipse ; 
e na linguagern faniiliar clerarn os lafcinos ao acljectivo ipse, 
como nós em portuguez ao adjectivo mesmo, o superlaavo 
ipsissimus, mesmissimo. 

&PITSII 11) 11 



GAPaTUUÜ) 



Bos proHOsaes pessoj 



íl J OOtlYOÍ 



o 



Os pronomes pessoaes ego, tu, sui, ejicontram-se u¡u¡ u as 
vezes~ com a particula inseparavel met, que ihe dá . ui: " 
forca de significacao, por exemplo : egomet (eu mesmo) 
mevmet (de mitn mesrao), suimet (de si mesmo). Aogenifciví 
no plural dsstes pronomes nao se costuma juntar esta par 
íicula. 



CAPITULO XII. 245 

Já vimos que o pronome se se acliava muitas vezes repe- 
tido (sese) - L o mesmo succede, porém mais raramente, com 
me e te (meme) (tete). 

Ao ablativo de meus, a, um, tuus, a um, suus, a, um, é uso 
tambem juntar a particula mseparavel pte deste modo • 
meopte, tuopte, suopte, e diz-se, por exemplo : meopte inqenio 
(por mmha propria mdole) ; suapte natüra (por sua propria 
natureza). A estes adjectivos pócle-se tambem lig-ar a parti- 
cula met. ° L 

Do g-enitivo cujus do pronome interrog-ativo quis ou qui 
denva-se o adjectivo ínterrogativo cujus, a, um (cle quem 
de qual), que só é declmavel nos seg'uintes casos : N. cujus, 
a, um ; Acc. cujum, am, um ; Ablat. cuja. Plural Nom. í'emi- 
nmo cujoe; Acc. cujas. 

T>e noster, nostra, um, vester, tra, trum, e cujus, a, um, de- 
nvam-se os adjectivos segumtes: nostras, nostratis fque é do 
nosso paiz, ou da_nossa familia), no plural N. nostrates, 
nostraha: (x. nostratium. Vestras, vestratis (do vosso paiz), 
cujas, aijalis (de que paiz) ? 

CAPITULO 

lD>o "vejr'lío. 

Tractando summariamente dos verbos latinos nas Nocóes 
prehmmares (27, 28, 29,, 30, 31, 32, 33, 34) g-uardamos para 
agora o que a este respeito cumpre dizer mais detalhada- 
meníe. 

No Quaclro n. 2 apresentamos simplesmente a conjugacao 
üo verbo hsse sem explicar as raizes de que se formain os 
seus tempos ; o que passamos agora a fazer. 

verbo esse, que se cliama auxüiar, porque concorre para 
a coiyugacao dos verbos passivos nos tempos da segunda 
serie, tem tambem a denominacao de verbo substantwo, ou 
abstracto, por expnmir a existencia de uma maneira absoluta • 
em coiitraposicao, todos os rnais verbos sao appelliclaclos 
pelos ■orainmaticos modernos verbos adjeclivos, attributivos, ou 
cpncretos, por exprimirem as quahdades ou os attributos da 
exisoencia. üesia cloutrma resulta que rie-orosamente fal- 
lando ha so um verbo, que é o verbo esse, senclo todos os 
outros í-ormados das íermmacoes deste mais ou menos mo- . 
aiticaclas de combinacao corn um radical, que por si só ex- 
pnme a qualidade, attributo, estado ou accao do sujeito. Exem- 
plinquemos : nesta oracáo Petrus esí laúdator Joannis vemos 
est, representanclo a existencia de Pedro ; e o substantivo lau- 



246 LINGUA LÁTINÁ. 

dnínr -xorimindo um altributo clo sujeito ; mas si dissermos 
F^usUaulat Joannem, aintla poderemos admittir que o 
vprho esse acba-se implicitamente no verbo laudat consei- 
vando apenas umasó letra de sua terminacüo (o i de«sí que 
°e combma com o radical lauda (transformacáo clo subscan- 
tivo laudutor). Ecomeffeifco tanto vaie dizer Pedro e o tou- 
vador de Jodo, como Pedro louva a Jodo. Si_ porem em vez 
cio oresente dissesemos no prefcerito mais que perteico 
Petrum fuerat laudator Jo'mnis, amda mais sensivel se mr- 
naria a'terminacáo de jTueraí quando substituissemos pela 
pronosictnequivalente Pelrus laudavérat Joannem. 

Fa verdade, laudaverat é quaai laudator fucrat,^ pois 
cortando-se a' syllaba for de toiiZaíor e o f cie yuerat, 
restam /«u/fc~«éVaí ; e como já sabemos que o u entre 
duas vop-aes transforma-se em « fiYoeoes pretoroinara ora- 
tando da letra ■»), temos ponanfco formado o precerno 

lauduverat. , 0R > 

' . Na conjugacao de Poss-um, po/es (Quadro m ¿6), ma- 
nifestainente se reconhece a preseuca do verbo esse com 
o radical pot (adulteracao do adjecfcivo aotig'o potis, ce, 

p0 ¿ P l0 t n.do isto se conclue que excepto o verbo substan- 
íir-oess" tocloa os mais sfio verbos atlribuiivos ou adject-i- 
vos » que esta denominacáo ihes é dada por serern fcoüos 
eiles considerados ccmo fbrmados do verbo esse de com- 
binacao com um radical que expnme a íclea doahnuuto, 
estado, acedo, ou aualutude do sujeiio, nao ficanao porem 
preiudicadas as denominacoes com que os clmssnicmno 
U Noeoes preliminares (29. 20, 31, 32, 33), por isso que 
estas se referem nao á sua construccáo mamnat, m« 

a ISysaMo os tempoa do verbo esse, distincfcamente se 
conhece que as suas fomulas. denvam-seae duas iauoS 

differentes. Os temnos da prnneira serie cem como lacUcai 
asyllaba es, qne desappareceu na primeira pessoadopie- 
sente sam, antigarnente esum, assim corno em codu^ c.s 
outras vessoas do mesmo tempo, tanco do iiidicauYO,mip.- 
rativo. como do conjunctivo, que comecam por s ncando 
consm-vada em todas as pessoas dos mais tempos da memua 
serie- eram, ero, essem, es ou estu, csto, este, ou estote, 
esse! trocando o s de es em r quaudo a lettra segmmce 

é urna vogal. . i7ÜI , Kn ¿ 

radicai clos tempos da segundaserie neste ve bo e 
a syllaba fu (fui, fueram, fuero, fuerim, fuissem ou forem 
fuissem, futurum (ou fore), futurus), que_ se combma ccrni 
; as termmacOes do preterito perfeito «-, ^h *í, * wiií o ¿sas, 



CAPITULO XII. 



erunt ou ere, e com os tempos da primeira serie eram 
(para íormar o mais que perfeito fueram), ero (para formar 
o íaturo perferto fuero, e o preterito perfeiío do eonpmctivo 
fuenm, mudando apenas o ro em rim), essem (para i'ormar o 
mais que perfeito do conjunctivo fuisscm, trocando npenas 
o e de essem em i), e com as desinencias proprias cIp todos 
os participios do futuro (37) para a forrnacao clos mesmos 

Ámtes de apontarrnos algumas particuiarictades sobre 
os verbos das quatro conjugacoes, convera expor a razao 
por que no modo ccnjunctivo de todos os verbos nao 
demos ofuturo, que geralmeníe os grammaticos trazem, 

Em primeiro lugar cumpre notar que indicancio as desi- 
nenciascios verbos as pessoas, tempos, e modos. haveria 
equivoco. dada a bypotliese de existirem em it'in sá modo 
dous tempos corii iguaes desinencias, cnrao sao o vreíerüo 
perfeáo clo conjunctivo e o supposto futuro do diío modo. 
JNUio destroe este prlncipio o ser o clito preterito períéito 
do conjuncíivo igual nas desinencias ao futuro perfeiío do 
indicativo, pois este ultiino tenipo (o futuro) estáem urn modo 
e o preíerito perfeito em ont.ro. A. apparencia nestenonto 
tem illudídoosgrammatlcos, pois vindo sempre esse'sup- 
poste_fnturo clo conjunctivo (que nao é rnais que o ñituro 
perfeito do indicatívo) acompanhado de conjunccoes, cme 
dao a phrase um sentido dependente; eníenderam elles que 
tal linguagem era expressa no conjunctrvo, como si os 
tenipos do indicativo quando sao precediclos de conjuaecoes 
nao exprimissem oracoes subordinadas. Alem distó, mmtos 
exemplos se encon'crám emque esta lingnagem se expraime 
por tempos do inclicativo que nao se confunciem com os 
do conjunctivo (*). Para prova irreplicavel de que o suo- 
posto futuro do conjnnctivo níio é mais clo que o futuro 
perferto clo Indicativo acompanhado cle algnma conjunc- 
cao, basta observar que nas oracoes passivas oncie os 
tempos da segunda serie sao composíos clo participio pas'- 
srvo e do verbo <?sse nos tempos correspondentes (87) aos 
da vozactiva, este pretendido futur'o do conjunctlvo se en- 
contra formaclo clo participio passivo e clo futn.ro imperfeiío 
(ero, eris, erit, enmus, etc.) ou do preterito perfoito do con- 
junctivo (fuero, fneris, fuerit, fuerü, eíc.) ; e si esse tempo 
'na voz passiva se forma com um tempo clo Indicativo (ero, 
eris, ctc), porque nao se deve admitir que o mesrno suc- 
cede na voz activa ? Finalmente, si existisse, como querem 

(*) Si vis me flres, etc. Horacio, Art. Poet,,, si quizeres que eu 
chore: onde está o presente do inclicativo vis ; poder-se-hia tambem 
dizer si — voluéris — , se quizeres pmas- volueris — seria sempre o 
futuro perfeito do mchcalivo e nao um tempo dd conjunctivo ' 




243 LINGUA. LA.TINA.. '•* 

taes grammatícos, um faturo «p«M ™ Noto^™; 
0tív0 iffTp™«£ 'X eou mct"o°pVecedido dealguma 
rouunccaoVeítódopresení, do indicativo, como antda 

"'SSncio e Hauto aoPana so os ;— ^^s 
indicativo dosverbos da o. 'eüa*. ^% B , a °m{mgxS,o, por 

^'p^ltó e- muitoa verbos em 

formados de um rachcal e do jeibc ^, PO 1 

dtiim, duini ; perduim, perdumt ?f)^f""^X^). 
verbo do, d«s) e de perdam, perdant (do veibo P e '*y/- s 
Do verbo semidepoente cla 2, ^^^^ au ^ 
sum, audere, se encontra o presei ite do ccuji ijcuvo ¿ 

a«í¿ aiwíní : a pnmeira e a segun da pe ^^ do 

se encontram debaixo desla forma : alem c c.te pi~&eu 

/fc£, fuaí, derivado do radical /uo COB ú in o-ado de tal ' 

verbo possum, potes, era anugamenix L °;J"^ sicao; 
modo que bem distinctamente mos^u^a commosn} , 
tanto que se dizia potessem, potesses, potess,, etc, au vo 

rme coimste na perda da syllaba w e ue (pela ü S"\ c r ^," 
??pe) ior exemp o : em veÍ de laceramsü, íaceraws i , la 
ceatrCt, diz-.se lacerasl,, lacerastis, ^^^^^1 
consumstrs, consuwerunt, e por syncope, consu.sH, .onsues 

tis, consuerunt. v „„,,;,•,• nurliisti 

6s pretentos em it>i perdem o * e d lz :« e .^; rf S £?' 
audüí, aticMemní, em lugar de audivi, ^™%"^™£ U £ a 

Nos escriptores latinos antigos, e pnncipalmente nos 



CAPITULO XII. 249 

poetas comicos, encontram-.ee o futuro perfeito do indica- 
tivo, o preterito perfeito, e o mais que perfeito do conjun- 
ctivo formados do radical e das desinencias so, sim, scm (ti- 
radas do verbo esse) sendo ero, erim, issem, modificacoes 
daquellas : por isso em lug'ar de cep-ero s oep-erim se aclia 
cap-so, cap-sim ; em lug'ar de amav-ero, reconc.iii.av-.ero — ama- 
sso, reconciiia-sso, em lug'ar de negav-erim íocav-crim — nega- 
ssim, loca-ssim : em lug'ar de prohibu-eris, habue-rit — prohibe- 
ssis, habe-ssit : em lugar de vix-ísset — vixet (vi-cset). verbo 
facio era conjugado, em lugar de fecero, fec-erim, fec-issem, 
— f q xo (fac-s'o)^ faxim (fac-sim), faxem fac-sem) . A. formula 
faxint [di faxint, permittam os Deoses) é usada frequente- 
mente. 

Aquelles verbos que faziam outr'ora o futuro perfeito do 
indicativo em asso, como impetrasso, reconciiiasso, em lugar 
de impetravero, reconciiiavero, tinliam tambem o futuro do 
infinito em assere ; e dizia-sepor exemplo : impelrassere, re- 
concüiassere, em vez de impetraturum esse, reconciiiaturnm 
esse. 

Na voz passiva dos verbos, qualqu^r que seja a conjuga- 
cao, ha a notar a linguagem da futuro do inflnito, pqr 
exemplo': laceratum irí, ou laceranclum, am, um esse : a pri- 
meira fórma é o supino clo verbo e o infimto passivo (iri) do 
verbo eo, is, ivi, ítum, ire; cle modo que litteralmente tra- 
duzido o futuro passivo. quer clizer ir-se para düacerar. Esta 
fórma rarissimas vezes se encontra. 

presente do infinito da voz passiva terminava em r, e 
nao 'i, como clepois ficou em uso ; e clizia-se landarier em 
lugar de taadari : dicier e em lugar cle dici ; defendier em vez 
de defendi. 

participio em endus, enda, endum, dos verbos da 3. a e 4. a 
conjungacao (e nunca nos cla 2. a ) se encontramuitas vezes, 
principahnente em Sallustio, terminado em undus, unda, 
undum (pela fig-ura antithese grammatical) e assim lé-se ca- 
piundus, faciundus, experiundus, em vez de capiend'us, facien- 
dus, experiendus. 

Ádg'u'ns verbos defectivos ba, que só se empregam no im- 
perativo, como Aveo, es, avere fdesejar ardentemente) ; e 
,neste sentido se eacontra a 3 a pessoado plural avent^ Usa- 
se porém quasi sempre no imperativo ave ou aveto, e no 
plural avete (Deos te salve, Deos vos salve). ou no infinito 
avere te jubeo (üeos te salve) . Do mesmo modo se empregam. 
salveo, es, salvere, valeo, es, valere, 

Cedo, imperativo (unica fórma usada), e no plural cettc, 
cedite, dize, dizei-me. 




250 LIN&TJA LATINÁ. 



Quceso (eu vos rogo), e no plural qucesümus, (nós vos ro- 
gamos), unicas fórmas empregadas. 

Sls, suliis sao abreviacOes de si vis (si queres), si vultis (si 
quereis) : sodes abreviacáo de si audes (si te atreves) ; cape sis 
ou capesis (toma, si queres), sáo formulas empregadas no 
estylo familiar. 



Das pa.r*í;Icixlas Mseparaveis 

Além das particulas met, pte, ou simplesmente ce, que se 
ligam aos pronomes pessoaes, e aos adjectivos pronomi- 
naes, temos aiuda seis particulas chamadas inseparayeis, 
que entram na composicao de alguns verbos, e adjectivos, 
e que tem tai nome porlsso que nunca se encontram isola- 
damente. Sao as seg'uintes : 

1.° Amb (antes de vogal) ; am antes de p ; o an antesde 
qualquer outra consoante; por exemplo : ambio (eu rodeio); 
ampiíto (eu corto em redor), annólo (eu annoto, eu ponho 
notas ern redor), Amb denota rodeio . 

2.° Dis (separacao) ;' por exemplo: dissocio (eu clesuno) 
3.° Re (repeticaO, volta, movlmento para trás) : por 
exemplo redormio (eutorno a adorrnecer) ; remrto (eu volto): 
recurro (eu corro para trás). 

4.° Se (afastameuto) : por exemplo, sejungo (eu separo) ; 
secedo (eu me aparto), 

5." Sus (movimento de baixo para cima) : por exemplo, 
suspendo (eu suspando) ; sustineo (eu susteato). 

6. a Ve (privacao) ; por exemplo, vesanus (náo sáo, louco); 
vecors (louco). ' 

A. consoante s de dis muitas vezes é cortada por euphonia 
na composicEio, ou muclada em f, ou r ; por exemplo : di- 
müto (eu deixo ir) ; dif-fido (eu desconfio) ; dirimo (eu des- 
trúo) ; e náo dis-mitto, clis-fido dis-emo. 

A. particula re admi'cte depois cie si d quando o verbo 
principia por vogai ou por h ; por exernplo : re-d-arguo 
(eu replico) ; re-d-lnbeo (eu restituo o preco da cousa com- 
prada) . 






CAPITULO xrv. 



251 



eáPiTüio xn 



X>a Preposieao. 



Dissemos nas Nocóes preliminares (47) que as preposicóes ou 
regem casos, ou compoem palavras ; e como os unicos casos 
regddos por Preposicdo em latim sáo o accusativo, e o ablativo, 
classiñcaremos na lista seguinte as Preposicóes que reg'em 
accusativo, e as que reg'em ablativo, reunindo em terceiro 
lugar as que ora reg'em urn, ora outro destes dous casos, 
conforme as circumstancias. 

A preposicdo, bem como o adverbio, conjunccao, e interjeicao, 
sEo palavras indeclinaveis . 



Ad 

Adversum'i 
Advérsus < 
Ante 
Apnd 
Circa 

Circiter 

Circum 

Cis 

Citra 

Contra 

Erga 

Extra 

Infra 

Inter 

Intra 

Juxla 

Ob 

Penes 

Per 

Pone 
Post 
P¡ ceter 
Prope 
Propter 



PEEPOSICOES QUE REGEM ACCUSATIVO. 

A, para, junto, até, contra, conforme, quanto 
a, além de. 

Defronte, contra, para com . 

Diante, antes, mais que. 

Junto, em, em casa de. 

Em roda de, cerca ou ácerca de, perto de, para 

com, a respeito de. 
Quasi, perto de, pouco mais ou menos. 
Em roda de. 

A quem de, dentro de algmm tempo. 
A quem de, antes de, sem. 
Contra, defronte de, para com, por. 
Defronte, contra, para com.,. 
De fóra, afóra, excepto. 
Abaixo de. 

Entre, no tempo de, dentro de. 
Dentro de, da parte de dentro de, rnenos que. 
Ao pé de, conforme. 
Por causa de, ante, em roda de. 
Em poder de. 
Por, per, ern, por entre, pelo tempo de, sob 

pretexto de, por causa de. 
Detraz de, 

Depois de, detrás de. 
Diante de, além de, contra, excepto. 
Pertode. 



Perto de, 



por causa de. 



252 LINGUA LA.TINA.. 4 

Secnndum Perto de, ao longo de, atrás de, depois de, se- 

gundo, a favor de. 
Supra Sobre, da parte de cima de,.além de, acima de 

Trans Além de. ¡ 

Versus Para a banda de, para o lado de. 

Ultra Além de, de lá de, mais de. \ 

PREPOSICOES QUE REGEM ABLATIVO : ¿ 

) 

A, Ab, Abs De, descle, por, do lado de, depois de. 

Absque Sem, afóra. 

Coram A' vista de, em presenca de, ante. . ■;; 

Cum Com, em companhia de. 

De De, dapartede, ácercade, depoisde, por causa i 

de, d'entreou do numero de. 
.E, Ex De, depois de, por causa de, do proveito de, 

d'entre ou do numero de, conforme. 
Palam A' vista ou ás claras. 

Pm Ante ou diante de, mais que, em comparacSo 

de, por causa de. 
Pro Diante de, em, conforme, por causa de, por, 

em vez de, a favor de. ! 

Sine Sem. ¡ 

Tenus Até. \ 

REGEM ORA ACCUSATIVO, ORA ABLATIVO, AS SEC-UINTES : i 

Clam A's escondidas de, clandestinamente. 

Jn Em, para, para com, contra, entre, por 

causa de. 
Procul Long-e de. [; 

Sub Debaixo de, da parte debaixo de, perto de, 

diante de, em. 
Subter Debaixo de. 

Super Sobre, ácerca de, mais que, além de. 

Com os ablativos me, te, se, nobis, vobis, a preposicdo cum 
colloca-se sempre depois, deste modo : mecum, íecum, secum, 
nobiscum, vobiscum (comig-o, comtigo, comsigo, comnosco, 
comvosco). 

Com os ablativos qui, quo, e quibus, póde tambem pos- 
por-se a preposicáo cum, dizendo-se quicum, quocum, qui- 
buscum. 

Tenus, e Yersus collocam- se sempre depois do caso que 
regem. A e abs sao modificacoes de ab: usa-se de a antes 
de palavras que principiam por consaonte : ab emprega-se 



CAPITULO XV. 253 

quasi sempre antes de palavras que comecam por vogal ou 
por h : abs é raras vezes usada, salvo antes do pronome te 
(abs te) ; e na composicáo de palavras, como abs-tergeo (eu 
limpo), abs-condo (eu occulto). E é a abreviacáo de ex, em- 
prega~se só antes de palavras que comecam por consoante ; 
ex colloca-se antes de palavras que principiam por vogal ou 
por h, e mesmo antes de muitas que comecam por consoante. 
D'entre as Preposicóes acima mencionadas algumas ha que 
mais se devem considerar como Adverbios : taes sa-o as se- 
gmintes : 

Circa. Intra. 

Coram. Juxta. 

Clam. Pone. 

Citrá. Própé. 

Contrá. Prócul. 

Circiter. Palam. 

Extra. Supra. 

Infra. Ultra. 

Sobre o emprego particular das preposicóes temos tratado 
nas licóes antecedentes. 



i r a a u l. 'ú Á f 

I>o adverlbio. 

adverbio equivale o mais das vezes a uma preposicao 
segmida do seu caso ou complemento, pois quando dizemos 
prudenter, prudentemente, vale o mesmo que si nos servis- 
semos da expressáo cum prudentia, com prudencia. 

adverbio modifica as qualidades expressas pelos adjecti- 
vos, como quando dizemos valde egenus, muito pobre ; os 
substantivos,como nesta expressáo, populus late rex, povo 
largamente rei, isto é, povo de um dominio lato ; modifica 
tambem outro adverbio, por exemplo, non feliciter, nao feliz- 
mente, e finalmente com mais especialidade o verbo, donde 
se cleriva sua denominacáo (ad verbum) junto ao verbo : 
exemplo, pugnat fortiter, peleja corajosamente. Em sumina, 
o adverbio determina as circumstancias das accoes ; por 
exemplo : Petrus veniet cms, Pedro ba de vir amanbá ; e 
tambem as circumstancias das qualidades, como : hcec 
domus est pulchra intus, esta casa é linda interiormente. 
. Oito sao as circumstancias ou modificacOes expressas 
pelo adverbio, a saber : lugar, tempo, modo, quantidade, inier- 
rogacdo, affirmacdo, negacao, cluvida ; e classificam-se em ad- 



254 



LING-UA. LA.TINA. 



verbios de lugar, de tempo, de quantidade, de interrogagao, aflir 
macdo, negaedo, e duvida. 

Adverbios de lugar. 



Circa. 
Coram. 
Clam. 
Citra . 
Circiter. 
Contra. 
Extru . 
Supra . 
Ultra C). 

Intro (dentro, para_ dentro, 
exprimindo movimento) . 
Porro (ao longe) . 
Retro (para traz) . 
Ultro ' | de uma e de outra 
Cüroque \ parte. 
Inlus (clentro, sem exprimir 

movimento). 
Deorsum (para baixo). 
Sursum (para cima). 
Introrsum (para clentro). 
Ext ri nsec us ( p o r í'ó r a) . 
Inlrinsecus (dentro) . 
Cominus (de perto). 
Eminus (de longe). 
Obviam (ao encontro). 

Obiter (em caminho, de pas- 
sagem) . 

Ubi (onde) 

Ibi (alii) . 

Hic (aqui onde eu estou) . 

Istic (ali, onde tu estás). 

Illic (ali, onde elle está). 

Unde (donde). 

Indc clali) . 

JJi/íc (daqui, onde eu estou). 

Intinc (dali, onde tu estás). 

JWÍ7ic (clali, onde elle está). 

Quo (para onde). 



Jn.fra. 
Jrcí ra . 
Jííícéou 
Po?ic. 
Prope . 
Procul. 
Palam. 

Qua (por onde). 
Ed (por ali) . 

Hcic (por aqui, onde eu es- 
tou). 

Istac (por ali, oncle tu estas). 
Illac (por ali, onde elle está). 
Ublque (por toda a parte). 
Ibidem (no mesmo lugar). 
/l/z¿¿ (em outra parte). 
■Alicubi ) 
Usquam > em algumlugar. 

Uspiam ) 

Nusquam (em nenluima par- 

te)-. 
Utrobíque (de ambas as par- 

tes) . 
Undique (de toclas as partesj. 
Utróque (dos dous lados). 
C/sr/ufi (até a. ..) 
Qutilibet (por qualquer parte). 

Eádem ( pelo mesmo cami- 

nho). 
Aliqua (por algum cammho, 

por alguma parte). 
Usquecquaque (por toda a par™ 

te). 
Indidcm (clo mesmolugar). 
Aíiunde (de outra parte). 
Alicunde (de alguma parte). 
Utrinque (de ambos os lados). 



(*) Estas desaseis primeiras palavras já foram enumeradas na lista 
das preposicoes, porque algumas vezes se encentramjegendo casos (ac- 
cusativoe ablativo), e sao entaoverdadeiras preposicoes. 



L_ 



n 



CAPITULO XV. 



255 



J?o_('para ali). _ Quolíbct ) para qualquer par- 

Iltic f'pa'ra aqui, oncle eu es- Quovis j te. 

tou). Eodem (para mesmo lugar) . 

Jsíwc (paraali,onde tu estás). Alio (para outra parte).' 

JWwc (para ali, onde elle es- Alzquo )para algum lugar, 

tá) . Quoquam 3 

Muitos clos mencionados adverbios de lugar sao ou abla- 
tivos terminados em a, que concordam com substantivo 
feminino via, o¡ (caminhoj como qua, ea, hac, aliqua, os 
quaes reunidos com ablativo waformamum sentido com- 
pleto ; ou sao dativos antigos, que caliiram em desuso ; 
como por exemplo : ibi (antigo dativo deisformado á seme- 
llianca clos tibi, sibi), e quo, e eo, que tambem sao dativos 
desusados de quis e is. 

Adverbios de iempo. 



Adhuc (ainda, atéaqui). 

Antea (antes) . 

Antehac (até agoraj . 

Aliquando (algumas vezes) . 

Aliquandiu (algum tempo) . 

Cras (amanháa). 

Diu (por muito tempo) . 

Düdum (ha muito tempo)..- 

Dein ) 

Deinde j ao depois. 

Etiamnunc (ainda hoje) . 

Etiamtum (ainda entáo). 

Heri (hontem). 

Hodie (hoje). 

Interdkt (de dia). 

Interdum (algumas vezes) . 

Interea } . . 

Interim \ entreianto. 

Jam (jk). 

Jamdüdun \ ha rnuito tem- 
Jampridem í po. 
Mane (cle manhaa) . 
Mox (log'o, dahiapouco). 
Nondum (ainda náo). 
Noclu (de noíte). 
Nunc (ag'ora). 

Nonumquam{cilgüma.si vezesj 
Nüdiustertius ( antehon- 
tem). 



Numquam (nunca). 

Nuper ,'hapoucoj. 

Olim (outr'ora). 

Párumper (por pouco tem- 

po) 
Paulisper ( durante pouco 

tempo). 
Perendie (clepois de arnanhaa) . 

Pridie (na vespera,). 

Pridem (ha muito tempo) . 

Protvnus ( immediatamente). 

Postridie (no dia seguinte). 

Postea (ao clepois). 

Posthac (cl'ora emdiante). 

Quando (quando) . 

Quandiu (em quanto tempo). 

Quondam (outr'ora) . 

Quotannis (todos os annos). 

Quotidie (toclos os dias). 

Scep e (m u i t, as v e z e s ) . 

Semper (sempre). 

Símül (ao mesmo tempo). 

Tandem (finalmente) . 

Tandiu (por tanto tempo). 

Tum 

Tunc 

Vespere (de tarcle). 




LINGUA LATINA. 



Adverbios de modo. 



A maior parte dos aclverbios de modo ou procedem _de ad- 
iectivos da primeira ou rla segunda classe. A. termmacáo 
'daquelles adverbios, que se derivam cle adjectivos da pri- 
meira classe é em geral a vogal e ou o : a clos que se íor- 
mam dos adjectivos da segunda classe é e breve ou a syl- 
laba ter Mencionaremos aqui alguns adverbios de modo de- 
rivados de adjectivos da primeira classe. 

Acerbe (acerbamente) de Acerbus, a, um. 

Ample (amplamente) de Amplus, a, um. 

■ Barbáre (Barbararnente de Barbárus, a um. 

Falso (falsamente) de Falsus, a, um. 

Merito (merecidamente) de Mentus, a, um. 

Adverbios de modo derivados de adjectivos da 
segunda classe. 

Factlé (facilmente) de Facilis, e\ 

Impuné (impunemente) de Impunis, e. 

Alacrttér (alegremente) de Alácer, lácris, lácre. 

Breviter (brevemente) de Brevis, e. ^ 

Crudeliter (cruelmente) cle Crudelis, e. 

mo obstante o que acima dissemos, ba adverbios cle modo 
acabamos em ter, que se clerivam cle acljectivos clapnmeira 
classe, por exemplo : violentér ( violentamente), humamter 
(humanamente), que sáo formados de violentus, a, um e hu~ 
manus, <x, um. _ ^ 

Os adverbios de modo terminados em o sao essenciaimenbe 
ablativos, que concordam com o substantivo modo (modo', 
maneira) : os que acabam em é breve saoverdadeiros accu- 
sativos na terminacáo neutra clo singular cle adjectivos da 
segunda classe. 

Ha aíncla alguns adverbios acabados em o e em e, que sao 
ablativos cle nomes substantivos, por exemplo : vulgo (ordi- 
nariamente) de vulgus, i ; forte (por acaso) clo antigo nomi- 
nativo fors ; rlte (segunrlo o uso) e sponte (espontaneamente) 
dos nominativos desusaclos rites e spons. 

Muitos outros aclverbios cle modo tem a termmacao tim e 
sim, desinencias proprias de accusativos, por exemplo : cur- 
sim (correndo,) raptim (arrebatadamente), furtim (furtiva- 
mente), gregatim (em rebanlio) sensim (sensivelmente). 

Entre'os abverbios de modo, tambem se coilocam os se- 
guintes : 



CAPITULO XV. 



im 



Sic (assim). 

Itá (assim, 

Item (da mestna sorte). 

Perinde (assira). 

Paritgr (igualmente). 

Altter (de outra maneira). 

Alioqui, e alioquim(dQ diffe- 

rente modoj. 
Quoque (tambem). 
Cur (porque). 
Quantopere (quanto ' opere ?) 

(até que ponto). 
Magnopere (muito). 
Adeo (de tal sorte). 
Quare (pelo que). 
Ideo (por isso). 
Idcirco (por isso). 
Propterea (por causa disso) . 
Gratis (cle graca)', 



Gratuüo (gratuitamente). 
Frustra (debalde). 
Nequicquam (em váo). 
Incassum (inutilmente). 
Tam (táo, tanto). 
Ommno (totalmente) . 
Prorsus (certamente) . 
Partim (acc. cle pars, com 

parte) . 
Yix (apenas). 
Saltem (ao menos). 
Pozne (quasi). 
Propemódum (quasi). 
Ferme (ordinariamente) . 
Quatenus (até queponto). 
Hacténus (até aqui). 
Eatenus (até ahí). 
Fere (quasi). 



Adverbios de quancidadc. 



Mágts (mais). 
Mznus (menos). 
Admódum (inuito). 
Plurimum (muito) . 
Multum. (maito) . 
Párum (pouco). 
Sátis e sát (assaz). 



Taníum (tanto). 

Aliquantum (alg'um tanto) . 

Plus (mais). 

Paulum (pouco). 

Nimis e nimium (clemasiada- 

mente). 
Valde (muito). 



Quantum ? (quanto ?) 

Exceptuando magis, parum e valde, todos estes adverbios 
de quantidade sáo considerados como acljectivos naxermina- 
cao neutra do sing'ular ; scuis e nimis sáo reputados como 
substantivos e podem estar em nominativo ou em accusa- 
tivo. 

Eutraram tambem na classe de adverbios de quantidade 
os seguintes : 



Bis (cluas vezes). 
Ter (tres vezes) . 
Quáter (quatro vezes). 
Quinquies (cinco vezes) 



Aliquoties (algumas vezes) 
Toíies (tantas \-ezes). 
Quoties (quantas vezes) . 
Sémel (uma só vez). 



Os acljectivos numeraes ordinaes em ablativo ou accusa- 
tivo do singular sao tomados como adverbios, por exemplo: 
primo ('primeiramente, em primeiro lugar) ; primúm (pela 




258 LINGUA LATINA. 

primeira vez, ao principio) ; secundum (em segundo lug-ar) ; 
secundum (pela segunda vezj ; íertio (em terceiro lugar) ; ter- 
tium (pela terceira vez.) 

Os adverbios bifáriam (em duas partes, de cluas manei- 
ras) ; trifSriam (Ae trez maneiras) ; miiM fariam (de muitas 
rnaneiras) ; omnifariam (de todos os moclos), representam 
accusativos femeninos . 

Adverbios de interrogacáo . 

An, anne% (por ventura nao ?) 
Ne'l (particula posposiiiva enclylica) . 
Nonne^. (por ventra náo "?) 
Num ? (acaso ?) 

Além destes aclver "hios rnuitas outras palavras poclem ser- 
vir para interrogar por exempto : qvomodo ? ícomo ? uirum ? 
(qual das duas eousas ?) ; qui ? (ablativo de qnü ou qui) (de 
que moclo ?). quid ? (que ?j ctí-?- ? (porque ?) ?iM ? (onde ?) 

Adverbios de affirmacao, 
J¿« (assim). ]„ , , , ,. Plane (sem duvida). 

_,,. L (Estes dous adverbios Tr „ , ,„ \ , . ,_ ' 

Eaam iam~ í em img- ua g-ern fami-Haeízeeí (videre ■> 

bem). } lhu ' síy-nilicam s/m. Ucet), . ,! 

Quidivi (e porque náo V) . Nimirum (Nil f 

Profectd^. mtrum). ;<a saber, 

Ceríe | Scllicet (Scire l isto'é. 

Sa??e > certamente. licet). \ 

Utique \ Nempe. 

Ncs I Equidem (na verdade) . 
Quippe (na verclade) . 

Como adverbios de affirmacáo podem-se considerar os se- 
gmintes : 

En (eis aqui). 
Ecce (eis aqui, eis que). 
Hercie \ 

Hercüle ] 

Mehercle L or Hercules. 

Hercules 1 x 

Mehercüles \ 
Medius fidius) 

„-,, u , >por Pollux. 
hdepol 5 - 

Ecasíor ( ,, , 

jlf ccasíor 5 por " abt01 ' 



Sl 



CAPITULO XV. 259 

Asj expressoes Jlercie (contraccíio do abl. Hercüle) ■ Me~ 
hercle onMehercuie encerram a ellipse do adjectivo juvante 
(juvcmte Hercuie me) ajudaudo-mo Hercules).' Hercüles. Me- 
hercules sigmñcam propriameníe Ilercules me njude (Hercules 
adjuvet me, J x ' 

Medius fidnis (me dms fidius); dius (ou deus) : Fidius é vm 
dos nomes de Hsrcules (provavelmente derivado destas 
expressoes Deus fidei (Deus da fé) ; e significa portanto Dius 
Indius adjuvet me (Hercules me ajude). 

Pol (em lagar de Poltux pela figura Apocope), quer cbzer 
Pnitux me adjuvet): Edepol, que meilior se escreve, /í'depol 
agminca pelo templo dePolIux, Mde Pollücis que pela fio-urá 
Apocope nca /Edepol isío é, jun> cedc Poilücis "(iuro "pelo 
templo dePollux). u ! 

^Ecastor que melhor se escreverá tambem sEeasior, ouer 
cazer cede CasloHs (jnro cede Castoris): me casíor quer dizer 
tasíor adjziveúme. 

Adverbios de negaccio. 

N n °^,,¡ _ Haudquaquam)dQ nenhuma 

^ ( naQ - Neguaquam sorre, de 

; r / ^ iS'eutuquam í modo ne- 

M^(nem). Min ^ e J . Il]mm _ 

Adverbios de duvida. 

l orla ^-- Forsilán (fors sit án). 

{prtassis Forsitfforssit). 

Forsan Jors an). Fortassem (fortasse an). 

Estes seis aclverbios significam talvez, taivez seja. 

JíiuiGü mais longa amda poderia ser a lista dos aclverbios 
em cacla urna de suas respectivas classes, mas de pouca 
iiuiidaqe sena sobrecarregar a memoria com a signincaeáo 
üe paíavras, que o uso de traduzir facilinente ensina. * 

Adverbios comparaíivos e superlativos. 

Os adverbios, quer se derivem ou nao de nomes Hiecti- 

s vos, xem como termmacao dos seus comparativos sómente 

a syllaba %us, por exemplo : certe (certamente) faz o sen 

comparativo certms : scepe (muitas vezes), que nao se deriva 

üe aujeccivo, faz tambem o seu comparativo em iús, scepiús. 

A. termmacao dos adverbios superlativos é issime, exem- 
pio: ceríe, certissime ; scepe, scepissime ; prudenter, pruden- 
tisstme. i t ■ 

Si porém os adverbios derivam-se de adjectivos, que 



260 



LINGTOA. LA.TINA. 



fazem o nominativo do singaúar em er, como pulchre (que 
vem áepukher, a, tim), acriter (fortemente), (que vemde acer, 
acris acre), entao o superlativo de taes adverbios e íormaclo 
do nominativo do singular na terminacao masculma, jun- 
tando-se-lhe as syllabas rime, e áejmlchre se fórma o super- 
lativo pukherrim'e, de acríter, acerríme. 



13 a conjToiccao. 



>e. 



Ac 

Et 

Atque ) 

Que (e) (pospositiva e encli- 

tica) „ 
A ut ) 
Vel ou. 

Ye ) (posposüioa e cnclitica). 
Sed \ 

At I 

Ást fmas, porém 
Yerum l 

Yeró \ (verd e autem sao pos- 
Autem ) positivas). 
Neqne 
Ncc 
Neve 
Neu 

Postquam 
Posteáquam 
Ergo ) 

Igitur [portanto. 
Itáque ) 
Nam \ 

Quippe í l l 

Enim i (pospositiva) . 

Si modo i 

Dummódo >comtanto que. 

Modo \ 

Quia ) 

Quoniam\j)OT isso que. 

Quod 



nem. 
ou náo. 

depois que. 



contraccao seu 



contraccao n% 



>como si. 



de qualquer 
modo que. 



Si (si). 
Sivc, e por 
(ou... ou) 
Nisi, e por 

(senao). 
Quin I que nao, para que 

Quominus\ n&o. 
Dum (emquanto). 
Donec (até que, emquanto). 
Quási | 

Perinde ac si 
Ptrinde qucisi) 
Ut ut \ 

Ulcumque 
Quomodocumque 
Cúm ou quum (já que, pois 

que, quanclo) . 
Quando (quando). 
Quandoquidem (já que). 

Antequam 

Priusquam 

Ut (que, pára que, afim de 
que, quanclo, como). 

.4 ttámen ) 

Yerumlámen > comtudo. 

Tamen ) (pospositiva) . 

Quare ] 

Quamobrem 

Quapropter J>pelo que. 

Quócirca 

Proinde 



antes que. 



CAPITULO XVII. 



261 




Etsi 
Etiamsi 

Tametsi 

Quanquam 

Quwmvis 

Licet 

Sin 

Sinautem 



[posto que, ainda 
que. 



mas si. 



Quam (que. clo que). 
Ut primum \ logo que, des- 
Vbi primum i de que,tanto 
Simtil ac i que. 
Simul atque j 



Sicüt 

Velüt 

Uti 

Sicüti 

Velüt 

Tamquam 

Ceu 

Sinon 
Siminus 
Sin minus 
Sin aliter 
Utpote (como). 



como. 



si nao. 



IPil 



Da iixjter-jeloao. 

A mterjeicao, cujo nome se deriva de interjicere (por 
einre), pode representar por si uina oracao. 

Io! evoe! evax ! exprimem Proh ! pro ! exprimem iudi- 

_al 'gvih. -.-.- L 

lo ! ah ! hei ! eheu ! heu ! ex- 



gnacfio. 



pi'iinsm clor. 
Vcu! exprime compaixáo. 
Ehó ! ehódum ! ohe ! heus ! 

accfio de chamar. 



! pápce ! hem ! ehem hui ! 

exprimem sorpresa. 
Eiá ! eucje ! ácje ! •macte ! accáo 

de íinimar. 
Apage ! phui ! aversao. 
As iníerjeicoes Age e Apáge sao dous imperativos, o pri- 
meiro de ago, is, e o segundo de um verbo grego. Costuina- 
se muitas vezes juntar ás interjeicOes (principalmente acs 
imperativos age, e agite), a conjunccao dum para lhes d'ar 
mais furca: <i muitos outros imperativos, pnncipalmeate 
em mmiuigem ínmiliar se addicioim tambem a eonjunccao 
c¿um,\)ov exeuiplo, adesdum (approxima-te). 

A íiiu-í jeicao macie é o vocativo de um'adjectivo desusa- 
,clo, e diz-se no plural macli. 



n 



DAS FIGÜRAS. 
Uma oracao póde conter Solecismo, quando náo é feita se- 

. P , Este ti'fictado sobre as Viguras 6 extralndo de um bem conhe- 
ciclo livro -elemeiitar mtitulado Explicagao cla Syntaxe composto pelo 

19 



LINGUA LA.TINA. 

o-undo as regras cla Syntaxe ; e Barbarismo, quando existe 
erro na pronuncia ou escripta clas palavras. Exemplo de 
uma oractio com Solecismo : Hccc hominis fuerunt bonum em 
luo-ar de7ac homo fuit bonus. 

Ha Barbarismo, por exemplo, si se pronuncia errada- 
mente uma palavra, como laudabámus em lugar de lauda- 
bamus ; cogíto em lugar cle cogito ; ou si se escreve contra 
as regras ortliographicas, por exemplo,. omo em vez de 
homo, ocupo, em vez cle occupo. 

Soleasmo e o Barbarismo podem commetter-se de quatro 
modos, por Excesso, Dimmuicclo, Immutacao e Transmutacao. 

DO SOLESCISMO POR EXCESSO. 

solecismo por excesso se commette accrescentando-se 
na oracáo alguma palavra contra as reg-ras cla Grammatica, 
emodo cie fallar dos Latinos. v. g- Misereor cle tm. Utor 
ex libris; devendo ser : Misereor tui. Utor libris, sem prepo- 
sicáo . 

Nota. 

excesso, ou redundancia de palavras na oracao nem 
sempre é Solecismo ; porque póde ser uso elevaclo a maior 
eleo-ancia por meio clas seamintes figuras, Pkonasmo, Poly- 
syndelon. Anaphora, Symploce, Anadiplosis, Epanadiplósis, Epa- 
nados, Synonymia, Antannclasis, Ploce, Epanalepsis, Epimixis, 
Climax, ' Paregmeon, Paranomasia, Parechesis, Polyptoton, Peri- 
phrasis, e Endiadys. 

Pleonasmo é quando na oracáo, para maior graca e energia 
do discurso, se accrescenta alguma palavra, que parece des- 
necessaria, v. g. Vocemque his auribus hausi. Yirg. Onde pa- 
rece, que sáo desnecessarias as palavras His auribus, estando 
na oracao o verbo hausi, eu ouvi. 

Polysyncleton é quando na oraeao se poe claras as conjunc- 
coes entre variaspartes, bastando por-se clara na ultima só- 
ínente, v. g. Meprcecceteris etcolit, etobservat, et chligit. Cicer., 
bastando o dizer-se : Me prca caieris colü, observat, et chhgit. 

Anaphora é quando na oracáo se repete a mesma palavra 
no principio de cada membro, v. g. Nih%l agis, mhil cogitas, 

Padre Antonio Rodrigues Dantas. Percorrendo grande numero de Gram- 
maticas antio-as e modemas, em nenhuma achei tao bem exposta a aou- 
trina relativa ás Figuras, já porque umas nao apontavanp as mais .com- 
muns, jáporqueoutrasposto que as mencionassem, careciam da outem, 
clareza, e concisao na sua exposicao. . 

A' vista disto, entendi que era melhor adoptar o que havia cle bom e 
conñrmado pela experiencia do que correr o risco de aprcsentai uma 
compilagao defeituosa. 



. 



CAPITUL0 XVII. 263 

nihil moliris. Cicer. Te, clulcis conjux, te solo in littore secum, Te, 
veniente die, te decedente canebat. Virp\ 

Symploce é quanclo na oracíío se repete a mesma palavra no 
fim de cada membro v. g\ Pamos Populus Romanus justitia 
vicit, armis vicit, liberalitate vicit. Cicer. 

Anadiplósis é quanclo na oracáo alg'um membro. oii verso 
pnncipia pela mesma palavra, em qne acaba o antecedente 
v. g, Pterides, vos hcec facietis maxima Gallo,—Gallo, cujus amor 
tantum mihi crescit in horas. Virg'. 

Epanadiplósis é quando na oracao alguma sentenca acaba 
na mesma palavra em que comecou, v. g. Ambo florentes osta- 
tibus, Arcacles ambo. Virg'. 

Epanaclos é quanclo na oracáo se repetem as mesmas pa- 
lavras, mas com cliversa posicao, v. g\ Gratiam, qui refert 
habet ; et qui habet, in eo quod habct, refert. Cicer. Demophoon 
ventis et verba, et vela dedisti:— Vela queror reclitu. verba ca»ere 
pde. Ovid. ' - 

Synonymia é quando na oracáo se repete por palavra di- 
versa o mesmo que já fica clito, v. g. Abiit, excessit, evasiL 
erupit. Cicer. Faciem mutatus, et ora Cupiclo. Vig. 

Antanaclasis é qnancló na oracao se repetem duas palavras 
semelliantes nas lettras, poréní cliversas na significacao v 
g\ Amari jucwnclum est, si curetur, ne quid insit amari Corni- 
ficius. 

Ploce é quanclo na oracáo se repete a mesma palavra em 
chverso sentido, sigmficando a primeira a pessoa ou cousa 
e a segunda os seus costumes ou outra qualiclade, v. g- Ú 
illum diem Memmius erat Memmius. 

Epanalepsis é quando na oracao, para maior intimacao ou 
expressao de aíiecto, se repete varias vezes uma seátenca 
(íicando outras mtermeclias) como fez Virgilio na Ecloo-aS 
repeimdo clepois cle cada tres, ou quatro versos este : Pncipe 
Mcenahos mecum, mea tibia, versus. 

Epizeuxis é quanclo na oracao, para maior encarecimento 
ou demonstracao cle algum affecto, se repete a mesma pa- 
lavra, sem ficar outra intermedia, v. g. Fuit, fuit ista quondam 
%n hac repubhca virtus. Cicer. Ah Corydon, Corydon, ciuce te de- 
mentia cepit ! Virg. 

> Climax é quanclo na oracao se repetem as mesmas palavras 
procedenclo-se corno por clegráos de umas para outras, v. g\ 
Africano vndustna virtutem, virtus gloriam, qloria cemulos com- 
paravit. Cicer. 

Parecjmeon é quando na oracao se repetem palavras deri- 
vadas umas das outras, v. g\ Tu quoque Pieridum stuclio siudiose ■ 
íeneris.— Ingenioque faves ingeniose meo. Ovid. 

Paranomasia é quando na oracáo se repetem duas palavras, 



264 LINGUA LATINA.. 

■que quasi parecem as mesmas, v. g\ Nunquam satis dicitur, 
quodnunquam satis discüur. Senec. 

Parechesis é quando na oracáo uma palavra, que esta depors 
deoutra, principia pelas mesmas lettras, em que acaba a 
palavra, que fica atrás, v. g\ fortunalam natam, me consuie, 
Romam. Cicer. Palla pallorrem incutit. Plaut. 

Pohjptoton é quando na oracao se repete uma mesma pa- 
lavra por differoates fórmas, ou em diversos casos, v. g. Pleni 
sunt omnes iibri, pience sapientum voces plena exemplorum vctustas, 
Cicer. Littora liUoribus contraria, ¡luctibus undas. — Jmprecor, 
arma. armis : pugnent ipsique nepotes. Virg 1 . 

Periphrasis é quando na oracáo seexphcapor muitas pa- 
lavras aquillo, que se podia dizer em poucas, v. g\ Solmñdmm 
mli conscendcrat igneus orbem._ Virg\ podendo-se clizer em 
menos palavras : Jamerat meridies. 

Endiadys é quando em algum periodo uma oracao se cli- 
vide em duas, v. g\ Per tela, per hostes. In brevia, et syrtcs. 
Virg\ em lugar de Per tela hosiium : In brevia syrtium. Paleris 
bibainus, et auro, id est ; Pateris aureis bibamus. 

Do Solecismo por diminuicdo. 

Solecismo por diminuicáo, ou reticencia se commette 
quatido na oracao se tira, ou se occulta alguma naiavra, 
que clevia estaf clara, v. g\ Redeo agro : Eo forum • devencio 
ser : Redeo ex agro ;Eo in forum com a preposicao clara. 

Nola. 

k diminuicao, ou reticencia de palavras na oracáo nem 
sempre é Sclecisrao; porque póde ser uso elevado a rnaior 
elegancia por raeio das seguinfces figuras : ElMpse, Zeugma, 
Syíle/jse, Prolepse, e Asyndeton. . 

Ellipse é quando na oracao falta uraa, ou mais palavra_s, 
as quaes se devem supprir para se reduzir a mesrna oracao 
á ordem Grammatícal, v. g\ Ego, si Tiro ad me, cogito %n 
Tusculanum; onde na oracáo si Tiro ad me íalta o veroo 
veneril, e na oracao cogito in Tusculanum falta o verbo pro¡o~ 

cisci. , i 

Zeugma é quando na oracao o adjectivo, ou o verbo, cie- 
pois cíe dous, ou mais substantivos, concorda sómente com. 
urn delles, ou seja o mais vizinho, ou o mars rernoio, v. g. 
Pedro e Maria sáo castos, Petrus, et Maria est casta : concor- 
dando o verbo est, e o adjectivo casta cotn Mana mais visi 
nho, ou est castus, concordando-os com Petrus mars remoto^ 
Syllepseé quando na oracao o adjectivo, ou o verbo, de- 






CAPITUL0 XVII. 285 

pois rle dous, ou raais substantivos, vai ao plural por con- 
cordar sómente com o nome g-eral correspondente aos mes- 
mos substaníivos, v. g. Peirus, et Maria suni casti, id est, 
homines casti. 

Prolepse é quando na oracáo uma palavra, que compre- 
hende nm todo, se subenténdende nas suas partes, v. g. 
Dous Reis augmentaram Roma, Romulo com guerra, Numa 
com paz: Duo Reges Romam auxerunt, Romulus bello, Numa 
pace; id est, Rex Romulus bello, Rex Num% p:ice. 

Asyndeton é quando na oracao se püe mnitas palavras, ou 
sentencas sem conjunccáo, v. g. A testa, os olbos, o rosto 
muif.as" vezes eng-anam : Frons, oculi. vultus perscepe men- 
tiuntur. 

DO SOLECISMO POR IMMUTACAO. 

solecismo por immutacrio se commette, quando na 
oracao se poe uma palavra por outra. v. g. Grave, em lugar 
de Graviter : Eo foris em lugar de Eo foras. 

Nota. 

A immutacáo de palavras na oracáo nera sempre é Sole- 
cismo, porque póde.ser uso elevado a maior elegancia por 
meio das seguintes figuras, Enallage, Ántiptósis, Sijnthese, Me- 
taphora, Synecdoche, Antonomasia, Metalepsis, Metonymia, Gre- 
cismo. 

Enallage é quando na oracao se poe uma palavra por ou- 
tra, ou um aUributo por on'tro, v. g. Pars por Alii ; Vivere 
por Vüa ; Nu.'lus por Non ; Facto por Fieri ; Bibunt por Bibit ; 
Velim por Vvlo ; Desínt por Deerunt, etc, conio se vé neste 
exemplo. 

Virg. Pars in frusta secant ; por Alii Troiani in frusta se- 
cant, Cicer. Vivere ipxum turpe est nobis', por Vita ipsa turpis 
est nobis. Idem: Philotvmus nullus venit, por Non venit. Terent. 
Ita ficio opus est, por Ita fieri opus est. Virg. Pars arclaus, por 
Pars ardua, Plin. In Africa maior pars ferarum cestate non bi- 
bunt, por Bibit. Cicer. De Republica scribus ad me velim, por 
'Volá. Ovid. Cana prius gelido desint absinthia ponto por Dee- 
runt, etc. 

Antiptósis é quando na oracáo se poe um caso por outro, 
y. g. In oppido Antiochice em lugar de Antiochia. Cicer. It 
clamor ccelo em lugar ad ccclum. Virg\ 

Syathe.se é qnando na oracáo o adjectivo, ou verbo nao 
concorda com o nome, que éstá claro, mas com outro que 
se entende occulto v. g. Capita conjurationis cmsi. Liv. Onde 



266 LINGUA LATINA. 

o adjectivo ccesi náo concorda com Capüa claro, mas com 
Homines, que se entende occulto. 

Metaphora é quando na oracao em lugar de um nome se 
poe outro, que só por semelhanea significa o que se pre- 
tende dizer, como v. g. o dizer-se Cor lapideum por Cor du- 
rum. Caput montis por Summüas montis, etc. 

Synecdoche é quando na oracao se poe uma palavra, que 
significa um todo pela sua parfce, ou a parfce pelo todo, y. g\ 
Totus orbis ardet bello, por Maxima pars orbis ardei bello. Cicer. 
Magna fuit quondam capitis reverentia cini : — Inque suo pretio 
ruga scnilis erat. Ovid. onde capitis cani estápor hominis senis 
e ruga senilis por homo senex. 

Antonomasia é quando na oracao se pOe um nome proprio 
pelo commum, ou o commum pelo proprio, v. g. Irus por 
Pauper ; Crcesus por Dives ; Poeta por Virgilius ; Philosophus 
por Aristoteles, etc. Irus et est subito qui modo Crcnsus erat. Ovid. 
por Pauper et est subito, qui moclo dives erat. 

Metalepsis é quando na oracáo se poe uma palavra, a qual 
só por alg-uma circumstancla, que nella se acha, mostra^o 
que se pretende dizer, v. g. Como a aresta clo trigo suppoe 
espiga, a espiga, suppoe sementeira, a sementeira suppoe 
anno, podemos dizer por Metalepsis Scptem aristce por Septeni 
anni. Virg. Post aliquot, mea regna videns, mirabor, aristas, id 
est, post aliquol annos. 

Metonymia é quando na oracao se poe uma palavra, que 
significa a causa, em lugar de" oufcra, que significa o effeito, 
ou pelo contrario. k. operacáo clesta figura na Grammatica 
póde succeder de variosmodos, dos qnaes os mais principaes 
sáo os seguintes : 

1. Pondo-se o senhor da cousa pela cousa, v. g.Petrus por 
domo sua. Virg. Jarn proximus ardet — Uculegon, id est, Jam 
domus Uculegontis ardet. 

2. Pondo'-se o inventor pela cousa inventada, v. g. Bac- 
chus por Vinum, Virg. Et multo imprunis hüárans convivia Bac- 
cho, id est, Vino. 

3. Pondo-se o continente pelo conteúdo, ou o conteúdo 
pelo continente, v. g. Patera por Vinum, ou Vinum por Pa- 
tera, etc. Virg. llleimpiger hausit — Spumarntem pateram, id 
est, Spumans vinum. Idern. Vina coronant, icl est, Pateras ple- 
nas vino coronant. 

4. Pondo-se alguma pessoa, ou cousa para sig-nificar o 
tempo á a algum successo, o que ordinariamente se faz por 
ablativo, v. g\, Petro judice por Tempore in quo Petrus erat ju,- 
dex. CcBsare imperantc por Tempore in quo Ccesar imperabat. Gi- 
cer. Scripsi hcec ad te, apposita secionda mema, id est, Tempora^ 
in quo apposita erat secunda mensa. 



i 
pí 



CAPITULO XVIIo 267 



Liptotes é quando na oracao se poe palavras negativas em 
lugar de affirmativas, v. "g\ Non bonus por Malus. Haud 
ignarus por Gnarus. Non laudo por Vitupero, etc. Haud ignara 
mah, miseris succurrere disco. Yirg". 

Grecismo, ou Hellenismo é quando na oracáo em lugar da 
Syntaxe Latina usamos da Grega, v. g. Triste lupus por 
Tristis lupus. Multa gemens por Multum gemens, Albus denles por 
Albus dentibus Petrus ait esse doctus, por Petrus ait se esse do- 
ctum etc. 

BO SOLECISMO POE, TRANSMUTACAO. 

solecismo por transmutacao se commette, pondo-se na 
oracáo algumas palavras fóra'do seu lugar, v. g\ Quoque ego 
Enim hoc : em lugar de Ego quoque : Tuque : líoc enim, etc. 

Nota. 

A transmutacáo de palavras na oracáo nein sempre é so- 
lecismo ; porqué pode ser uso elevado a maior elegancia 
por meio das figuras : Hypp-rbaton, Anastrophc, Tmesis, ITypal- 
lage, Hysterologia, Parenthesis. 

Hyperbaton é quando na oracao se náo observa a ordem 
g-rammatical, v. g. Antonio acccmmetteu a Franca : In Gal- 
liam invasit Antonius. 

Anastrophe é quando na oracáo seinverte a orclem de duas, 
palavras, v. g. Mecum, Tecum", Secum, Nobiscum, Yobiscum etc. 
em lugar de Cum me, Cum te, etc. 

Tmesis é quando no oracao uma palavra se divide em duas 
mettendo-se outra de permeio, v. g. Quitecumque em lugar 
de Quicumque te. 

Hyppallage équando na oracao se inverte a composicao 
das palavras, v. g. Dare classibus Austros, em lugar de Dare 
classes Austris. 

Hysterologia é quando na oracáo se poe pnmeiro uma sen- 
tenca, que devia estar depoisj v. g\ Moriamur, et med%a%n 
arina 'ruamus em lugar de Ruamus inmedia arma, et moria- 
mur. _ 

Parenthesis é quanclo no meio cla oracao se poe algurna 
palavra, ou sentido fóra clo discurso ; o que se eostuma a.s- 
sigmar com estes clous semicirculos ( ) nesta fortna Tantum 
(proh dolor /) degen&ravimus a parentibus nosíris. 

DO BARBARISMO. 

Barbarismo por excesso se commette, quando na 




268 LINGUA LATINA. 

oracao se accrescenta alguma letra a alguma palavra, v. 
g. Mavors por Mars. Pelas figuras Prothese, Epenthese, e Pa- 
ragoge é permittido algmmas vezes aos Poetas este modo de 
fallar. 

Barbarismo por diminuicao se commete, quando na 
oracao se tira algmma lettra a algmm palavra, v. g. Yixet 
-pov" Vixisset. Pelas figuras Apherese, Syncope, e Apócope é per-- 
mittido algumas vezes aos Poetas este moclo de fallar. 

Barbarismo por immutacáo se commete, quando na 
oracáo se pOe uma letra por outra, v. g. Olli por Illi. Pela 
figiíra kntühese é permittido algumas vezes aos Poetas este 
modo de fallar. 

Barbarismo por transmutacao se commette, quando na 
oracao se poe alguma letra fóra do lugar, v. g. Magistre 
povMagister. Pela figura Metathese épermittido aos Poetas 
este modo de fallar, quando a isso os obriga a necessidade 
do verso. 

Algumas destas figuras tambem se acham toleradas na 
Prosa. Da Apherese usou Suetonio In vita Ccesar. Cap. 3, di- 
zendo Movit p<jr Amovit, e no cap. 35, Paruerunt por Appa- 
ruerunt. Da Sincope se usa frequentemente nos genitivos 
em ium do plural. Da Epenthese se usa em Redigo, Redimo, 
etc. Da Paragoge usou Tito Livio, Decacl. 1, dizendo Dedier 
por Dedi. Da Antithese se usa em Maxumus, Faciundus por 
Maximus, Faciendus, etc. Da Tmesis usou Cicero, Att. 1, di- 
zendo Per mihi gratum feceris em lugar de Pergratum mihi 
feceris. 

Porém como das referidas figmras sáo muito raros os 
exemplos entre os Oradores, tambem entre nós será raro o 
seu uso na Prosa. 



Oracáo escura é aquella que estáfeita com palavras an- 
tigas, desusadas, e outras, que impedem a facil intelligen- 
cia do discurso. Este vicio póde succeder de varios modos. 

1. Pondo-se na oracáo palavras desusadas, ou alhfdas da 
Lingua Latina, v. g. Amasso em lugar de Amavero, Aviso em 
lug'ar cle Moneo. 

2. Usando-se de alguma palavra com siginficacao im- 
propria, v. g., si para significarmos Temer puzesseníos Spe- 
rare em lugar cle Timere. 

3. Pondo-se algurna palavra de significacáo duvidosa, 
v. g., Tigris, sem declarar si é tigre anirnal, ou um rio deste 
nome. 

4. Usando-se de amphibologia, ou ambiguidade, pondo- 




CAPITUL0 XVII. 269 

se na oracao dous nomes da mesma natureza em casos se- 
melhantes, v. g*., Audivi Milonem occidisse Cloiium. 

5. Deixando-se de por olara na oracáo alguma palavra, 
que facilmente se nao póde entender, v.° g\, o dizer-se Petrus 
Joinem sómente. Os G-reg-os chamam a este vicio Medsis, os 
Latinos Diminutio. 

6. Usando-se de muitas palavras superfluas scm neces- 
sidade para significar uma só cousa. Os Gregos chamavam 
a este vicio Perissologia, os Latinos Superflui 'lor.utio. 

7. Interpondo-se na oracao algum parenthesis tao com- 
prido, qne faca perder o sentido do que se ia dizendo. 

8., Trocancíd-se na oracao a ordem das palavras, de sorte 
que se nao possa perceber o seu verdadeiro sentido e re- 
g'oneia. Os Gregos chamavam a este vicio Si/nchysis, os La- 
tinos Confusio. Quem souber evitar estes vicios comporá 
quaiquer oracao com clareza. 



Oracao mal ornada é aquella, que consta de uma collo- 
cacáo de palavras despida cle todo o ornato e elegancia, de 
sorte que fazem o chscurso secco, affectaclo, pueril, e mal 
soante. Este vicio póde succedet* de varios modos. 

1 . Usando-se de Cacophonia, ou ajuntamento cle duas ou 
mais palavras, que facam um som torpe, e obsceuo, v. g\, 
Per reg.mi ; Per rutam. 

2. Usanclo-se de Macrologia, ou repetieFio cle palavras su- 
perfluis, v. g., Do campo tornei para trás para casa : Ex 
agro retrb dcmum veni. 

3. Uscindo se de Tautologia, ou repeücño de uma cousa 
pelas mesmas palavras, v. g\, Desta razao nfio ha razao: 
Hujus r itionis non extat ratio. 

4. Usando-se de Tapinósis, ou abatimento do que se pre- 
tende explicar, v. g\ Si ao matador de pai se chamar Homo 
nequam, homem máo, nüo se explicará a qunlidade do crime 
e se abaterá^a sigmifioacao da palavra l'arricida. 

Tambem é vicio o demasiado concurso de palavras, que 
prmcipiem, ou acabem pelas mesmas letras, ou estas sejnm 
vogaes, v. g\, A Antonio, A amico : Bar-ca> oiiieai ayncenissimcs : 
ou sejao consoantes, v. g\, Rex Xerxes: Ars studiorum: Abssoie : 
Quidquam quisquam cuiquam, quod couveuit, neget, etc 

Nota. 

Nos auctores Latinos, principalmente nos Poetas, achare- 
mos praticados muitos dos vicios referidos, ou por necessi- 



270 LINGUA LA.TINA.. 

dade do verso, ou por ser Grammatica usada no seu tempo 
(e iáhoie reprovada) por meio das segumtes figuras : Archa- 
ismo, Homcsoplotonjíomoileleuton, Parommon, Onomatopma, Ca~ 
tachréses, Anacolutho. . . 

Archaismo é uma composicao de palavras antiquissimao, 
que iá nao estava em uso nos seculos mais cultos da ^acim- 
dadé, v. g\, Absente nobis : Prcesente legatis: em lugar de Absen- 
tibus nobis : Prcesentibus legatis. 

Homaioptotoné quando na oracáo muitos nomes acabam em 
semelhantes casos, v, g., Quanta infelicitate, quanto ingemo, 
quanta hximanitate. . 

Hommoteleuton é quando na oracao muitas palavras aca- 
bam nas mesmas letras, v. g\ , Eos deduci quam relmqui ; de- 
vehi quam deferri maluü. . . . . 

Paromceon é quando naoracáo muitaspalavras prmcipiam 
pelas mesmas letras, v. g\, Lucida lucenti lucescú Lucia luce. 
Onomatopma é quandona oracao se fingenome, quenao lia, 
ou se usa de nome improprio para o que se pretende ftgu- 
rar, v. g\, o dizer-se Mugitus ovium: Balatus boum, devendo 
ser Muqitus boum: Balatus ovium. _ 

Catachrésis é quanclo na oracáo se abusa da sigmficacao de 
algum nome, v. g\, o dizer-se Capcr virgregis; applicando-se 
o nome Vir, pronrio cle homem, ao bode, cabeca de rebanho. 
Anacolutho é quando na composicáo das partes^da oracao 
se náo observam as regras cla Syntaxe, corao se ve neste lu- 
gar cle Plauto : Tu, si te Dii amant, agere tuamrem occasw cst: 
oncle segundo a regra da Syntaxe, aquelle 1 u devia ser Te 
em accusativo. 

Quem souber evitar os erros refendos, compora uma oia- 
cáo pura, suave, e elegante. 

ADVERTENCIA. 

Aincla que o uso das figuras referidas seja cle grancle or- 
nato nas oracoes, comtudo na sua pratica se cleye observar 
uma prudeníe mocleracao; náo se usaiulo dellas tao lepetidas 
vezes que pareca affectacáo ; nem deixando de as praticai 
nas occasioes necessarias, ipor náo ficar o discurso sem graca 

6 lonVo exercicio, e uso continuado cla licao dos Auctores, 
que meihor compuzeram, como Cicero, Virgiho, Horacio 
Ovidio, etc, é o melhor meio para se adquinr a facihdade de 
se compór uma oracao com graca e delicadeza 

DA.S FIGURA.S DE DICCAG. 
Figura de diccao é a que tem lugar nas palavras, sof- 



GAPITULO XVII. 271 

frendo estes alguma modificacao nas suas syllabas e letras. 
Eis as principaes Figuras de diccáo. 

As tres seguintes accrescentam letrar: 

1 Proihes? no principio. . . . Gnctvus por navus. 

2 Epenthe no meio. . .... Relliqio por reiig^o. 

3 Paragóge no fim. ..... Laudarier por lauclari. 

As tres seguintes diminuem letras : 

4 Apherese no pnncipio. . . . Movit por amovü. 

5 Sijncope no meio. ..... Xtóm p r Deorum. 

6 Apocope no üm. ..... I;- rt p¿W por imperii. 

A segminte contrahe duas vogaes em uma só : 

7 Synerese ou C-rase (*;. . . . Phceton por Pháetom. 

A seguinte resolve uma syllaba em duas : 
S Dierese ....... Soluit por soteií. 

A seguinte inverte a posicáo das lettras : 
9 Metathese ..... f Magistre por magister. 
A seguinte troca uma letra por outra : 

10 Antühese ...... Olli por illi : faciunclus por 

/ac¿<mcZ?ts. 

A seguinte faz breve a syllaba longa : 

11 Systole ....... Tulerunt por tulerunt. 

A seguinte faz longa a syllaba breve : 

12 Dyastole ....... Amor por amor. 

_ A seguinte supprime no verso a vog-al ou diplitiiongo 
final das palavras quando a palavra immediata comeca por 
vogal ou por h. 

13 Synalepha ...... IWego por ille ego. 

A seguinte supprime no verso a syllaba final de uma pa- 
lavra comecando a palavra ímmediata por vogal ou por/¿: 

14 Ectlüipse ...... Quant'est por quantum est. 

15 Dialepha ou Hiato tem lugar quando náo se executam 
nem a Synalepha, nem a Ecthlipse. 



(*) JSntre a Synerese e a Grase existe esta differenca : na Orase a con- 
traccao já^se acha realisacla, como nil em vez de nihil ; na Synerese a pa- 
lavra está escripta com todas as suas syllabas ; e só faz-se a contraccao 
para executar-se a medigao clos versos. 




27.2 LINGUA LATINA. 



DA PROSODIA LATINA. 

A prosodia latina tracta da quantidade das syllabas. 

Quantidade de uma syilaba é o espaco de tempo empre- 
gado em proferil-a. 

As syllabas ou sáo longas ou breves, conforme é long'o 
ou breve o espaco de teinpo que se gasta em pronuncia-lasL 

A syllaba longa requer o dobro do tempo empregado para 
pronunciar urna breve ; o que se verífica por exemplo na 
palavra tendere. 

Esta definicáo é tanto mais verdadeira, quanto se funda 
na maneira por que costumavam os autig'os Romanos a es- 
crever as syllabas longas, e que consistia e:n dobrar ou 
repetir a vogai deste modo : feelix, seedes, mee etn lugar de 
felix, sedes, me. 

Nos monosyllabos e dissyllabos é-nos hoje impossivel 
distinguir pelo ouvido uma syllaba longa cle_ uina breve, 
visto ignorarmos a verdadeira pronunciacao latina : ie sorte 
que em lego, e legi, a syllaba le parece-nos ter a mesma 
quantidade tanto'na primeira, como na segunda palavra ; 
mas quando a pronunciamos em composicuo com outra, 
claramente se reconbece a differenca ; por exemplo, no 
verbo perWgo onde a syllaba le soa" como breve que é, 
distinguinclo-se perfeitamente de perlegi oncle a syllaba le é 
longa. 

Os poetas, em virtude de certa liberdacle que a arte da 
poesia llies faculta, empregam urnas vezes como breves as 
syllabas que sáo long-as, e outras como longas as que sao 
breves : claqui procede o clizer-se que ha syllabas comviuns, 
isto é, syllabas que tanto pódem ser breves como long'fis. 

Esta liberdade porém ufto é illimitada; e por isso limi- 
tado é tambem o numero das syllabas communs. Em prosa 
n&o ha syllabas communs. 

A quantidade das syllabas em latim depende ou da posicáo 
das vogaes entre si, ou clestas relativamente ás consoantes; 
ou da contraccáo de letras, ou finalmente da quantidade 
que na lingua grega tem as palavras, que dellase derivam. 

CAPITÜLO I, 

Das vogaes em geral. 

]. E' longa tocla a syllaba formada de duas voga.es, quer 
estas estejam escriptas separadamente coino Uius, quer 



CAPITULO I. 273 



reunidas como pcence : pelo que se diz que todo o diphthongo é 
longo. 

Éxceptua-se desta reg-ra a preposicao prce quando entra 
na composicao de palavra que comeca por vogal, como 
prcelre, a qual os poetas fazem muitas vezes.breve. 

2. Quando duas vogaes se segunun, e fazem duas syllabas 
em uma mesma palavra, a primeira é breve ; donde'se cle- 
duz a seguinte regra : a vogal antes de vogal é breve guando 
ambas nao formum uma só syliaba; por exemplo, De-us, me-us, 
pü-er, sü-us, ni-hü ( ¥ ). 

Esta.regra tem as seguintes excepcoes : 

E' longo o a nos nomes acabados em áius, corno Caius, nos 
queterminam em áis, como Lais, Nciis (excepto Thebáis que 
é breve) no substantivo der ; nos nomes proprios acabados 
em cius, e aon, como Menelcius, Lyecwn, nos antigos genitivos 
da 1." declinacáo como terrai. 

E' longo o e na interjeicao eheu ; nos nomes proprios aca- 
bados em eius ou eus, coino Pompeius, Idomeneus ; nos pro- 
prios terminados em ea ou eas, como Galatea, /Eneas ; mas 
sendo accusativos greg'os cle nomes em eus sáo mais vezes 
breves que long'os, como Orphé'a, Morphea; nos que acabam 
em eis, como Briseis ; e nos nomes g'reg'os Deijmobus, Deia- 
nira ; entre dous i na 5. a declinacao, como cliei. Em chorea, 
platea, conopeum, e na palavra Eous o e é cominum. 

E' longo o i no adjectivo díus; nos g'enitivos ein lus, como 
illius, que em poesia sao communs (exceptuando alteri'us 
que é quasi sempre breve ; e allus que é sempi'd iongo' nos 
ternpos clo verbo flo quando náo ha r ; nos noines proprios 
María {**). Ánanlas, Eugenius, Basiilus, Alexandrli, Jphige- 
nla, (exceptua-se Soplna que é brevej ,• e nos appellacivos 
idoltria, Litanla, politln ; n^s nomes gregos em %on, como 
Amphion, Ixion ; (exceptuam-se Deucalum e Pygmilton que 
sao breves, e Orion, Gerion que sao communsj. Nos noiaes 
Diana, e Academia o i é counnum ; mas neste ultimo é qua- 
si sempre breve. 

E' longo o o nos nomes acabaclos ern ois, oius, e ous, 
como Latóis, Acludóius, Myrtous; e nos derivadoa clo grego, 
coino Troes, Troádes, heroes. Em ohe o o é commum. 

3. E' ionga ('por posicao) toda a vogal que estiver antes 
cle duas ou mais coasoantes, como fefelli, ou antes das du- 
plices x e z como Araxcs, patrlzo. (*) 

(*) O h nacla influe para a quanticlacle das syllabas. 
(**) Ha um exemplo de poeta latino, onde o n ome Maria vem como 
breA'e ; mas é isto apenas r>or necessidade do metro. 
(*) Por isso que cada letra duplice vale o mesmo que duas consoantes. 



Ip}: 



274 LINGUA LA.TINA. 

4. E' ainda longa toda a vogal que estiver antes de duas 
consoantes, mesmo quando uma dessas consoantes está no 
fim cle uma palavra, e a outra no principio da palavra se- 
guinte, como submari onde o u de süb que é breve torna-se 
longo (por posicao) ficando antes das duas consoantes b e 
m, que estao uma no fim de uma palavra, e a outra no prin- 
cipio da palavra seguinte . 

Si porém uma vogal breve está antes de duas consoantes 
e nenhuma destas existe na palavra em que se acha a vo- 
gal; mas todas no principio da palavra seguinte, entao ra- 
rissimas vezes se faz longa essa vogal, e os poucos exem- 
plos apontados devem ser considerados como licencas poe- 
ticas, e estas mesmasraras, como se vé nos seguintes ver- 
sos. 

Ferte citi ferrum, date vela, scandite muros, (Virg.) __ ^ 

Qnicl gladium demens romana stringis in ora ? (Mart. V . 69., 
Ut digna speculo fiat imago tuo. (Mart. II 67.) 
Occulta spolia, et plures cle pace triumphos. {Juv. 8,101.) 

5. Quando em uma mesma palavra uma vogal (breve 
em sua origem) se acba collocada antes de duas consoantes, 
sendo a sequnda destas consoantes alguma das liquidas l ou 
r; e pertencendo ambas á syllaba seguinte ; essa vogal, 
brevesemprena prosa, é commum no verso, por exemplo 
pa-tris, ce-le-bris, volu-cris, re-flo. 

Para qr¡e portanto possa no verso ser commum a vogal 
antes de muta e liquida sao precisos os seguintes quesitos: 
1.° ser a vogal breve em sua origem, como em palns, onde 
o a originariamente breve {páter) : 2.° a liquida deve ser a 
segunda das consoantes : 3.° ambas as consoantes (tanto a 
muda como a liquida) devem pertencer á syllaba segamte: 
faltando uma só destas tres clausulas a vogal será longa 
antes de muta e liquida. 

6. Toda a syllaba formada ou resultante de uma con- 
traccáo de letras é longa, por exemplo cogo, em vez de con- 
ágo, °Dí eni lugar de Dii. 

CAPITULO II. 

I>o ixier'ei-i-ieixfco dlos xB.ono.es e verbos. 

7. Incremento, grammaticalmente fallando, é o_ au~ 
gmento no numero de syllabas de uma palavra, proveniente 
da déclinacao ou corijugacao. Uma palavra tem tantos m- 
crementos, J quantas sáo as syllabas que excedem as do no- 



capitulo ii. 275 



minativo ; ou as da segunda pessoa do singular do pre- 
sente do indicativo da voz activa (pessoa que se suppoe nos 
verbos depoentes). A ultima syllaba náo se considera como 
incremento. 

1° 1° 2° 1» 2° 

Exemplifiquemos : palus, palüdis, palüdibus ; iter, itine- 
1°2 3° 1° lo 2° lo2°3<> 

ris, itineribus ; amas, amamus, amabamus, amabimini. (*) 

8._ Ha um incremento do plural, quando neste numero o 
genitivo ou o dativo tem uma syllaba de mais que o nomi- 

1° l^_ 1° 

nativo ; pdr exemplo, casce, casarum ; clies, dierum, cliebus ; 

1° "1° 2° 

cligiti cligitorum, leonibus. Neste ultimo nome o o é incre- 
mento cío singular ; e o ¿ é do plural. 

Os incrementos do singular que passam para o plural 
conservam a mesma quanticlade. 

9. a é breve no primeiro incremento do verbo clo, das, e 
seus compostos da primeira conjugacao, como clátis, circum- 
datis ; nos nomes cujo nominativo acaba em ma, . e o g-eni- 
tivo em mátis ; como poema mátis ; nos que tendo o nomina- 
tivo em as fazem o g-enitivo em ádis e áris, como lampas, 
ádis, mas, máris ; nos nomes proprios cujo norninativo ier- 
mina em al e o genitivo em ális e áris, como knnibal, ális, 
Ccesar, aris; e nos nom.es bacchar, áris, daps, dcípis, fax, fácis, 
hepar, átis, anas, atis, jubar, áris, lar, áris, nectar, ctáris, 
trabs, trábis, par, páris (e seus compostos) ; abax, abácis, cli- 
max, ácis, e em algmns mais clerivacios do g"rego. 

Exceptuando estes, o a é long'o em quaíquer incremento 
de nomes ou verbos ; exemplo, pietatis, pclcis, casarum, ama- 
bamus, faciamus. 

10. E' longo o incremento em e nos nomes que fazem o 
nominativo em en, e o genitivo em enis, como rcn, renis ; 
nos que fazem o nominativo em el e o genitivo em elis, 
como 'Michael, elis ; nos que acabanclo em es fazem o geni- 
tivo ern etis, como tapes, tapetis. A estes se ajuntam os se- 
g'uintes que tem tambem'iongo o incremento em e ; a saber: 
Iber, eri ou eris ; crater, eris, Ser, eris, Recimer, eris, Byzer, 
eris, ver, veris, character, eris (e oá nomes que em grego se 
escrevem com ceta no incremento) ; e mais os seguintes : 
hceres, edis, hilex, ecis, fex, ecis, lcx, egis, rex, égis, locuples, 
etis, merces, eclis, plebs, ebis, mcmsues, etis, quies, etis, vervex, 
ecis, climater, eris, lebes, etis. 



(*) Estes numeros indicam o primeiro incremento, o segunclo incre- 
mento, etc. 



276 LINGUA LA.TINA. 

Exceptuando estes, o incremento em e é breve nos sub- 
stantivos eadjectivos. 

11.0 incremento em e nos verbos só é breve antes de r no 
primeiroincremento clos presentes e imperfeitos daterceira 
com'ugacao, como tegere, tegerem, 'egerer, tegeris ou tegere, 
tegere (presente do imperativo da voz passiva) ; e em veiim, 
f'éri, nas terminacoes eram, ervrn, ero, e beris, ou bere do 
futuro imperfeito passivo da l. a e 2. a conjugacao. 

Exceptuando as cireumstancias acima ditas, o incre- 
mento em e dos verbos é sempre longo, _como reris_ ou rere 
(de re.or) monebas, amemus, tegeris ou tegere, aucheris ou au- 
diere, etc. 

12. E' longo o primeiro incremento em i dos preteritos 
em ivi, como petioi ; assim como tambem é longo o primeiro 
increraento ■ em i dos verbos cla 4. a conjugacao como au- 
dlmus. 

Slmus, sitis, velimus, e os seus compostos absvmus, nohmus, 
■malimus tem tambem longo o mcremento em i. 

Exceptuanclo o qae acima dissemos, é breve qualquer m- 
cremento em i dos verbos. 

13. incremento em i dos substantivos e adjectivosé 
longo só nas seguintes palavras: dis, dttis, lis, litis,glis,tris, 
Samnis, itis, Quiris, ílis ; nas que tendo o nominativo em in 
fazem o gemitivo em tnis, como delphin, inis ; e em íodos os 
nomes cujo nominativo acaba em ix, e o genitivo em icis, 
como radlx, icis, matrix, ícis (salvo os seg'iiintes^onde o in- 
cremento em i é breve): cuiix, icis, pix, icis, filix, icis, fornix, 
jcis, coxendix, icis, illix, icis, ontjv, icis, larix,icis, nix, nivis, 
varix, icis, mastix, icis, hystrix, ycis, s:ilix, icis, natrix, icis, 
Cilix, icis, Erijx. icis, vicis do desusado (vix). 

No nome David, Davulis faz Juvenal longo o incremeuto 
eiBÍ (*), entretanto que um poeta chnstáo o faz breve (' r \); 
pelo que se póde clizer que é commum. 

Em todos os substantivos e adjectivos que náo estiverem 
comprehendiclos na regra (13; é breve o incremento emt no 
singular. 

14. incremento em i do plural é breve quer nos nomes, 
quer nos verbos. , . 

No futuro perfeito clo imiicativo, e preterito perfeito do 
Cüirjuntivo na voz activa o incremento em i clo plural póde 
ser l.mg'o no verso ; pelo que se dizem communs as syliabas 
rimus, ritis dos ditos teinpos (***). 

(*) Nam genltüs püer est Davídls orígine clara. Juv. 
[*<■) Quls neget AbramGm Davidis ésse patrem? Novid. 
(***) Et maris loníl transíeiitis ácfuas.— Ovid. 



CAPITULO III. 277 

15. incremento em o quer do singular, quer do plural, 
tanto dos nomes como d_os verbos, é longo, como os, oris, 
major, oris, digitorum, estote, tegüote. 

Exceptuam-se desta regra por terem breve o incremento; 
1.° os nomes acabados em us da 3. 1 declinacáo (qualquer que 
seja o genero), como corpus, oris, lepus, oris, tripus, óclis : 
e os neutros em or e ur ela mesma declinacáo, como cequor 
ons, ebur, óris : 2. e os nomes proprios em or derivados do 
grego, como Ilector, óris, Castor, óris, e os de povos acabados 
em o, u eomo Macedo, onis; 3.° os nomes seguintes; arbor, oris, 
bos, ovis^ Cappádóx, ocis ; compos e impos, otis ; memor e im- 
memor, óris, ops e inóps, ópis ; prcecox, cocis : 4.° vólo, fóre 
forem, foret, forent. 

16. incremento em u só é longo nos nomes em us que 
tem o genítiyo em udis, iiris, e utis, como palus, üdis, jus, 
juris, virtus, utis ; aos quaes se poclem juntar fur, üris, lux, 
ucis, Pollux, ucis, frugis do desusado (frux), e a penultima 
dos futuros em urus, como laccraturus. 

Exceptuaudo o que acima dissemos, o incremento em u é 
sempre breve nao só nos nomes, como dux, ücis, murmur, 
uris, artiíbus ,Ligur, üris, pecus, üdis e intcrcus, ütis (apezar do 
gemtivo uclis, uris e utis), mas tambem nos verbos, como 
sumus, possümus, volümus. 

17. incremento em y é breve, como martyr, yris. 
Exceptua-se desta regra gryps, yphis, e o nbme Eryx, ycis, 

quando significa Eryx, rei da Sicilia. 



Das ísyllatcas finaes. 

18. Oano fim das palavras é Iongo no vocativo dos nomes 
gregos em as, como o /Enea, o Palla : nos ablaíivos dos 
nomes da pnmeira declmacao latina, como sub frigida aquá; 
no ímperativo dos verbos da primeira conjunccao como da ; 
nas preposicoes, adverbios, conjugacoes e interjeicOes aca- 
badas em a (que n5o íorem a interjéicao eiá, os adverbios 
ita^ puta e a conjunccao quiá, oncle ó a e breve). 

Exceptuando o que acima clissemos, o a final é sempre 
breye; mas nos adjectivos numeraes acabados em inta, como 
írigmta, octoginta, o a é commum. 

19. e final éjongo na primeira declinacao (fórma gre- 
ga), como musice; na quinta, como die, em todas aspalavras 
compostas de nomes da quinta declinacao, como quare, ho~ 

20 




278 



LINGUA IATINJLo 



'■ ; 



i 



TiSé que sao eommnns) ; na ¡^*^™™ 

^doíXl¿on=»^^ 
^Z^ÁT^X^ - . estando «» d« 

C0 ^ ,5 Ttoaf é íofgo tm "¿s as palaveas, exeepto no da- 

/ y ' Ul ni , ai tí lonnm po o-rpo-os como o DapfmUi, o Alexz. 

tt fc\ «m, guosi, e cu¡ (dissyliabo) ; mas nestes ties ultimos é 

m ?í T? Sél-almSSe commum, como ^ vngo 
q uañio%L%ro (aoverbio) ; nos fferu^io| como — 
(posto que s&o mais vezes longos que bieves) , na i^teijei 

dá ou d¿e) -c^iMcd, imo, modo, e seus compostos quo- 
^i^MMfZ^oto* nos dativos e ablativos, 
comoCt?, o"S; em todos os adverbios acabados ^ 
derivaclos de adjectivos da pnmewa classe ^^fXla- 
proffltío, e em adtóT, bo, icíeo, tanto, i*ro, ergo , (qu ^ J ab 2_ 
tivo) ; nos monosyliabos termmados em o sem e-epcac , ai 
guma, como do, nó, s£o, pro, guo ; nos nome de ^faWo 
grego, que nesta lingua se escrevem com omega, poi excm 
plo °CUo, Echo, Androgeo, Atho. I¡f] 

^ 22 0« final é sempre longo, como vultu,diu, tu, gmu v ). 
23. y final é sempre breve, como moty, Iiptiy. 



H Intó (palavra antiga em lugar de *«) « ««« (* e ™° ° b3 ° l9Í0 em V6Z 
de«o») foram empregados por Lucrecio com u breve. 



CAPITULO IV. 279 



Das syllafoas finaes teraaiiiaclas por Tuunoia 
só consoante. 



24. As syllabas finaes terminadas em 6 sao breves, como 
ab ob, exceptuando os nomes hobraicos, como Job, Jacob' 
Achab, Raab. ' 



2o. As syllabas finaes terminadas em c sao longas, como 
fnc (adverbio), lac, díc, Melchiesedec, halec. Exceptuam-se n$c 
aonec, que sáo breves. imperativo fac e hic (pronome) sao 
communs. 



- 26. As syjlabasfinaes terminadas em d sSo breves, como 
ad, sed, quid, apud, qudd, illiíd, exceptuando os nomes he- 
braicos, como Davld. 



■ 2 l) As .syjlabas finaes terminadas em l sao breves, como 
svmul nihtl, Annibal, vecttgál : exceptuam-se sómente saL 
sol, ml, e os nomes hebraicos, como Saül, Ariel, Daniel 



28. As palavras acabadas em m soífrem uma elisao nd 
verso quando apalavra seg-uinte comeca por vogal, oupor 
h (ectlüipsis) ; antig-amente porém os poetas faziam breve a 
syllaoa acabada em m, e nSo praticavam a elisSo (*). 

Nas palavras compostas a syllaba acabada em m é breve. 
quandn a isso nao se oppOe a regra (3), como wrcümeo. 
circumc ~ 



29. As syllabas finaes terminadas em n sao longas, como 

{*)_ Insígnita fere tuncmillia mílitiím ocío. Ennio. 
Corporum augébif nümerúm, sümmamque sequetür. Lucrecio. 




2§0 LINGUA LA.TINA. 

en snlen ■ exceptuam-se porém án, U. tamen (e seus com- 
™- tnV orsán forsitán, exin, dein, attamtn, verumtamen) ; 
liden* K ri' (em' vez cle videsne, jgóne, msne) ; os 
ZTesem^que'fizemogenitivo em «, «0«' 
SXro*», W¿ nominatiyo e accusatiyo do f^]^ 
íiomes 2Te°-os em on fescnptos com omicron) como liion, 
pS e accusativodaqaelles nomes cujo nommatiyo e 
Sve' como Malán, Orpheón, klexzn; e finalmente odativo 
doplural com a forma grega sm-, como Arcown, Trooszn. 

II. 

30. As syllabas finaes acabadas em r sáo breves, como 
CeJsár, loalor,puer, vir, datur, Excep ; uam-se^ om u te as 
seguinfes que sáo longas : cur, fur, lar,_fai,rm, pm e seus 
compostos \n F Ir, 4isi>ar compar, supjw % I 6e , *e» og,, 
«í/iér, e os nomes denvados do grego, que fazem ta e 
nitivn pm eris como crater, character. 

m |^ communs CeMber, e'cor; porém --« ¿^ 
fazer este antes breve que longo, e aquelle anues longo que 

breve. 

T 

31 As syllabas finaes terminadas em t sáo breves, como 
át c'avüt qudí, movéí, obiit. Exceptuam-se os noines heorai- 
SsS'o&ptóí, e'as terceiras pessoas dos verbos quando 
por Syncope se contraliem duas vogaes em uma (6) como 
obit (por obiit) pcilt (por peíuf) . 

-%. © K 

31. As syllabas finaes que acabam por x ou s, ou por duas 
consoantes quaesquer, sáo sempre longas em yntude da 
regra (3), assim como sáo tambem longas as que ier- 
minam por dipbtongo (1). 

eAPiTULQi V 

Das syiiatoas flnaes aoalba-clas em as, &s, 
is, os, xis, ys- 

33. As palavras acabadas em as sáo lojigas, como casas 
dás, foras, cras. Exceptuam-se nome anas, atis ; os nonn 



L_. 



CAPITULO V. 281 



mstiyos de noines derivados do g'rego que fazem o g'enitivo 
em ádis, cqmo lampás, ádis ; o accusativo grego dos nomes 
que se declinampela terceiracleclinacSo latina, como heroás, 
Troás, que sáo breves. 

34. As palavras acabaclas em es sao long'as, como An~ 
chTses, locüples, decies, laucles, Exceptuam-se por serem 
breves a preposicáo penes, £s (segunda pessoado singular 
do verbo suin, e seus compostos ab&s, ades, dees, interes, 
etc.) j o nominativo do plural dos nomes gregos como 
Arcádüs, TroádSs (*) ; e o nominativo do singular dos 
nqmes que.tem breve o incremento, como seges, etis, miles, 
z tis, m'ás abies, aries, Ceres, paries (substantivo), pes, e seus 
compostos quadrüpes, bipes tem longa a syllaba es, apezar 
de terem todos o incremento breve. 

35. As palavras acabadas em is sao breves, como piscis, 
pietatis, legis, Exceptuam-se por serem longos os dativos e 
ablativos do plural ; como casTs, egregits, suTs, nobTs ; os ac- 
cusativos clo plural em isda terceira declinacfio omnis, urbis 
(6) ; os abverbios gratzs, e foris : o nominativo do singu- 
lar dqs nomes que tem o incremento longo, como dzs, 
ghs, lís, vTs, SimoTs ; a segunda pessoa do singular do 
presente do indicativo dos verbos da quarta conjugacao, 
como audTs, Ts (e seus compostos abTs, etc.) vTs ; [de vdlo), 
e seus compostos mavis, quamvTs, quivis ; [Ts, (de fio) ; os 
conjunctívos ausis, faxls, v&Ms, sl.s, e sens compostos adsTs, 
nulTs, os quaes todos sao longos. 

_36 L As jpalavras acabadas em os s5o longas, como honos, 
eos, os, oris. Exceptuam-se por breves os, ossis, e seu 
composto exos, ossis ; compós, ótis, impos, otis e os nomes 
gregos escriptos com'omicron como chaos, Delós, Palládós, 
Arcádos. 

37. As palavras acabadas em us sáo breves, como corpüs, 
bonüs, ieonibüs, audiemüs. Exceptuam-se por serem longos 
tripus, odis, Melampüs, odis ; o nominativo do singular clos 
nomes _que fazem o genitivo em üdis, üris, ütis, e untis, como 
palus, ndis, tellüs, üris servitüs, ñlis, Amáthüs, thuntis ; todos 
os casos ern us da quarta cleclinacao (excepto o nominativo 
e vocaíivo clo slngularjjue sao breves ) ; os monosyllabos 
ern us, como jus, rüs, síis grüs, plüs, thñs ; o genitivo de no- 
mes gregos da terceirajleciinacao, que fazem o nominativo 
em o, como Clius, Saphus, Mantüs; e o Sanctfssimo nome de 
Jesus. 

38. As palavras acabaclas ern ys sao breves, como Capys, 
cfwlys, Tiphys, Libys. 



(*) accusativo clo plural cm es é longo, pois é accusativo latino. 



282 LINGHJA LA.TINA. 

Tethvs é algmmas vezes longo, assim como os nomes que 
fazem o nominativo em ys e yn, como Phorcys ou Phorcyn, 
Trachys ou Trachyn. 



e 



X>a p eixu.lt! jaaa syiiatoa dos preteritos 

O SU.piB.OS 

39 Todo o preterito perfeito de cluas syllabas tem a pri- 
meira longa, como veni, vuli, vlci. Exceptuam-se os segmm- 
tesquetembreveaprimeirasyllaba; a saber : bibi scith, 
fUi{ de findo), tüli, dedi, steti, sñti, e os compostos de cada 

UT 40 d T odo o supino.de duaa syllabas tem a P^ira Jong^ 
como vísum, cüsum, motum, cltum ( de cio ). Excepamm-sc 
os seguintes que tem breve a pnmeira syl aba ; a , sabe . 
sátum (de Jo ) ; cttum (cle áeo) ; mumláe ^Untum^B 
sino); státum láe süto) ; ztum (de eo) ; daum(áe do ) , nUurn 
de ruo ) ; ? uttum ( de queo ) ; o participio ratus ( de reor), e 
os compostos cle cada um destes supinos. . . 

41 Todo o preterito perfeito que dobra a^pnmeira oyi- 
laba tem ambas as primeiras breves, como ceadi(te cacto ), 
pepíqi. Exceptuam-se cStííái ( cle ccedo ) ; e pepedi ( de <.pcdo ■ ) 

e todos aquelles preteritos onde se venfica a regra (3) como 
féTe^, í6 y íend¿, mdmordi, pependi etc. 

42 Todo o supino de mais de duas syllabas tem a penul- 
tíma lono-a, como amatum, auditum, indutwm, restúutum. 
Exceptuam-se os supinos em itum, quaudo o preterito pei- 
feito nao é em ivi, como cognitum, monitum, e os composoos 
de eo, e ruo, como aditum, obrütum, emtum, dirutum. 

CAPITULO VII 

Da «ixxaiTLtldLacle dLos d.ex-1-vaclos e. seus 
pr'ijoalti'vos 

43. Em geral as palavras derivadas conservam a quanti- 
dade das primitivas, exemplo, ámator e amarc, onde a pri 
meira syllaba tanto de uma como de outra_palavra sao 
breves : a segunda syllaba ma_é long-a em amator_ porque e 
tambem long-a em amare e amatum, donde se denva. 



L 



CAPITULO VIII. 



283 



Mas muitas sao as excepcOes desta reg'ra, por exemplo, 
dux, dücis, que vem de düco ; dtcax que vem de díco ; sopor 
de sopio ; fUes de /edo ; onde o.s derivados sáo breves e os 
primitívos longos. Tambem muitos exemplos ba de_d_enva- 
dos longos sendo os primitivos breves, como vóx, vocis, que 
vem de voco ; lex, egis que^vem de légo ; tegula que vem de 
tggo ; hümor que vem de hümus. 



QnAaxitlcIacl© clas preposiooes <e pa-^tioxxlas 
<30xo.pom.ciLo palavras, 

44. Sao breves na cornposicao as preposicOes áb, ácl, anté, 
circüm, in, ób, pfr, r¿, süb, super, quando nao se venficar a 
regra (3) : exemplo, ábeo, adaugeo, antéfero, cirumeo, inhor- 
resco, óbeo, pererro, rtffero, sübeo, superaddo. 

Re no verbo impessoal refert é longo, porque nao e a par- 
ticula ré ; mas o ablativo re de rts, ei ; ó. tambem longo em 
rejicio. Os poetas fazem longa a particula re dobrando a con- 
soante, como relligio, rettulit, reppulit em lugar de rehgio 
rétulit, repulit. 

45. Sáo longas na composicao a, de, dl, e_ se, pro, tra, 
como amitto, defgro, dlmitto, erumpo, seduco, propono, traduco. 

Mas em dirímo, e dísertus é breve a particula d%. Em pro- 
cella, profanus,prófari, prófecto, prófectus, próficiscor,prof%teor, 
profugio, profundus, pronepos, prdtervus, prótervia ébreve a 
preposicao pro. Em procuro, profundo, propello, propago (quer 
seja nome, quer verbo). proplno é commum a preposicaopro. 

Estas sete particulas tomam-se muitas vezes breves antes 
de uma vogal, como deest, tráho ; porém em protn e prout é 
longa a preposicSo pro. 

46. As syllabas, cuja quantidade nao se puder conliecer 
em virtude das regTas aqui expostas, só o serao com os 
exemplos e auctoridade dos poetas. 



284 LINGUA LATINA. 



I>o verso latlxxo. 

Chama-se verso a harmonica reuniáo de syllahas hreves e 
longas dispostas segundo certas regras. 

nome de verso provém de que quando o numero de syi- 
labas exigido para formal-o está completo, volta-se (verto, *s, 
verti, versum, vertere, voltar) para o principio de uma nova 
linha. e náo se continúa seguidamente a escrever como em 
prosa. 

DOS PES DOS VERSOS LATINOS. 

As narfces, em que se divide um verso para verificar-se si 
contém o devido numero de syllahas, chamam-se pés. 

Os pós clos versos latinos pod'em ser de cluas, tres, ou quatro 
syllabas : ha só um de cinco syllahas. 

PÉS DE DUAS STLLABAS. 

Spondeo (spondeus) ........ omnes. 

Pyrrichio (Pyrrichius) ....... deüs. 

Jamho (Iamb'us) amans. 

Trocheo ou choreo (Trocheus vel Choreus). atqüe. 

PÉS DE TRES SYLLADAS. 

Dactylo (Dactylus) ........ tendere. 

Anapesto (Anapcestus) ....... pietas. 

Amphimacro ou Cretico (Amphimacer vel 

Creticus) ........... carilas. 

Tribacho (Tribrachis) ....... dominüs. 

Os seguintes sfio inenos usaclos : 

PÉS DE TRES SYLLABAS 

Molosso {ñíolossus) ...,...„ delectant. 

Amphihracho {Amphibrachys) . . . . ° honore. 

Bachio {Bachlus). ........ cólores. 

Antibachio iAntibacMus) . ...... laudare. 



ARTE METRICA. 285 



PES DE QUATRO SYLLABAS. 

Proceleusmatico (Proceleusmaticus) . . . hominibüs. 

Dispondeo (Dispondeus). . . . . . . laudatóres. 

Dijambo [Dijambus) ........ ámcenitas. 

Choriambo (Choriambus) ...... pontifices. 

Dichoreo (Dichoreus) ....... comprobáre. 

Antipasto (Antipastus) „ Alexander. 

Jonico menor (Jonicus minor) .... vénerantes. 

Jonico major (Jonicus major) .... laudabimüs . 

Peon primeiro (Pceon primus). .... conficere . 

Peon segundo (Pceon secundus) .... resolvére. 

Peon terceiro (Pceon tertius) ..... sóciare . 

Peonquarto (Pceon quartus) ..... celeritas. 

Epit.rito primeiro (Epitritus primus) . . volüptales. 

Epitriío seg-undo (Epitritus secundus). . pTenitentes. 

Epitrito terceiro (Epitritus tertius) . . . discordias. 

Epitrito quarto (Epüritus quartus). . . desperaré. 

PÉS DE CINCO SYLLABAS. 

Dochmio (Dochmius). ....... perhorrescerent. 

Os pés de quatro syllabas sáo todos formados de clous pés 
de duas syllabas : o dochmio é formado de um bachio e jambo ; 
ou de um jambo e amphimacro. 

Jledir um verso é distribuil-o em tantas partes, quantos 
sao os pés de que elle deve constar. 

Quando um verso tem o numero completo de syllabas 
chama-se Acatalecto e Acatalectico : si tem falta de uma syl- 
laba, Catalectico) si tem syllabas de mais, Ilypercatakctico ou 
Hypermetro . 

Chama-se Cesura (córte), a syllaba que na medicáo dos 
versos fica no firr. de ama palavra, depois de completo 
qualquer pé. Ha quatro especies de cesuras: Trihemimeris 
quando fica uma syllaba depois do primeiro pé ; Penlhemi- 
meris quando fica urna syllaba depois do segundo pé ; Heph- 
themimfrris quando fica uina syllaba clepois do terceiro pé ; 
Ennehemiméris quaudo fica uma syllaba depois do quarto 
pé. Todas estas cnuras se verificarn no seg-uinte verso ; 

ílle lá-íiis nive-üm mol-lz fül-tüs hyá-cmfho. 

A mais commum dellas é a Penthemimérts. 
Quando a cesura cahe sobre uma syllaba breve, esta tor- 
na-se longa. A ultima syllaba de qualqner verso é commum. 
Ha doze especies cle. versos em latim : Hexametro ou he- 



2gg LINGUA. IATINA. 

roico • Pcntametro, ceswratico ou degiaco ; Jambico ; Asclipiadeo; 
GZnioTsapphico; Adonio ; Pherecracmno ; Phaleuoano ; Al- 
calco maior ; Archilochio ; Alcaico menor. 

DO VEBSO HEXAMETRO. 

Hexametro consta de seis pe's : destes uns sao.spondeos, 
outros dactylos. Os quatro primeiros podem ser mdiffeien- 
temente dactylos ou spondeos : mas o qumto deve ser da- 
ctylo, e o sexto spondeo. Exemplo : 

ms\ «■ itt*i ?;»»s tó'i «sss. 

Algumas vezes o quinto pé do hexametro nao é dactylo, 
maslpondeo; entSo chama-se o verso sponc^nco : ospoetas 
latinos mais antigos usavam muito dos versos spondaicos, 
como Ennio e Catullo, imitando nisto os Gregos : quando 
porém a poesia latina chegou á época de seu maior apuro, 
o verso hesametro spondaico foi muito poucas vezes empie- 
gado, e quasi que só era usado pelos poetas para expinnir 
a harmoniaimitaíiva, como se póde conhecer dos segumtes 

SP Catüll C o° d'escrevendo a admiracao das Nereidas .á vista da 
frota dos Argonautas, diz : 

Emersere íeri candenti e gurgite yultus, 
iEquorese monstnun Nereides admirantes. 

Virgilio descrevendo Sinou que percorre vagarosamente 
com a vista as tropas Troianas, diz : 

Gonstitit, atque oculis Phrygia agmina circumspexit. 

Ovidio faz conhecer sensivelmente no seguinte verso a 
vasta extensao dos mares, quando diz : 

Nec brachia longo 
Margine terrarum porrexerat Amphitrite. 

seguinte verso spondaico de Yida, que termijia langui- 
damente e como que immovel, representa a morte de Je,us 
Christo : 

Supremamque auram, ponens caput, exspiravü. 

spondaico tem o quarto pé dactylo, e acaba ordinana- 
mente por uma palavra de quatro syllabas. 



L 



ARTE METRICA. 



287 



DO VERSO PENTAMETRO. 



pentametro, que tambem se chama elegiaco, ou cesu- 
ratico, consta cle cmco pés: clestes os dous primeiros podera 
ser indeferentemente clactylos ou spondeos ; o quarto e 
quinto anapestos. 

_Nátü- l rse sequí- I tür se- I mina quís- I que suüe. 
Carmín'í- | büs v¡- I ves tem- | piís m om- I ne meís. 

Mas o verso pentametro é mais propriameníe dividido 
em clous hemistichios ou meios versos ; constando o primeiro 
hemistichio de dous pés, quer dactylos, quer spondeos, e 
uma cesura ; e o segundo hemistichio sempre de dous da- 
ctylos, e uma cesura; deste modo : 



Natü- 


i'íb seqm- 


tür 


semma 


quisque su- 


£6 






cesura 






cesura 


Carmmi- 


büs ví- 


ves 
cesura 


témpus 'ín 


omne me- 


is 
cesura 



DO VER80 JAMBIC0. 

verso jambico consta, como seu noine indica, de pés 
iambos ; e se divide em duas especies : um chamado Di- 
metro (dimeter), que consta de quatro pés, outro Trimetro 
(trimeter), que consfca de seis pés. 

A. razao destes nomes é que, entre os Greg'os, dous pés 
eram_ considerados sómente como uma mecíida no verso 
jambico ; entretanto que os Latinos mediam os versos con- 
tando cada pé separadamente : assim o jambico diametro 
(em greg'o) corresponde ao jambico quaternario em latim, e 
o trimetro ao jambico senario. 

Primitivamente os versos jambicos eram puros_, isfco é, 
constavam sómente de pés jambos, náo admittindo ne- 
nhuma outra especie cle pé, por exemplo : 



pites 



Mas depois para maior facilidade e variedade, foram ad- 
mittidos no verso jambico nos lugares impares, isto é, no 
primeiro, terceiro e quinto lug'ar, o spoadeo, o dactylo e o 
anapesto, por exemplo : 



Dimetro. 


mar- 


I sit ses 


too- 


SIÜS, 






Trimetro. 


Pliase- 


lüs íi- 


le, quém 




v'ícle- 


1 t"ís, hos- 




Áít 


' fiiis- 


se 5m- 


lllulll 


celér- 


' rímus ; 



Dimetro. 


Oanidi 


a trac- 


tavit 


dapés. 






Trimetro. 


Quóquó 


sceles- 


tí ríii- 


t'ís aut 


cür dex- 


teris. 




Documén- 


ta fors 


majo- 


ra, quam 


fragili 


loco. 



Mais outros pés introduziram no verso jambico os poetas, 



vmmmmmmei. 






^t^vj-r^>¿icto*:-a^a>^^w-R-!^i-a 



288 LINGTOA. LATINA. 

principalmente os Comicos ; a saber : o tribracho, e o pro- 
celeusmatico ; exemplo : 

Trimetro. I Potüis- I se vín- | cí. Spoli- 1 a popu- j lator I rapit» 
I Pavet aní- | müs, hor- I ret: ma- I gna per- | nicies ] adest. 

tribraclio foi admittido no verso jambico, porque, cons- 
tando de tres breves, póde substituir o jambo, que é for- 
mado de umabreve e uma longa, visto que uma syllaba 
long-a equivale a cluas breves; o proceleusmatico foi pelo 
mesmo principio admittido ; pois vale o mesmo que um 
spondeo. 

Os versos jambiccs que constam só de pés jarobos, cha- 
mam-se puros ; os que constam de jambos e de outros pés, 
sáo impuros. 

Nos poetas comicos encontram-se alg'umas vezes jambicos 
compostos de oito pés, charaados por isso Tetrametros {Tetra- 
meter) ou octonarios. 

Do verso A,sclepiadeo. 

verso asclepiadeo consta de quatro pés, a saber: um 
spondeo, dous choriambos, e um pyrrichio, como: 

Mcece- | nas atavis- 1 édite re- | gíbüs, Horat. L. I. Od. l a . 

Mas o verso asclepiadeo póde tambero ser medido com 
um spondeo, um dactylo, e uma cesura; e mais dous da- 
ctylos, assim : 

Míecé- | nas ata- | vís | edite | reg'íbiís. 
Do verso Glyconio. 

verso glyconio tem trespés, um spondeo, um choriambo 
e um pyrrichio, exemplo : 

Navis 1 quae tíb'í cre- j dítiím. | Horat. L. I. Od. 3 a . 

Esta especie de verso tambem póde medir-se com um 
spondeo, e dous dactylos, assim : 

Navís | quoe tibi' | creditum. 
Do verso Sapphico e Ádonio. 

verso sapphico consta de cinco pés, a saber: um trocheo, 
um spondeo, um,dactylo, e clous trocheos, exemplo : 

Inte- | ger ví | tce scele- | rlsque | püríís | Ilorat. L. I. Od. 22. 



ARTE METBICA. 289 



verso adonio, que sempre acompanha o sapphico, consta 
de um dactylo e um spondeo, exemplo : 

Terríut | ürbém. | Horat. L. I. Od. 2. 

Do verso Pherecraciano. 

verso plierecraciano consta de tres pés, um spondeo, um 
dactylo, e um spondeo, oxemplo : 

Nígrls [ sequora | ventís. j Horat. L. I Od. 5. 
Do verso Phaleuciano. 

verso phaleuciano consta de cinco pés, a saber : um 
spondeo, um dactylo, e tres trocheos, exemplo : 

Summüm | nec metü- | ás d'í- | ém nec | óptes. | Martial. L. 10, 4. 7. 

Do verso Alcaico maíor. 

verso alcaico maior, chamado tamhem dactylico, consta 
de quatro pés, a saber : um spondeo, ou jambo, um jainbo e 
uma cesura, e dous dactylos, exemplo : 

Vlrtüs | repül- I sa3 I néscia | sordída^. 
I cesura | 

Inta- | mina- I tis I fülget ho- | noribüs. | Horat. L. III. Od. 2 a 
I cesura \ 

Do verso Archilochio. 

verso archilochio jambico consta de quatro pés : no pri- 
meiro e terceiro lugar deve haver um spoudeo ou um jambo; 
no seg-undo e quarto sempre um jambo e uma cesura no fim 
do verso, exemplo : 

Néc sü- | mít, aut | ponlt | secú- I res [ Horat. L. III. Od. 2. 

j cesura | 

Do verso Alcaico menor, 

verso alcaico daclylico menor consta de quatro pés, a 
saber: dous dactylos, e dous trocheos, exemplo : 

Arbitri- | o popíi | lar'ís ¡ áuras | Horat. L. III. Od. 2. 

Das especies de versos acima meucionadas as duas prirnei- 
ras II exametro e Pentametro derivam o seu nome do numero de 




290 LINGTOA LA.TINA. 

pés do que constain ; todas as outras devem a sua denomí- 
iiac&o ao nome de seu inventor, ou do poeta que mais fre- 
quentemente as empregava. 

Da medigao do$ versos: 

Na medicao dos versos latinos podemrealisar-se,e sao fre- 
quentes as 'figuras seguintes : Synalepha, Ecthlipsts, Duüepha, 
ou Hiáto, Syneresis, Dieresis, Systole, e Ihastole. 

A ultima syllaba de qualquer verso latmo é commum. 

Synalepha. 

Gonticuere omnes, intentlque ora tenébant . _ 
Sijungi hospitio properat, sociusque vocan. 

que se medem deste modo : 

Cdntícü-I ér'om- 1 nes in- I tenti^ j qu'ora te- | nebant. 
Si jün- I g'hSspiti- 1 o prope- I rat socí- | üsque vo- I can. 

Nas interjeicoes o, oh, heu, ah, proh, vcb, vah, hei, quasi 
nunca tem lug-ar a syyialepha, exemplo : 

pater, o horninum Divumque ceterna potestas. 

que se mede deste modo : 

pater, 1 o homí- | num, Di- | Tumqu'se- | térna po- | testas. 

AJgmmas vezes náo se faz synalepha (o que é raro succe- 
der), e como pronunciando o verso sem a ehsSo dasvogaes, 
abre-se mais a bocca, diz-se que ba Hiato (abertura da boc- 
ca) ou Dialepha, exemplo. : 

Credimus ? an qui amant, ipsi sibi somnia fingunt.. 
Ter sunt conati imponere Pelio Ossam. 

Em ambos estes versos nao se póde fazer Synalepha, por- 
que ficariam errados ; faz-se portanto Hiato ou Dialepha en- 
tre o — i de qui e o — a de amant no primeiro verso : no se- 
e-undo faz-se o Hiato entre o — i — de conati, e o — % — de 
imponere ; entre o - o — de Pelio, eo-o-de Ossam. e me- 
dem-se deste modo : 

Credimus ! I an quí a- j mant I- I psí sM I sómma 1 fingunt 
T« snnt coná- ti im- ponere | Pelio I Ossam. 



As vogaeslong-as podem tornar-se breves quandoha Hiaío, 
o que se'verifica nos dous exemplos acima apontados. 



ARTE METRICÁ. 



Ecthlipsis. 



291 



curas hominum ! o quantum est in rebus inane ! 
Monstrumhorrendum, informe, ingens, cui lumem ademptum. 

que se medem deste modo : 

O cü- I ras homí- ¡ n'6 quán- j t'est in 1 rebiís ín- 1 ane. 
Monst'hor- 1 rend'in- | form'in- | gens, cüi I lümen ad- 1 emptum 

A Synalephae 'a Ecthlpisis tem lugar muitas vezes no fim 
do verso, passando a syllaba termmada em vogal ou em m 
para o verso seguinte que deve comecar por vogal, ou por 
h; exemplo da Synalepha no fim do verso : 

Sternitur infelix alieno vulnere, ccelumque 
Adspicit, et dulces moriens reminiscxtur Argos. 

que se mede deste modo : 

Stérmtür I ínfé- I lix alí- | énó 1 vQlnere, caelum- 
qu'Adspicit I et 'dül- 1 ces mori | ens remi- | niscitur Argos. 

Exemplo de Ecthlipsis no fim do verso : 

Jamque iter emensi, turres ac tecta latinorum 
Ardua cernebant juvenes, murosque subibant. 

que se mede deste modo : 

Jamqu'iter í emen- 1 si tür- I res ac j tecta la- 1 tino- 
r'Ardua I cerne- 1 bant jüve- 1 nes mü- I rosque sub- I íbant. 

Estes versos em que cresce uma syllaba no fim, chamam- 
se como já dissemos, Hypercatalecticos, ou Hypermetros. 

Os poetas latinos mais antigos costumam fazer- uma_ es- 
pecie de Ecthlipsis cortando a letra s nas palavras termma- 
das em üs e is, quando nSo se segue vogal, exemplo : 

Voííto yíyÜ p'er ora virúm. Ennio. 

Sceptro pótítus, eadem aliis sopitü quiete est, Lucr. 

Ha muitas vezes a mesma contraccao entre os comicos 
com opus est, exemplo : > 

Bed quid opú' sí verbis ? sin eveniat quod volo. Terencio 

' Syneresis. 

Notus amor Phsedrse, nota est injuria Thesei. 
Aurea percussum virga, versumque venems. 
TJna eademque via sanguisque animusque ferentur. 
Gnm reñuit campis. et jam se condidit alveo. _ 
Vehemens et liquidus puroque simillimus amm. 
Fluviorum rex Eridanus, camposque per omnes. 



292 LING-UA LATINA. 

Em todos estes versos as palavras escriptas em letra itah- 
ca sao aquellas, em que se faz a Syneresis que consiate na 
oontraccáo de duas vogaes em uma so syllaba. A. esta n 
ffu7a Póae-se referir a mudanca das letras i por j ; e de u 
por cfcomo nas palavars genua, tenuis, abiete, parietibus dos 
seguintes versos : 

Propterea quia corpus aquse naturaque tenvls. 
ffewüalabant, gelido concrevít frigore sa.nguis. 
iEdiñcant, sectáque intexunt abjete costas . 
Parjetibusque premunt arctis , et quator aaclunt 

Dieresis. 

Aulai in medio libabant pocula Bacclii. 
Stamina non ulli dissoluenda Deo. 
Debuerant fusos evoluísse suos. 

Em todos estes versos as palavras escriptas em letra , ita- 
lica sao as em que se faz a Dieresis, que consiste na ie*ola- 
cao de uma syllaba em duas ; e por ísso le-se aulai em vez 
de aulce ; clissoluenda em vez de dissolvencla ; evolmsse em vez 
de evolvisse. 

Systole. 
Matri longa decem tuíérunt fastidia menses. 
Neste verso diz-se breve tulerunt em vez de txüérunt, pefa 
figura Systole. 

Diastole. 
Consklant, si tantus amór, et msenia condaní. 
Neste verso a syllaba final de amor que é breve torna-se 
longa pela figura Diastole. 



ARTE METRICA. 293 

Algiunas regras para oomporvensos 

latínos C). 

OBSERVACOES GERAES. 

1. A primeira cousa que se requer para compor verso la- 
tmo é a assidua leitura deste. L 

. 2 Para exprimir um pensamento é muitas vezes imnos- 
sivel usar da palavra latina que o traduz, quando as suas 
syllabas nao podem formar o P é, que convém ao ffenero dó 
verso ; neste caso busca-se um synonymo mais proximo • 
por exemplo, querendo por em verso latino pastor Corydon 
amava o íormoso A lexis, diz-se: 

Formo- | süm pas- | tor Coif - | donar- | débat 1- | lexin. 

verbo ámabát que Iog-o occorre, para traduzir-amava 
-naopóde ser admittido neste verso em rasáo de ter a 
pnmeira syllaba breve : e por mais que se inverta iámait 

asr e,,e e as outras >» Ia ™ *»»» 

que nao se empregue, por exemplo, aura, ferra, em vez de 
aiirum e ferrum , nem patres , matres, uxores, filios , em 
lug-ar cle paírem , maírcwi , «mw, /W¿ U m , quando real- 

e m xemplc: m ^ ^ dG Um SÓ destes^ indiyiduo É í, 

Qt«03 te tam Iseta tulérunt 
Sceciola? 

em lugar de quod sceculum tam teíwm te tulit « 

plui-a?, p„T e tm P plo: tam ° em Mr USad ° Para ' re P reseirtar ° 

Armorum sonitum toto Germania C£elo 
Audnt, 

em lugar de Germani audierunt 

pereunf S CUm plebe perit ' 6m VeZ de noWfeí cum P lebe 

on^t^wfn 111351 ^*^^^ ™^ 6 ^*^ P° de elegantemente ser 
substiluido por uin adjectivo, exemplo : 

levdu^os^^nrP.lnt^ Íe? pirar ° + g0st0 P ela metrificacao latina é quo 
íxmaArte Pnfll nL Si& succmto «sumo, que bem loiige está de 

Siááon^ d f te 1ÍYro de P enda « nossa 

toso csciever a este respeito algum trabalho mais provei 



21 




204. LINSUA. LLTINA. 



Pacatumque reget patriis virtutibus orbem, 
^'ííS.íbffi'^ipídea™™.» ser em- 

^^t^X^^™ taxi, isto e, 

vüis amat, &c. . 

" Dant famuli manibus lymphas, Cereremque camstns 
Expediunt. 

exemplo : 

llle impiger hausft spumantem pateram. 

^^^TS^'empregU.eleg.nteoumteem 

lugar clo todo, exemplo : 

Audiit Omnipotens, oculosque ad mcenia torsit. 

^Xá^^oTa^elSrfS^ ser substituido por 
J' sutatautivo com genitivo (5), por exemplo . 

Depulsus ab w&ere matris. 
em lugar de ad ubere materno ; mas em geral deve preferir- 

^^VtstoTtas usam muitas vezes o ^f^^J 
attributonaterminacaoneutramesmoquando o sujeito é 

masculino ou femmmo, exemplo : 

Triste lupus stabulis, maturis frugibus imbres, 
Dulce satis humor. 

11. Uma constimccao imitada dos gr eg °s * <£™ a ?f¿ 
sente muitas vezes ^V^StS^^TStíM^ÜYO 
^eS vct rmeSnüreiv: ef tz de concordar o ad- 
jectivo com o substantivo, exemplo : 

•' Obsedére alli telis augusta viarum. 

em lug-ar de angustas vias. , gubstantivo 

12. adjectivo póde ser substituido peiu » 

deste modo : , 

Inclementia clxvum. 
Has evertit opes. 
em lugar de inclementes Divi everterunt bas opes. 



ARTE METRICA. 295 

13. verbo nas narracoes póde-se empregar no inflnito 
em vez de ser empregado no indicativo, exemplo : 

Nos pavidi trepidare metu, crinemque fla°rantem 
Excutere, et sanctos restinguere fontibus Ignes. 

em lugar de trepidamus, excutimus, restinguimus. 

No verso é mais commum o uso do inflnito que do gerun- 
dio em di para expnmir a relacao portugueza de, exemplo : 

Sed si tantus amor casus cognoscere nostros. 

em lugar de cognoscendi. 

15. Usa-se ainda do infinito em poesia de preferencia ao 
gerundio em dum com ad, exemplo : 

■ Omne cum Proteus pecus egit altos 
Visere montes. 

em lugar de ad visendum montes, ou ad visendos montes 

16. Devem ser evitados tanto quanto fór possivel, 'os ad- 
verbios formados de nomes da segunda declinacao acabados 
em e ou o como certe, continuo. Mas os que acabam em er 
como fortiter, os adjectivos na terminacSo neutra tomados 
adyerbialmente como dulce, multum; e os adverbios compa- 
ratiyos, molhus, serius, podem ser admittidos na linguagem 

17. adverbio póde muito bem ser substituido por um 
adjectivo qub concordará com o sujeito, ou com o áttributo, 

cXolXJ"plO * 

Ferte citi flammas, &c. 
em lugar áecito. 

18. As conjunccOes ac, atque, que, et, podem repetir-se em 
um mesmo yerso, e esta repeticáo é muitas vezes uma bel- 
leza, exemplo : 

Jamque quiescebant voces liominumowe, camimc/ue 
Limaque nocturnos, &c. 

19. Os epithetos sao o ornamento mais geral do verso - e 
sao commummente adjectivos que qualificam de um mo'do 
especial, e convemente o substantivo, dando-lhe um cara- 
cter saliente. 

Sao duros em geral, eseccos os versos privados de epithe- 
tos,_ mas convém tambem nao usar profusamente desta es- 
pecie de ornamento,porque essa accumulacao reverteria em 
aíiectacao, exemplo : 

Rugosi passique senes eadem omnia qiuerunt 
Exitus ut classi faustus felixque daretur. 



p. 
•d 



mmMmmimismmmmmsms^'a^^^^fS''^ 



29 g LINGÜA LATINA. 

possivel, exemplo : 

Flavaque de wiridi stillabant iüee mella, 

nacáo do substantivo a que se refeie, exempLo 

evitando portanto .collocar taes epithetos do modo por que 
se acham no segumte verso de Horacio . 

Quis tamen exiguos elegos emiserit auctor . 

stantivoa.quesereferem,exemplo. 

Hoz juvenem egregium prcestanti munere donat. 

PRECEITOS PARA O VERSO HEXAMETRO. 

pátavrade duas ou tres syllabas, exemplo. 

iSSr?^uíS5Í^SS2- 

P » c = «HS^» de um Ml ° 

verso pelas ceswas: que nelle se íazem. 

Sllvés- [ trém tenu- ¡ í mü- 1 sam medi- | tiris S- 1 vena, 
Exemplo de um máo verso por nüo ter cewras: 
Roniee 1 mcenia 1 terruit | impigor 1 Hanuibal 1 armis 

;*S*33sS32sffisí 



ARTE METBICA. 



297 



niosos. Em geral basta uma só cesura depois do segmndo pé, 
exemplo. 

Vitaque cum gemiíw fugit indignata sub umbras. 

26. Convém que o versificador náo se illuda tomando por 
cesura o que realmente nSo é, sinao um final de verso hexa- 
metro, exemplo : 

Sole cadente, ]\xvencus aratra veliquü in arvo, 

pois cesura é a syllaba (e nao syllabas) que fica depois de cor- 
tada qualquer palavra para se formar um pé. 

27 Tanto se deve evitar um verso só composto de spon- 
deos, como o que constar de cinco dactylos seguidos : uma 
discreta combinacao de dactylos e spondeos merecerá sem- 
pre a preferencia. , 

28. Já dissemos que a harmonia dos hexametros depenae 
em muito da sua terminacao por palavra de duas, ou tres 
syllabas (23) ; nao obstante póde tambem o hexametro íma- 
lisar por um, ou por dous monosyllabos, ou pelo verbo est 
precedido de uma elisáo, exemplo : 

Versibus exponi tragicis res comica non vult. 
Grammatici certant, et adhuc sub judice lis est. 
Quíe postquam vates sic ore effatus amico est. 

29. Os monosyllabos que, ve, ne (interrogativo) podem 
acabar barmoniosamente o verso hexametro, exemplo : 

Involvens umbra magna terramque polumgice. 
Siquis in adversum rapiat casusue deusve. 
magnis posthac inimicus risus ! uterwe 
Ad casus dubios fidet sibi certius ? 

30. Exceptuando o que dissemos (28) (29) convém náo 
terminar os hexametros por monosyllabos, pois em g'eral sSo 
desagradaveis, exemplo : 

Nil ergo optabunt homines, si consilium vis. 

31. Com mais forte razao devem ser excluidas do fim do 
verso hexametro as palavras'de quatro syllabas (salvo os 
nomes proprios), exemplo : 

Propter egestatem linguse, et rerum novitatem, 
Te nostris ducibus, te Graiis anteferendo. 

Quando dissemos que se devem excluir do fim do hexa- 
metro as palavras do quatro syllabas, nao nos referimos ao 
verso spondaico, de'que já tractámos. 

32. A. palavra que terminar o hexametro deve ser de pre- 



298 LINGUA LATINA. 

ferencia um substantivo ; depois do substantivo é quasi 
sempre o verbo a palavra finaí, 

Nao se entenda porém que sempre e sempre devamos ñe- 
xametros terminar por substantivos ou per verbos^ pois naaa 
haveria mais monotono ; ao contrano é de muita ímpor- 
tancia alg-umas vezes o adjectivo no fimdo verso, quanüo 
ellé exprime circumstancia muito especial, ou quanclo e tai 
que póde produzir harmonia imitativa, ou um effeito artistico, 
exemplo : 

Portantur avari 
Pygmalionis opes. 
Maturate fugam, regique haec dicite vestro. 

epitheto avari collocado no fim do verso, estando o 
substantivo a que se re refere uo verso seg-umte, faz que se 
empreffue maior attencáo para aidéa que expnme. U aüje- 
ctivo vestro terminando o hexametro pmta sensivelmente a 
ironia com que Neptuno falla aos ventos-dizei ao vosso rei. 

Preeeitos para o pentametro, 

33 ■ verso pentametro nunca se emprega só, mas sempre 
em companhia do hexametro; a reuniao de umhexametro e 
pentametro chama-se disticho. 

34. Cada verso pentametro deve em geral encenar um 
sentido cumpleto, exemplo : 

Tempora si fuerint nuhila, solus eris. 

Nao se entenda porém que cada pentametro deve terminar 
por ponto final ; ao contrario podem admitür depois de si 
dous pontos, ponta e virgula, e mesmo virgula, comecando 
.até o hexametro pelas conjunccoes eí, atque, aut<nec, sw , etc. 

35. Ora cada pentametro encerra um sentido compieto, 
ora a idéa do hexametro se continúa no pentametro, ora a 
idéa do pentametro comeca já no hexametro, exempios : 

Donec eris felix, multos numerabis amicos ; 

Tempora si fuerint nubila, solus eris. _ 
SemisepultaYÍrúm curvis feriuntur aratris 
Ossa ; ruinosas occulit herba domos. 
Est tibi, sitque, precor, naUis qui molhbus annis 
In 'patrias artes erudienclus erat. 

36. pentametro deve acabar por palavra de duas syl- 
labas, sendo a primeira breve, exemplo: 

Sorte nec ulla méa tristior esse -potesl. 

Mas póde tambem terminar por um monosyllabo, si é pre- 



ARTE METRICA. 



cedido de outro breve, ou pelo verbo est precedido de elisSo, 
exemplos : 

Prsemia si studio consequar ista, saí est. 
Terra salutiferas herbas, eademque nocentes 
Nutrit, et urticae proxima ssepe rosa' est. 

37. Póde o pentametro terminar por palavra de quatro, 
cinco, ou seis syllabas; mas osmelhores sao osque terminam 
por palavra de duassyllabas, eos peiores os que acabam por 
palavra de tres syllabas, exemplo : 

Primus et in tenero fixús erit latere. 

38. Depois do segundo pé no pentametro é indispensav$l 
a cesura, exemplo : 

Accipiat nullas sordida turris aves. 

Tolera-se na cesura a elisao de que e ve, exemplo : 

Herculis, Antaeique Iíesperidumque chorós. 

39. verbo est precedido de elisáo, assim como dous mo- 
nosyllabos juntos formam uma boa cesura, exemplo : 

Non oculis graía est Atliis ut ante meis. 

Nec veterum dulei scriptorum carmine Musse. 

Oblectant, cúm mens anxia pervigilat. 

40. Chama-se pentametro falso aquelle, em que a cesura, 
depois do seg-undo pé, recahe sobre uma syllaba breve, pois 
por uma licenca rara é que taes syllabas tornam-se long^as, 
exemplo : 

Infelix Dido, nulli b.ene nupta marito. 
Hoc pereunte fugis ; hoc fugiente, peris. 

41. Devem ser cuidadosamente evitados na seg'unda me- 
tade do pentametro as elisOes, exemplo : 

Suffixum in suma me memi«¿ esse cruce. 

Mas póde ser admittida mesmo na segunda metade do penta- 
metro a elisao de que e ve, exemplo : 

Apposita? frondes, Yelleraque alba tegunt. 

Quid facis ? exclamat, membraque ab igne rapit. 

42. No pentametro o epitheto posto na cesura do segroidQ 
<pé rima muitas vezes com o substantivo collocado no fim do 
verso, oque é agradavel, quando nao é em excesso, exemplo : 

Et relevant mulío pectora sicca rnero. 
Silvaque montanas occulit alta feras. 



300 LINGUA LATINA. 

EXERCICIOS PARA O VERSO HEXAMETRO. (*) 

Primeiro excrcicio. 

Dous [ Ut rates teimere pelagus, nec jam amplius 
hexametros < tellus ulla apparet ; undique coelum et unclique 
( maria ; 

Dous í Astitit olli cseruleus imber supra caput, 
hexametros ) noctem ferens hiememque, est unda tenebris 
( inhorruit 

Depois que com estas palavras se formarem quatro hexa- 
metros póde passar-se ao exercicio : 

portuguez.— Log-o que proferio estas pala- 
vr'as, e rapido retirou-separa 
a sua habitacao. 

as i 3 3 

1 Hexametro. latim. — Do, ubi dictum hic, que rapidus 

is i 

recedo in tectum. 

portuguez. — Aprende tambem a queimar nos 
curraes o cheiroso cedro. 
8 is i 

1 Hexametro. latim. — Odoratus accendo et stabulum 

is i 

clisco cedrus. 

portuguez.— E a afug-uentar com o cheiro do 
galbano as perniciosas ser- 
pentes. 

as oris o 

1 Hexametro. latim. — Qne agito nidor galbaneus che- 

i e 

lydrus gravis. 

portuguez.— Hatambem aquellamá serpente 
nos bosques da Calabria. 
es 3 is 3 3 

1 Hexametro. latim. — Sum Calaber anguis malas ilk 

us 
etiam in saltus. 

(*) Professor dará, á sernellianca dcstes, mais exercícios tanto 
para os hexametros, como para os pentametros„ 



f 

'I 



ARTE METRICA. 301 

EXERCICIO PARA VERSO PENTAMETRO 

1 Pentametro. AmicitiaB movet corda nomen "barbara. 
1 Pentametro. Qui pro patria bene jacent cum patriaque. 
1 Pentametro. Ex oculis meis quoque tunc labitur gmtta . 
1 Pentametro. Meis judiciis semper verenda ossa. 

Depois que com estas palavras se formarem quatro pen- 
tametros, póde passar-se ao exercicio segminte ; 

portuguez.— Elle tem grandes g-eiras de cul- 
tivado solo, 

1 Pentamentro. latim. - TenZ ille solum culius jugTa 

rnagnus. 

portuguez.— Ordene que eu vá destes loga- 
resparaoutra qualquer parte, 

A Q 

1 Pentametro. latim. — Ex locus hic eo quolibet jubeo 

O 

ego. 

portucuez. — Eu te acompanharei, e esposa 
de um desterrado serei des- 
terrada, 

1 T"> x. 6TXS o qs 1S ÍS 

i i entametro. latim. — Sequor tu, et sum exul exus 

gis 
conjux.- 

portuguez.— Misturou estas tristes palavras 
com minlias lagrimas. 

1 Pentametro. latim. — Dictum lacryma miscZ meus hic 

e 
tristis, 

Para confeccionar estes versos convém observar cuida- 
' in^MrL^ VGSraS da ^ uantidade das syllabas,e as da 







M odo cLe oontar- o tempo eixtre os romanos 

Do anno e dos mezes 

Oanno,entre os antigos ^*™*> ^*tezmezea)J 
comecav¿ em Marco, terminando em ^zembro Ma ín^ 
Aprilis, Maius, Junius, Julius (ou qumcti hm : por ser qumto 
mez ), A^uste ( ou sexttlis por ser o sexto mez ), í e {«[> 
October, November, December. Mais tarde jumaram-se mais 
dous Januarius e Februarius. -„ n ; nnoa ■ i q«i- 

Oada mez era dividido em tres pontos P^^nfei'ro di¡ 
ber : Cafendas, iVtmas, Idus. As Catoidas eram o pnmeiio dia 
de cada mez ; as nonas eram a cinco, e os idus a treze , ex- 
ceptuando Marco, Maio, Julho e Outubro, em que as nonas 
eram a sete, e os idus a quinze, m i,t¡ m ^«tp 

primeiro dia de qualquer mez se diz em latim deste 
modo : calendis ; o dia cinco nonis; e o dia treze ^dibu ( ex- 
ceptuando Wco, Jf ató, /«ZAo, Ottí«&ro, em que no dia sete 
se diz nonis, e no dia qumze idibus). QvnpT , +nn ,w> Ptm - 
Do diadousao diaquatro (nos mezes na° exceptuados) con 
tam se os dias em relacSo ás nonas; do dia seisa > d ia doze 
(nos mezes nao exceptuados) contam-se os dias em lelacao 
aos idus ; do dia quatorze ao fim do mez ( nos mezes nao ex 
ceptuados ) contam-se ps dias em relacao ás calendas do mez 

'Toímezes exceptuados, do dia dous ac ,dia seis ' contam-se 
osdias em relacáo ás nonas ; do dia oito ac ; di ^jg 1 ™ 
contam-se os dias em relacáo aos tdus ; do dia dezasei s ao 
fim do mez contam-se os dias em relacao as ™^« d ° "^ 
seguinte. Qualquer que seja o mez, mcluem-se nesta conta 
o'dia donde se conía, e o dia até onde se conta. 

A vespera das calendas, das nonas, e dos jdu * pode ser ex 
pressa em latim deste modo : pndu ea lend ? ru ™^ Z™ 2L 
íarum, pridie iduum ; ou em accusativo ( regido occmta 
mente de ante) .pridie calendas, pridie nonas, pridie uíus 

dia seguinte ás calendas, ás nonas e aos «J* P^ tam^ 
bem ser expresso deste modo ; postndie c f nda ™™™Z- 
das (regido o accusativo de post), postridu non^oxx no 
nas postridie iduum ou idus. (Vede a tabella respectiva). 



j 

•tp 



APPENDICEo 



303 




* Do dia, e da noite. 

dia, a contar desde o nascimento até o occaso do sol, éra 
diyidido em doze horas deste modo : das seis ás sete, éra a 
primeira hora, das sete ás oito a segunda, das oito ás nove a 
terceira, das nove ás dez a quarta, etc, etc, até das cinco 
ás seis da tarde que era o duodecima hora. A noite era divi- 
dida em quatro vigilias de tres horas cada uma ; das seis da 
noite as nove era a primeira vigilia ; das nove á meia noite 
era a segunda vigilia ; da meia noite ás tres era a terceira vi- 
gma ; das tres ás seis da manhá a quarta vigilia. 

Da semana. 

Entre os antigos Romanos cada dia da semana era desi- 
gnado pelo nome de um planeta : Domingo {dies solis), se- 
g-unda feira (dies lunce), terca feira (dies Martis), quarta feira 
{dies Mercurii), quinta feira (dies Jovis), sexta feira (dies Vene- 
ris), sabbado (dies Saturni). 

Entre os Ecclesiasticos o Domingo é dies Domini, o sab- 
bado sabbatum, e os outros dias feria secunda, feria tertia, feria 
quarta, etc 

Moedas de cobre. 

cunho das primeiras moedas era representado por um 
animal qualquer, pecus, donde procede o nome generico de 
pecunia, que significa toda a especie de moeda. 

A primeira moeda era chamada as (asse) de ces, que signi- 
fica cobre ou bronze ; e tambem tinha o nome de libra, libra, 
do peso que se Ihe dava. 

asse (as) ou libra era uma peca de cobre com o peso de 
doze oncas : multiplicavam-se os" seus valores do modo se- 
g'uinte : dupondium, dous asses ou duas libras ; tressis tres 
asses outres libras ; quadrussis quatro asses ou quatro libras; 
quincussis cinco asses ; sextussis seis asses ; etc ; decussis dez 
asses ; vigessis vinte asses : tricessis trinta asses ; centussis cem 
asses. 

Semissis (semi assis) ou semis genitivo semissis meio asse. 
Tnens a terca parte de um asse ou quatro oncas ; sextans a 
sexta parte de um asse ou duas oncas ; uncia uma onca ; 
quincunx cinco oncas ; bes dous tercos do asse ou oito oncas. 

Moedas de prata. 

Eram moedas de prata o denario, ou drachma (denarius ou 



304 



LINGUA LATINA. 



drachma), o quinario . (quinarius), ^ e ^^ mrtade d e um 
denario • e o sestercio sestertms, %%, masculmo) que era a 
a Quarta parte do denario. denario (deni de dez em dez) 
?aSa dez asses ; o quinario cinco asses ; e o sestercio dous 
Isses elneÍo, ou, como já dissemos, a quarta parte do de- 

na Os°cÍenarios chamaram-se tambem bigáti ou quadrigáti,con- 
forme o cunho repreeentava um carro puxado por dous ou 
por quatro cavaUos: os quinarios cfcamaram-se tambem TV 
ctoriL, por ser o seu cunho a effigie da Deosa Y ctoria 

Para indicar que o sestercio tambem valia - ¿J^ a sses e 
rneio ou duas libras e meia, representaram-n o deste modo 
LLS ; os dous L significavam as duas libras ou asses : e o b 

indicava semi (metade). . j„ j fl aSf ,, OTPV P 

Os copisfcas adulteraram depois este modo d es^ve 1 e 

converteram os LL emH, conservando sempre o S , por is>o 

é que se encontra nos auctores este sigmal HS, expnmmcio o 

B6 YeVtercio grande (sestertium, ü ne ^°l ^^¿S J t 
nos sestercios (sestertius, ü, masculmoj. (Vide o Magnum Lt 
xicon na parte sestertius.) 



Moedas de ouro. 



aureo (aureus) (nummiis aureus) ou sohdus (sqldo^valia 
vinte cinco denarios ou cem pequenos sestercios ; ísto e, au- 

zentos e cincoenta asses. ' ™ n ; +oa mnprlnc;- 

Nummus ou numus é um nome commum e muitas moedas , 
aummus cereus, o asse ; nummus argmteus, o denano , nummus 
aureus, o aureo. 



Pesos e medidas. 



principal peso entre os Romanos éra a libra que J tambem 
se chamava pondo ou a, : dividia-se eu doze o.ncas ^ e 
os diversos multiplos da onca tmham nomes P^ticu^ies, 
como semissis (seis omcas), fces (oito cncas). dodrans (nove on 
cas), triens (quatro oncas), ect. míllip . 

* As medidas eram para liquidos e solidos : as mais conbe 
cidas sao estas : dolium ou culeus que contmha ymt ampño 
ras ; amphora duas urnas, ou tres modios ; ^Z^ hemUa 
gios ; congius seis sextarios ; textarws duas hem as , ^» 
duos quartarios ; g«aríar¿m dous acetabulos ; acetabalum um. 
cvatho e meio ; cyathus quatro ligulas. 

As medidas de extensáo eram o v¿, comdo, V^J^o, es~ 
tadio, geiras (pés, cubitus, palmus, passus,stadium,jugera). 



L 



ftl- 



TABELLA 

|eic Mnostra o uaodo de cwmíai' ®s íiias &&s mezes segrandl© 

os U-OsiiaiMís. 



o3 

03 (¡3 


o 

Ol 

O 
CJ 


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1! 

MAIO, 
1UTUBR0 

dias. 


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dias. 


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1 








Ul 






Calendis. 


Calendis. 


Calendís. 


Calendis. 


Contam- 


2 


IV 


Non. 


VI Non. 


IV Non. 


IV Non. 


se no anno 


3 


III 


Non. 


V Non. 


III Non. 


III Non. 


bissexto os 


4 


Prid. 


Non. 


IV Non. 


Prid. Non. 


Prid. Non. 


dias do mez I 


5 


Nonis. 


III Non. 


Nonis . 


Nonis. 


de Feverei- 1 


6 


VIII 


Idus. 


Pricl. Non. 


VIII Idus. 


Vin Idus. 


ro do mes- I 


7 


VII 


Idus. 


Noíiís. 


VII Idus. 


VII Idus. 


mo m o d o, 1 


8 


VI 


Idus. 


VIII Idus. 


VI Idus. 


VI Idus. 


que na co- 


9 


V 


Idus. 


VII Idus. 


V Idus. 


V Idus. 


luinna an- 


10 


IV 


Idus. 


VI Idus. 


IV Idus. 


IV Idus. 


tecedente, 


11 


III 


Idus. 


V Idus. 


III Idus. 


III Idus. 


com a diffe- 


12 


Prid. 


Idus. 


IV Idus. 


Prid. Idus. 


Prid. Iclus. 


'r e n c a de 


13 


Idibus. 


III Idus. 


Idibus. 


Idibus. 


que no dia 


14 


XIX 


Cal. 


Prid. Idus. 


XVIII Cal. 


XVI Cal. 


2o áiz-sebis- 


15 


XVIII Cal. 


Idibus. 


XVII Cal. 


XV Cal. 


s exto Ca- 


16 


XVII 


Cal. 


XVII Cal. 


XVI Cal. 


XIV Cal. 


lendas Mar- 


17 


XVI 


Cal. 


XVI Cal. 


XV Cal. 


XIII Cal. 


tii, d o n d e 


18 


XV 


Cal. 


XV Cal. 


XIV Cal. 


XII Cal. 


procedeu a 


19 


XIV 


Cal. 


XIV Cal. 


XIII Cal. 


XI Cal. 


d e nomina- 


20 


XIII 


Cal. 


XIII Cal. 


XII Cal. 


X Cal. 


cao cle anno 


21 


XII 


Cal. 


XII Cal. 


XI Cal. 


IX Cal. 


bissexto. 


22 


XI 


Cal. 


XI Cal. 


X Cal. 


VIII Cal. 


§ 


, 23 


X 


Cal. 


X Cal. 


IX Cal. 


VII Cal. 


| 


1 21 


IX 


Cal. 


IX Cal. 


VIII Cal. 


VI Cal. 


VI Cal. 1 


1 25 


VIII 


Cal. 


VIII Cal. 


VII Cal. 


V Cal. 


Bissext.Cal. I 


. 26 


VII 


Cal. 


VII Cal. 


VI Cal. 


IV Cal. 


V Cal. 


27 


VI 


Cal. 


VI Cal. 


V Cal. 


III Cal. 


IV Cal. 


28 


V 


Cal. 


V Cal. 


IV Cal. 


Pridie Cal. 


III Cal. 


29 


IV 


Cal. 


IV Cal. 


III Cal. 




Pridie Cal. | 


30 


III 


Cal. 


III Cal. 


Pridie Cal. 






31 

[ 


Pridie Cal. 


Pridie Cal. 






■ 



K 



A. ager. annis. augustales, augus- 

talis. 
A. A. apud agrum. 
AB. AC. SEN. ab actis senatüs, 
AE. CVE. aedilis curulis. 
A. FRVM. a frumento. 
A. H. D. M. amico hoc dedit mo- 

numentum. 
A. K. ante kalendas. 
A. 0. F. C. amico optimo facien- 

dum curavit. 
A. P. aadilítiíi potestate. amico 

posuit. 
A. S. L. animo solvit libens. a si- 

gnis legionis. 
A. T. V. aram testamento vovit. 

A. XX. H. EST. annorum viginti 
hie est. 

B. A. bixit pro vixit annis. 

B. DE. SE. M. bene de se meritaB. 

vel merito. 
B. M. D. S. bene merenti, vel bene 

merito de se. 
B. P. D. bono publico datum, 
B. Q. bene quiescat. 

B. V. bene vale. 

BX. ANNOS. VII. ME. VI. DI. 
XVII. vixit annos septem men- 
ses sex dies decem septem. 

0. centuria. centurio. 

0. centurio. 

C. B. M. conjugi bene merenti. F. 
conjugi bene merenti fecit. 

CENS. PERP. P. P. vel CENS. 

PERP. P. V.vel CENS. P. P. P. 

censor perpetuus pater patrisa. 
COH. I. AFR. C. R. cohors prima 

africanorum civium romanorum, 

FL. BF. Flavia beneficiariorum. 



C. I. 0. N. B. M. F. civium illius 

omnium nomine bene merenti 

fecit. 
C. K. L. C. S. L. F. C. conjuge 

carissimo loco concesso sibi li- 

benter fieri curavit. 
C. P. T. curavit poni titulum. 
C. R. civis romanus. civium roma- 

norum. curaverunt refici. 

C. S. H. S. T. T. L. communi 
sumptu hajredum. sit tibi terra 
levis . 

D. decimus. decuria. decurio. de- 
clinavit. dedit. devotus. dies. 
diis. divus. dominus. domo. do- 
mus. quingeni. 

D. 0. D. P. decuriones coloniaj de- 

derunt publicé. 
D. D. D. S. decreto decurionum 

datum sibi. dono dedit de suo. 
D. K. OCT. dedicatum kalendis 

octobris. 
D. M. ET. M. diis manibus et 

memoriffi. 
D. N. M. E. devotus numini ma- 

jestati ejus. 
D. 0. S. Deo optimo sacrum. diis 

omnibus sscrum. 
D. P. P. D. D. de propriá pecunia 

dedicaverunt. de pecunia publi- 

ca dono dedit. 
D. S. F. C. H. S. E. de suo facien- 

dum curavit. hic situs est. 

D. T. S. P. dedit tumitlum sum- 
ptu proprio. 

E. CVR. erigi curavít. 

EDV. P. D. edulium populo de- 

dit. 
E. E. ex edicto. ejus ajtas,, 



308 



LINGUA LATINA. 



E. H. T. N. N. S. extermn hsere- 

dem titulus noster non sequitur. 
E. I. M. 0. Y. ex jure manium 

consertum voco. 
E. S. ET. LIB. M. E. étsibietli- 

bertis monumentum erexit. 
E. T. F. I. S. ex testamento fieri 

jussit sibi. 

E. V. L. S. ei votum libens solvit. 
FAO. C. faciendum curavit.. 

F. 0. facere curavit. faciendum 
curavit. fecit conclitorium. felix 
constans. fidei commissum. fieri 
curavit. ' 

F. H. F. íieri hseres fecit. fieri ha3- 

redes fecerunt. 
F. I. D. P. 3. fieri jussit de pecu- 

niá suá. 
F. M. D. D. D. feci monumentum 

datum decreto decurionum. 
F. P. D. D. L. M.fecit publicé de- 

creto decurionum iocum monu- 

menti. 
F. Q. Flamen Quirinalis. 
F. T.'C. fieri testamento curavit. 

F. Y. F. fieri vivens fecit. 

G. L. genio loci. 
G. M. genio malo. 

G. P. R. geniopopuliRomani, seu 

gloria. 
GR. D. gratis datus, vel dedit. 
G. S. genio sacrum, genio senatus. 
G. V. S. genio urbis sacrum. gra- 

tis votum solvit. 
H. habet. hác. hastatus. hsBres. hic. 

homo. honesta. honor. hora. ho 

ris. hostis. 
H. B. M. F. hseres bene merenti 

fEcit. F. C. faciendum curavit 
H. C. CV. hic condi curavit, hoc 

cinerarium constituit. 
H. DD. hseredes dono dedére. ho- 

nori domus tlivinae. 
HE. M. F. S. P. hseres monumen- 

tum fecit suá pecuniá. 
HIG. LOC. HER. N. S. vel HIO. 

LOC. HER. NON. SEQ. hic locus 

hasredem non sequitur. 
H. L. H. N. T. hunc locum haares 

non teneat. 
H. M. AD. H. N. T. velTL. M. AD. 

II, N. TRAN. hoc monumentum 

ad liseredem non transit. 
H. N. S. N. L. S. hseres non sequi- 

tur nosírum locum sepulturse vel 

hajredem.. . locus, etc. 
HOO. M.'-H. N. F. P. hoc monu- 

mentum hseredes nostri fecerunt 

ponere. 



H. P. 0. hseres ponendum curavit. 

hic ponendum curavit. L. D. D. 

D. hseres ponendum curavit loco 

dato decreto decurionum. 
II . S. 0. P. S. hic curavit poni se- 

pulchrum. h'oc sepulchrum con- 

didit pecuniá suá. hoc sibi cón- 

didit propiio sumptu.. 
II. T. "V . P. hseres titulum vivus po- 

suit. hunc titulum vivus posuit. 
I. AG. in agro. 
I. 0. Judex cognitionum. 
I. D. M. inferis diis maledictis. 

Jovi deo magnó. 

I. F. P. LAT. infronte pedos latum. 

II. V DD. duum viris dedicantibus. 
II. VIR. AVG. duumvir Augustalis. 
II. VIR. COL. duumvir colonise. 
II. VIR. I. D. duumvir ]uri dicundo. 

II. VIR. QQ. Q. R. P. Ó. PEC. ALI- 
MENT . duumviro quinquennali 
qua?stori reipublicse operum pe'-. 
cunise alimentariaB. 

III. VIR. AED. CER. triumvir sedi- 
lis cerealis. 

IIII. V. quatuorviratus. 

IIII. VIR. A. P. F. quatuorviri 

argento publico feriendo, vel auro. 
IIII. VIREL. IOVR. DEIC. quatuor- 

viri juri dicendo. 
IIIIII. VIR. QQ. I. D. sexvir quin- 

quinnalis juri dicendo. 
IN. AG. P. XV. IN. F. P.XXV. in 

agrp. pedes quindecim in fronte 

pecíes viginti cpiinque. 
I. 0. M. í). D. SAC. Jovi optimo 

maximo cliis deabus sacrum. 
I. P. Indulgentissimo patrono. in- 

nocentissimo puero, in pace. jus- 

sit poni. 
I. S. V. P. impenaá suá vivus po- 

suit, seu vivi posuere. 
K. B. M. carissima; bene merenti, 

vel carissimo. 
K. CON. D carissimaí conjugi de- 

functEe. 
K. D. calendis decembris. capitedi- 

minutus. 
L. Liberta. Lucia. 
L. B. M. D. libens bene merito di- 

cavit. locxtm bene merenti ded.it.. 

vel libertíB, seu liberto. 
L. F. C. libens fieri curavit. liber- 

tis faciendum curavit. libertis fieri 

curavit. vel locum aut Lugens. 
LIB. ANIM. VOT. libero animo vo- 

tum . 
L. L. FA. Q. L. libertis libertabus 

familiisque libertorum. 



L 



„-, . ¿ 



ABüEVIACCES romanas. 



309 



L. M. T. F. J. locum monumenti 

testamento fieri jussit. 
LOC. D. EX D. D. locu's datus ex 

decreto decurionum. 
L. P. C. D. D. D. locus publicé con- 
cessus, datus decreto decurionum. 
L. Q. ET. LIB. libertisque et liber- 

tabus. 
L. XX. N. P. sestertiis viginti num- 

mum pendit. 
MAN. IRAT. II. manes iratos ha- 

beat. 
M. B. memorne bome, merenti bene. 

mulier bona. . 
M. D. M. SAGR. magnaj deüm ma 

tri sacrum. 
MIL. K. PR. milites cohortis prse- 

torise. 
M. P. V. millia passuum quinque. 
monumentum posuit vivens, vel 
memoriam. 
NAT. ALEX. natione alexandrinus. 
NB. G. nobili genere. 
N. D. F. E. ne de familiá exeat. 
N. H. V. N. AVG. nuncupavit hoc 

votum numini Augusto. 
N. N. AVGG. IMPP. nostri Augusti 

imperatoris. 
NON. TRAS. II . L. non transilias 

hunc locum. 
N. T. M. numini tutelare municipii. 
' N. V. N. D. N. P. 0. neque vende- 
tur neque donabitur neque pi- 
gnori obligabitur. 
OB. HON. AVGVR. ob honorem au- 
guratús I. I. VIR. duumviratús. 
0. C. ordo clarissimus. 
O. E. B. Q. C. ossa ejus bene quies- 

cant condita. 
0. H. I. N. R. S. F. omnibus hono- 
ribus in republicá suá functus. 
0. LIB. LIB. omnibus.libertis liber- 

tabus . 
O. 0. ordo optimus. 
OP. DOL. opus doliare, seu dolia- 

tum. 
P. B. M. patri bene merenti, vel pa- 

trono seu posuit. 
P. C. ET. S. AS. D. ponendum cu- 

ravit et sub asciá dedicavit. 
PED. Q. BIN. pedis quadrati bini. 
P. GAL. prsefectus Galliarum, vel 

prseses. 
PIA. M. H. S. E. S. T. T. L. pia 
mater hic sita est ; sit tibi terra 
levis. 
P. M. passus mille, patronus muni- 
cipii. podes mille. plus minus. 
pontifex maxims. post mortem. 



posuit merenti. posuit mcerens. 
posuit monumentum. 
P. P. pater patrias. pater patratus. 
pater patrum. patrono posuit. 
pecuniá publicá. perpetuus po- 
pulus. posuit prafectus, praito- 
rio. praepositus. propriá pscuniá. 
pro portione. pro prajtor. pro- 
vincia Pannoniffi. publice posuit. 
publice propositum. Publii duo. 
P. Q. E. vel P. Q. EOR. posterisque 

eorum „ 
P. S. D. N. pro salute domini nos- 

tri. 
P. V. S. T. L. M. posuit voto sus- 

cepto titulum libens merito. 
Q. K. quajstor candidatus. 
Q. PR. vel Q. P. R. 0. V. quajstor 

provinciss. 
Q. R. vel Q. RP. quaastor reipu- 

blicaj. 

Q. V. A. I. qui vixit annum unum, 

vel qu£e A. III. M. II. annos tres 

menses duos. A. L. M. IIII. D. V. 

annos quinquaginta menses qua : 

t'uor dies quinque. A. P. M. qui 

vixit annos plus minus. 

R. 0. romana civitas. romani cives. 

R. N. LO. G. P. X. retro non longe 

pedes decem. 
ROM. ET. AVG. COM. ASI. Romaj 
et Augusto communitates Asias. 
R. P. C. reipublicaj causa, reipubli- 
cae conservator. reipublicaí cons- 
tituendse. retro pedes centum. 
R. R, PROX. CÍPP. P. CLXXIIH. 
rejectis ruderibus. proxime cip- 
pum pedes centum septuaginta 
quatuor. 
R. S. P. requietorium sibi posuit. 
S, sacellum, sacrum, scriptus, se- 
mis, senatus. sepulcrum. sequi- 
tur. serva. sibi. singuli. situs. 
solvit. stipendmm. 
S. uncia, 
S. centuria. 
S. semuncia. 
SB. sibi. sub. 
S. D. D. simul dederunt, vel ded.i- 

caverunt. 
S. ET. L. P. E. sibi et libertis li- 

bertabus posteris ejus. 
S. F. S. sine fraude suá. 
SGN. signum. 
S. M. P. I. sibi monumentum poni 

iussit. 
SOLO. PVB. S. P. D. D. D. solo 
publico sibi posuit dato decreto 
decurionum. 



22 



310 



LINGUA LATINA. 



S. P. 0. suá pecuniá constituit. 
■ sumptu proprio cixravit. 
S. T. T. L. sit tibi terra levis. 
S. V. L. D. sibi vivens locum dedit. 
TABVL. P. H. 0. tabularius pro- 

vinciíe Hispaniffi citerioris. 
T. 0. testamento ccnstituit. vel cu- 

ravit. 
T. T. P. V. titulum testamentum 

fieri voluit. 
V. C. P. V. vir clarissimus prscfe- 

ctus urbi. 
V. D. P. S. vivens dedit proprio 

sumptu. viveus de pecuniá suá. 
V. E. D. N. M. Q. E. vir egre- 

gius devotus numinimajestatique 

ej us . 
VI ID. SEP. sexto iclus. septembris. 
VII. VIR. EPVL. septemvir epulo- 

num. 
V. L. A. S. votum libens animo 

solvit. 



VO. DE. vota decennalia. 

V. S. A. L. P. voto suspecto animo 

libens posuit. 
V. V. 0. 0. viri clarissimi. 
VX. B. M. F. H. S. E. S. T. L. uxor 

bene merenti fecit, hic situs est, 

sit tibi terra levis. 
X. decem. 

X. ANNALIB. decennalibus. 
X. IIII. K. F. decimo quarto ka- 

lendas februarii. 
X. VIR. AGR. DAND. ADTR. IVD. 

deccmvir agris dandis attribuen- 

dis judicandis. 
XV. VIR. SAC. FAC. quindecemvir 

sacris faciendis. 
XXX. P. IN. F. triginta pedes in- 

fronte. 
XXX. S. S. tiigesimo stipendio se- 

pultus . 



Inscripgoes christaas 



A. ave. anima. Aulus, etc. 
A. B. M. animae bene merenti. 

A. D. anima dulcis. anno domini. 

B. F. bonse feminse, bonse ñdeL 
BVSV. bonus vir. 

CL. F. clarissima femina ou filia. 

C. R. corpus requiescit ou reposi- 
tum . 

D. deposítus. dormit. dulcis, etc. 
D. B. Q„ dulcis bene quiescas .' 
D. D. S. decessit de sseculo. 

D. I. P. decessit in pace. 

D. M. dominus. 

DPS. depositus. depositio. 

H. R. I. P. hic requiescit in pace. 

IN. D. in Deo. indictione. 

IN. P. D. in pace Domini. 

IN. X. in Christo. 

M. monumentum. memoria. martvr. 

N. DEVS. nobile decus. 

P. pax. ponenclus. posuit. 



P. M. plus minus. 

PRS. probus. 

PZ. pie zezes. 

Q. quiescat. 

Q. FV. AP. N. qui fuit apivd nos. 

R. recessit. requiescit. 

R. I. PA. requiescat in pace. 

S. salve. spiritus. suus. 

SAC. VG. sacra virgo. 

S. I. D. spiritus in Deo. 

SC. M. sanctas memoriae. 

S. T. T. C. sit tibi testis ccelum. 

TT. titulum. 

V. vixit. virgo. vivas, etc. 

V. B. vir boñus. V. C. vir claris 

simus . 
VY. F. vive felix. 
V. S. vale. salve. 
V. X. vivas charissime. 
X. Christus. decem. 
Z. Zezes, Zero (Jesus). 



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Dedicatoria.. 

Co'nvS feí'™ ed ^''''-'-'-V.V.V.V.V.V;.V 
Directorio para uso 'do Vv¿¿¿ ' Syítem^'. '. '. '. '. '.'.'.'. ' 



Nocoes preliminares 
-Pnmeira Licao., 
Segunda LicSo.....*. 

Terceira Licao 

Quarta Licao .... 

Quinta Licao '.*.'. 

Sexta Licao ... 

Setima Licao ...... 

Oitav'a Licao ...."'" 

Nona Liclo , 

Decima. Licao,. ' 
Decima Primeira 
Decima Segunda 
Decima Terceira 
Decima Quarta Licao 
Decima Quinta Licao 
Decima Sexta Ligao 



PffillSEIKA PAETE 



Licao. 
Licao. 
Ligao. 



Cap. i. _ Do 
soantes) 



PAIITE 
alphabeto latino, (pronuncia das 



vogaes e con- 

Nomes' dT ^frr^íl^-^^^í °' ' d ' os ' 'sVAsta^ti'vos'. : '. \ ' '. V " .' " 
Oap iiT P n™t a clechl í asao derivados cia lingua grega 
Nomes cirse^nlf U f d r dec ± h ™&° clos substantívosV T . '. " " ' " 

8p.' £ ~^ a a S a ^lmacao dos substantivos íatinos'.V.V.:: 
Oap ™ 1? ■ qumta declmacao dos substantivos latinos 

" AP d^Lrve?s°e n iSS Ü s St ° S ' red ™ la ^> defeSsV"" 
Dos nomes compostos...° •••••••••••••••••••■..........- 

Dos nomtl ^ Unc í an í es e ¿" todos'Vs'cas'os'.VVVVV :*'''•*•*• 

Dos- n o°m n e e s s defiití es em aI ^ ns --...„..„.;.;;;;;;:;; 

Dos defectivos no numerV.V •/••••■••■••••••■• 

Uo.s defectivos na declinaca'o ' ;•'•••••••••• 

Dos nomes indeclinaveis . * ••'••••••••.•-•••••■•••..• 

wos nomes heterogeneos . _/;"••••••••••.• 

^ap. vni. — Dos nomes adjectivós" '' '"" '•'■■■■• ••••"■■•■ 
Adjectivos irregulares. ...... / 

«>. ix. - Comparativos e súpe'r'lativós' irré¿ülares" " " " " * 
x. - Dos adjectivos demonstrativos . . ! .": dres " •"••••; 



m- 



Oap. 



PAGS.- 
V 
VII 
IX 
XI 
XV 

xxv ' 



o 

15 

27 

41 

55 

69 

85 

97 

105 

115 

125 

137 

149 

159 

167 

183 

193 



205 
208 
209 
209 
211 
212 
216 

219 
219 

223 
224 

226 
226 
226 
227 
227 
227 
232 
236 
237 
238 
239 
241 
243 




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312 



INDICE. 



Cap. xi. — Pronomes pessoaes, e adjectivos pronominaes pos- 

sessívos 241 

Cap. xii. — Do verbo 245 

Cap. xiii. — D.is particulas inseparaveis „. 250 

Cap. xiv. — Da preposicao 251 

Cap. xv. — Do adverbio 253 

Cap. xvi. — Da conjimccao 260 

Cap. xvii. — Da interjeicao 261 

Das flguras ^ 261 

Das figuras de diccao , 270 

DA PROSODIA LATINA. 272 

Cap. i. — Das vogaes em geral 272 

Cap. ii. — Do incremento dos nomes e dos verbos 274 

Cap. iii. — Das syllabas finaes 277 

Cap. iv. — Das syllabas finaes terminadas por uma só consoante. 279 

Cap. v. — Das sy'llabas finaes acabadas em as, es, is, os, us, ys 280 

Cap. vi. — Da penultima syllaba dos preteritos e supinos .282 

Cap. vii. — Da quantidade dos derivados e seus primitivos 282 

Cap. viii. — Da quantidade das preposicoes e particulas com- 

pondo palavras 283 

DA ARTE METRICA 

Dos pés dos versos latinos 284 

Pés cle duas syllabas , 284 

Pés de tres syllabas „ 284 

Pés de tres syllabas (menos usados' 2S4 

Pés de quatro syllabas . . .' 285 

Pés de cinco syllabas : 285 

Da cesura , „ 285 

Do verso hexametro 286 

Do verso pentametro 287 

Do verso jambico „ 287 

Do verso asclepiadeo . 288 

Do verso glyconico 288 

Do verso sapphico e adonio 288 

Do verso pherecraciano 289 

Do verso phaleuciano 289 

Do verso alcaico maior 289 

Do verso archilochio ....... ' 289 

Do verso alcaico menor. 289 

Da medicao dos versos ........................ 290 

Algumas regras para compór versos latinos ........ ..... 293 

Preceitos para o verso hexametro .............. 296 

Preceitos para pentametro 298 

Exercicios para o verso hexametro 300 

Exercicios para o verso pentametro. 301 

APENDICE - 

Modo de contar o tempo entre os Romanos. . . 302 

Moedas de cobre 303 

Moedas de prata, e de ouro ..................................... 303 

Pesos e medidas 304 

Abreviagoes romanas ..... 307 

Inscripcoes christaas . .";. 310 



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